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Brasil das Aves

​Parque do Viruá: megadiversão na Amazônia

por Zé Edu Camargo em 17 de dezembro de 2014
Pica-pau-amarelo - Foto: Zé Edu Camargo

Pica-pau-amarelo – Foto: Zé Edu Camargo

O trocadilho no título aí em cima é um pouco infame. Mas dá a medida da emoção que um observador de aves pode experimentar em uma área com megadiversidade (de fauna e flora) da Amazônia brasileira. O Parque Nacional do Viruá, em Roraima, é um dos hotspots com mais potencial de crescimento para a observação de aves na América do Sul. Motivos não faltam: são mais de 500 espécies de aves já catalogadas na área. Com floresta de terra firme, floresta de várzea, campinas e lavrados em sua área, o parque abriga raridades e espécies ameaçadas.
Chora-chuva-de-asa-branca - Foto: Zé Edu Camargo

Chora-chuva-de-asa-branca – Foto: Zé Edu Camargo

Ariramba-de-cauda-ruiva - Foto: Zé Edu Camargo

Ariramba-de-cauda-ruiva – Foto: Zé Edu Camargo

Aos poucos os observadores têm descoberto essa joia. De Boa Vista (capital do estado, onde está o aeroporto mais próximo) são pouco mais de duzentos quilômetros de asfalto em boas condições até a entrada do parque. Desntro da área, muitos dos principais locais de observação têm acesso muito fácil, graças a um fato inusitado: uma estrada que leva a lugar nenhum. A Estrada Perdida, como é chamada, é um trecho abandonado da rodovia que liga Boa Vista a Manaus. Após algumas dezenas de quilômetros, os engenheiros desisitiram do trajeto (graças às dificuldades com baixios e áreas alagáveis) e procuraram outro caminho para a rodovia. Assim, o trecho construído (mas não asfaltado) foi abandonado e, mais tarde, inbcorporado pelo parque Nacional.
Araracangas - Foto: Zé Edu Camargo

Araracangas – Foto: Zé Edu Camargo

Rabo-de-arame - Foto: Zé Edu Camargo

Rabo-de-arame – Foto: Zé Edu Camargo

Mas nem só na Estrada Perdida é que se podem encontrar aves interessantes. As margens dos rios que cortam o parque, como o Baruana, e as florestas de terra firme nos arredores da sede também são ótimos pontos.
Uma das estrelas do lugar é uma espécie que pode ser vista até com relativa facilidade (ainda mais se comparado a outros lugares no Brasil e na Venezuela onde ela ocorre): o formigueiro-de-yapacana (Aprositornis disjuncta). Mas há muitas outras, como o rabo-de-arame (Pipra filicauda) e a ariramba-de-cauda-verde (Galbula galbula). Também há muitas aves migratórias, o que torna cada viagem ao Viruá uma surpresa.
Mãe-de-taoca-de-garganta-Vermelha - Foto: Zé Edu Camargo

Mãe-de-taoca-de-garganta-Vermelha – Foto: Zé Edu Camargo

Formigueiro-de-yapacana - Foto: Zé Edu Camargo

Formigueiro-de-yapacana – Foto: Zé Edu Camargo

Margens da Estrada Perdida - Foto: Zé Edu Camargo

Margens da Estrada Perdida – Foto: Zé Edu Camargo

Margens do rio Baruana - Foto: Zé Edu Camargo

Margens do rio Baruana – Foto: Zé Edu Camargo

A nova torre do Jardim Botânico de Manaus

por Zé Edu Camargo em 19 de setembro de 2014
Nascer do sol no alto da torre - Foto: Zé Edu Camargo

Nascer do sol no alto da torre – Foto: Zé Edu Camargo

Uma área de mata conservada, com 100 km2, no coração da Amazônia, já seria um lugar interessante o suficiente para os observadores de aves. Mas a reserva Ducke (onde fica o Jardim Botânico de Manaus) vai além: nos limites do perímetro urbano da capital do Amazonas, ela tem fácil acesso. E agora permite aos birders uma experiência que só alguns hotéis de selva ofereciam: uma torre novinha, acima da copa das árvores.

