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Adriano Gambarini

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Cadê o pitu? Não foi o gato que comeu…

por Adriano Gambarini em 22 de março de 2012

O cenário é fantástico. Águas verdes do Rio São Francisco relativamente caudaloso cortam um vale encravado entre paredões rochosos. Pequenas canoas se movimentam ao sabor do amanhecer, soltando pequenas armadilhas em formato cilíndrico ao longo do rio. São os covos, tradicionalmente feitos com varetas de taquara, por ora também confeccionados com cano de pvc. Os catadores os deixam cerca de dois dias dentro do rio e voltam para pegar a doce iguaria capturada: o saboroso pitu, o “camarão de água doce”. 

Foi isto que fotografei no final dos anos 90, quando passei pela região de Piranhas, em Alagoas. Uma tradição antiga de pesca nos domínios deste importante rio brasileiro. Mas na época os pescadores já reclamavam de uma nítida redução do animal nas águas do Velho Chico. Alegavam que a barragem de Xingó, bem perto dali, reduziu drasticamente a proliferação do animal naquelas verdes águas.

Há cerca de um mês retornei à região. Na eminência de finalizar um livro sobre o Rio São Francisco, parti em busca de mais algumas imagens dos ‘catadores de pitu’. Qual foi minha surpresa ao saber que a pesca está proibida pelo Ibama nos próximos anos. O pitu consta como animal em extinção.

Agora, um nova razão está sendo atribuída pelos pescadores: a existência de tucunaré no rio. Um pescador chegou a afirmar que já encontrou cinco a seis pequenos pitus dentro de um único tucunaré pescado. Quem conhece a fauna brasileira deve estar se perguntando o que um peixe amazônico faz no Rio São Francisco. Foi introduzido após a construção da barragem. Como é praticamente impossível controlar este tipo de introdução, sem predador natural e sendo ele mesmo um faminto predador, o tucunaré vem dominando gradativamente aquelas verdes águas, outrora habitadas por dourados, tubaranas e surubins. E pitus. Pessoas da região também afirmaram que o problema não é só este: a pesca se tornou predatória nos últimos anos, o que piorou ainda mais a recuperação da espécie. Isto corrobora o que a “Operação a Rios Federais”, do Ibama, constatou em suas ações contra a pesca predatória no Rio São Francisco. Apreenderam dezenas de covos cuja malha era tão fina que capturava até mesmo pequenos filhotes de pitu.

Triste fim para uma espécie e para uma tradição outrora sustentável. Ganância, imediatismo, interferência desorientada no meio ambiente. Os desajustes humanos realmente parecem seguir para um caminho cada vez mais caudaloso.

 

Comentários (2)
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  • Por: Cicero Medeiros Lima
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  • 24 de outubro de 2013 às 19:08

Não Existe pitu-camarão no rio são francisco isso é criação de alguns técnicos para poder trabalhar mostrar serviço, ter um controle na espaço de talas sim mais proibir o pescador de pescar estar errado, vamos discutir com pescador a melhor forma para que não venha dar prejuízo ou danos e principalmente ao nosso velho chico mais duque já estar prejudicado por usinas hidrelétrica e minguem faz nada, com o pequeno pescador vamos descontar as raivas e amedrontar colocando a mão na arma e mandando calar a boca, como quem quem fiscais do Ibama manda na boca do pescador.

  • Por: Cicero Medeiros Lima
  • -
  • 4 de dezembro de 2013 às 13:53

O Ibama o Governo Federal tem um grande defeito pesquisa e mais pesquisas e quando vem tomar ou criar um decreto ou IN a coisa estar quase no fim tinha que ser feito um trabalho desde 1990, que este tipo de pitu vinha diminuindo em 1996 pessoas que não tinha nada ver com pescadores com bomba nos pês de morro onde veio uma diminuição grande desta especie ficou de um jeito que parecia que não tinha mais o pitu no rio chegaram a parar de colocar covos nem mergulhando conseguia ver um pitu, não sou contra a proibição, por conta da mesma já estamos vendo resultados não pego mais dentro do rio nas pedras nas correntezas dentro do mato nas planta aquáticas que para o pescador não foi bom mais para as especies bom e principalmente para as que estão em extinção a natureza é assim e homem que crie coragem e comece a preservar que preservando toda uma vida tem, o pescador hoje ele tem que preservar o reto que tem eu digo porque este que tem (Peixe) não tem como desovar sem cheia, vamos pensar em nossos filhos e netos nós pescadores não temos condição de pagar uma faculdade para nossos filhos e por isso que vamos preservar o pouco que tem quando tiver uma faculdade mesmo de graça nós não vai conseguir porque vem o gavião e toma.