Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888 | Saiba mais »

Brasil das Aves

Pesquisadores de programa de conservação das antas fotografam ave muito rara da Mata Atlântica

por Zé Edu Camargo em 28 de janeiro de 2016
Jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) - Foto: projeto Pró-Tapir

Jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) – Foto: Projeto Pró-Tapir

O jacu-estalo é uma lenda viva. Ave muito arredia, vive em trechos densos de mata e dificilmente se deixa notar. Mas quando se fala do jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) a associação mais correta é com um pequeno fantasma. Seus registros são raríssimos – e devem ser comemorados, pois provam o bom estado de conservação da floresta. No final do ano passado, um desses encontros com o jacu-estalo aconteceu em Linhares, no norte do Espírito Santo. O fantasminha foi registrado por uma armadilha fotográfica do projeto Pró-Tapir, que trabalha com o estudo e proteção das antas em algumas unidades de conservação locais. Acompanhe agora uma entrevista com a pesquisadora Andressa Gatti sobre esse encontro e o belo projeto desenvolvido pelo Pró-Tapir:

Blog: Qual a sensação de registrar uma espécie tão rara e arredia como o jacu-estalo na Mata Atlântica? Como foi feita esta foto?

Andressa Gatti: É uma sensação indescritível, uma mistura de felicidade, espanto, orgulho e surpresa! Saber que a Mata Atlântica ainda pode abrigar uma espécie tão rara e ameaçada, nos faz acreditar que há esperança e nos torna mais responsáveis por gritar a todos que é preciso parar de agredir nossas matas e todas as espécies que vivem nelas. Ter estado algumas vezes no mesmo local onde o enigmático jacu-estalo foi registrado, é de arrepiar! E mais. Saber que nosso trabalho de conservação com o maior mamífero terrestre brasileiro – a anta – pode ajudar a proteger tantas outras espécies, nos dá ainda mais a certeza que estamos no caminho certo e que realmente vale a pena trabalhar para a conservação das espécies!

E como foi que tivemos a sorte de registrar essa raridade? Nós iniciamos um novo monitoramento com armadilhas fotográficas, no grande bloco florestal Linhares/Sooretama, em janeiro de 2015. Nosso principal objetivo é reunir informações sobre a ecologia da anta, Tapirus terrestris, e de outros mamíferos também ameaçados de extinção, como o queixada (Tayassu pecari) e o cateto (Pecari tajacu). Nossa felicidade é que com esses modernos equipamentos, temos registrado tantas outras espécies da mastofauna e avifauna.

Só fomos entender a verdadeira preciosidade que tínhamos em mãos, quando nossos amigos Gustavo Magnago e Letícia Belgi Bissoli identificaram a espécie para nós. Há um tempo eles nos tinham questionado se não havíamos feito algum registro do jacu-estalo anteriormente. E, finalmente, quando menos esperávamos, lá estava ele! Uma ave que motivou e motiva tantos apaixonados pela ornitologia e observação de aves. E posso dizer que ela motiva também todos nós que trabalhamos pela proteção da nossa biodiversidade.

Anta (Tapirus terrestris) Foto: Gustavo Magnago

Anta (Tapirus terrestris) Foto: Gustavo Magnago

Blog: O Projeto Pró-tapir tem como objetivo a conservação das antas em reservas do Espírito Santo. Quais são as condições que a espécie encontra hoje no estado? Quais são os desafios?

Andressa Gatti: A espécie está em perigo de extinção em nosso Estado. Atualmente existem apenas sete áreas naturais protegidas no norte do estado do Espírito Santo onde ainda há a presença da anta. O Pró-Tapir atua em seis dessas áreas. Quatro dessas unidades de conservação estão localizadas nos municípios de Linhares e Sooretama, a Reserva Biológica de Sooretama (RBS), a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Recanto das Antas, a RPPN Mutum-Preto e a Fazenda Cupido & Refúgio (FCR), que em conjunto podem permitir a sobrevivência da espécie, em longo prazo. Contudo, nesses locais ainda ocorrem muitas ameaças que podem resultar no desaparecimento das antas.

