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Adriano Gambarini

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Férias no Nordeste

por Adriano Gambarini em 23 de janeiro de 2009

Foto: A caminho das piscinas, a nostalgia bela da jangada

Férias sob o calor do Nordeste. Janeiro sempre me remete a isto; herança dos meus tempos idos de infância, quando chegava a passar dois meses acampado com a família em plena praia de Itapuã. Há 30 anos não havia nada por aqueles cantos baianos; Itapuã era uma praia isolada, onde havia o farol, o camping e a casa de Vinicius de Morais – lembro de vê-lo diversas vezes sentado na varanda, admirando os coqueirais.

Foto: O horizonte começa a ficar "empovoado"

Mas neste janeiro, resolvi seguir de carro até Maragogi, em Alagoas. Num total de 5200 km, namorada como co-pilota, fui conhecer este canto do país já um pouco explorado turisticamente, mas bem menos do que as praias baianas. Pousadinha à beira-mar, que de tão escandalosamente azul esverdeado, ‘briga’ de chamar a atenção com o céu, sem uma nuvem para contar vantagem. Simplesmente lindo. Logo na primeira caminhada, alguns moleques chegam para oferecer passeios às ‘maravilhosas piscinas de Maragogi’. Ou Galés, para os mais informados.

Porque não? – Pensei. Um mergulho livre, no meio de corais, algumas fotos de uns ‘peixes-sargentinhos’…que mal teria?

Foto: Estacionamento de barcos, a céu e mar aberto

Decidimos seguir com o barco que faz parceria com a pousada, pagar um pouco mais caro para evitar imprevistos, mas ter o conforto de embarcar próximo. Esta é a lógica simples. De cara, meu café da manhã foi interrompido pela cena do barco ser "invadido" por dezenas de outros turistas, e a eminência de zarpar sem nós. Corro atrás do responsável que, com aquele olhar e fala malandra de quem acha que turista é trouxa: ‘Você está na pousada? Se acalme, vem uma lancha lhe buscar…’

Foto: Olha o churrasquinho!

Já fico cabreiro, mas resolvo voltar e saciar minha fome com a maravilhosa tapioca de coco com queijo coalho. De repente aparece outro barco (e não lancha) – aliás o mesmo barco que no dia anterior oferecera o passeio por um preço menor. Olhei pro mar e meu feeling diz que de lancha seria mais ‘roubada’. Embarcamos num trajeto que durou 20 minutos. Já nas famosas piscinas, de tons verde-turquesa, cristalinas, fantasticamente polarizados, escandalizo meu olhar com um verdadeiro estacionamento de barcos, lanchas, traineiras…e uma horda de centenas de pessoas! Aportados numa área de areia muito próxima dos recifes de corais, os barcos "descarregam" os turistas, oferecem ensaios fotográficos subaquáticos, mergulhos com equipamento autônomo (note que a profundidade não passa de 5 m, então o turista é literalmente carregado por algum guia dito credenciado).

Foto: Muitas pessoas, poucos peixes

Enquanto caminhamos com água pela cintura em busca de algum lugar mais calmo, um verdadeiro show de horror natural se pronuncia – jangadas-bar vendem bebidas e churrasquinhos em pleno mar! Pessoas se acotovelam para assistir às "aulas" dos guias que ensinarão "tudo sobre mergulho autônomo". Por sinal, fui diversas vezes empurrado por estes guias. Os poucos peixes observados no meio da água turva possuem o óbvio comportamento de que são alimentados – se aproximam das nossas pernas sem medo algum! Mas tudo bem, a "fotinha" do turista rodeado por peixes justifica qualquer coisa. O som sutil do mar é abafado pelos berros dos exaltados, que brigam com os pilotos dos barcos. Mas eles só querem um lugar ao sol! E afinal, todos têm o direito a uma vaga naquele paraíso de dinheiro fácil, não é mesmo? Além disso, a destruição gradativa daqueles seculares recifes de corais é um mero detalhe (isto porque nos informaram que as piscinas estão numa Área de Proteção Permanente). Depois de uma hora, o barco começa a tocar uma sirene ensurdecedora, chamando a boiada de turistas de volta. A promessa de ficarmos duas horas num passeio inesquecível? Relaxa, fica pra próxima… No fim, o "importante é levar vantagem em tudo, certo?".

Comentários (609)
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  • Por: Anônimo
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  • 3 de março de 2010 às 16:38

Luciana – É exatamente isso! Fui a Maragogi há dois anos e a promessa de um passeio inesquecível não se realizou! O congestionamento de barcos, os “ambulantes” aquáticos e as muitas ofertas de extras (mergulho autônomo, foto de casal, foto com peixinho, foto sem peixe, etc e tal) fazem com que o tempo que se passe lá seja quase que infernal! Sorte de quem foi na baixa temporada, como a Larissa… aí, talvez, seja realmente mais sossegado.

  • Por: Anônimo
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  • 7 de abril de 2010 às 0:10

Dario Baida – É amigo, sei muito bem pelo que voçê passou… A intenção desse pessoal é explorar o turista, enão o turismo…Eles te tratam mal porque sabem que provavelmente voçê não vai voltar mais mesmo, então tentam tirar o que podem.