Observadores em ação - Foto: Zé Edu Camargo

Observadores em ação – Foto: Zé Edu Camargo

Na Amazônia, torres de observação mostram-se imprescindíveis. Como o dossel da floresta (a copa das árvores) é o habitat mais rico para aves e diversos outros animais, o birding é muito limitado no nível do chão. Uma torre como a de Manaus é ouro puro, ainda mais instalada em uma reserva de mata enorme como a Ducke. E o efeito será sentido não só entre os birders, mas também no número de registros novos e (por que não?) inéditos. Além de permitir a iniciação de um grande número de novos observadores locais. Por fim, também vai trazer aos observadores de outros lugares do país e do exterior uma opção que Manaus ainda não tinha.  Para conhecer a nova torre o ideal é marcar com antecedência com um guia autorizado pelo MUSA (Museu da Amazônia, que administra o Jardim Botânico).

Observadores podem conseguir autorização para entrar mais cedo (os visitantes comuns formam grupos para visitas guiadas a partir de 8h). A bióloga Marina Maximiano (marimaxbio@gmail.com) é um dos guias do museu que pode levar observadores à torre.

Surucuá-de-cauda-preta - Foto: Zé Edu Camargo

Surucuá-de-cauda-preta – Foto: Zé Edu Camargo

Saíra-negaça - Foto: Zé Edu Camargo

Saíra-negaça – Foto: Zé Edu Camargo

Arapaçu-galinha - Foto: Zé Edu Camargo

Arapaçu-galinha – Foto: Zé Edu Camargo

Limpa-folha-do-nordeste: a última cena de uma espécie extinta

por adminngbrasil em 2 de setembro de 2014

 

No vídeo acima você pode ver o que é provavelmente o último indivíduo de uma espécie, o Philydor novaesi (limpa-folha-do-nordeste). A cena, capturada pela lente do fotógrafo e ornitólogo Ciro Albano, foi gravada em 2011. Desde então, nenhuma ave da espécie foi vista ou ouvida. Uma publicação recente coordenada pelo ornitólogo Luis Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, coloca o limpa-folha-do-nordeste em uma lista de três aves extintas no Brasil, todas endêmicas da mata Atlântica nordestina (leia mais no http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/08/08/ornitologos-documentam-extincao-de-tres-aves-endemicas-nordeste/) . Além dele, não há mais notícias do caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e do gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti). São as primeiras aves declaradas extintas no Brasil desde o século XIX. A corrida (e a torcida) agora é para que sejam as últimas no século XXI. Mais de 150 espécies constam da lista de aves criticamente ameaçadas no país.

Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) - Foto: Ciro Albano

Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) – Foto: Ciro Albano

RPPN em Itamonte (MG) lança guia de aves gratuito

por Zé Edu Camargo em 17 de julho de 2014
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A Serra da Mantiqueira acaba de ganhar mais um guia de campo, com 175 aves que ocorrem na RPPN Alto Montana, em Itamonte (MG). O pesquisador Kassius K Santos é o autor do livro, que já pode ser baixado de graça aqui. Além de fotos, o guia traz informações detalhadas sobre hábitat e comportamento de cada ave, ajudando os observadores na identificação em campo. Kassius também irá organizar algumas saídas guiadas na área (a primeira delas agora em agosto, confira o flyer abaixo). Uma bela oportunidade para os birders conhecerem um pedaço preservado da Mata Atlântica de altitude na Mantiqueira.
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Todas as aves de Passaredo, de Chico Buarque

por Zé Edu Camargo em 16 de maio de 2014

Você já ouviu essa música – e nem precisa ser apaixonado por aves. Desde que foi lançada por Chico, no disco Meus Caros Amigos, em 1976, Passaredo toca constantemente na rádio, além de servir de trilha sonora sempre que as aves brasileiras são tema de reportagens na televisão (além de fazer parte de algumas gerações da série O Sítio do Pica-Pau Amarelo). Parceria de Chico Buarque com Francis Hime, ela surgiu como um hino de resistência à ditadura. O refrão “bico calado, toma cuidado, que o homem vem aí” tinha um duplo sentido claro. Vamos à letra:

Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tiê-sangue
Xô, tiê-fogo
Xô, rouxinol, sem-fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

No vídeo que acompanha este post, o próprio Chico explica rapidamente como fez a letra. Ele sugere uma despreocupação com a escolha das aves, apesar de ter contado com a ajuda de Tom Jobim (um apaixonado pela nossa avifauna) e de ornitólogos. Mas a escolha não parece ser tão aleatória assim. A maioria das espécies listadas na letra é canora, e só há um gavião (e de origem um pouco polêmica, o utiariti). Não é preciso ser um gênio para ver a óbvia correlação com a situação da época: cantor, toma cuidado, que a repressão (o homem) vem aí.