O complexo florestal situado em Linhares/Sooretama, uma das três áreas que ainda podem manter populações viáveis da espécie, ainda apresenta muitas ameaças que podem aumentar o risco de extinção das populações locais, além de outras características da região: (1) caça frequente, inclusive na Reserva Biológica de Sooretama; (2) atropelamentos, principalmente na BR-101 que divide a Reserva Biológica de Sooretama; (3) presença de conflitos entre a população humana e as antas, devido à perda econômica que, geralmente, causam aos agricultores; (4) a paisagem da região é única, heterogênea, onde se encontram quatro áreas protegidas inseridas em um mosaico de diferentes agriculturas e configuração espacial.

Um cenário preocupante também ocorre nas Reservas Biológicas Córrego do Veado e Córrego Grande, localizadas no município de Pinheiros e Pedro Canário, respectivamente. Nestas áreas, ainda há a presença da anta, mas a sobrevivência das populações é incerta em longo prazo, uma vez que estão reduzidas e também isoladas.

O “Pró-Tapir: Monitoramento e Proteção das antas da Mata Atlântica Capixaba” propõe a elaboração de um conjunto específico de recomendações para a conservação da anta e das florestas, bem como promover a manutenção das populações desta espécie no Espírito Santo, por meio de pesquisas científicas. O programa possui uma abordagem multidisciplinar sustentada por quatro linhas temáticas gerais: Ecologia, Genética, Saúde Ambiental e Sensibilização/Difusão Científica.

Blog: Como observadores e outros cidadãos podem contribuir com a conservação nesta região tão importante para a Mata Atlântica como um todo? 

Andressa Gatti: Primeiro é preciso que todos saibam da existência dessa região tão importante e que ela é responsável pela manutenção de diversas populações de espécies da fauna e flora da Mata Atlântica capixaba.

Como as áreas onde o Pró-Tapir atua estão próximos a rodovias e estradas, e como a anta e outros animais podem percorrer grandes distâncias, é necessário que os cidadãos respeitem a velocidade nas rodovias, evitando assim que mais indivíduos sejam mortos por atropelamentos. No ano de 2014 e do início de 2015 perdemos três indivíduos de anta, sendo que um deles, uma fêmea, estava prenhe. O risco é altíssimo não só para antas, mas também para tantas outras espécies que habitam aquela região, e obviamente, para os condutores, que podem colocar suas vidas em risco com o impacto do atropelamento de um animal tão grande.

Outra ameaça, a caça, ainda é uma atividade comum na região, mesmo sendo ilegal. O mais crítico é que a caça é uma atividade focada no comércio ilegal de carne, o que torna a atividade algo muito lucrativo para quem caça. É importante que as pessoas parem de comprar carne de caça e que a caça seja erradicada, mas ainda temos uma longa caminhada para que isso, de fato, acabe. Práticas como o desmatamento e queimadas também devem ser evitadas, pois destroem o habitat, ou seja, o espaço onde a espécie vive e se desenvolve.

Difundir essas informações entre todos é o ponto central da história. O principal meio de ajudar na conservação das espécies é fazer a população entender que seus atos podem afetar a sobrevivência dessas espécies direta ou indiretamente. Nós pesquisadores e cientistas não vamos mudar o mundo sozinhos. Precisamos do apoio de pessoas engajadas na proteção da biodiversidade. Então, todos podem ajudar, divulgando e convencendo seus amigos da importância da fauna e flora, apoiando os projetos de conservação, difundindo informações entre pesquisadores de diferentes áreas de atuação. Existem várias formas de contribuir, mas a principal é de se conscientizar que com pequenos atos, como respeitar as leis, ou diminuir a velocidade nas rodovias próximas a áreas protegidas, já faz uma grande diferença.

E sabe o que é mais fascinante? A busca pelo maior mamífero terrestre brasileiro tem nos revelado histórias fantásticas sobre outras espécies que ainda pouco conhecemos. A anta, uma amiga de peso, ajudando na conservação de espécies raras e pequenas como a do jacu-estalo e, ele, por sua vez, só nos mostra o quanto a biodiversidade está conectada!

Dez dicas para começar a observar aves

por Zé Edu Camargo em 15 de dezembro de 2015
Suiriri-cavaleiro, ave que frequenta pastos, gramados e áreas abertas - Foto: Zé Edu Camargo

Suiriri-cavaleiro, ave que frequenta pastos, gramados e áreas abertas – Foto: Zé Edu Camargo

Bom, se você já pensou um dia praticar o birdwatching e não sabia por onde começar, seus problemas (ou suas desculpas…) acabaram. Aqui está um pequeno guia sobre esta atividade divertida, inclusiva e que pode ser praticada por todas as idades. Vamos lá?