  • Por: Anônimo
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  • 8 de julho de 2010 às 14:37

Francisco – Estive lá no final de junho até inicio de julho e confirmo tudo o que você relatou e mais fujam desse passeio procurem outros lugares menos maragogi ou região de maceio, pura exploração e mau atendimento com os turistas, vejam bem, retornei de lá 05/07/2010, não tentem arriscar!!!!

  • Por: Anônimo
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  • 12 de julho de 2010 às 7:59

Valdo – Maragogi é sim uma cidade bonita, mas os moradores fazem questão de torná-la feia. Fui com a esposa e amigos e decidimos fazer o tão falado mergulho, como não somos nenhum Bill Gates, fizemos o orçamento e encontramos um guia conhecido por camarão. Ele te explica que o passeio irá custar 40 reias até as galés, mas usa a expressão “o mergulho fica em 60 reais”. Na duvida ainda questionei se irei usar cilindro e tudo mais?! Ele afirma que sim. Penchinchei e consegui manter o preço COM O MERGULHO nos 40. Fechado o acordo, marcamos para o dia seguinte, entramos no barco e quando chegamos ao local nos foi fornecido aquelas mascaras de plástico com snokers. Até ai tudo bem. Entretanto, a medida que vcs vão avançando seguindo o fotografo ou guia (o camarão não foi, ficou na praia). Aparece uma equipe de vermelho com cilindros de oxigênio perguntando quem vai fazer o mergulho. Vc deduz: Bom ficou acertado que fariamos o mergulho. Então todos se prontificam. Pronto vc acabou de cair no golpe. Quando vc retorna, eles te cobram a ida de 40 reais mais o mergulho com os cilindros de 60 reais um total de 100 por pessoa. Fica a pergunta: Gostaria de saber se eles fariam o mergulho apénas com agente saindo da beira da praia até os corais?!

  • Por: Anônimo
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  • 3 de janeiro de 2011 às 0:33

Cesar – Olha, estive lá e ao me oferecerem o mergulho com cilindro na ultima hora, ja na agua, eu falei que não tinha como pagar o valor todo entao me fizeram mais barato. Mas acho que o segredo, como em qualquer lugar turistico é BAIXA TEMPORADA, que foi o meu caso, por isso consegui barganhar. Mas o lugar é inesquecivel, vale a pena ir !

  • Por: Anônimo
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  • 7 de fevereiro de 2011 às 1:58

Fabiana – óóóóó… pobre defensor da natureza!!! Vc é um idiota, fala… mas tava lá contribuindo!!! ridículo do inferno!!!Vai procurar votar em alguem que pense em mudar essa situação… há coisas piores acontecendo no Brasil, que é um verdadeiro país de imundices políticas… isso é o de menos!!! N ande de carro ande de bicicleta, polui o ar, idiota!!!

  • Por: Anônimo
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  • 16 de fevereiro de 2011 às 22:04

tamires – essa é a praia

  • Por: Anônimo
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  • 9 de março de 2011 às 12:11

Leandro – Parabéns pelo trabalho Gambarini! Pena nem todos perceberem a mensagem que vc quis passar. Pessoal confundiu como ofensa, preconceito, etc. Fato é que esse tipo de turismo predatório tem ocorrido em boa parte do país. Todos que viajam pro nordeste já vivenciaram isso, desde destruição dos ambientes costeiros como a falta de educação, senso, humor, prestatividade dos que nos atendem travestidos de guias. Já imaginou quantas pessoas desistem de visitar esses lugares devido a isso? O melhor marketing do turismo é o boca-a-boca. Milhares de pessoas deixaram de conhecer lugares como esses devido a má prestação de serviços. Lá vc vai reclamar com quem? lá não tem lei. Antes que alguém reclame, falo por experiência própria. A culpa é de quem? Do governo: do IBAMA, do prefeito, do ministério do turismo… Não adianta, um turista gringo que vê essas cenas aí de cima nunca mais volta e vai para o seu país falando mal do Brasil. Colocar pessoas sem qualificação para atender os turistas? Amadorismo e burrice. Tem que dar renda para a população local? Tudo bem, concordo, mas se aqui na minha cidade eu destratar um cliente meu sou demitido e pronto. Vou ficar meses para conseguir outro emprego. E só porque é um destino turístico temos que sujeitar a esses destratos com a justificativa de renda para os nativos? Acho que não. Pena, os brasileiros não conhecem seu país e quando conhecem querem nunca mais passar por isso. É por isso que cada vez mais se gasta dinheiro produzido aqui lá fora, pra ver paisagens cinzas de concreto, engarrafamento. Pena. Ainda bem que não me aventuro mais nessas furadas. Viva o Google Earth e o GPS, tchau guias de turismo.

  • Por: Moses
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  • 22 de dezembro de 2012 às 1:26

Sobre este crescimento da polupae7e3o, a Revista HSM 79, publicou o seguinte:Um se9culo atre1s, menos de 5% da polupae7e3o mundial vivia em cidades. Em 2008, pela primeira vez na histf3ria, essa cifra utrapassou 50%. E, segundo o Global Report on Human Settlements 2009 das Nae7f5es Unidas, e, 2050 alcane7are1 70%.Consequeancia, segundo a revista, aumentare1 o nedvel de exigeancia de uma quantidade tambe9m crescente de consumidores;