Torres del Paine ainda tem focos de incêndio
Com mais de 600 homens envolvidos, operação luta para acabar com incêncio que já consumiu 7% da área do parque
Marina Valle
Marina Valle
Com trilhas e locais bloqueados por conta dos focos de incêncio, o acesso ainda é restrito em alguns locais em Torres del Paine
Principal atração da Patagônia Chilena, o Parque Nacional Torres del Paine, a 3 mil quilômetros ao sul de Santiago, sofreu um incêndio de grandes danos ambientais no último 27 de dezembro, quando o parque foi fechado e quase 700 turistas tiveram de ser evacuados de hotéis e campings instalados dentro da área e nas proximidades.
Consequência da desinformação e irresponsabilidade do turista israelense Rotem Singer, de 23 anos, que tentou queimar lixo dentro da área do parque (proibidíssimo ali), o fogo já foi quase que totalmente estabilizado, segundo o governador Max Salas, da Província de Última Esperanza, que está coordenando, junto com a Conaf (Corporación Nacional Florestal), uma operação de emergência com uma brigada de quatro helicópteros e 600 homens, entre bombeiros e soldados do exército. “Estamos numa estação de muito vento, que espalha o desastre por cantos isolados e distintos. Enquanto houver vento, não teremos a certeza de que o fogo realmente desapareceu.”, explica Salas.
O parque foi parcialmente reaberto no dia 4 de janeiro, tendo restado como uma das poucas atrações a caminhada de Los Cuernos até a Base das Torres, percurso de 22 quilômetros que equivale a ponta leste do chamado “W”, circuito de trekking muito praticado por montanhistas. Trilhas e campings do norte do parque, desde o refúgio de Los Cuernos, passando por Las Torres, Seron, até o acampamento Los Perros, têm tráfego mais intenso de turistas, que se concentraram nas poucas áreas abertas de visitação. Navegações pelo Lago Grey – lugar do foco do incêncio – para visitar ao Glaciar Grey, uma das maiores atrações de Torres del Paine, seguem vetadas.
Marina Valle
Hotéis localizados próximos às áreas do incêndio, como Explora, continuam fechados sem previsão de reabertura. O Explora escapou por pouco: só foi salvo porque está à beira do Rio Paine, que teve a água bombeada para resfriar a área que cerca a propriedade. “É um milagre que o Explora não tenha se transformado em cinzas, as chamas chegaram muito perto”, conta o governador.
Hotéis que tiveram a sorte de estarem instalados longe das áreas queimadas, como o Las Torres e o recém-aberto Tierra Patagônia, funcionam normalmente, mas têm improvisado para preencher a agenda dos hóspedes com atividades alternativas, já que os passeios clássicos estão suspensos. O Tierra tem tido que oferecer passeios sem muita emoção como presenciar a tosa de ovelhas nas estâncias (fazendas) da região e excursões para a “Condoneras”, cânion situado fora da área do parque onde famílias de côndores – o mais belo pássaro dos andes – abrigam seus ninhos.
Segundo o governador da província, 7% de toda a área do parque já foi destruída até agora, o equivalente a 15.000 hectares de bosques, pastos e vegetação nativa.
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