1) Comece por perto – Você vive em um dos melhores países para a observação de aves no mundo. O Brasil tem quase 2 mil espécies, das 10 mil conhecidas pela ciência. Então, aproveite isso. Na verdade, é mais do que provável que você consiga identificar um punhado de aves sem sair da cama, logo ao acordar. Quem nunca escutou um bem-te-vi, um sabiá-laranjeira ou um bando de periquitos no início da manhã? Eles estão em todo lugar. Se você sair de casa e caminhar para a praça ou o parque mais próximo, o número de espécies que você pode identificar pode chegar a algumas dezenas.

2) Faça listas –  Anotar em um caderninho (ou no seu celular) as espécies que você viu e identificou é o primeiro passo. De certo modo, todo observador é um colecionador de figurinhas – e os álbuns você mesmo cria. Pode ser o álbum Aves Que Vi na Vida, o álbum Aves do Parque X ou o álbum Aves do Mês de Setembro. Os guias de campo, livros com ilustrações, fotos e informações sobre as espécies, são uma boa leitura para acelerar o seu processo de aprendizagem. Nos últimos tempos vários (e ótimos) guias de campo têm sido publicados no Brasil. Alguns abrangem toda a nossa avifauna, outros são específicos para biomas (Mata Atlântica, Cerrado) ou de alguns lugares (Guia das Aves do Rio de Janeiro, Guia das Aves do Planalto Central, Guia das Aves do Parque do Ibirapuera…). Essas publicações também ajudam muito na hora de fazer uma lista.

3) Use a internet – No computador da sua casa ou em seu celular há uma infinidade de sites e aplicativos com informações sobre as aves. Mas, para atalhar caminho, recomendamos que você dê uma olhadinha no www.wikiaves.com.br. É um site colaborativo e gratuito que permite às pessoas compartilhar fotos e sons de aves brasileiras. Observadores mais experientes auxiliam os mais novos na identificação. E cada espécie tem uma página, com fotos, sons, características, comportamento, hábitat. Você pode também procurar a lista de aves que ocorrem na sua cidade e ordenar essa lista pelo número de registros. Começar a diferenciar as 30 ou 50 mais comuns é um ótimo primeiro passo. Depois vocês vai querer descobrir seus lifers, palavrinha que indica as aves que você ainda não viu. Veja no fim do post outros links úteis para quem está começando.

4) Não tenha vergonha de perguntar – Algumas espécies são muito parecidas, mesmo aos olhares mais atentos. “Ele era pequeno, amarelinho, com as asas marrons e o bico preto” é uma descrição que serviria para diversas espécies da nossa fauna. Então buscar ajuda de observadores mais experientes é fundamental. Se você não conhecer nenhum, sem problema. Há diversas comunidades no Facebook (além do próprio wikiaves) em que você pode procurar ajuda para identificar uma aves através de uma foto, um som gravado ou mesmo uma descrição.

5) Compre um binóculo – As aves nem sempre permitem uma aproximação suficiente para que você consiga diferenciar detalhes. Um binóculo, uma luneta ou mesmo uma câmera com zoom podem resolver esse problema. A escolha é sua e você não precisa gastar rios de dinheiro. Há binóculos de todos os preços e formatos. Vale a pena testar e escolher um que caiba no seu orçamento.

Observador e seu binóculo em ação - Foto: Zé Edu Camargo

Observador e seu binóculo em ação – Foto: Zé Edu Camargo

6) Acorde cedo – Não é lenda, a atividade das aves é mais intensa logo nas primeiras horas da manhã, principalmente em um país tropical como o nosso. O fim da tarde também costuma ser muito produtivo. Mas, é claro, essa regra não se aplica a todas as espécies e todos os lugares, é só uma noção geral. Em algum momento da sua história como observador você vai querer sair à noite para ver as corujas e os bacuraus, por exemplo. Mas isso já é outra história.

7) Chame os amigos – Um dos aspectos mais bacanas da observação de aves é que ela se torna mais divertida quando feita em grupo – a não ser que você seja um ermitão de carteirinha. Há muitas famílias que passarinham, às vezes com três gerações na mesma trilha.  Turmas de amigos também são comuns. Na sua cidade, no seu bairro, é bem possível que você encontre outros observadores. Às vezes eles se reúnem em clubes. Procure – ou faça –  a sua turma.

