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Brasil das Aves

Passarinhando em defesa do Museu da Energia de Salesópolis

por Zé Edu Camargo em 12 de agosto de 2016
Bicudinho-do-brejo-paulista - Foto: Elvis Jesu

Bicudinho-do-brejo-paulista – Foto: Elvis Jesus

O brasileiro em geral (e os paulistanos em particular) se acostumaram nos últimos tempos a manifestações. Neste sábado que antecede o Dia dos Pais, no entanto, a manifestação é, digamos, um pouco diferente. Para chamar a atenção sobre o Museu da Energia de Salesópolis (nos arredores da capital paulista), um grupo de observadores de aves vai promover um dia de passarinhada pelas cercanias do museu – em meio à Mata Atlântica. O lugar é especial e tem, além da importância histórica, também um papel vital na preservação de uma espécie rara e ameaçada: o bicudinho-do-brejo-paulista. O museu, porém, convive com a ameaça de fechamento – a alegação das autoridades é que ele não atrai turistas. Assim, se você é observador e quer ajudar a preservar esse importante ponto de lazer e estudo em São Paulo, junte-se à galera. E boa manifestação!

Ah, o melhor meio de saber mais sobre o evento é visitar a página no facebook: https://www.facebook.com/events/256254608082538/

tiê-sangue (casal) - Foto: Elvis Jesu

tiê-sangue (casal) – Foto: Elvis Jesus

Museu da Energia de Salesópolis - Foto: Elvis Jesus

Museu da Energia de Salesópolis – Foto: Elvis Jesus

 

Quer observar aves e ajudar a Ciência? Sim, você pode!

por Zé Edu Camargo em 18 de maio de 2016
Batuiruçu-de-axila-preta, ave limícola e migratória - Foto: Zé Edu Camargo

Batuiruçu-de-axila-preta, ave limícola e migratória – Foto: Zé Edu Camargo

Todo observador de aves pode dar sua contribuição à ornitologia. Compartilhar uma foto, um som ou um registro de observação em uma plataforma online (como wikiaves, ebird, táxeus, xeno-canto tec) já é um bom passo. Esses registros ajudam os pesquisadores a definir melhor migrações e outros comportamentos, por exemplo. Algo que demandava um esforço enorme de pesquisa há alguns anos hoje está ao alcance de alguns cliques. O problema é que nem todo observador faz isso de maneira regular. Por isso surgem algumas iniciativas para estimular esse tipo de colaboração.

Durante o Avistar Brasil, a Save (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil) irá cadastrar observadores que se propõem a registrar aves limícolas (aquelas espécies identificadas com ambientes à beira-d’água, muitas delas migratórias, como maçaricos e batuíras). Quem passar pelo estande de número 26 pode fazer a inscrição e ganhar um kit de boas-vindas. Depois é só fazer a contagem sempre que possível e submeter ao site eBird (ebird.org/content/brasil). A ideia é ajudar os pesquisadores a definirem ações para a conservação de aves e dos ambientes onde elas ocorrem. O Avistar Brasil ocorre de 20 a 22 de maio (sexta a domingo) no Instituto Butantan, em São Paulo.

Ambientes costeiros, como estuários de rios, manguezais e praias são muito procurados por aves limícolas - Foto: Zé Edu Camargo

Ambientes costeiros, como estuários de rios, manguezais e praias são muito procurados por aves limícolas – Foto: Zé Edu Camargo

Avistar Brasil 2016 vai revelar espécie reencontrada após décadas desaparecida

por Zé Edu Camargo em 16 de maio de 2016
Observadores em ação: Avistar 2016 está cheio de novidades - Foto: Zé Edu Camargo

Observadores em ação: Avistar 2016 está cheio de novidades – Foto: Zé Edu Camargo

“Acima de tudo, tudo bem”. Esse mantra poderia se aplicar de modo perfeito a Guto Carvalho, organizador do Avistar Brasil, maior evento de observação de aves do país. Ele é um aglutinador – de ideias, de pessoas, de iniciativas. Por isso o Avistar Brasil colhe um sucesso após o outro, ano após ano. Em 2016 (atenção: começa na sexta-feira e vai até domingo – entre 20 e 22 de maio) o evento ocupa mais uma vez o Instituto Butantan, em uma parceria muito feliz. A programação está recheada. Uma das palestras deve chamar todas as atenções: pesquisadores irão revelar qual é a espécie brasileira desaparecida há décadas e recentemente encontrada. Mas ninguém melhor do que o próprio Guto para apontar o que há de melhor na programação do Avistar:

Blog:  Será o segundo ano do evento no Instituto Butantan. Quais as principais novidades no Avistar Brasil 2016?

