Uma ou duas coisas sobre gêmeos
O olhar intenso é o mesmo. Assim como a cor do cabelo. Mas um deles é tímido e o outro adora conhecer gente nova. O esforço para saber por que gêmeos idênticos são diferentes – apesar de terem o mesmo DNA – pode ser útil para todos nós.
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As gêmeas chinesas Gillian Shaw e Lily Leod
Jodi Cobb
As chinesas Gillian Shaw e Lily Leod foram adotadas ainda bebês por dois casais do Canadá - um caso raro de gêmeos criados separados. Mas as famílias sempre se veem
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Família de gêmeos
Jodi Cobb
Assim que Doug Malm, à direita, e seu irmão, Phil, conheceram as gêmeas Jena e Jill Lassen, Doug disse a Phil que “escolhesse uma delas e não ficasse mudando”. Hoje os casais vivem na mesma casa em Moscow, em Idaho, com o filho de Phil e Jena, Tim, e a filha de Doug e Jill, Rylie.
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Dupla de campeões de tênis gêmeos
Jodi Cobb
Líderes no ranking mundial, a dupla formada por Mike, à esquerda, e Bob Bryan já venceu 73 torneios de tênis, entre eles o de Wimbledon em 2011. Os gêmeos de 33 anos se entendem tão bem na quadra que os adversários os acusam de recorrer à telepatia.
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Declan Conrad, à direita, pesa 4,5 quilos mais que seu gêmeo idêntico
Jodi Cobb
Com 1 ano e meio de vida, Declan Conrad, à direita, pesa 4,5 quilos mais que seu gêmeo idêntico, Finian. Os meninos começaram a crescer em ritmo distinto ainda no ventre materno, onde tinham acesso desigual ao fluxo de sangue e nutrientes da placenta comum.
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Diana Bozza tranquiliza sua gêmea univitelina
Jodi Cobb
Diana Bozza tranquiliza sua gêmea univitelina, Deborah Faraday, em uma casa de repouso em Front Royal, na Virgínia. Diagnosticada há oito anos com o mal de Alzheimer, hoje Deborah está incapacitada; já Diana não apresenta nenhum sintoma da doença.
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Gêmeas atuando em filmes como Creeporia, uma comédia de horror
Jodi Cobb
Mesmo quando não estão atuando em filmes como Creeporia, uma comédia de horror, Camille Kitt, à esquerda, e sua irmã, Kennerly, preferem se vestir da mesma maneira. As gêmeas também são harpistas e já foram instrutoras de tae kwon do.
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Ned e Fred Mitchell passeiam à beira-mar em Charleston
Jodi Cobb
Com o mesmo jeito animado de andar, Ned e Fred Mitchell passeiam à beira-mar em Charleston, na Carolina do Sul, onde faziam a manutenção de submarinos nucleares antes de se aposentarem, em 1996. A existência sincronizada é algo natural para eles.
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Ned e seu irmão
Jodi Cobb
No domingo, após terem ido à igreja, Ned Mitchell (esquerda) e seu irmão Fred desfrutam de uma taça de vinho na varanda da casa deste. Ned vive ao lado em uma casa idêntica, na cidade de Hollywood, na Carolina do Sul, onde durante 12 anos os gêmeos foram membros do conselho municipal.
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Geneticista colhe amostras de gêmeos
Jodi Cobb
Para entender o processo de formação de gêmeos, o geneticista Bruno Reversade, do Instituto de Biologia Médica de Cingapura, colhe amostras de saliva de Ayush Yadav, um bebê de nove meses nos braços de sua mãe, Babita, no vilarejo de Mohammad Pur Umri, no norte da Índia. Nesse vilarejo, a taxa de gêmeos idênticos é dez vezes maior do que o normal. Para Reversade, isto talvez se deva a uma modificação genética específica.
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Irmãos autistas usam iPad
Jodi Cobb
Tão parecidos, tão diferentes: os gêmeos idênticos John e Sam, de 6 anos, foram diagnosticados com autismo, mas funcionam nas extremidades opostas do espectro do transtorno. Enquanto John quase não fala e bate as mãos excitado, Sam concentra-se em um iPad.
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Juan e Liana
Jodi Cobb
Juan Barbachano (direita) e sua gêmea idêntica, Liana Hoemke, seguram uma foto de quando eram meninas ao lado do irmão menor, Leon. Batizado como Juanita, Juan diz que desde pequeno sentia-se um homem aprisionado num corpo feminino. Aos 14 anos, tentou se matar. Uma década atrás, quando estava com 32 anos, Juan começou o tratamento para a mudança de sexo. “Nunca me senti tão confortável em meu corpo como agora”, diz ele.
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Don Wolf e seu irmão Dave
Jodi Cobb
“Saímos da mesma forma”, diz Don Wolf, à direita, a respeito de seu irmão, Dave, explicando como convivem há 18 anos na cabine de um caminhão. “Ele é mais bagunceiro”, conta Don. “Mas gostamos das mesmas músicas e temos o mesmo senso de humor.”
