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Anticaos Urbano

Na onda do Paperboy

por Tarcísio Moraes Alves em 2 de março de 2012

 

Ciclista

Foto: Tarcísio Moraes

Alguém se lembra desse game?

Ele foi um marco nos jogos da minha infância, pois além de ficar pirando na tela eu saía pelas ruas do meu bairro tirando onda, saltando calçadas e buracos, desviando dos postes e fugindo de alguns cachorros que corriam, latiam para as rodas da bike e tentavam morder meus pés.

Mas, voltando para a atualidade, temos alguns profissionais em São Paulo que vivem sobre bikes, fazendo um trabalho de transporte responsável e sustentável. Eles são chamados de Bike Couriers ou Messengers, profissionais que fazem entregas de correspondência e ganharam destaque nas ruas de Nova York, Londres, Toronto e agora estão cada vez mais presentes nas ruas paulistanas.

Tem muito motorista que não respeita esses figuras, que têm visual descolado e porte físico de ciclista profissional, pois chegam a rodar 100 km/dia. Os motoristas precisam olhar para eles e agradecer, pois estão ajudando a reduzir o número de veículos nas ruas e não poluem nada. Ah! Fora que podem estar transportando algum documento muito importante da sua empresa…

O que é mais rápido: uma moto ou uma bicicleta?

Saiba que, fazendo um percurso urbano de 10 quilômetros, os bikers são mais eficientes que os motoboys, obtendo vantagem tanto no tempo de locomoção quanto na emissão ZERO de CO2. Um estudo feito pela Key Associados descobriu que uma moto emite em média 1424,4 kg CO2/ano, rodando em média 45 km/dia. Agora imagine quanto CO2 é produzidos pelos carros e motos que circulam no seu bairro.

Quem sabe um dia teremos cidades mais organizadas e limpas como os cenários do game Paperboy. Vai ser melhor ainda se não houver os carros malucos tentando atropelar um pedestre ou ciclista que estão, de forma simples, curtindo um passeio ou momento de trabalho.

O grupo www.girocourier.com.br é uma das opções encontradas na capital. Precisando do serviço, peça um orçamento e ajude a reduzir o caos urbano.

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Teste: bicicleta Brompton ajuda a desdobrar-se no trânsito

por Tarcísio Moraes Alves em 26 de janeiro de 2012

Canna fazendo test driveQuando dobrada, a magrela ocupa menos espaço ainda - Foto: divulgação

Realmente nossas cidades não são na planejadas para o transporte coletivo e alternativo, mas mesmo assim continuo em busca da melhor forma de locomoção nos grandes centros urbanos.

Como já usei praticamente todas as opções de transporte disponíveis em São Paulo e sou apaixonado por bicicletas desde pequeno e já andei em vários modelos, desta vez escolhi uma Brompton para tentar ajudar na solução dos problemas.

O início dessa experiência começou em uma festa na região da Avenida Paulista quando meu amigo Canna chegou ao apartamento com uma bike que parecia mais com uma mala de rodinhas.

Fiquei curioso, pois tenho uma bike dobrável, mas não tão prática e “inteligente” como essa. Quando dobrada, a Brompton fica muito compacta e não atrapalha praticamente em nada na hora de transportá-la, seja caminhando ou dentro de um carro supercompacto como o Smart.

Ele me apresentou a Brompton como o Rolls Royce dobrável de suas rodas, uma brincadeira por ela ser uma britânica, com status e porte que chama mais atenção que muitos carros na rua. E quando eu falo de atenção é ATENÇÃO mesmo. Seja na hora do show que faz para ser dobrada e desdobrada ou quando avaliada pelos olhares de alguns executivos, que ficaram impressionados pelo câmbio de marcha embutido no cubo, bagageiro e banco Brooks feito a mão.