Guto Carvalho: O Instituto Butantan tem uma forte tradição na prática de Ciência Cidadã que vem desde o século passado, com o trabalho pioneiro de Vital Brasil com as serpentes envolvendo a população. Mais recentemente a criação do Observatório de Aves potencializou em muito essa prática. Isso vai ao encontro dos objetivos do Avistar, de promover o conhecimento e conservação das aves brasileiras. A programação de 2016 reforça essa tendência e aprofunda caminhos que já vínhamos trilhando. Destacamos os cinco ciclos temáticos de palestras que complementam o Congresso Avistar, abordando temos como Cuidados em Campo, Arte Natureza e Tecnologia, Birdwatching e Unidades de Conservação, entre outros.

Blog:  Uma característica do Avistar é ir além da observação de aves, unindo ciência, turismo e cultura em um grande caldeirão. Dá para adiantar alguma surpresa?

Guto Carvalho: Bem, temos uma grande surpresa a revelar: a redescoberta de uma espécie desaparecida há décadas, extremamente ameaçada e os esforços para sua conservação. Além disso teremos o fascinante relato sobre a expedição à Serra da Mocidade, por Mario Cohn Haft.

Teremos exposições fotográficas incríveis, como a Floresta Viva de Luciano Candisani e uma inédita feira de trocas de sementes e mudas. Além disso os participantes serão convidados a participar de um concurso fotográfico sobre a biodiversidade do Butantan, com ótimos prêmios.

Os destaques continuam no lançamento de livros e sessões de autógrafos, com Terra Papagalli de Eduardo Brettas e LF Silveira, Tucanos e Araçaris de Fredy Pallinger e o livro de Cristian Dimitrius: Brasil Selvagem, só para ficar em alguns exemplos.

Blog: A presença internacional é outra constante do evento. O que esperar dos gringos nesta edição?

Guto Carvalho: Temos a honra de contar com presença de John Fitzpatrick, diretor do renomado Laboratório de Ornitoogia da Universidade de Cornell, um dos maiores centros de estudo das interações entre ornitologia e birdwatching. Além disso uma série de palestrantes da América Latina falando sobre a diversidade de aves de nossa região e também Catherine Hamilton. uma das mais importantes artistas naturalistas que estará de volta ao Avistar

Blog: O Instituto Butantan é um dos pontos mais procurados por famílias no fim de semana. Que atividades as crianças encontrarão?

Guto Carvalho: O ninho de joão-de-barro é um grande destaque, a garotada pode participar da construção do “ninho gigante” e meter a mão no barro. Além disso teremos oficinas, arte e histórias do Palmito Jussara.

Para ver a programação completa acesse http://avistarbrasil.com.br/

Palestra sobre ave reencontrada é ponto alto do evento

Palestra sobre ave reencontrada é ponto alto do evento

Época de migração

por Zé Edu Camargo em 3 de maio de 2016
Fêmea de azulinho no Ibirapuera - Foto: Zé Edu Camargo

Fêmea de azulinho no Ibirapuera – Foto: Zé Edu Camargo

A frente fria na virada de abril para maio pegou muita gente de calça curta – literalmente. No sul, no sudeste, no centro-oeste e até no sul da Amazônia o frio chegou chegando a bordo de uma nova frente, destronando o calorão. Com a mudança, já se percebe um movimento migratório de aves que começaram a se deslocar em busca de novas paragens – com mais alimento ou com um clima mais ameno. Assim, algumas espécies fazem aparições inesperadas em locais onde não são vistas com frequência. “ A diminuição na duração dos dias e a queda da temperatura com a chegada do outono são o sinal que muitas espécies de aves utilizam para iniciar suas jornadas migratórias rumo ao norte. Um detalhe não muito conhecido é que, diferente dos rapinantes e outras aves de maior porte, muitos passeriformes migram principalmente a noite, descansando e se “reabastecendo” durante o dia em pontos de parada ao longo da rota. Se um sabiá-ferreiro está migrando do Rio Grande do Sul para o leste da Amazônia e com o raiar do dia está sobrevoando a cidade de São Paulo ele irá descer em alguma área mais arborizada e passar um ou poucos dias ali, “caindo na estrada” de novo com o cair da noite. Ontem mesmo um sabiá-ferreiro passou o dia forrageando em frente a minha janela no Instituto Butantan e hoje de manhã nem sinal dele, que deve estar agora em algum lugar no oeste de Minas Gerais ou sul de Goiás. Isso é muito mais que legal, isso é incrível!”, diz Luciano Lima, ornitólogo do Observatório de Aves – Instituto Butantan.