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Gêmeas Arshu e Armaan
Jodi Cobb
As gêmeas Arshu (esquerda) e Armaan, de dois anos, brincam com um periquito em sua casa próxima de Mohammad Pur Umri, no estado indiano de Uttar Pradesh. Nos últimos 30 anos, mais de 55 gêmeos idênticos nasceram ali, fazendo a fama deste vilarejo onde vivem cerca de 300 famílias.
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Johanna e Eva
Martin Schoeller
Johanna Gill, de 6 anos, abraça a irmã, Eva. Ambas as gêmeas foram diagnosticadas com autismo leve, um transtorno associado à herança genética
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Marta e Emma
Martin Schoeller
As irmãs de 15 anos querem ir à mesma universidade e se tornarem cantoras de opera. Ambas também gostam de desenhar, mas têm uma diferença entre suas artes. Marta retrata muito bem rostos detalhados, enquanto Emma prefere imagens mais expansivas: o céu, a chuva e objetos em moviemnto.
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Skyler e Spencer
Martin Schoeller
No jardim de infância, Spencer era muito tímido para posar no dia da foto. Ele deu sua camiseta ao irmão, que foi fotografado duas vezes. A mãe deles não era tola: ela percebeu a picada de um mosquito na testa de Skyler me ambas as fotos. No ensino médio, os irmãos lutavam wrestling (uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento); os juízes, às vezes diziam a um deles: "Você não pode voltar - já foi finalizado." Hoje, com 19 anos, estudam na universidade Lake Erie College, em Ohio, uma das poucas que oferecem bolsas a gêmeos - um paga a mensalidade integral, o outro não paga nada.
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Emily e Kate
Martin Schoeller
As meninas de 9 anos de idade se dão bem e têm um vínculo psíquico por compras. A mãe delas, às vezes, leva as garotas ao shopping em diferentes ocasiões. Mesmo quando uma gêmea não sabe o que a outra escolheu, elas geralmente querem comprar as mesmas roupas.
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Loretta e Lorraine
Martin Schoeller
Quando Loretta foi diagnosticada com câncer de mama, há três anos, Lorraine estava no consultório médico com ela. Loretta perguntou se Lorraine deveria ser examinada também. O médico descobriu que Lorraine também tinha câncer na mama. Depois de recebrem tratamento, as irmãs estão com boa saúde.
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Jeff e Steve
Martin Schoeller
Durante o primário, não importava se Jeff Nagel não era bom em soletrar - Seteve era. Os gêmios se vestiam com roupas idênticas, a excessão do relógio de pulso, que poderia ser secretamente trocado antes de uma prova. Com 44 anos hoje, eles têm diferentes empregos em Ohio, mas ainda confundem as pessoas, às vezes. Jeff, um chefe de cozinha, pediu a ajuda de Setve para servir em um evento. Os convidados ficaram tão assustados com a velocidade com que Jeff entrava e saia da cozinha que pediram para ele diminuir o ritmo, sem perceber que havia mais de um homem trabalhando.
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Ramon e Eurides
Martin Schoeller
Quando crianças, Ramon e Eurides eram tão parecidos que sua mãe lhes deu braceletes com seus nome, para que não se confundisse e alimentasse o mesmo filho duas vezes. Hoje, aos 34 anos, os gêmios são vizinhos na Flórida, vivendo em casas idênticas. Um tópico de discussão familiar: Quem tem o rosto mais cheio? Ramon diz que é Eurides. Eurides (e sua mãe) dizem ser Ramon. A mãe acredita que é porque ela, por engano, deu a comida de Eurides ao outro gêmio.
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Cole Christopher
Martin Schoeller
Quando tatuou o número 2 no pulso como sinal de que era gêmeo, Christopher Griffen achou que o irmão faria o mesmo. Cole também se tatuou, mas com uma diferença. “Como nasci primeiro, achei que o número 1 seria mais apropriado”, conta ele, rindo. Agora com 20 anos, os gêmeos dizem que hoje se entendem melhor do que quando eram menores. Eles frequentam faculdades diferentes em Ohio, mas carregam um lembrete permanente do outro: ambos têm o nome do irmão tatuado na parte interna do lábio.
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Carly Lily
Martin Schoeller
Carly e Lily Ayer, de Ohio, são de tal modo inseparáveis aos cinco anos de idade que a mãe delas, Lisa, chega a se preocupar: “Eu me pergunto se às vezes elas acham que são a mesma pessoa”. As meninas estão na mesma classe na escola e na natação. Quando os professores tentaram passar Carly para um grupo de natação mais avançado, Lily reclamou, pois não queria ficar longe da irmã.
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Jessica Jackie
Martin Schoeller
Aos 20 anos, Jessica e Jackie Whited frequentam a Universidade de Akron, compartilham os mesmos amigos, trabalham no mesmo lugar e até ensinam juntas na escola dominical. Quando mais jovens, elas se distinguiam pelo esmalte das unhas: Jessica preferia púrpura, e Jackie, o rosa. Tão parecidas são que o chefe delas no McDonald’s costuma se confundir, mas na verdade elas não têm personalidades idênticas. Segundo Jessica, a irmã, que costuma fazer coisas por impulso, como tingir o cabelo, é “mais despachada e imprevisível”.
