Crianças 09/10/2013

Viajar com crianças: dicas de planejamento e destinos

Ideias simples para aproveitar sua viagem na companhia das crianças

por Eduardo Jun Marubayashi

Alex Livesey/Getty Images

Londres, Reino Unido

Alex Livesey/Getty Images

Crianças brincando de trenó em um parque nevado no Reino Unido

Sempre nos perguntam qual é um bom destino turísticos para a família. Levando-se em conta que existem crianças em todos os países e em todo tipo de ambiente, elas vão se dar bem em qualquer lugar. Pensando desta maneira, há quem leve seus filhotes para as pradarias da Mongólia, para um cruzeiro na baía de Halong, no Vietnã, ou para um trekking em Machu Picchu. Tem gente também que não quer ter dor de cabeça e aposta no básico: parques temáticos, hot-dog e muita comodidade.

O certo é que uma mudança de ares pode afetar o humor da prole. A rotina diária alterada, com comidas diferentes e até uma cama mais ou menos macia da que a criança está acostumada certamente a deixará mais agitada. Fusos horários distintos, então, nem se fale. Se você nunca viajou com a família para destinos mais distantes, saiba que quem domina a agenda agora serão os pequenos. Certifique-se disto e já terá meio caminho andado para uma viagem sem percalços.

Aqui vão outras dicas para aproveitar melhor a viagem e escolher um bom destino de férias. Afinal, todos, adultos e crianças, têm que se divertir!

Distância e transporte

Crianças não têm noção muito clara do tempo, portanto, quanto mais longa a viagem, maior o índice de irritabilidade. No carro, faça paradas mais frequentes para que elas possam se alimentar, hidratar-se, correr um pouco e ir ao banheiro.

Já no avião é um pouco mais difícil. A maioria dos passageiros será bem paciente com choros e agitações, mas leve brinquedos, lanches, sucos e atividades para mantê-las ocupadas. Durante decolagens e pousos, ofereça bebidas para ajudá-las a diminuir os efeitos das diferenças de pressão dentro da cabine. Para os maiores, peça para que façam movimentos de engolir ou também dê a eles algo para comer ou beber.

Carrinho, bebê-conforto e cadeirinha

Se viajar de carro, alugado, próprio ou de amigos e conhecidos, nunca descuide da segurança. Alugue ou solicite assentos como booster, bebê-conforto ou cadeirinha para as empresas de traslado ou aluguel de carro, informando peso e idade das crianças. Reservando com antecedência, não faltará.

Já os carrinhos são tanto uma peça essencial como um pequeno estorvo. Para crianças com mais de um ano e meio, prefira os modelos tipo guarda-chuva, mais leves e fáceis de carregar quando dobradas. Eles não são tão confortáveis, mas quebram bem o galho na hora de visitar um museu, ter agilidade dentro do metrô ou trem, embarcar em qualquer elevador ou mesmo quando elas desistem de andar. Para os menores, o ideal é levar os modelos comuns, mais aconchegantes, já que elas dormem bastante. Se for visitar uma região fria ou chuvosa, não esqueça dos quebra-ventos removíveis. Lembre-se que algumas cidades como Nova York e Paris, com sistema de metrô antigo, não possuem muitos elevadores ou escadas rolantes nas estações, então ou você apela pro muque ou pede ajuda para alguém.

Alimentação

Tente seguir a dieta com a qual eles estão acostumados e sempre tenha um coringa dentro da bolsa, como sucos e biscoitos. Evite alimentos muito condimentados e procure estabelecimentos que aparentem seguir normas mínimas de higiene. Muitos restaurantes têm também cardápios específicos para crianças, e isso pode ajudar na adaptação ao destino.

Países ocidentais e grandes centros urbanos costumam ter drogarias e supermercados que oferecem marcas de leite em pó, papinhas e biscoitos bem conhecidos, o que é um alívio na hora das compras.

No geral, também vale evitar frutos do mar, água não engarrafada, saladas cruas e derivados de leite em destinos de países menos desenvolvidos.

Saúde

Item obrigatório em viagens para o exterior: seguro de viagem. É o mínimo para garantir uma boa assistência médica. Também tenha marcado no seu check-list um pequeno kit feito com indicações de seu pediatra como protetor solar, repelente de insetos, pomada para picadas, gel antisséptico. Isso deve levar em conta o tipo do destino, se ele é tropical, muito frio ou em elevada altitude. Em todas as situações, seja precavido e não abuse da resistência física da criança.

Outro ponto importante é se interar sobre que marcas estão disponíveis no destino e onde adquirir itens básicos como fraldas, pomada para assadura e leite em pó. Você pode correr sério risco de comprar o que não devia ou se ver completamente desabastecido.

Por fim, providencie todas as vacinas necessárias com a antecedência recomendada em cada caso.