Curioso é, com o passar do tempo, que a outra dimensão da letra continue tão e cada vez mais atual. Embora a caça tenha diminuído (graças a leis e à melhora na educação ambiental), o homem continua vindo aí para desmatar, para poluir, para ocupar. Nestes quase quarenta anos, algumas espécies foram vistas pela última vez em liberdade, muito provavelmente para nunca mais.

Bom, mas vamos ao que interessa. Aí embaixo você encontra uma pequena descrição da origem de cada ave da letra. Este não é um trabalho científico, mas sim um esforço de curioso. Imprecisões, portanto, são mais que prováveis. E correções, dicas e opiniões, muito bem-vindas. Até porque os nomes comuns, ou populares, são coisa mais fluida e escorregadia para pesquisadores do que cocô de passarinho. Porque mudam daqui para ali, de um tempo para outro. De todo modo, foi uma brincadeira interessante.

Para os observadores, vale a ideia de tentar montar uma life list das aves encontradas na letra. Algumas estão em qualquer quintal, como o bem-te-vi e o sanhaço. Outras exigem muito mais experiência e esforço, como o macuco e o tuju. Sem contar as europeias (que não são poucas na letra).

Por fim, gostaria de agradecer às pessoas que trabalharam em conjunto (ou ajudaram com informações) para que a brincadeira fosse completa: Luccas Longo, Guto Carvalho, Victor Jardim, Fábio Paschoal, Fernando Straube, José Fernando Pacheco e Luis Fabio Silveira. Queria também agradecer ao incrível site wikiaves.com.br (valeu, Reinaldo Guedes!). Vamos às aves de Passaredo:

Uirapuru-laranja - Foto: Zé Edu Camargo

Uirapuru-laranja – Foto: Zé Edu Camargo

Pintassilgo (Sporagra magellanica): Ave comum em quintais e matas secundárias no sul e sudeste do Brasil.Tem o corpo amarelo e a cabeça preta. Não confundir com o pintassilgo-europeu (Carduelis carduelis), espécie introduzida nas Américas.

Pintarroxo: Nome comum em português de várias aves da família Fringillidae, nenhuma delas com ocorrência no Brasil. É possível que, por associação, em algumas regiões brasileiras seja usado esse nome para designar uma ave local.

Melro: Designação em português para uma ave do velho continente, Turdus merula, do mesmo gênero dos nossos sabiás (toda preta, lembra muito o sabiá-una da Mata Atlântica). No Brasil também é nome popular de diversas espécies, de modo especial a graúna (Gnorimopsar chopi).

Uirapuru: Nome comum de diversas aves por todo o Brasil, muitas delas entre as mais bonitas da nossa avifauna, como o uirapuru-laranja. No entanto, o uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada) parece ter inspirado a maioria das lendas em torno desse nome. Ave amazônica, tem um canto belo e característico.

Chega-e-vira: Um dos muitos nomes comuns da marreca irerê (Dendrocygna viduata), comum inclusive nos lagos urbanos de muitas cidades brasileiras. Ocorre também em outros países americanos e na África ocidental.

Engole-vento: Nome não muito comum para designar diversas espécies de bacuraus, ou curiangos. São aves noturnas por excelência, encontradas em todo o Brasil. O termo “engole-vento” pode derivar do hábito de apanhar insetos em voo, com a boca aberta.

Saíra: Indica diversas aves do gênero Thraupidae, algumas muito ameaçadas, como a rara e bela saíra-apunhalada (Nemosia rourei), hoje restrita a uma pequena área do Espírito Santo.

Inhambu: Nome comum de várias aves da família Tinamidae, a maioria encontrada em ambientes florestais. Duas delas deram origem ao nome da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó: o inhambu-chintã (Crypturellus tataupa) e o inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris).

Asa-branca: A canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, faz referência a uma pomba, ou pombão (Patagioenas picazuro), muito comum em diversas partes do Brasil. Mas asa-branca também é o nome comum de uma marreca (Dendrocygna autumnalis) encontrada em todo o território nacional.