Todo verão, no primeiro fim de semana de agosto, milhares de gêmeos afluem a Twinsburg (“Vila dos Gêmeos”), no estado de Ohio, um vilarejo a sudeste de Cleveland assim batizado por dois gêmeos idênticos quase dois séculos atrás. Eles vão chegando em pares para a Festa dos Gêmeos, uma maratona que se estende por três dias, com piqueniques, espetáculos e concursos de semelhança, e que se tornou uma das maiores reuniões de gêmeos em todo o mundo.
Dave e Don Wolf, de Fenton, no estado de Michigan, frequentam o festival há anos. Como a maioria dos participantes, eles adoram ficar juntos. Na verdade, nos últimos 18 anos, os irmãos de 53 anos, ambos motoristas de caminhão, percorreram juntos 5 milhões de quilômetros, transportando as mais diversas cargas pelos Estados Unidos. Enquanto um deles assume a direção do Freightliner a diesel, o outro aproveita para tirar uma soneca no beliche da cabine. Ambos costumam ouvir no rádio as mesmas estações de country gospel, defendem idênticas opiniões republicanas ultraconservadoras e, na estrada, se alimentam com uma dieta de linguiça, maçãe queijo cheddar. Nos períodos de folga, saem juntos para caçar e pescar. Esse modo de vida acabou se mostrando conveniente a ambos.“Deve ser coisa de gêmeos”, comenta Don.
Em uma das tardes da festa em Twinsburg, os irmãos param diante de uma barraca de pesquisa montada pelo FBI, a Universidade de Notre Dame e a Universidade da Virgínia Ocidental. No interior da tenda branca, técnicos estão fotografando pares de gêmeos, recolhendo suas impressões digitais e escaneando a íris de seus olhos a fim de comprovar se os programas digitais mais avançados de reconhecimento facial conseguem distingui-los. “Embora os univitelinos pareçam iguais, um sistema de imageamento digital consegue detectar diferenças ínfimas em sardas, poros ou curvatura das sobrancelhas”, diz o pesquisador Patrick Flynn. Por enquanto, todavia, até mesmo os mais avançados sistemas podem se equivocar devido a alterações na iluminação, em expressões faciais e outras complicações no reconhecimento facial de gêmeos ou de outros.
Os barbudos irmãos Wolf são um caso especialmente difícil. E isso parece-lhes divertido. “Depois que fizeram a foto”, conta Dave, “perguntei a um deles o que aconteceria se eu cometesse um crime e depois fosse para casa raspar a barba – conseguiriam provar que era eu? O cara me olhou de esguelha e disse: ‘Talvez não, mas isso não é motivo para sair por aí cometendo crimes’.”
Inato ou adquirido?
Flynn e seus colegas não são os únicos cientistas ali presentes. Com aval dos promotores do evento, vários outros se instalaram em um estacionamento próximo ao local da festa. Em uma barraca vizinha à do FBI, pesquisadores solicitam aos gêmeos que provem de pequenos cálices com bebidas alcoólicas a fim de constatar se reagem do mesmo modo ao gosto. Ao lado, médicos de Cleveland entrevistam irmãs gêmeas sobre questões de saúde feminina. No lado oposto do estacionamento, um dermatologista da multinacional Procter Gamble faz perguntas a um par de gêmeos sobre problemas de pele.
Para esses cientistas, e pesquisadores biomédicos de todo o mundo, os gêmeos oferecem uma valiosa oportunidade de se distinguir a influência dos genes e do ambiente – ou seja, do inato e do adquirido. Como os gêmeos idênticos, ou univitelinos, se originam de um único óvulo fertilizado que se divide em dois, na prática eles possuem o mesmo código genético. Qualquer diferença entre eles – como um dos dois ter a pele com aparência mais jovem, por exemplo – deve ser explicada por fatores ambientais, como o fato de ter passado menos tempo ao sol.
Por outro lado, ao comparar as experiências dos gêmeos idênticos com as dos gêmeos fraternos, ou bivitelinos, que se originam de óvulos distintos e partilham em média metade do DNA, os pesquisadores têm a possibilidade de determinar em que medida os genes afetam diretamente a nossa vida. Se, no que se refere a uma disfunção orgânica, os gêmeos idênticos são mais similares entre si que os fraternos, então, eles concluem, a vulnerabilidade à doença deve estar baseada, pelo menos em parte, na hereditariedade.
Essa vertente de pesquisa – o estudo das diferenças entre univitelinos para se identificar a influência do ambiente e a comparação entre univitelinos e bivitelinos para se avaliar o papel da herança genética – foi crucial para o entendimento da interação dos fatores inatos com os adquiridos na determinação de personalidade, comportamento e propensão a doenças.
