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MEIO AMBIENTE 19/01/2012

Torres del Paine ainda tem focos de incêndio

Com mais de 600 homens envolvidos, operação luta para acabar com incêncio que já consumiu 7% da área do parque

por Marina Valle, de Torres del Paine

Marina Valle

Torres del

Marina Valle

Com trilhas e locais bloqueados por conta dos focos de incêncio, o acesso ainda é restrito em alguns locais em  Torres del Paine 

Principal atração da Patagônia Chilena, o Parque Nacional Torres del Paine, a 3 mil quilômetros ao sul de Santiago, sofreu um incêndio de grandes danos ambientais no último 27 de dezembro, quando o parque foi fechado e quase 700 turistas tiveram de ser evacuados de hotéis e campings instalados dentro da área e nas proximidades.

Consequência da desinformação e irresponsabilidade do turista israelense Rotem Singer, de 23 anos, que tentou queimar lixo dentro da área do parque (proibidíssimo ali), o fogo já foi quase que totalmente estabilizado, segundo o governador Max Salas, da Província de Última Esperanza, que está coordenando, junto com a Conaf (Corporación Nacional Florestal), uma operação de emergência com uma brigada de quatro helicópteros e 600 homens, entre bombeiros e soldados do exército. “Estamos numa estação de muito vento, que espalha o desastre por cantos isolados e distintos. Enquanto houver vento, não teremos a certeza de que o fogo realmente desapareceu.”, explica Salas.

O parque foi parcialmente reaberto no dia 4 de janeiro, tendo restado como uma das poucas atrações a caminhada de Los Cuernos até a Base das Torres, percurso de 22 quilômetros que equivale a ponta leste do chamado “W”, circuito de trekking muito praticado por montanhistas. Trilhas e campings do norte do parque, desde o refúgio de Los Cuernos, passando por Las Torres, Seron, até o acampamento Los Perros, têm tráfego mais intenso de turistas, que se concentraram nas poucas áreas abertas de visitação. Navegações pelo Lago Grey – lugar do foco do incêncio – para visitar ao Glaciar Grey, uma das maiores atrações de Torres del Paine, seguem vetadas.

A fumaça que ainda está presente nas montanhas da Patagônia chilena

Marina Valle

Hotéis localizados próximos às áreas do incêndio, como Explora, continuam fechados sem previsão de reabertura. O Explora escapou por pouco: só foi salvo porque está à beira do Rio Paine, que teve a água bombeada para resfriar a área que cerca a propriedade. “É um milagre que o Explora não tenha se transformado em cinzas, as chamas chegaram muito perto”, conta o governador.

Hotéis que tiveram a sorte de estarem instalados longe das áreas queimadas, como o Las Torres e o recém-aberto Tierra Patagônia, funcionam normalmente, mas têm improvisado para preencher a agenda dos hóspedes com atividades alternativas, já que os passeios clássicos estão suspensos. O Tierra tem tido que oferecer passeios sem muita emoção como presenciar a tosa de ovelhas nas estâncias (fazendas) da região e excursões para a “Condoneras”, cânion situado fora da área do parque onde famílias de côndores – o mais belo pássaro dos andes – abrigam seus ninhos.

Segundo o governador da província, 7% de toda a área do parque já foi destruída até agora, o equivalente a 15.000 hectares de bosques, pastos e vegetação nativa.

 

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