PatativaSporophila plumbea, espécie da família Thraupidae de vasta distribuição no Brasil e América do Sul. Conhecida pelo canto melodioso, é capaz de imitar outras aves. Uma de suas subespécies não ocorre no país (é restrita ao norte da Colômbia).

Tordo: Uma designação comum para aves do gênero Turdus, a mesma dos sabiás. O tordo-comum é uma ave europeia. No entanto, diversas espécies desse gênero ocorrem no Brasil, como o sabiá-laranjeira.

TujuLurocalis semitorquatus, ave noturna da mesma família dos bacuraus, a Caprimulgidae. Ocorre do México até a Argentina.

Tuim: Menor representante da família Psittacidae (dos periquitos e papagaios) no país, o tuim (Forpus xanthopterygius) é muito comum em boa parte do Brasil. Existem cinco subespécies conhecidas.

Tiê-sangue: Espécie endêmica do Brasil, Ramphocelus bresilius, chega a ser comum em trechos da Mata Atlântica litorâneaO macho tem uma coloração vermelha intensa, que dá nome à espécie. A plumagem da fêmea é mais discreta.

Tiê-fogo: Outro nome comum do tiê-sangue.

Rouxinol: Ave do Velho Mundo de canto melodioso, por associação emprestou o nome a uma espécie amazônica, o rouxinol-do-rio-negro (Icterus chrysocephalus). Em algumas regiões do Nordeste a corruíra (Troglodytes musculus) também é chamada de rouxinol.

Sem-fim: Um dos muitos nomes populares do saci (Tapera naevia), também conhecida como matita-perê, matinta-pereira e outros inúmeros nomes. Deu nome a um dos mais belos discos de Tom Jobim (e é citada na letra de Águas de Março, além de dar nome a uma das músicas do álbum).

ColeiroSporophila caerulescens, coleiro ou coleirinho (nome comum mais conhecido), é um dos papa-capins mais abundantes do Brasil, principalmente no Sul e Sudeste. Recebe esse nome pela “coleira” branca na garganta.

Trigueiro: Provavelmente refere-se ao Trigueirão (Emberiza calandra), espécie com distribuição na Europa, norte da África e Europa.

Colibri: Sinônimo de beija-flor, nome de diversas espécies da família Trochilidae. São aves encontradas apenas no continente americano.

MacucoTinamus solitarius, espécie florestal que povoa a Mata Atlântica. Espécie sempre visada por caçadores, também corre riscos em função do desmatamento.

Viúva: Provavelmente faz referência à viuvinha (Colonia colonus), um tiranídeo comum de áreas abertas em boa parte do Brasil. É inconfundível, pelas penas longas da cauda e pela mancha branca no alto da cabeça. Mas também pode indicar a saíra-viúva (Pipraeidea melanonota).

Utiariti: Segundo algumas fontes, seria o gavião-caramujeiro ( Rostrhramus sociabilis). Ave de rapina com bico curvo e próprio para se alimentar de caramujos, já que consegue extrair o animal de sua concha. Vive em brejos e lagoas em todas as regiões brasileiras, mas também pode ser encontrado dos Estados Unidos até a Argentina e o Uruguai. O nome utiariti indicaria também um gavião mítico na língua pareci. Mas há quem diga que o sentido do vocábulo seria “povo sábio”. Fato é que Utiariti é também uma localidade em Mato Grosso.

Quero-quero: Chico Buarque é um conhecido apaixonado pelo futebol. E já deve ter fugido de muito quero-quero (Vanellus chilensis) nos campos do Brasil onde bate suas peladas: a ave gosta de fazer o ninho em gramados ou áreas abertas de vegetação baixa.

Tico-tico: Comum em todo o Brasil, só não é encontrado em áreas densamente florestadas da Amazônia. O tico-tico (Zonotrichia capensis) também pode se visto em países da América Latina – há mais de duas dezenas de subespécies. Espécie muito comum mesmo em ambientes urbanos.

Anum: O anu-preto (Crotophaga ani) ou anum é uma ave que pode ser vista com facilidade em áreas abertas, plantações e brejos, da Flórida à Argentina. Muitas vezes reúne-se em bandos numerosos.

PardalPasser domesticus, ave introduzida no Brasil, ocupa hoje quase todo o território nacional. Também espalhou-se por todo o mundo, graças ao grande poder de adaptação. É muito comum em ambientes urbanos.