Atividades

Pode ser curioso, mas nem sempre crianças estão muito interessadas por atrações multicoloridas e vistosas. Para as quem têm menos de três, quatro anos, atrações lúdicas, com as quais elas possam interagir, são as melhores. Então, melhor que um excelente parque temático com filas intermináveis, talvez valha a pena uma atração menor, onde elas possam repetir a brincadeira à exaustão (e você bem sabe como elas adoram fazer a mesma coisa várias e várias vezes). Da mesma forma, ao invés de um zoológico gigante onde pularão de animal em animal, uma fazendinha, onde possam brincar com coelhos e alimentar cabritos, os manterá igualmente entretidos.

Para os um pouco maiores, as vontades serão externadas muitas vezes baseadas no que eles ouviram na escola sobre as experiências dos amigos. Cabe a você negociar o que cabe no orçamento familiar e quando ou o que fazer.

Também não se esqueça de você: faça as visitas aos museus, shoppings e bares que quiser. Combine com seu parceiro um horário livre para cada um, enquanto o outro toma conta da(s) criança(s). Outra dica é fazer um passeio mais curto, onde todos possam curtir. Então, ao invés de ficar cinco horas no Louvre, faça uma visita de, no máximo, duas horas e prepare com as crianças jogos sobre as peças que irão conhecer. Muitos museus, como o MoMa e o Metropolitan, ambos em Nova York, possuem áreas infantis bem bacanas.

Conforme elas crescem, você verá que se tornarão grandes companheiras para viagens mais sofisticadas e desafiadoras. Até que, um dia, não irão querer mais viajar com os pais. Até lá, portanto, aproveite bem seu tempo com elas.

Yokohama, Japão

Koichi Kamoshida/Getty Images

Na foto acima, garoto se diverte com uma beluga no aquário Hakkejima Sea Paradise, em Yokohama, Japão / Foto: Koichi Kamoshida (Getty Images)

Hospedagem

Aqui vale a criativade e as opções disponíveis. Muitas vezes ficamos na casa de parentes, o que limita a bagunça e a liberdade de horários. A vantagem é que assim as crianças entram em contato direto com costumes e comidas locais. Outras alternativas bacanas são campings e trailers.

Se a escolha recair sobre hotéis e pousadas, cheque aqueles que tenham estrutura com playgrounds, piscinas infantis e cozinhas básicas (para esquentar a mamadeira ou preparar papinhas). Equipes de entretenimento e babás podem ajudar quando os pais quiserem ir a um concerto ou jantar especial.

Uma alternativa que vem se popularizando é o aluguel de casas e apartamentos. Para temporadas de cinco ou mais dias, é prático e econômico. Se por um lado não há recepção 24 horas e nem serviço de quarto, a família terá um espaço mais amplo e próprio, poderá produzir um cardápio próprio na cozinha e ter o gostinho de sentir-se um local. Nestes casos, escolha um imóvel em bairro com boa oferta de serviços e transporte público.

Preste atenção nas crianças

Uma boa viagem com crianças, não importa o destino, depende de uma só coisa: prestar atenção nelas. Se a criança estiver cansada, pare e relaxe – a programação prévia vem em segundo plano. Forçá-la a segui-lo pela décima igreja ou ruína ou praia a deixará irritada. Resultado: sono, alimentação e paciência de todos serão prejudicados. O panda do zôo ou a Capela Sistina podem ser espetaculares para você, mas se ela estiver mais preocupada em empurrar o carrinho ou brincar com o catavento, deixe estar.

Para economizar um pouco...

  • Pacotes de viagem: uma opção tudo-em-um pode trazer muita economia em tempo e dinheiro. Além disso, a maioria das operadoras oferece serviço de traslado, que é um item importante quando se está com crianças.
  • Na hora de escolher um hotel, dê preferência aos que cobram por quarto e não por cabeça, e àqueles que oferecem camas extras e berços sem taxa adicional.
  • Boa parte das melhores atrações para crianças é grátis: parques, playgrounds, certos museus e praias.
  • Troque refeições em restaurantes por piqueniques. Envolva as crianças nos preparativos, faça um cardápio divertido e saudável e escolha um bom parque.
  • Cartões de desconto: em muitos destinos são oferecidos pequenos descontos em transportes públicos, museus e shows para famílias, principalmente na Europa.
  • Escolha a temporada certa: se for possível viajar fora da estação, faça-o. Esta dica é especialmente válida para quem têm bebês e crianças pequenas, que não irão perder aulas nem provas na escola.
  • Crianças de até dois anos normalmente não pagam passagem aérea ou têm descontos bem vantajosos (de até 90%), desde que viajem no colo de um adulto. Reserve o voo com boa antecedência para conseguir preços atrativos e garantir que a família viaje em assentos contíguos.

Escolha do destino

Nem sempre as opções são as ideais. Visitar os parentes em uma cidade distante, fazer um voo com muitas escalas, tirar férias em uma época de muita chuva, muito calor ou debaixo de muita neve. Para estes casos, planejamento é fundamental e tirar proveito da situação é a melhor solução.

No geral, o mais seguro é optar por um destino com boa infraestrutura geral (hospitais, estradas, restaurantes), áreas para a criança se movimentar (jardins, parques, praias), boas e variadas opções de alimentação e atividades que estejam de acordo com sua idade.

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