8) Volte ao mesmo lugar – Há aves que escolhem um lugar para viver e ficam por perto a vida toda. Outras estão sempre de passagem, pois param apenas um tempo (às vezes alguns meses, às vezes somente algumas horas) em meio à migração. Por causa disso, vale a pena voltar em diferentes épocas do ano a um mesmo lugar, pois sempre há surpresas.

9) Fique longe de ninhos – Sim, você pode observá-los, mas a uma distância segura. Nada de pegar uma escada para ver os ovinhos ou filhotinhos de perto. Mexer, então, nem pensar. E nem tocar o playback (reprodução do canto de uma ave, usado para atraí-la) nas proximidades. As aves são muito sensíveis quando estão nesta situação, e você pode acabar produzindo órfãos, mesmo sem querer.

10) Compartilhe a informação – Um dos aspectos mais incríveis da observação de aves é que você pode se divertir e contribuir com a ciência ao mesmo tempo. Compartilhe suas listas em sites como ebird.org ou taxeus.com.br e ajude a formar os mapas de ocorrência das espécies – isso vai dar uma baita mão aos pesquisadores de todo o mundo.

Lavadeira-mascarada, ave comum em boa parte do Brasil, inclusive em alguns ambientes urbanos - Foto: Zé Edu Camargo

Lavadeira-mascarada, ave comum em boa parte do Brasil, inclusive em alguns ambientes urbanos – Foto: Zé Edu Camargo

Alguns links úteis:

www.wikiaves.com.br – site sobre identificação de aves brasileiras, como fotos e sons de nossas espécies, fórus de discussão e diversas páginas com informações úteis.

www.ebird.org – página do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell com um banco de dados colaborativo sobre as aves de todo o mundo. O site acaba de ganhar uma versão em português: http://ebird.org/content/brasil/

www.xeno-canto.org – uma base de dados com sons de aves de todo o mundo.

www.taxeus.com.br – site colaborativo para registros de aves, mamíferos e anfíbios do Brasil.

http://virtude-ag.com/ – site sobre observação de fauna e fotografia, com informações úteis, roteiros, notícias e artigos.

http://bonitobirdwatching.blogspot.com.br/ – blog da bióloga Tietta Pivatto, com muita informação sobre as nossas aves e o turismo de observação.

www.avistarbrasil.com.br – site da série de eventos Avistar, que ocorre em várias cidades brasileiras durante o ano, reunindo milhares de observadores, destinos de observação e empresas do setor.

http://revistapassarinhando.com.br/ – a primeira revista eletrônica sobre observação de aves no Brasil, pode ser lida no PC, em tablets e nos smartphones.

 

Livro primoroso reúne todos os papagaios, araras e periquitos do Brasil

por Zé Edu Camargo em 4 de dezembro de 2015

_MG_1808

“Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra”.

O trecho aí em cima vem da carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito sobre o Brasil, que já trazia algumas menções aos papagaios e periquitos. E, ao longo de nossa história, do Zé Carioca ao filme Rio, eles sempre estiveram associados à nossa imagem. Mas, apesar desta presença marcante, não eram abundantes os estudos e fontes de informação sobre as quase 100 espécies de psitacídeos que ocorrem em território nacional. Um parêntese: psitacídeo é uma palavra estranha mas de uso comum entre os biólogos para indicar papagaios e periquitos, em uma referência à família Psittacidae, que inclui nossos papagaios, periquitos, maitacas, araras, tiribas e maracanãs. Agora, o livro (mas o mais adequado seria dizer livrão, pela sua importância) Terra Papagalli vem cobrir com maestria muitas lacunas no nosso conhecimento destas aves. Obra de referência, mas que tem no visual e no cuidado gráfico um elemento fundamental, a obra traz as ilustrações do artista Eduardo Brettas (veja no final do post) em perfeita sintonia com o texto do pesquisador Luis Fabio Silveira, curador da coleção de ornitologia do Museu de Zoologia da USP. Um livro para apreciar como obra de arte e consultar como obra de referência. O lançamento ocorre no dia 9 de dezembro em São Paulo. Mais informações no book trailer:

Intro2

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Miolo9

tiriba-de-cabeça-vermelha (Pyrrhura roseifrons) – Ilustração: Eduardo Brettas

Anacã (Deroptyus accipitrinus) - Ilustração: Eduardo Brettas

Anacã (Deroptyus accipitrinus) – Ilustração: Eduardo Brettas

Miolo6

Arara-canindé (Ara ararauna) – Ilustração: Eduardo Brettas

Além das ilustrações o livro contém informações detalhadas de cada espécie - Ilustração Eduardo Brettas

Além das ilustrações o livro contém informações detalhadas de cada espécie – Ilustração: Eduardo Brettas

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Intro5

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustrações de Eduardo Brettas

Ilustrações de Eduardo Brettas

Uma das primeiras pinturas de Eduardo Brettas. Na época ele tinha 12 anos de idade

Uma das primeiras pinturas de Eduardo Brettas. Na época ele tinha 12 anos de idade

Categorias

Por uma área de proteção para a saíra-apunhalada

por adminngbrasil em 17 de novembro de 2015
Saíra-apunhalada - Foto: Gustavo Magnago

Saíra-apunhalada – Foto: Gustavo Magnago

Já falamos dela aqui no blog (veja o post Fotos espetaculares de uma espécie rara e (muito) ameaçada). Mas, nos últimos três anos, pouca coisa mudou no que se refere à proteção de uma de nossas espécies mais ameaçadas: a Neimosia rourei, ou saíra-apunhalada. O governo do Espírito Santo deve receber em breve uma nova proposta para conservação da área onde a pequena população dessa ave tão rara e tão bonita vive. Veja quais são as perspectivas para a proteção da saíra nesta entrevista com o biólogo Edson Ribeiro Luiz, especialista em aves, ecólogo e coordenador de projetos da SAVE Brasil.

Foto: Gustavo Magnago

Foto: Gustavo Magnago

 Blog: Em quais condições se encontra hoje a pequena população de saíra-apunhalada no Brasil? Quais são os riscos que ela corre?

 Edson Ribeiro Luiz: A estimativa é de que sua população seja menor do que 250 indivíduos.

A principal ameaça atual a saíra-apunhalada são loteamentos rurais que estão sendo cada vez mais implantados na região serrana do Espírito Santo. Parte da floresta onde a espécie habita tem sido destruída para implantação desses lotes e o desmatamento mesmo que pontual ainda ocorre na região.

 Blog: O que falta para a criação de uma área de conservação para a saíra-apunhalada no Espírito Santo?

Edson Ribeiro Luiz: A criação de uma unidade de conservação na região passa logicamente por uma decisão política.

Já houve momentos que esteve perto de acontecer e depois retrocedeu. Tecnicamente dentro dos órgãos estaduais está se finalizando uma nova proposta para ser encaminhada ao governador.

É imperativo, no entanto, que a sociedade reconheça a importância dessa iniciativa, não só por conta da saíra, mas de todo o patrimônio biológico e de recursos hídricos que poderão se tornar legalmente protegidos.

O governo vem fazendo através de oficinas com as comunidades do entorno um diagnóstico socioambiental para que a proposta técnica seja a mais adequada possível para a proteção da floresta e ao mesmo tempo manutenção das populações envolvidas.

Blog: Como o cidadão comum pode ajudar na conservação da saíra-apunhalada?

Edson Ribeiro Luiz: A questão da saíra bem como todos os problemas ambientais do país precisam ter eco nas comunidades locais e na sociedade como todo.

Para que os governantes tomem iniciativas que protejam nossa biodiversidade, é preciso que eles sejam convencidos de que isso também é uma prioridade para os brasileiros. Uns dizem que é utópico acreditar nisso, mas eu penso que é sim factível.

Quanto ao cidadão comum que já foi tocado pela necessidade de fazer algo pela a saíra, existe uma infinidade de ações vinculada as particularidades de cada um. Exemplo: um morador da cidade de Vitória no Espirito Santo pode participar de mobilizações e pedidos para que o parlamentar que a representa, apoie a criação de uma unidade de conservação na região. Um morador da Mata de Caetés onde vira a saíra, pode se esforçar para que não se faça desmatamentos que poderiam ser evitados. Uma professora do distrito de Castelinho, na cidade de Vargem Alta (onde a espécie também ocorre) pode falar sobre a saíra para seus alunos. As formas de engajamento comunitário são diversas e todo cidadão pode contribuir.

Foto: Gustavo Magnago

Foto: Gustavo Magnago

O incrível caso dos ninhos azuis

por Zé Edu Camargo em 21 de outubro de 2015
Japu começando a construção do ninho no manguezal - Foto: Zé Edu Camargo

Japu começando a construção do ninho no manguezal – Foto: Zé Edu Camargo

O japu (também conhecido como guaxo em algumas regiões) é uma ave comum em muitos estados do Brasil, com exceção de uma parte do Nordeste e do Sul. Da família dos xexéus e iraúnas (a Icteridae) ele é um engenhoso construtor e um bicho sociável. Os japus costumam eleger uma mesma árvore para formar a “colônia” de ninhos, que ficam pendurados como brincos nos galhos mais expostos – concentrados, eles têm proteção mútua contra predadores. O ninho é normalmente feito com fibras naturais entrelaçadas de maneira engenhosa, formando uma espécie de bolsa, com entrada por cima.

Na Ilha do Algodoal (PA), no entanto, os japus decidiram inovar. Ali eles fazem ninhos no manguezal, à beira de canais que se ligam com o oceano. E usam como matéria-prima uma fibra abundante na região, mas que não tem nada de natural: linhas de náilon de antigas cordas de redes e boias de navegação que vêm dar no mangue trazidas pela maré. O efeito visual é impressionante. Como a maioria das cordas usadas por pescadores ali é azul, os ninhos acabam tomando essa cor, fazendo um contraste interessante com o verde das folhas no manguezal. O uso de materiais estranhos, no entanto, não é desconhecido na ciência. Acompanhe uma pequena entrevista com o ornitólogo Luciano Lima, pesquisador do Observatório de Aves – Instituto Butantan.

Os japus constroem os ninhos no formato de uma bolsa - Foto: Zé Edu Camargo

Os japus constroem os ninhos no formato de uma bolsa – Foto: Zé Edu Camargo

Blog: A mudança de hábitos alimentares e de comportamento em função de alterações no ambiente é comum entre as aves? É algo esperado encontrar situações como essa dos japus em Algodoal?

Luciano Lima: A capacidade de se adaptar a mudanças no ambiente e/ou novos recursos, no caso material para construção do ninho, é o que permite que algumas espécies ocorram, ou mesmo aumentem sua população, em ambientes alterados, como áreas urbanas. Comportamentos inovadores estão sujeito ao “olhar” atento da seleção natural. Dessa forma, embora não seja raridade observar uma determinada espécie fazendo algo “inesperado”, a probabilidade que esse comportamento seja fixado, ou seja, passe a fazer parte daquela população, ou mesmo espécie, é geralmente remota.

Bog: O uso de uma fibra artificial nos ninhos pode afetar de alguma maneira a população?

Luciano Lima: Por se tratar de um comportamento diretamente relacionado com uma parte importante do ciclo de vida da espécie, no caso sua reprodução, o uso das fibras artificiais poderia sim afetar positivamente, ou negativamente essa população. Para responder essa pergunta seria necessário um estudo mais detalhado. Mas podemos assumir pelo menos três hipóteses. 1) que as fibras artificiais trazem alguma vantagem para espécie deixando, por exemplo, os ninhos mais resistentes ao clima ou aos predadores; 2) que elas representam uma desvantagem, por exemplo atraindo mais predadores por conta de sua coloração menos discreta ou é possível ainda que as fibras esquentem mais o que poderia representar um problema no calor amazônico; e 3) que as fibras artificiais seriam equivalentes às fibras naturais e não representariam qualquer vantagem ou desvantagem significativa.

Blog: Há outros casos curiosos de “inovação” no comportamento das aves?

Luciano Lima: Existem outros casos interessantes relacionados com a construção de ninhos com materiais pouco convencionais. Pessoalmente já observei no Parque Nacional do Itatiaia alguns ninhos de guaxe (Cacicus haemorrhous) construídos também com fibra artificial, mas de coloração verde. Alguns dos casos mais inusitados de construção de ninho com materiais artificiais por aves brasileiras envolvem alguns parentes de um habilidoso “pedreiro”, o joão-de-barro (família Furnariidae). Existem reportados na literatura científica alguns ninhos de espécies como o curutié (Certhiaxis cinnamomeus) e o joão-teneném (Synallaxis spixi) construídos inteiramente com pedaços de arame. O grande ornitólogo Helmut Sick, comenta em seu livro “Ornitologia Brasileira”, sobre um ninho de joão-teneném encontrado na cidade do Rio de Janeiro “construído em boa parte de arame (inclusive farpado) que as aves catavam em fábrica próxima”, cujo peso aproximado chegava a 15kg!

Os ninhos ficam próximos, formando uma colônia para proteção mútua - Foto: Zé Edu Camargo

Os ninhos ficam próximos, formando uma colônia para proteção mútua – Foto: Zé Edu Camargo

Categorias
Tags

Outubro é o mês de Big Day Brasil. Você já está preparado?

por Zé Edu Camargo em 17 de setembro de 2015
Beija-flor-de-orelha-violeta - Foto: Zé Edu Camargo

Beija-flor-de-orelha-violeta – Foto: Zé Edu Camargo

Observadores de aves de todo o país estão se organizando para o grande dia. Birders do Chuí ao Caburaí irão a campo durante as 24h do dia 10 de outubro com o objetivo de identificar o maior número de espécies de aves possível. Uma iniciativa conjunta de Save Brasil, Observatório de Aves do Instituto Butantan, The Cornell Lab of Ornithology e Avistar Brasil, o Big Day é um grande acontecimento. Os organizadores têm o objetivo de mapear 1700 espécies (das quase 2 mil já registradas por aqui), através de listas submetidas em sites como o eBird (ebird.org) ou Táxeus (taxeus.com.br).

Você também pode participar. Chame seus amigos e faça uma passarinhada no dia 10 de outubro, depois submeta a lista de aves observadas no dia num destes sites até o dia 15 de outubro. Não sabe como preparar/submeter sua lista? Uma página no eBird explica tudinho tim-tim por tim-tim, basta clicar aqui: http://bit.ly/1gu8T0O. E para saber mais sobre o Big Day você pode acessar a página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/666791770088188/. Participe!

Observador de aves no cerrado de Minas Gerais - Foto: Zé Edu Camargo

Observador de aves no cerrado de Minas Gerais – Foto: Zé Edu Camargo

Campanha na internet quer a criação uma nova Unidade de Conservação no litoral paulista

por Zé Edu Camargo em 14 de setembro de 2015
Papagaio-de-cara-roxa - Foto: Claudia Brasileiro

Papagaio-de-cara-roxa – Foto: Claudia Brasileiro

Uma área frágil no litoral sul de São Paulo (entre Itanhaém e Mongaguá), com aves raras e endêmicas da Mata Atlântica, tem sido constantemente ameaçada pela especulação imobiliária e pela tomada de terras pela agricultura. O quadro nada animador, no entanto, pode ser revertido com a ajuda dos internautas. A ideia do biólogo Bruno Lima é pressionar as autoridades a declarar a proteção da área através da coleta de assinaturas virtuais (para acessar basta clicar no link https://secure.avaaz.org/po/petition/ICMBio_BrasiliaDF_Criacao_do_Parque_Estadual_Restingas_do_Rio_Preto_e_Aguapeu/?sFKiLjb). Acompanhe uma pequena entrevista com o autor da petição:

Blog: Qual a importância dessa área litorânea para a conservação? Que ameaças ela sofre?

Bruno Lima: Essa área é considerada internacionalmente como Área Importante Para a Conservação das Aves no Brasil. Quem a decretou foi a BirdLife International, pois ali vivem diversas espécies endêmicas da Mata Atlântica, algumas inclusive ameaçadas de extinção. A área vem perdendo espaço para plantações de banana e para a especulação imobiliária.

Blog: Para os observadores de aves em particular, porque é importante proteger a área?

Bruno Lima: Além do fácil acesso, pois está perto da capital paulista e de Santos, a área possui uma topografia plana, que permite aos observadores de aves um bom deslocamento, sem se cansarem muito. E num pequeno espaço de tempo podemos ver diversas espécies. Algumas são bem raras, como o papagaio-de-cara-roxa.

Blog: Como funciona essa campanha na internet? Qual a importância do apoio virtual?

Bruno Lima: Normalmente vemos os problemas ambientais como algo que está muito além de nosso alcance resolver. Por isso criei uma campanha virtual para que todos se sintam capazes de fazer algo para mudar esse quadro, para que todos se sintam responsáveis por essas ricas florestas. Afinal, são nossas!

Saíra-sapucaia - Foto: Bruno Lima

Saíra-sapucaia – Foto: Bruno Lima

Mata Atlântica no litoral sul - Foto: Bruno Lima

Mata Atlântica no litoral sul – Foto: Bruno Lima

Perereca Hypsiboas albomarginatus - Foto: Bruno Lima

Perereca Hypsiboas albomarginatus – Foto: Bruno Lima

Macaco-prego, espécie ameaçada no estado de São Paulo - Foto: Bruno Lima

Macaco-prego, espécie ameaçada no estado de São Paulo – Foto: Bruno Lima

received_872288046182474

 

Categorias
Tags

Museu de Zoologia da USP reabre a exposição permanente

por Zé Edu Camargo em 4 de setembro de 2015
Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Os brasileiros acabam de recuperar uma joia. A exposição de longa duração do Museu de Zoologia, em São Paulo, está de volta em grande estilo, com o título Biodiversidade: Conhecer Para Preservar. São animais taxidermizados, réplicas de fósseis e coleções de insetos que contam muito sobre a nossa história evolutiva e nossos biomas. As crianças, especialmente, vão adorar. Um dos destaques é o mapa da cidade com os animais que ocupavam as suas áreas antes da expansão da mancha urbana (muitos desses bichos ainda resistem nos nossos parques). As réplicas de fósseis também chamam a atenção. E, para os observadores de aves, há uma boa mostra da imensa coleção do museu. Um programa para toda a família. Mais informações pelo site: http://www.mz.usp.br

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar - Foto: Zé Edu Camargo

Exposição Biodiversidade: Conhecer Para Preservar – Foto: Zé Edu Camargo

 

O Butantan também tem passarinho

por Zé Edu Camargo em 31 de julho de 2015
Mocho-diabo - Foto: Zé Edu Camargo

Mocho-diabo – Foto: Zé Edu Camargo

Os brasileiros conhecem o Instituto Butantan pela rica história na produção de soro antiofídico e de vacinas. Os paulistanos sabem que a instituição mantém uma das melhores áreas de lazer da cidade, com museus, exposições e uma bela área livre.

E, mais recentemente, as crianças ligadas em tevê associam o Butantan à série infantil Buuu, do canal pago Gloob. A tudo isso, soma-se mais uma atividade: a observação de aves. O sucesso do último Avistar (evento que congrega observadores de todo o país) por lá é a prova de que o lugar tem vocação para receber os birdersMas outra iniciativa vem chamando a atenção e incluindo muita gente na atividade: o #vempassarinhar, uma visita guiada à mata do Instituto (que é fechada ao público no dia-a-dia) para observar as aves que ocorrem por ali. São 60 hectares com diversas espécies da Mata Atlântica. Sempre há surpresas em cada passarinhada por ali. Nas fotos que acompanham o post vocês podem ver algumas espécies que foram registradas ali, como o mocho-diabo (uma espécie de coruja) e o papagaio-verdadeiro.

O #vempassarinhar é a face visível de um outro trabalho muito importante que o Museu Biológico do Instituto Butantan desenvolve: o Observatório de Aves, que realiza pesquisas e monitoramento de avifauna, além da vigilância ambiental em saúde através das aves silvestres. Para saber como participar do #vempassarinhar, acompanhe a comunidade do Observatório de Aves no facebook. As visitas guiadas (grátis) ocorrem uma vez por mês, sempre em um sábado.

Pica-pau-de-cabeça-amarela - Foto: Zé Edu Camargo

Pica-pau-de-cabeça-amarela – Foto: Zé Edu Camargo

Pavó - Foto: Zé Edu Camargo

Pavó – Foto: Zé Edu Camargo

Papagaio-verdadeiro - Foto: Zé Edu Camargo

Papagaio-verdadeiro – Foto: Zé Edu Camargo

Visita guiada #vempassarinhar - Foto: Zé Edu Camargo

Visita guiada #vempassarinhar – Foto: Zé Edu Camargo

Observadores de aves têm encontro marcado em Manaus

por Zé Edu Camargo em 15 de julho de 2015
Chora-chuva-preto, ave comum nos arredores de Manaus - Foto: Zé Edu Camargo

Chora-chuva-preto, ave comum nos arredores de Manaus – Foto: Zé Edu Camargo

Neste fim de semana (de 17 a 19 de julho) ocorre na capital amazonense o Avistar Manaus, encontro de observadores de aves, no Bosque da Ciência do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Há palestras e oficinas para iniciantes, workshops mais aprofundados e atividades para as crianças. O encontro precede o Congresso Brasileiro de Ornitologia. Mais informações e agenda no site www.avistarbrasil.com.br.

Araracangas na Amazônia - Foto: Zé Edu Camargo

Araracangas na Amazônia – Foto: Zé Edu Camargo