Chapim: O nome refere-se diretamente a duas aves da família Paridae comuns na Europa, o chapim-azul e o chapim-real. No Brasil, o canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola) também é conhecido como canário-chapim ou canário-chapinha – possivelmente é a ele que Chico se refere na letra.

Cotovia: Nome que indica aves do Velho Mundo, da família Alaudidae (com apenas um representante na América do Norte). A cotovia-comum (Alauda arvensis), a mais conhecida delas, é considerada espécie nacional da Dinamarca.

Ave-friaVanellus vanellus, espécie da família Charadriidae (a mesma família do nosso quero-quero), também conhecida como abibe-comum. É típica do Hemisfério Norte.

Pescador-martim: Martim-pescador, nome que indica cinco espécies da família Alcedinidae no Brasil. Encontradas sempre à beira-d’água, alimentam-se de peixes, crustáceos e insetos. O nome deriva da estratégia de caça dessas aves.

Rolinha: Nome usado para designar diversas espécies da família Columbidae (a mesma das pombas e juritis), geralmente as de menor porte. Talvez a mais conhecida seja a rolinha-roxa, ou caldo-de-feijão (Columbina tapalcoti), encontrada em ambientes urbanos de todo o Brasil.

Andorinha: Também é um nome genérico associado á família Hirundinidae, com mais de uma dezenas de espécies que ocorrem no Brasil, como a andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca) e a andorinha-serradora (Stelgidopteryx ruficollis).

Bem-te-viPitangus sulphuratus. O bem-te-vi é inconfundível pelo canto, do qual deriva seu nome (em outros países também tem o nome onomatopeico associado ao canto, como kiskadee, em inglês). Ave onipresente nas cidades de todo o país.

Bicudo: Ameaçado, o bicudo (Sporophila maximiliani) foi caçado à exaustão para servir de ave de gaiola, graças ao seu canto melodioso. O desmatamento do cerrado e os agrotóxicos também são ameaças á sobrevivência da espécie.

Sanhaço: O nome sanhaçu (ou sanhaço) é usado para designar diversas espécies das famílias Thraupidae e Cardinalidae. Um dos mais conhecidos é o sanhaçu-cinzento, comum no Sul, Sudeste e Nordeste.

Juriti: Nome associado a quatro espécies de médio porte da família Columbidae (a mesma das rolinhas). As mais comuns são a juriti-pupu (Leptotila verreauxi) e a juriti-gemedeira (Leptotila rufaxilla).

 

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Avistar 2014 reúne apaixonados por aves no Parque Villa Lobos, em SP

por adminngbrasil em 13 de maio de 2014
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Não é preciso chover no encharcado e dizer que o Avistar é o principal evento de observação de aves no país. Mas este ano você tem ainda mais razões para passar o fim de semana (de 16 a 18 de maio) no Parque Villa Lobos, em São Paulo. Guto Carvalho, organizador do Avistar, elencou cinco grandes atrações deste ano (entre as centenas de apresentações, workshops e exibições programadas):
- Apresentações sobre iniciativas de conservação de aves ameaçadas: Soldadinho-do-Araripe (CE), Arara-azul-de-Lear (BA), Periquito-de-cara-suja (CE).
- Palestra da fotógrafa Melissa Groo (http://melissagroo.com/), especializada em conservação.
- Avistar Kids, com lançamento de livros e oficinas para as crianças.
- Workshop de tratamento de imagens com os irmãos Mello para fotógrafos e amadores, no domingo às 10h.
- Varal digital – leve um pen drive com suas melhores imagens de aves e exponha para todo o público do Avistar.
 
A programação completa do evento e informações sobre os expositores está em http://www.avistarbrasil.com.br/index.php/18-avms/87-avistar2014. Até lá!

A floresta atlântica verdadeira

por Zé Edu Camargo em 22 de abril de 2014
Chega às livrarias uma obra como poucas. K’aá Eté, A Floresta Atlântica Intocada, do fotógrafo Octavio Campos Salles, explora (no bom sentido) todas as nuances de um bioma que o homem quase destruiu sem entender: a Mata Atlântica. A busca de Octavio é pelos trechos mais preservados da mata, onde ela ainda mostra seu vigor pleno e onde seus habitantes mais frágeis ainda conseguem sobreviver. Exímio conhecedor do meio, ele revela cenários e animais que poucos já tiveram o prazer de observar. Mas faz isso com respeito e com a intenção de chamar a atenção para extrema urgência da conservação. Se você é um observador que se preze, não pode perder a oportunidade de grudar os olhos neste livro. Mais informações: www.kaaete.com.br.
Gavião-de-penacho - Foto: Octavio Campos Salles