Cigarra-bambu, outra espécie de passagem pelo parque - Foto: Zé Edu Camargo

Cigarra-bambu, outra espécie de passagem pelo parque – Foto: Zé Edu Camargo

No último fim de semana de abril, Luciano e o ornitólogo Marco Silva conduziram mais de 50 observadores durante o #vempassarinhar, uma atividade que ocorre uma vez por mês na mata do Instituto Butantan, em São Paulo, mas que agora passa a se revezar com outros parque públicos da capital paulista, numa parceria do Butantan com o Depave (Departamento de Parques e Áreas Verdes) e a ONG SAVE Brasil. Desta vez, o escolhido foi o Parque do Ibirapuera, na Zona Sul. Entre as aves residentes (como o mergulhão-caçador e o socozinho), os observadores puderam encontrar espécies que estão só de passagem, como uma fêmea de azulinho (Cyanoloxia glaucocaerulea). Segundo Luciano Lima “o azulinho é uma das muitas espécies de aves brasileiras que fazem movimentos migratórios e cuja as rotas e a área de invernada são praticamente desconhecidos. Nos Estados Unidos, registros enviados por observadores para a plataforma eBird estão ajudando a desvendar muitos mistérios sobre migração de aves. No Brasil, além do eBird, temos o WikiAves, uma fonte valiosíssima de informações que é prontamente acessível  e que está revolucionando nosso conhecimento sobre a avifauna brasileira. Nesse momento, por exemplo, estamos trabalhando em um artigo sobre movimento migratório do urutau, utilizando basicamente informações presentes no WikiAves”.

Garça-branca-pequena, espécie residente no Ibirapuera - Foto: Zé Edu Camargo

Garça-branca-pequena, espécie residente no Ibirapuera – Foto: Zé Edu Camargo

Entender melhor como se dá essa migração é um fator essencial para a conservação. E os observadores podem dar uma ajuda valiosa aos pesquisadores, simplesmente registrando as aves que viram em plataformas como o eBird ou táxeus – ou mesmo submetendo fotos e sons ao WikiAves. Colabore também!

Observadores em ação durante o #vempassarinhar - Foto: Zé Edu Camargo

Observadores em ação durante o #vempassarinhar – Foto: Zé Edu Camargo

Dia do Observador de Aves: motivos para se preparar – e celebrar também

por Zé Edu Camargo em 28 de abril de 2016
Jandaias-de-testa-vermelha - Foto: Zé Edu Camargo

Jandaias-de-testa-vermelha – Foto: Zé Edu Camargo

Em 28 de abril comemora-se Dia do Observador de Aves por aqui. Os observadores formam uma comunidade que cresce a cada dia e hoje já movimenta o turismo de várias regiões pelo Brasil. Nos últimos anos o birdwatching (ou birding, ou observação de aves) ganhou um grande impulso. Esse destaque pode ser avaliado pelo grande sucesso do Avistar Brasil, um evento que este ano ocupa novamente o Instituto Butantan, em São Paulo, entre os dias 20 e 22 de maio.

O Avistar é um misto de feira, congresso e palco de exibições, com oficinas, palestras e atividades para adultos e crianças (confira a programação em http://www.avistarbrasil.com.br/). Um pouco antes disso, outro evento também promete repetir o sucesso de 2015 – o Global Big Day, um dia inteiro dedicado à observação de aves em todo o planeta, organizado pelo Cornell Lab of Ornithology e apoiado por várias entidades brasileiras, como a Save Brasil e o Observatório de Aves do Instituto Butantan (veja mais em http://ebird.org/content/brasil/noticia/global-big-day-participe/). Portanto, o Dia do Observador de Aves é em abril, mas o mês de maio também promete muita diversão e comemoração. Convém já ir se preparando.

Sul fluminense ganha importante área de conservação

por Zé Edu Camargo em 25 de fevereiro de 2016
Japacanins, aves comuns em brejos - Foto: Luciano Lima

Japacanins, aves comuns em brejos – Foto: Luciano Lima

O estado do Rio de Janeiro acaba de compor uma nova área de proteção ambiental. E não uma área qualquer: a Lagoa da Turfeira, um dos últimos remanescentes de áreas úmidas no sul do estado e importantíssima região para a conservação de aves residentes e migratórias. O novo Refúgio da Vida Silvestre da Lagoa da Turfeira fica em Resende, às margens do rio Paraíba do Sul. Trata-se de um exemplo de como poder público e iniciativa privada podem agir em conjunto para o bem comum. Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e a montadora Nissan (que tem presença na área) e outros órgãos estaduais e locais selaram o acordo que permitiu a criação da reserva. Mas isso não ocorreu sem luta. O ornitólogo Luciano Lima, de Resende, foi figura fundamental no alerta sobre os riscos que a lagoa sofria. Estudos dele e do colega Bruno Rennó demonstraram a elevada importância para a biodiversidade e a presença de aves ameaçadas na área. Luciano também foi um dos primeiros a levantar a questão que levou ao termo de ajustamento de conduta entre a Nissan e os agentes públicos – e que agora leva à ação prática de criação e manutenção do refúgio de vida silvestre.

Tricolinos, saracuras e mais de 170 outras espécies de aves agora têm assegurado o direito de viver e procriar em 269 hectares que incluem trechos de Mata Atlântica. Mas não só as aves serão beneficiadas: diversas espécies de mamíferos (como a jaguatirica) e de répteis (como os jacarés-de-papo-amarelo) também ocupam a região. No entanto, uma espécie sai ganhando mais que as outras: a Homo sapiens. E suas novas gerações vão comprovar isso.

Tricolino, espécie associada a juncais e taboais - Foto: Luciano Lima

Tricolino, espécie associada a juncais e taboais – Foto: Luciano Lima

Saracura-do-banhado, espécie arredia e difícil de visualizar - Foto: Luciano Lima

Saracura-do-banhado, espécie arredia e difícil de visualizar – Foto: Luciano Lima

Lagoa da Turfeira, nova área de conservação no RJ - Foto: Luciano Lima

Lagoa da Turfeira, nova área de conservação no RJ – Foto: Luciano Lima

Pesquisadores de programa de conservação das antas fotografam ave muito rara da Mata Atlântica

por Zé Edu Camargo em 28 de janeiro de 2016
Jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) - Foto: projeto Pró-Tapir

Jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) – Foto: Projeto Pró-Tapir

O jacu-estalo é uma lenda viva. Ave muito arredia, vive em trechos densos de mata e dificilmente se deixa notar. Mas quando se fala do jacu-estalo da Mata Atlântica capixaba (a subespécie Neomorphus geoffroyi dulcis ) a associação mais correta é com um pequeno fantasma. Seus registros são raríssimos – e devem ser comemorados, pois provam o bom estado de conservação da floresta. No final do ano passado, um desses encontros com o jacu-estalo aconteceu em Linhares, no norte do Espírito Santo. O fantasminha foi registrado por uma armadilha fotográfica do projeto Pró-Tapir, que trabalha com o estudo e proteção das antas em algumas unidades de conservação locais. Acompanhe agora uma entrevista com a pesquisadora Andressa Gatti sobre esse encontro e o belo projeto desenvolvido pelo Pró-Tapir:

Blog: Qual a sensação de registrar uma espécie tão rara e arredia como o jacu-estalo na Mata Atlântica? Como foi feita esta foto?

Andressa Gatti: É uma sensação indescritível, uma mistura de felicidade, espanto, orgulho e surpresa! Saber que a Mata Atlântica ainda pode abrigar uma espécie tão rara e ameaçada, nos faz acreditar que há esperança e nos torna mais responsáveis por gritar a todos que é preciso parar de agredir nossas matas e todas as espécies que vivem nelas. Ter estado algumas vezes no mesmo local onde o enigmático jacu-estalo foi registrado, é de arrepiar! E mais. Saber que nosso trabalho de conservação com o maior mamífero terrestre brasileiro – a anta – pode ajudar a proteger tantas outras espécies, nos dá ainda mais a certeza que estamos no caminho certo e que realmente vale a pena trabalhar para a conservação das espécies!

E como foi que tivemos a sorte de registrar essa raridade? Nós iniciamos um novo monitoramento com armadilhas fotográficas, no grande bloco florestal Linhares/Sooretama, em janeiro de 2015. Nosso principal objetivo é reunir informações sobre a ecologia da anta, Tapirus terrestris, e de outros mamíferos também ameaçados de extinção, como o queixada (Tayassu pecari) e o cateto (Pecari tajacu). Nossa felicidade é que com esses modernos equipamentos, temos registrado tantas outras espécies da mastofauna e avifauna.

Só fomos entender a verdadeira preciosidade que tínhamos em mãos, quando nossos amigos Gustavo Magnago e Letícia Belgi Bissoli identificaram a espécie para nós. Há um tempo eles nos tinham questionado se não havíamos feito algum registro do jacu-estalo anteriormente. E, finalmente, quando menos esperávamos, lá estava ele! Uma ave que motivou e motiva tantos apaixonados pela ornitologia e observação de aves. E posso dizer que ela motiva também todos nós que trabalhamos pela proteção da nossa biodiversidade.

Anta (Tapirus terrestris) Foto: Gustavo Magnago

Anta (Tapirus terrestris) Foto: Gustavo Magnago

Blog: O Projeto Pró-tapir tem como objetivo a conservação das antas em reservas do Espírito Santo. Quais são as condições que a espécie encontra hoje no estado? Quais são os desafios?

Andressa Gatti: A espécie está em perigo de extinção em nosso Estado. Atualmente existem apenas sete áreas naturais protegidas no norte do estado do Espírito Santo onde ainda há a presença da anta. O Pró-Tapir atua em seis dessas áreas. Quatro dessas unidades de conservação estão localizadas nos municípios de Linhares e Sooretama, a Reserva Biológica de Sooretama (RBS), a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Recanto das Antas, a RPPN Mutum-Preto e a Fazenda Cupido & Refúgio (FCR), que em conjunto podem permitir a sobrevivência da espécie, em longo prazo. Contudo, nesses locais ainda ocorrem muitas ameaças que podem resultar no desaparecimento das antas.

O complexo florestal situado em Linhares/Sooretama, uma das três áreas que ainda podem manter populações viáveis da espécie, ainda apresenta muitas ameaças que podem aumentar o risco de extinção das populações locais, além de outras características da região: (1) caça frequente, inclusive na Reserva Biológica de Sooretama; (2) atropelamentos, principalmente na BR-101 que divide a Reserva Biológica de Sooretama; (3) presença de conflitos entre a população humana e as antas, devido à perda econômica que, geralmente, causam aos agricultores; (4) a paisagem da região é única, heterogênea, onde se encontram quatro áreas protegidas inseridas em um mosaico de diferentes agriculturas e configuração espacial.

Um cenário preocupante também ocorre nas Reservas Biológicas Córrego do Veado e Córrego Grande, localizadas no município de Pinheiros e Pedro Canário, respectivamente. Nestas áreas, ainda há a presença da anta, mas a sobrevivência das populações é incerta em longo prazo, uma vez que estão reduzidas e também isoladas.

O “Pró-Tapir: Monitoramento e Proteção das antas da Mata Atlântica Capixaba” propõe a elaboração de um conjunto específico de recomendações para a conservação da anta e das florestas, bem como promover a manutenção das populações desta espécie no Espírito Santo, por meio de pesquisas científicas. O programa possui uma abordagem multidisciplinar sustentada por quatro linhas temáticas gerais: Ecologia, Genética, Saúde Ambiental e Sensibilização/Difusão Científica.

Blog: Como observadores e outros cidadãos podem contribuir com a conservação nesta região tão importante para a Mata Atlântica como um todo? 

Andressa Gatti: Primeiro é preciso que todos saibam da existência dessa região tão importante e que ela é responsável pela manutenção de diversas populações de espécies da fauna e flora da Mata Atlântica capixaba.

Como as áreas onde o Pró-Tapir atua estão próximos a rodovias e estradas, e como a anta e outros animais podem percorrer grandes distâncias, é necessário que os cidadãos respeitem a velocidade nas rodovias, evitando assim que mais indivíduos sejam mortos por atropelamentos. No ano de 2014 e do início de 2015 perdemos três indivíduos de anta, sendo que um deles, uma fêmea, estava prenhe. O risco é altíssimo não só para antas, mas também para tantas outras espécies que habitam aquela região, e obviamente, para os condutores, que podem colocar suas vidas em risco com o impacto do atropelamento de um animal tão grande.

Outra ameaça, a caça, ainda é uma atividade comum na região, mesmo sendo ilegal. O mais crítico é que a caça é uma atividade focada no comércio ilegal de carne, o que torna a atividade algo muito lucrativo para quem caça. É importante que as pessoas parem de comprar carne de caça e que a caça seja erradicada, mas ainda temos uma longa caminhada para que isso, de fato, acabe. Práticas como o desmatamento e queimadas também devem ser evitadas, pois destroem o habitat, ou seja, o espaço onde a espécie vive e se desenvolve.

Difundir essas informações entre todos é o ponto central da história. O principal meio de ajudar na conservação das espécies é fazer a população entender que seus atos podem afetar a sobrevivência dessas espécies direta ou indiretamente. Nós pesquisadores e cientistas não vamos mudar o mundo sozinhos. Precisamos do apoio de pessoas engajadas na proteção da biodiversidade. Então, todos podem ajudar, divulgando e convencendo seus amigos da importância da fauna e flora, apoiando os projetos de conservação, difundindo informações entre pesquisadores de diferentes áreas de atuação. Existem várias formas de contribuir, mas a principal é de se conscientizar que com pequenos atos, como respeitar as leis, ou diminuir a velocidade nas rodovias próximas a áreas protegidas, já faz uma grande diferença.

E sabe o que é mais fascinante? A busca pelo maior mamífero terrestre brasileiro tem nos revelado histórias fantásticas sobre outras espécies que ainda pouco conhecemos. A anta, uma amiga de peso, ajudando na conservação de espécies raras e pequenas como a do jacu-estalo e, ele, por sua vez, só nos mostra o quanto a biodiversidade está conectada!

Dez dicas para começar a observar aves

por Zé Edu Camargo em 15 de dezembro de 2015
Suiriri-cavaleiro, ave que frequenta pastos, gramados e áreas abertas - Foto: Zé Edu Camargo

Suiriri-cavaleiro, ave que frequenta pastos, gramados e áreas abertas – Foto: Zé Edu Camargo

Bom, se você já pensou um dia praticar o birdwatching e não sabia por onde começar, seus problemas (ou suas desculpas…) acabaram. Aqui está um pequeno guia sobre esta atividade divertida, inclusiva e que pode ser praticada por todas as idades. Vamos lá?

1) Comece por perto – Você vive em um dos melhores países para a observação de aves no mundo. O Brasil tem quase 2 mil espécies, das 10 mil conhecidas pela ciência. Então, aproveite isso. Na verdade, é mais do que provável que você consiga identificar um punhado de aves sem sair da cama, logo ao acordar. Quem nunca escutou um bem-te-vi, um sabiá-laranjeira ou um bando de periquitos no início da manhã? Eles estão em todo lugar. Se você sair de casa e caminhar para a praça ou o parque mais próximo, o número de espécies que você pode identificar pode chegar a algumas dezenas.

2) Faça listas –  Anotar em um caderninho (ou no seu celular) as espécies que você viu e identificou é o primeiro passo. De certo modo, todo observador é um colecionador de figurinhas – e os álbuns você mesmo cria. Pode ser o álbum Aves Que Vi na Vida, o álbum Aves do Parque X ou o álbum Aves do Mês de Setembro. Os guias de campo, livros com ilustrações, fotos e informações sobre as espécies, são uma boa leitura para acelerar o seu processo de aprendizagem. Nos últimos tempos vários (e ótimos) guias de campo têm sido publicados no Brasil. Alguns abrangem toda a nossa avifauna, outros são específicos para biomas (Mata Atlântica, Cerrado) ou de alguns lugares (Guia das Aves do Rio de Janeiro, Guia das Aves do Planalto Central, Guia das Aves do Parque do Ibirapuera…). Essas publicações também ajudam muito na hora de fazer uma lista.

3) Use a internet – No computador da sua casa ou em seu celular há uma infinidade de sites e aplicativos com informações sobre as aves. Mas, para atalhar caminho, recomendamos que você dê uma olhadinha no www.wikiaves.com.br. É um site colaborativo e gratuito que permite às pessoas compartilhar fotos e sons de aves brasileiras. Observadores mais experientes auxiliam os mais novos na identificação. E cada espécie tem uma página, com fotos, sons, características, comportamento, hábitat. Você pode também procurar a lista de aves que ocorrem na sua cidade e ordenar essa lista pelo número de registros. Começar a diferenciar as 30 ou 50 mais comuns é um ótimo primeiro passo. Depois vocês vai querer descobrir seus lifers, palavrinha que indica as aves que você ainda não viu. Veja no fim do post outros links úteis para quem está começando.

4) Não tenha vergonha de perguntar – Algumas espécies são muito parecidas, mesmo aos olhares mais atentos. “Ele era pequeno, amarelinho, com as asas marrons e o bico preto” é uma descrição que serviria para diversas espécies da nossa fauna. Então buscar ajuda de observadores mais experientes é fundamental. Se você não conhecer nenhum, sem problema. Há diversas comunidades no Facebook (além do próprio wikiaves) em que você pode procurar ajuda para identificar uma aves através de uma foto, um som gravado ou mesmo uma descrição.

5) Compre um binóculo – As aves nem sempre permitem uma aproximação suficiente para que você consiga diferenciar detalhes. Um binóculo, uma luneta ou mesmo uma câmera com zoom podem resolver esse problema. A escolha é sua e você não precisa gastar rios de dinheiro. Há binóculos de todos os preços e formatos. Vale a pena testar e escolher um que caiba no seu orçamento.

Observador e seu binóculo em ação - Foto: Zé Edu Camargo

Observador e seu binóculo em ação – Foto: Zé Edu Camargo

6) Acorde cedo – Não é lenda, a atividade das aves é mais intensa logo nas primeiras horas da manhã, principalmente em um país tropical como o nosso. O fim da tarde também costuma ser muito produtivo. Mas, é claro, essa regra não se aplica a todas as espécies e todos os lugares, é só uma noção geral. Em algum momento da sua história como observador você vai querer sair à noite para ver as corujas e os bacuraus, por exemplo. Mas isso já é outra história.

7) Chame os amigos – Um dos aspectos mais bacanas da observação de aves é que ela se torna mais divertida quando feita em grupo – a não ser que você seja um ermitão de carteirinha. Há muitas famílias que passarinham, às vezes com três gerações na mesma trilha.  Turmas de amigos também são comuns. Na sua cidade, no seu bairro, é bem possível que você encontre outros observadores. Às vezes eles se reúnem em clubes. Procure – ou faça –  a sua turma.

8) Volte ao mesmo lugar – Há aves que escolhem um lugar para viver e ficam por perto a vida toda. Outras estão sempre de passagem, pois param apenas um tempo (às vezes alguns meses, às vezes somente algumas horas) em meio à migração. Por causa disso, vale a pena voltar em diferentes épocas do ano a um mesmo lugar, pois sempre há surpresas.

9) Fique longe de ninhos – Sim, você pode observá-los, mas a uma distância segura. Nada de pegar uma escada para ver os ovinhos ou filhotinhos de perto. Mexer, então, nem pensar. E nem tocar o playback (reprodução do canto de uma ave, usado para atraí-la) nas proximidades. As aves são muito sensíveis quando estão nesta situação, e você pode acabar produzindo órfãos, mesmo sem querer.

10) Compartilhe a informação – Um dos aspectos mais incríveis da observação de aves é que você pode se divertir e contribuir com a ciência ao mesmo tempo. Compartilhe suas listas em sites como ebird.org ou taxeus.com.br e ajude a formar os mapas de ocorrência das espécies – isso vai dar uma baita mão aos pesquisadores de todo o mundo.

Lavadeira-mascarada, ave comum em boa parte do Brasil, inclusive em alguns ambientes urbanos - Foto: Zé Edu Camargo

Lavadeira-mascarada, ave comum em boa parte do Brasil, inclusive em alguns ambientes urbanos – Foto: Zé Edu Camargo

Alguns links úteis:

www.wikiaves.com.br – site sobre identificação de aves brasileiras, como fotos e sons de nossas espécies, fórus de discussão e diversas páginas com informações úteis.

www.ebird.org – página do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell com um banco de dados colaborativo sobre as aves de todo o mundo. O site acaba de ganhar uma versão em português: http://ebird.org/content/brasil/

www.xeno-canto.org – uma base de dados com sons de aves de todo o mundo.

www.taxeus.com.br – site colaborativo para registros de aves, mamíferos e anfíbios do Brasil.

http://virtude-ag.com/ – site sobre observação de fauna e fotografia, com informações úteis, roteiros, notícias e artigos.

http://bonitobirdwatching.blogspot.com.br/ – blog da bióloga Tietta Pivatto, com muita informação sobre as nossas aves e o turismo de observação.

www.avistarbrasil.com.br – site da série de eventos Avistar, que ocorre em várias cidades brasileiras durante o ano, reunindo milhares de observadores, destinos de observação e empresas do setor.

http://revistapassarinhando.com.br/ – a primeira revista eletrônica sobre observação de aves no Brasil, pode ser lida no PC, em tablets e nos smartphones.

 

Livro primoroso reúne todos os papagaios, araras e periquitos do Brasil

por Zé Edu Camargo em 4 de dezembro de 2015

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“Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra”.

O trecho aí em cima vem da carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito sobre o Brasil, que já trazia algumas menções aos papagaios e periquitos. E, ao longo de nossa história, do Zé Carioca ao filme Rio, eles sempre estiveram associados à nossa imagem. Mas, apesar desta presença marcante, não eram abundantes os estudos e fontes de informação sobre as quase 100 espécies de psitacídeos que ocorrem em território nacional. Um parêntese: psitacídeo é uma palavra estranha mas de uso comum entre os biólogos para indicar papagaios e periquitos, em uma referência à família Psittacidae, que inclui nossos papagaios, periquitos, maitacas, araras, tiribas e maracanãs. Agora, o livro (mas o mais adequado seria dizer livrão, pela sua importância) Terra Papagalli vem cobrir com maestria muitas lacunas no nosso conhecimento destas aves. Obra de referência, mas que tem no visual e no cuidado gráfico um elemento fundamental, a obra traz as ilustrações do artista Eduardo Brettas (veja no final do post) em perfeita sintonia com o texto do pesquisador Luis Fabio Silveira, curador da coleção de ornitologia do Museu de Zoologia da USP. Um livro para apreciar como obra de arte e consultar como obra de referência. O lançamento ocorre no dia 9 de dezembro em São Paulo. Mais informações no book trailer:

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Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

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tiriba-de-cabeça-vermelha (Pyrrhura roseifrons) – Ilustração: Eduardo Brettas

Anacã (Deroptyus accipitrinus) - Ilustração: Eduardo Brettas

Anacã (Deroptyus accipitrinus) – Ilustração: Eduardo Brettas

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Arara-canindé (Ara ararauna) – Ilustração: Eduardo Brettas

Além das ilustrações o livro contém informações detalhadas de cada espécie - Ilustração Eduardo Brettas

Além das ilustrações o livro contém informações detalhadas de cada espécie – Ilustração: Eduardo Brettas

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

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Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Ilustrações de Eduardo Brettas

Ilustrações de Eduardo Brettas

Uma das primeiras pinturas de Eduardo Brettas. Na época ele tinha 12 anos de idade

Uma das primeiras pinturas de Eduardo Brettas. Na época ele tinha 12 anos de idade

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Por uma área de proteção para a saíra-apunhalada

por adminngbrasil em 17 de novembro de 2015
Saíra-apunhalada - Foto: Gustavo Magnago

Saíra-apunhalada – Foto: Gustavo Magnago

Já falamos dela aqui no blog (veja o post Fotos espetaculares de uma espécie rara e (muito) ameaçada). Mas, nos últimos três anos, pouca coisa mudou no que se refere à proteção de uma de nossas espécies mais ameaçadas: a Neimosia rourei, ou saíra-apunhalada. O governo do Espírito Santo deve receber em breve uma nova proposta para conservação da área onde a pequena população dessa ave tão rara e tão bonita vive. Veja quais são as perspectivas para a proteção da saíra nesta entrevista com o biólogo Edson Ribeiro Luiz, especialista em aves, ecólogo e coordenador de projetos da SAVE Brasil.

Foto: Gustavo Magnago

Foto: Gustavo Magnago

 Blog: Em quais condições se encontra hoje a pequena população de saíra-apunhalada no Brasil? Quais são os riscos que ela corre?

 Edson Ribeiro Luiz: A estimativa é de que sua população seja menor do que 250 indivíduos.

A principal ameaça atual a saíra-apunhalada são loteamentos rurais que estão sendo cada vez mais implantados na região serrana do Espírito Santo. Parte da floresta onde a espécie habita tem sido destruída para implantação desses lotes e o desmatamento mesmo que pontual ainda ocorre na região.

 Blog: O que falta para a criação de uma área de conservação para a saíra-apunhalada no Espírito Santo?

Edson Ribeiro Luiz: A criação de uma unidade de conservação na região passa logicamente por uma decisão política.

Já houve momentos que esteve perto de acontecer e depois retrocedeu. Tecnicamente dentro dos órgãos estaduais está se finalizando uma nova proposta para ser encaminhada ao governador.

É imperativo, no entanto, que a sociedade reconheça a importância dessa iniciativa, não só por conta da saíra, mas de todo o patrimônio biológico e de recursos hídricos que poderão se tornar legalmente protegidos.

O governo vem fazendo através de oficinas com as comunidades do entorno um diagnóstico socioambiental para que a proposta técnica seja a mais adequada possível para a proteção da floresta e ao mesmo tempo manutenção das populações envolvidas.

Blog: Como o cidadão comum pode ajudar na conservação da saíra-apunhalada?

Edson Ribeiro Luiz: A questão da saíra bem como todos os problemas ambientais do país precisam ter eco nas comunidades locais e na sociedade como todo.

Para que os governantes tomem iniciativas que protejam nossa biodiversidade, é preciso que eles sejam convencidos de que isso também é uma prioridade para os brasileiros. Uns dizem que é utópico acreditar nisso, mas eu penso que é sim factível.

Quanto ao cidadão comum que já foi tocado pela necessidade de fazer algo pela a saíra, existe uma infinidade de ações vinculada as particularidades de cada um. Exemplo: um morador da cidade de Vitória no Espirito Santo pode participar de mobilizações e pedidos para que o parlamentar que a representa, apoie a criação de uma unidade de conservação na região. Um morador da Mata de Caetés onde vira a saíra, pode se esforçar para que não se faça desmatamentos que poderiam ser evitados. Uma professora do distrito de Castelinho, na cidade de Vargem Alta (onde a espécie também ocorre) pode falar sobre a saíra para seus alunos. As formas de engajamento comunitário são diversas e todo cidadão pode contribuir.

Foto: Gustavo Magnago

Foto: Gustavo Magnago