VIAGEM COM CRIANÇAS 28/09/2012

São Paulo com crianças

A diversidade de atrações em São Paulo deixa o desafio de viajar com crianças um pouco mais fácil

por Anderson Estevan

O trânsito e o corre-corre da maior cidade do Brasil podem deixar qualquer criança desorientada em São Paulo. A lotação quase constante de boa parte das hospedagens, restaurantes e atividades de lazer é um sério candidato a transformar uma viagem em família em um verdadeiro teste de paciência.

Por outro lado, a ampla oferta de parques, centros culturais, museus e opções gastronômicas compensam o caos e a multidão que inunda as ruas da capital paulista todos os dias. Como em qualquer outra grande cidade do mundo, São Paulo tem de tudo, mesmo para crianças e famílias, basta saber escolher.

A atração: Espaço Catavento

Ao longo dos andares do antigo prédio da prefeitura da cidade, o espaço cultural tem tudo o que uma criança sempre quis ter e nunca conseguiu em um museu: mexer em tudo. Em suas quatro sessões, é possível aprender conceitos da física, química, biologia, astronomia, história e geografia brincando.

Sempre com a ajuda de monitores especializados em cada área do lugar, o Catavento agrada não só aos pequenos, mas também aos pais curiosos e dispostos a conhecer um pouco mais sobre as ciências e também sobre o mundo em que vivemos. Lá é possível fazer bolhas de sabão gigante, girar uma esfera de duas toneladas, formar ilusões com espelhos e tocar um meteoro de verdade.

Passeio para a família

As 3,5 mil espécies do maior zoológico da América Latina podem transformar um simples passeio em família em uma verdadeira aventura que pode durar até um dia inteiro. Há exemplares das mais diversas espécies do reino animal, como pinguins e chimpanzés, além de animais ameaçados de extinção, como o rinoceronte-branco e o tigre siberiano. Outra opção bem bacana é agendar o passeio guiado noturno. O preço é um pouco salgado, mas vale a pena. Se o zoológico estiver com filas muito longas (de gente, de carro, de ônibus), desça um pouco antes e aproveite o Jardim Botânico. Não há bichos legais por aqui (fora os passarinhos passantes), mas é um passeio bem bacana.

O Museu do Futebol é outra boa pedida para toda a família, esbanjando recursos audiovisuais e interativos, o lugar conta a história e a popularização do esporte mais querido do país. Além dos troféus, relíquias e materiais esportivos, é possivel escutar a narração de gols que marcaram o futebol brasileiro.

Outra dica bacana é o Parque da Independência, local onde Dom Pedro I deu seu grito imortal. Na parte alta fica o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, um agradável bosque de mata nativa e bem cuidados jardins inspirados no paisagismo francês. Na parte baixa estão o Monumento à Independência, a Casa do Grito e uma ampla área disputada por skatistas, pessoas com seus cães e crianças empinando pipa. Ali perto fica outra atração que agrada a todos, o Aquário de São Paulo. Não é nada espetacular, mas mesmo assim é um dos melhores do país, onde você encontrará o peixe-boi, pirarucus e poraquês.

Ainda na pegada sobre a natureza, aposte no Instituto Butantã. O maior serpentário do país guarda dezenas de espécimes de jiboias, sucuris, urutus e jararacas.

Cupcakes de morango

<p> ballookey / Creative Commons</p>

Cupcake nada! Isto é um bolinho! Crédito: Thinkstock

Comidinhas infalíveis: doces e salgados

Por aqui a máxima “para todos os gostos” é seguida à risca. Não há paladar que não fique satisfeito após um passeio pelas ruas da cidade. Se o seu filho é do tipo “formiga”, que adora se esbaldar com doces, veio ao lugar certo, já que nos últimos tempos o número de docerias tem aumentado consideravelmente por aqui. Há casas que se especializaram em brigadeiros finos, sorvetes e na nova mania dos paulistanos: o cupcake – que, raios, nada mais são que um bolinho metido a besta.

Quem não é “de doce” também não fica mal na capital paulista, já que a ampla oferta de hamburguerias, pastelarias e botequins com salgados deliciosos podem fazer a alegria da criançada pouco interessada em pratos elaborados. A pizza, paixão dos paulistanos, é garantia de uma boa boa opção de alimentação em São Paulo.

Meio de transporte: Bicicleta

A recente criação da ciclofaixa na Avenida Paulista é o reflexo de uma nova tendência em São Paulo: a das bicicletas. Agora, as “magrelas” não estão restritas somente aos parques, mas também desfilam em diversos pontos da cidade. Quem quiser se aventurar em duas rodas pode alugar ou conseguir um empréstimo em bases como as do programa Bike Sampa, espalhadas pelo centro da capital.

Para deixá-las exaustas: Parque do Ibirapuera

A “Praia dos paulistanos” é lugar ideal para soltar as crianças e deixa-las correr até ficarem cansadas. Andar de skate, bicicleta, jogar bola ou simplesmente caminhar são algumas das atividades possíveis no Ibirapuera.

Localizado na região central de São Paulo, o parque abriga mais de 100 espécies de aves, além de diversos espaços de exposições e culturais, como o MAM – Museu de Arte Moderna – e o Planetário.

Outras áreas verdes e espaços bem interessantes são as bem montadas unidades do SESC – espalhadas pela cidade, em bairros como Vila Mariana, Pinheiros, Belenzinho, Ipiranga e Itaquera –, o Parque Villa-Lobos, o Horto Florestal (onde há um mirante natural de onde se pode ver a imensa mancha urbana de São Paulo) e o Parque da Juventude.

Programa de Adolescente: Museu da Língua Portuguesa

As transformações e minúcias do nosso idioma são algumas das matérias-primas do Museu da Língua Portuguesa. Através de recursos digitais, painéis interativos ou simples placas de acrílico com poemas famosos, o visitante conhece os falares das mais diversas regiões do Brasil, com os seus sotaques e interjeições próprios.

Há também exposições temporárias e permanentes, com trechos da obra de verdadeiros cânones da literatura brasileira, como Machado de Assis, João Guimarães Rosa e Jorge Amado.

Para um pouco mais de ação, opte por uma boa partida de futebol. Com três dos melhores times do país jogando na cidade – Palmeiras, São Paulo e Corinthians – não há como não se divertir.