Gavião-de-penacho – Foto: Octavio Campos Salles

Anta - Foto: Octavio Campos Salles

Anta – Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana - Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana – Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui - Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui – Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica - Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica – Foto: Octavio Campos Salles

Reserva Tamboré, um oásis de floresta na Grande São Paulo

por adminngbrasil em 21 de março de 2014
Chupa-dente - Foto: Ze Edu

Chupa-dente – Foto: Ze Edu

As copas de árvores altas e imponentes fecham o dossel sobre a trilha, deixando pouca luz chegar ao chão, coberto de folhas mortas. O barulho d’água de um pequeno regato é tudo o que se ouve, até que um chamado característico venha de algum ponto a cinco metros de distância, em meio à vegetação densa.

- É um chupa-dente!

Quem imagina a cena logo pensa em algum lugar isolado, a quilômetros de qualquer cidade. Mas ela aconteceu em meio a uma das maiores manchas urbanas do mundo, na Grande São Paulo. A Reserva Biológica Tamboré fica em Santana de Parnaíba e é administrada pelo Instituto Brookfield. Uma joia rara da Mata Atlântica, com mais de 3,5 milhões de m² de cobertura vegetal. Em uma visita rápida à reserva, pude comprovar o seu potencial para a educação ambiental, no geral, e para a observação de aves, em particular. Duas dezenas de espécies florestais (como o chupa-dente, o patinho e o papa-taoca-do-sul) foram avistadas em apenas uma das trilhas. Por enquanto, a reserva só recebe pesquisadores e atividades de educação ambiental previamente agendadas. Para mais informações, basta acessar o site do Instituto (http://www.institutobrookfield.org.br/programas/reserva-biologica/sobre-a-reserva/).

Tangará adulto - Foto: Amarildo Jordão

Tangará adulto – Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado - Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado – Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta - Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta – Foto: Amarildo Jordão

Mata Atlântica - Foto: Ze Edu

Mata Atlântica – Foto: Ze Edu

Livro mostra as aves do litoral brasileiro

por Zé Edu Camargo em 20 de fevereiro de 2014
Capa do livro Aves - Ambientes Costeiros

Capa do livro Aves – Ambientes Costeiros

O fotógrafo Edson Endrigo é um incansável divulgador da nossa avifauna. Com paciência e determinação, construiu uma obra monumental – uma série de livros sobre as nossas aves, dividida por biomas (Caatinga, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampa e Cerrado). Fechando a série, a cereja do bolo chega agora às lojas: o livro tem o título de Aves – Ambientes Costeiros. São 224 páginas de ensolaradas fotos das nossas aves litorâneas – muitas delas pouco registradas até hoje. Para concluir o livro, ele visitou lugares tão remotos e díspares como a Ilha dos Lençóis (MA) e os trechos desertos do litoral gaúcho (RS), além de locais paradisíacos, como as praias isoladas de Ubatuba (SP) ou a ilha de Fernando de Noronha (PE). São 100 aves registradas (veja algumas fotos abaixo). Um livro para degustar com calma e admiração. À venda pelo site www.avesefotoseditora.com.br.

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Avistar Patagônia, um show de aves e imagens

por Zé Edu Camargo em 4 de fevereiro de 2014
Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

O ano de 2013 foi de expansão e afirmação para o Avistar, evento de observação de aves que começou em São Paulo e hoje ocorre em diversas capitais do Brasil. A coroação desse sucesso foi o Avistar Patagônia, no fim do ano, que reuniu observadores brasileiros e sul-americanos no Chile. O blog bateu um papo com Guto Carvalho, organizador do evento e uma das figuras mais respeitadas do birding no Brasil.

Blog: Quais eram os objetivos do Avistar Patagônia? Foram todos cumpridos?

Guto Carvalho: Queríamos testar um novo modelo de evento – um workshop fotográfico de nível internacional – e ver a receptividade do público a esse produto. Sim, foi bem recebido, a resposta do público brasileiro demonstrou maturidade e disposição a participar de um evento diferenciado. Os brasileiros foram maioria no evento. Por outro lado tivemos poucos participantes chilenos e argentinos, o que demonstrou que esse segmento tem que ser melhor trabalhado junto a esses mercados.