Deixando para trás essa coisa de imagem vamos para o cotidiano. Embarquei no “busão” sem problemas. O peso dela é único ponto negativo. Passei a catraca numa boa e depois que desci no ponto todos ficaram olhando. Consegui poupar um bom tempo de caminhada até o destino final por contar com a velocidade das duas rodas, mas o melhor da história vou contar agora.

Aqui na Editora Abril temos um bicicletário, mas não é o lugar ideal para uma Brompton e sim ao lado da minha mesa no 7º andar. Como é proibido entrar com bike no edifício, fiz um teste para ver se o segurança iria me barrar. Mas como ela é compacta quando dobrada entrei pela porta principal, passei pelas catracas onde muitas pessoas se viravam para entender o que era aquilo que eu carregava e peguei o elevador. Lá também tive que ouvir uma das perguntas mais feitas pelos lugares que passei: “Isso ai é uma bicicleta?”

Respondi: “Sim senhorita. Essa é a melhor bicicleta dobrável disponível no mercado e estou fazendo alguns testes. Você gostou?”

Ela: “Sim, é muito legal, não sabia que existia uma tão pequena e fácil de transportar!”

Depois de conquistar o território no trabalho fui para estação Pinheiros onde temos o terminal de metrô e trem, para saber como seria recepcionado pelo segurança.

Cheguei pedalando e assim que me aproximei da entrada principal o segurança já se preparou para me alertar e dizer não poderia embarcar com bike, mas não precisei mais de 18 segundos para dobrá-la e entrar na estação deixando ele sem entender nada, pois acho que ele nunca tinha visto aquilo.

Quando eu andava em direção às escadas, as pessoas olhavam em minha direção e não sabiam o que eu estava puxando, foi quando concluí que esse tipo de bike ainda não é nada comum e muito pouco usada no mix de locomoção que podemos fazer para ser mais feliz e ganhar tempo pela capital.  Fiquei feliz em apresentar uma novidade para várias pessoas e sair da rua Sumidouro, na Zona Oeste, e chegar na rua do Rocio, na Zona Sul, em menos de 10 minutos.

Do banco do passageiro, uma oportunidade de apreciar a arte coletiva

por Tarcísio Moraes Alves em 15 de dezembro de 2011

Fotos: Fernando Pires

Sejam bem-vindos ao novo blog da NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, o Anticaos Urbano!

Prazer, sou Tarcísio Moraes Alves, diretor de arte da revista Quatro Rodas. Já utilizei todos os meios de transporte disponíveis na Grande São Paulo, de vagões de trem a carros esportivos de luxo.

Este blog surgiu de uma conversa com o redator-chefe da revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, Matthew Shirts, um pedestrianista convicto. Juntos vamos usar este espaço para compartilhar com os leitores histórias que ajudem a melhorar nossa mobilidade diária nas cidades.

Esse primeiro post vai fazer você olhar para as grandes cidades de uma forma gráfica e positiva, fazendo tudo virar arte. Melhor ainda, transformar o tempo perdido na locomoção diária em uma galeria de arte.

Como exemplo e inspiração para histórias, o designer Fernando Pires paga todos os dias um motorista da linha de ônibus Perus/Pinheiros para sair da sua residência na bairro de Pompéia e ir ao trabalho, no bairro de Pinheiros. Aproveitando que não precisa dirigir, curte todo o caminho e retrata belas imagens que raramente um motorista poderia registrar e compartilhar com os amigos.

“Esse transporte VIP eu não troco não, pois não gosto de dirigir e muito menos ficar irritado dentro do carro sem ter para onde ir. Quando quero, posso descer, caminhar e curtir mais um pouco nossas locações públicas e chegar de bom humor no trabalho”, disse Pires.

Concordo com ele. Podemos ler, conversar e relaxar dentro do ônibus, isso se o motorista maluco não acelerar e frear forte nas vias esburacadas da capital.

Aceita um convite? Acesse http://issuu.com/flpiresbr e veja mais imagens. E, com licença, pois agora vou procurar mais arte coletiva por aí.