Blog: Quais os pontos altos da expedição?

Guto Carvalho: Cenário, luz e espécies. Embora não seja o ponto principal, a paisagem é magnífica, altamente inspiradora, seja pela beleza cênica, seja pela diversidade. Exploramos bosques, montanhas, lagos, fiordes e tundras. Em cada um desses locais a beleza cênica foi fundamental para o astral geral e qualidade do trabalho.

A avifauna é um destaque importante. Por um lado aves grandes, como cisnes, marrecos e gansos, facilmente avistáveis e sempre em condições privilegiadas de enquadramento e luz. Por outro lado, espécies muito diferenciadas, como o pica-pau-de-magalhães, o condor, o periquito-austral, o caracará-da-cordilheira e dezenas de outros. Mesmo o tico-tico tem o seu charme, ele é migratório, maior e mais robusto que o brasileiro. Por outro lado espécies relativamente raras no Brasil, como o colegial (Lessonia rufa) são muito frequentes por lá.

A luz é  mais horizontal e suave, a latitude alta deixa a luz mais baixa. Isso quer dizer que muda o ângulo de incidência, o que torna a luz mais volumétrica, mais bonita de modo geral, com alta produtividade o dia todo, ao contrário das regiões tropicais, onde o sol alto torna quase inviável o trabalho entre 11h e 16h…

Finalmente, temos de destacar qualidade do atendimento do nosso parceiro Remota. Um hotel de alto nível e com um atendimento super humano e caloroso. Incrível.

Blog: Como foi a troca de experiências entre brasileiros e estrangeiros em relação à observação de aves?

Guto Carvalho: O evento foi no Chile, mas o intercâmbio foi mais internacional.

Os brasileiros têm uma maneira muito especial de atuar em campo, mais objetiva e focada em resultados, fruto da competitividade estimulada pela fotografia.

Alvaro Jaramillo, que é o grande guia ornitológico chileno, mostrou experiencia e tranquilidade além de visão global muito interessante. Apresentou uma grande aula sobre a avifauna chilena e especialmente a visão comparada de espécies e nichos. Muito legal.

Arthur Morris e Denise Ippolito mostraram um trabalho de pós-produção muito grande, que rompe com algumas das premissas do modelo brasileiro. Em campo, preferem passar um grande tempo trabalhando um tema, explorando todas as possibilidades de um casal de cisnes por exemplo, sem o compromisso de buscar mais e mais espécies. Na pós-produção, trabalham o retoque de fotos para eliminar galhos e aperfeiçoar as fotografias. Essas são práticas frequentes para eles, mas totalmente destoantes do repertório tradicional dos fotógrafos brasileiros, normalmente mais puristas e focados na foto perfeita, sem retoques.

David Tippling trouxe a sua grande capacidade de contar histórias. Suas fotos têm sempre um contexto e uma qualidade sensível difícil de ser encontrada em fotógrafos de aves (e de natureza).

Edson Endrigo apresentou uma incrível capacidade de adaptação e de conhecimento das aves, mesmo em ambiente totalmente diferente do seu habitual. Rapidamente dominou as espécies e conseguiu resultados espetaculares.

Octavio, com sua serenidade chegou antes e realizou uma fantástica expedição em busca de fotos de puma. Além de belíssimas fotos de paisagem, Octavio trouxe essa vivência e olhos de ver puma para o grupo.

Blog: Quais os planos do Avistar para 2014? E quais são as novidades?

Guto Carvalho: A principal novidade é articulação em rede dos promotores de Avistar em todo o Brasil. Realizamos um workshop de avaliação e intercâmbio, onde cada equipe apresentou suas técnicas e conquistas nos Avistar em todo o brasil. Disso articulamos uma rede de atuação e produção e de eventos, que vai impactar positivamente a organização de todos os Avistar e poder colaborar com todos os eventos de aves no Brasil.

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

White-bridled Finch  (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

White-bridled Finch (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant   (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Sierra Finch. Foto de João Quental

Sierra Finch. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Periquito-austral  (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Periquito-austral (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Observadores em ação. Foto de João Quental

Observadores em ação. Foto de João Quental

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Long-tailed Meadowlark  (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Long-tailed Meadowlark (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Flamingos. Foto de João Quental

Flamingos. Foto de João Quental

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo