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Brasil das Aves

RPPN em Itamonte (MG) lança guia de aves gratuito

por Zé Edu Camargo em 17 de julho de 2014
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A Serra da Mantiqueira acaba de ganhar mais um guia de campo, com 175 aves que ocorrem na RPPN Alto Montana, em Itamonte (MG). O pesquisador Kassius K Santos é o autor do livro, que já pode ser baixado de graça aqui. Além de fotos, o guia traz informações detalhadas sobre hábitat e comportamento de cada ave, ajudando os observadores na identificação em campo. Kassius também irá organizar algumas saídas guiadas na área (a primeira delas agora em agosto, confira o flyer abaixo). Uma bela oportunidade para os birders conhecerem um pedaço preservado da Mata Atlântica de altitude na Mantiqueira.
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Todas as aves de Passaredo, de Chico Buarque

por Zé Edu Camargo em 16 de maio de 2014

Você já ouviu essa música – e nem precisa ser apaixonado por aves. Desde que foi lançada por Chico, no disco Meus Caros Amigos, em 1976, Passaredo toca constantemente na rádio, além de servir de trilha sonora sempre que as aves brasileiras são tema de reportagens na televisão (além de fazer parte de algumas gerações da série O Sítio do Pica-Pau Amarelo). Parceria de Chico Buarque com Francis Hime, ela surgiu como um hino de resistência à ditadura. O refrão “bico calado, toma cuidado, que o homem vem aí” tinha um duplo sentido claro. Vamos à letra:

Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tiê-sangue
Xô, tiê-fogo
Xô, rouxinol, sem-fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

No vídeo que acompanha este post, o próprio Chico explica rapidamente como fez a letra. Ele sugere uma despreocupação com a escolha das aves, apesar de ter contado com a ajuda de Tom Jobim (um apaixonado pela nossa avifauna) e de ornitólogos. Mas a escolha não parece ser tão aleatória assim. A maioria das espécies listadas na letra é canora, e só há um gavião (e de origem um pouco polêmica, o utiariti). Não é preciso ser um gênio para ver a óbvia correlação com a situação da época: cantor, toma cuidado, que a repressão (o homem) vem aí.

Curioso é, com o passar do tempo, que a outra dimensão da letra continue tão e cada vez mais atual. Embora a caça tenha diminuído (graças a leis e à melhora na educação ambiental), o homem continua vindo aí para desmatar, para poluir, para ocupar. Nestes quase quarenta anos, algumas espécies foram vistas pela última vez em liberdade, muito provavelmente para nunca mais.

Bom, mas vamos ao que interessa. Aí embaixo você encontra uma pequena descrição da origem de cada ave da letra. Este não é um trabalho científico, mas sim um esforço de curioso. Imprecisões, portanto, são mais que prováveis. E correções, dicas e opiniões, muito bem-vindas. Até porque os nomes comuns, ou populares, são coisa mais fluida e escorregadia para pesquisadores do que cocô de passarinho. Porque mudam daqui para ali, de um tempo para outro. De todo modo, foi uma brincadeira interessante.

Para os observadores, vale a ideia de tentar montar uma life list das aves encontradas na letra. Algumas estão em qualquer quintal, como o bem-te-vi e o sanhaço. Outras exigem muito mais experiência e esforço, como o macuco e o tuju. Sem contar as europeias (que não são poucas na letra).

Por fim, gostaria de agradecer às pessoas que trabalharam em conjunto (ou ajudaram com informações) para que a brincadeira fosse completa: Luccas Longo, Guto Carvalho, Victor Jardim, Fábio Paschoal, Fernando Straube, José Fernando Pacheco e Luis Fabio Silveira. Queria também agradecer ao incrível site wikiaves.com.br (valeu, Reinaldo Guedes!). Vamos às aves de Passaredo:

Uirapuru-laranja - Foto: Zé Edu Camargo

Uirapuru-laranja – Foto: Zé Edu Camargo

Pintassilgo (Sporagra magellanica): Ave comum em quintais e matas secundárias no sul e sudeste do Brasil.Tem o corpo amarelo e a cabeça preta. Não confundir com o pintassilgo-europeu (Carduelis carduelis), espécie introduzida nas Américas.

Pintarroxo: Nome comum em português de várias aves da família Fringillidae, nenhuma delas com ocorrência no Brasil. É possível que, por associação, em algumas regiões brasileiras seja usado esse nome para designar uma ave local.

Melro: Designação em português para uma ave do velho continente, Turdus merula, do mesmo gênero dos nossos sabiás (toda preta, lembra muito o sabiá-una da Mata Atlântica). No Brasil também é nome popular de diversas espécies, de modo especial a graúna (Gnorimopsar chopi).

Uirapuru: Nome comum de diversas aves por todo o Brasil, muitas delas entre as mais bonitas da nossa avifauna, como o uirapuru-laranja. No entanto, o uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada) parece ter inspirado a maioria das lendas em torno desse nome. Ave amazônica, tem um canto belo e característico.

Chega-e-vira: Um dos muitos nomes comuns da marreca irerê (Dendrocygna viduata), comum inclusive nos lagos urbanos de muitas cidades brasileiras. Ocorre também em outros países americanos e na África ocidental.

Engole-vento: Nome não muito comum para designar diversas espécies de bacuraus, ou curiangos. São aves noturnas por excelência, encontradas em todo o Brasil. O termo “engole-vento” pode derivar do hábito de apanhar insetos em voo, com a boca aberta.

Saíra: Indica diversas aves do gênero Thraupidae, algumas muito ameaçadas, como a rara e bela saíra-apunhalada (Nemosia rourei), hoje restrita a uma pequena área do Espírito Santo.

Inhambu: Nome comum de várias aves da família Tinamidae, a maioria encontrada em ambientes florestais. Duas delas deram origem ao nome da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó: o inhambu-chintã (Crypturellus tataupa) e o inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris).

Asa-branca: A canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, faz referência a uma pomba, ou pombão (Patagioenas picazuro), muito comum em diversas partes do Brasil. Mas asa-branca também é o nome comum de uma marreca (Dendrocygna autumnalis) encontrada em todo o território nacional.

PatativaSporophila plumbea, espécie da família Thraupidae de vasta distribuição no Brasil e América do Sul. Conhecida pelo canto melodioso, é capaz de imitar outras aves. Uma de suas subespécies não ocorre no país (é restrita ao norte da Colômbia).

Tordo: Uma designação comum para aves do gênero Turdus, a mesma dos sabiás. O tordo-comum é uma ave europeia. No entanto, diversas espécies desse gênero ocorrem no Brasil, como o sabiá-laranjeira.

TujuLurocalis semitorquatus, ave noturna da mesma família dos bacuraus, a Caprimulgidae. Ocorre do México até a Argentina.

Tuim: Menor representante da família Psittacidae (dos periquitos e papagaios) no país, o tuim (Forpus xanthopterygius) é muito comum em boa parte do Brasil. Existem cinco subespécies conhecidas.

Tiê-sangue: Espécie endêmica do Brasil, Ramphocelus bresilius, chega a ser comum em trechos da Mata Atlântica litorâneaO macho tem uma coloração vermelha intensa, que dá nome à espécie. A plumagem da fêmea é mais discreta.

Tiê-fogo: Outro nome comum do tiê-sangue.

Rouxinol: Ave do Velho Mundo de canto melodioso, por associação emprestou o nome a uma espécie amazônica, o rouxinol-do-rio-negro (Icterus chrysocephalus). Em algumas regiões do Nordeste a corruíra (Troglodytes musculus) também é chamada de rouxinol.

Sem-fim: Um dos muitos nomes populares do saci (Tapera naevia), também conhecida como matita-perê, matinta-pereira e outros inúmeros nomes. Deu nome a um dos mais belos discos de Tom Jobim (e é citada na letra de Águas de Março, além de dar nome a uma das músicas do álbum).

ColeiroSporophila caerulescens, coleiro ou coleirinho (nome comum mais conhecido), é um dos papa-capins mais abundantes do Brasil, principalmente no Sul e Sudeste. Recebe esse nome pela “coleira” branca na garganta.

Trigueiro: Provavelmente refere-se ao Trigueirão (Emberiza calandra), espécie com distribuição na Europa, norte da África e Europa.

Colibri: Sinônimo de beija-flor, nome de diversas espécies da família Trochilidae. São aves encontradas apenas no continente americano.

MacucoTinamus solitarius, espécie florestal que povoa a Mata Atlântica. Espécie sempre visada por caçadores, também corre riscos em função do desmatamento.

Viúva: Provavelmente faz referência à viuvinha (Colonia colonus), um tiranídeo comum de áreas abertas em boa parte do Brasil. É inconfundível, pelas penas longas da cauda e pela mancha branca no alto da cabeça. Mas também pode indicar a saíra-viúva (Pipraeidea melanonota).

Utiariti: Segundo algumas fontes, seria o gavião-caramujeiro ( Rostrhramus sociabilis). Ave de rapina com bico curvo e próprio para se alimentar de caramujos, já que consegue extrair o animal de sua concha. Vive em brejos e lagoas em todas as regiões brasileiras, mas também pode ser encontrado dos Estados Unidos até a Argentina e o Uruguai. O nome utiariti indicaria também um gavião mítico na língua pareci. Mas há quem diga que o sentido do vocábulo seria “povo sábio”. Fato é que Utiariti é também uma localidade em Mato Grosso.

Quero-quero: Chico Buarque é um conhecido apaixonado pelo futebol. E já deve ter fugido de muito quero-quero (Vanellus chilensis) nos campos do Brasil onde bate suas peladas: a ave gosta de fazer o ninho em gramados ou áreas abertas de vegetação baixa.

Tico-tico: Comum em todo o Brasil, só não é encontrado em áreas densamente florestadas da Amazônia. O tico-tico (Zonotrichia capensis) também pode se visto em países da América Latina – há mais de duas dezenas de subespécies. Espécie muito comum mesmo em ambientes urbanos.

Anum: O anu-preto (Crotophaga ani) ou anum é uma ave que pode ser vista com facilidade em áreas abertas, plantações e brejos, da Flórida à Argentina. Muitas vezes reúne-se em bandos numerosos.

PardalPasser domesticus, ave introduzida no Brasil, ocupa hoje quase todo o território nacional. Também espalhou-se por todo o mundo, graças ao grande poder de adaptação. É muito comum em ambientes urbanos.

Chapim: O nome refere-se diretamente a duas aves da família Paridae comuns na Europa, o chapim-azul e o chapim-real. No Brasil, o canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola) também é conhecido como canário-chapim ou canário-chapinha – possivelmente é a ele que Chico se refere na letra.

Cotovia: Nome que indica aves do Velho Mundo, da família Alaudidae (com apenas um representante na América do Norte). A cotovia-comum (Alauda arvensis), a mais conhecida delas, é considerada espécie nacional da Dinamarca.

Ave-friaVanellus vanellus, espécie da família Charadriidae (a mesma família do nosso quero-quero), também conhecida como abibe-comum. É típica do Hemisfério Norte.

Pescador-martim: Martim-pescador, nome que indica cinco espécies da família Alcedinidae no Brasil. Encontradas sempre à beira-d’água, alimentam-se de peixes, crustáceos e insetos. O nome deriva da estratégia de caça dessas aves.

Rolinha: Nome usado para designar diversas espécies da família Columbidae (a mesma das pombas e juritis), geralmente as de menor porte. Talvez a mais conhecida seja a rolinha-roxa, ou caldo-de-feijão (Columbina tapalcoti), encontrada em ambientes urbanos de todo o Brasil.

Andorinha: Também é um nome genérico associado á família Hirundinidae, com mais de uma dezenas de espécies que ocorrem no Brasil, como a andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca) e a andorinha-serradora (Stelgidopteryx ruficollis).

Bem-te-viPitangus sulphuratus. O bem-te-vi é inconfundível pelo canto, do qual deriva seu nome (em outros países também tem o nome onomatopeico associado ao canto, como kiskadee, em inglês). Ave onipresente nas cidades de todo o país.

Bicudo: Ameaçado, o bicudo (Sporophila maximiliani) foi caçado à exaustão para servir de ave de gaiola, graças ao seu canto melodioso. O desmatamento do cerrado e os agrotóxicos também são ameaças á sobrevivência da espécie.

Sanhaço: O nome sanhaçu (ou sanhaço) é usado para designar diversas espécies das famílias Thraupidae e Cardinalidae. Um dos mais conhecidos é o sanhaçu-cinzento, comum no Sul, Sudeste e Nordeste.

Juriti: Nome associado a quatro espécies de médio porte da família Columbidae (a mesma das rolinhas). As mais comuns são a juriti-pupu (Leptotila verreauxi) e a juriti-gemedeira (Leptotila rufaxilla).

 

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Avistar 2014 reúne apaixonados por aves no Parque Villa Lobos, em SP

por adminngbrasil em 13 de maio de 2014
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Não é preciso chover no encharcado e dizer que o Avistar é o principal evento de observação de aves no país. Mas este ano você tem ainda mais razões para passar o fim de semana (de 16 a 18 de maio) no Parque Villa Lobos, em São Paulo. Guto Carvalho, organizador do Avistar, elencou cinco grandes atrações deste ano (entre as centenas de apresentações, workshops e exibições programadas):
- Apresentações sobre iniciativas de conservação de aves ameaçadas: Soldadinho-do-Araripe (CE), Arara-azul-de-Lear (BA), Periquito-de-cara-suja (CE).
- Palestra da fotógrafa Melissa Groo (http://melissagroo.com/), especializada em conservação.
- Avistar Kids, com lançamento de livros e oficinas para as crianças.
- Workshop de tratamento de imagens com os irmãos Mello para fotógrafos e amadores, no domingo às 10h.
- Varal digital – leve um pen drive com suas melhores imagens de aves e exponha para todo o público do Avistar.
 
A programação completa do evento e informações sobre os expositores está em http://www.avistarbrasil.com.br/index.php/18-avms/87-avistar2014. Até lá!

A floresta atlântica verdadeira

por Zé Edu Camargo em 22 de abril de 2014
Chega às livrarias uma obra como poucas. K’aá Eté, A Floresta Atlântica Intocada, do fotógrafo Octavio Campos Salles, explora (no bom sentido) todas as nuances de um bioma que o homem quase destruiu sem entender: a Mata Atlântica. A busca de Octavio é pelos trechos mais preservados da mata, onde ela ainda mostra seu vigor pleno e onde seus habitantes mais frágeis ainda conseguem sobreviver. Exímio conhecedor do meio, ele revela cenários e animais que poucos já tiveram o prazer de observar. Mas faz isso com respeito e com a intenção de chamar a atenção para extrema urgência da conservação. Se você é um observador que se preze, não pode perder a oportunidade de grudar os olhos neste livro. Mais informações: www.kaaete.com.br.
Gavião-de-penacho - Foto: Octavio Campos Salles

Gavião-de-penacho – Foto: Octavio Campos Salles

Anta - Foto: Octavio Campos Salles

Anta – Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana - Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana – Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui - Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui – Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica - Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica – Foto: Octavio Campos Salles

Reserva Tamboré, um oásis de floresta na Grande São Paulo

por adminngbrasil em 21 de março de 2014
Chupa-dente - Foto: Ze Edu

Chupa-dente – Foto: Ze Edu

As copas de árvores altas e imponentes fecham o dossel sobre a trilha, deixando pouca luz chegar ao chão, coberto de folhas mortas. O barulho d’água de um pequeno regato é tudo o que se ouve, até que um chamado característico venha de algum ponto a cinco metros de distância, em meio à vegetação densa.

- É um chupa-dente!

Quem imagina a cena logo pensa em algum lugar isolado, a quilômetros de qualquer cidade. Mas ela aconteceu em meio a uma das maiores manchas urbanas do mundo, na Grande São Paulo. A Reserva Biológica Tamboré fica em Santana de Parnaíba e é administrada pelo Instituto Brookfield. Uma joia rara da Mata Atlântica, com mais de 3,5 milhões de m² de cobertura vegetal. Em uma visita rápida à reserva, pude comprovar o seu potencial para a educação ambiental, no geral, e para a observação de aves, em particular. Duas dezenas de espécies florestais (como o chupa-dente, o patinho e o papa-taoca-do-sul) foram avistadas em apenas uma das trilhas. Por enquanto, a reserva só recebe pesquisadores e atividades de educação ambiental previamente agendadas. Para mais informações, basta acessar o site do Instituto (http://www.institutobrookfield.org.br/programas/reserva-biologica/sobre-a-reserva/).

Tangará adulto - Foto: Amarildo Jordão

Tangará adulto – Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado - Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado – Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta - Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta – Foto: Amarildo Jordão

Mata Atlântica - Foto: Ze Edu

Mata Atlântica – Foto: Ze Edu

Livro mostra as aves do litoral brasileiro

por Zé Edu Camargo em 20 de fevereiro de 2014
Capa do livro Aves - Ambientes Costeiros

Capa do livro Aves – Ambientes Costeiros

O fotógrafo Edson Endrigo é um incansável divulgador da nossa avifauna. Com paciência e determinação, construiu uma obra monumental – uma série de livros sobre as nossas aves, dividida por biomas (Caatinga, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampa e Cerrado). Fechando a série, a cereja do bolo chega agora às lojas: o livro tem o título de Aves – Ambientes Costeiros. São 224 páginas de ensolaradas fotos das nossas aves litorâneas – muitas delas pouco registradas até hoje. Para concluir o livro, ele visitou lugares tão remotos e díspares como a Ilha dos Lençóis (MA) e os trechos desertos do litoral gaúcho (RS), além de locais paradisíacos, como as praias isoladas de Ubatuba (SP) ou a ilha de Fernando de Noronha (PE). São 100 aves registradas (veja algumas fotos abaixo). Um livro para degustar com calma e admiração. À venda pelo site www.avesefotoseditora.com.br.

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Avistar Patagônia, um show de aves e imagens

por Zé Edu Camargo em 4 de fevereiro de 2014
Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

O ano de 2013 foi de expansão e afirmação para o Avistar, evento de observação de aves que começou em São Paulo e hoje ocorre em diversas capitais do Brasil. A coroação desse sucesso foi o Avistar Patagônia, no fim do ano, que reuniu observadores brasileiros e sul-americanos no Chile. O blog bateu um papo com Guto Carvalho, organizador do evento e uma das figuras mais respeitadas do birding no Brasil.

Blog: Quais eram os objetivos do Avistar Patagônia? Foram todos cumpridos?

Guto Carvalho: Queríamos testar um novo modelo de evento – um workshop fotográfico de nível internacional – e ver a receptividade do público a esse produto. Sim, foi bem recebido, a resposta do público brasileiro demonstrou maturidade e disposição a participar de um evento diferenciado. Os brasileiros foram maioria no evento. Por outro lado tivemos poucos participantes chilenos e argentinos, o que demonstrou que esse segmento tem que ser melhor trabalhado junto a esses mercados.

Blog: Quais os pontos altos da expedição?

Guto Carvalho: Cenário, luz e espécies. Embora não seja o ponto principal, a paisagem é magnífica, altamente inspiradora, seja pela beleza cênica, seja pela diversidade. Exploramos bosques, montanhas, lagos, fiordes e tundras. Em cada um desses locais a beleza cênica foi fundamental para o astral geral e qualidade do trabalho.

A avifauna é um destaque importante. Por um lado aves grandes, como cisnes, marrecos e gansos, facilmente avistáveis e sempre em condições privilegiadas de enquadramento e luz. Por outro lado, espécies muito diferenciadas, como o pica-pau-de-magalhães, o condor, o periquito-austral, o caracará-da-cordilheira e dezenas de outros. Mesmo o tico-tico tem o seu charme, ele é migratório, maior e mais robusto que o brasileiro. Por outro lado espécies relativamente raras no Brasil, como o colegial (Lessonia rufa) são muito frequentes por lá.

A luz é  mais horizontal e suave, a latitude alta deixa a luz mais baixa. Isso quer dizer que muda o ângulo de incidência, o que torna a luz mais volumétrica, mais bonita de modo geral, com alta produtividade o dia todo, ao contrário das regiões tropicais, onde o sol alto torna quase inviável o trabalho entre 11h e 16h…

Finalmente, temos de destacar qualidade do atendimento do nosso parceiro Remota. Um hotel de alto nível e com um atendimento super humano e caloroso. Incrível.

Blog: Como foi a troca de experiências entre brasileiros e estrangeiros em relação à observação de aves?

Guto Carvalho: O evento foi no Chile, mas o intercâmbio foi mais internacional.

Os brasileiros têm uma maneira muito especial de atuar em campo, mais objetiva e focada em resultados, fruto da competitividade estimulada pela fotografia.

Alvaro Jaramillo, que é o grande guia ornitológico chileno, mostrou experiencia e tranquilidade além de visão global muito interessante. Apresentou uma grande aula sobre a avifauna chilena e especialmente a visão comparada de espécies e nichos. Muito legal.

Arthur Morris e Denise Ippolito mostraram um trabalho de pós-produção muito grande, que rompe com algumas das premissas do modelo brasileiro. Em campo, preferem passar um grande tempo trabalhando um tema, explorando todas as possibilidades de um casal de cisnes por exemplo, sem o compromisso de buscar mais e mais espécies. Na pós-produção, trabalham o retoque de fotos para eliminar galhos e aperfeiçoar as fotografias. Essas são práticas frequentes para eles, mas totalmente destoantes do repertório tradicional dos fotógrafos brasileiros, normalmente mais puristas e focados na foto perfeita, sem retoques.

David Tippling trouxe a sua grande capacidade de contar histórias. Suas fotos têm sempre um contexto e uma qualidade sensível difícil de ser encontrada em fotógrafos de aves (e de natureza).

Edson Endrigo apresentou uma incrível capacidade de adaptação e de conhecimento das aves, mesmo em ambiente totalmente diferente do seu habitual. Rapidamente dominou as espécies e conseguiu resultados espetaculares.

Octavio, com sua serenidade chegou antes e realizou uma fantástica expedição em busca de fotos de puma. Além de belíssimas fotos de paisagem, Octavio trouxe essa vivência e olhos de ver puma para o grupo.

Blog: Quais os planos do Avistar para 2014? E quais são as novidades?

Guto Carvalho: A principal novidade é articulação em rede dos promotores de Avistar em todo o Brasil. Realizamos um workshop de avaliação e intercâmbio, onde cada equipe apresentou suas técnicas e conquistas nos Avistar em todo o brasil. Disso articulamos uma rede de atuação e produção e de eventos, que vai impactar positivamente a organização de todos os Avistar e poder colaborar com todos os eventos de aves no Brasil.

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

White-bridled Finch  (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

White-bridled Finch (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant   (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Sierra Finch. Foto de João Quental

Sierra Finch. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Periquito-austral  (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Periquito-austral (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Observadores em ação. Foto de João Quental

Observadores em ação. Foto de João Quental

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Long-tailed Meadowlark  (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Long-tailed Meadowlark (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Flamingos. Foto de João Quental

Flamingos. Foto de João Quental

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo

Campanha pró-birding no Amazonas

por Zé Edu Camargo em 24 de outubro de 2013
Beija-flor-de-garganta-verde - Foto: Zé Edu Camargo

Beija-flor-de-garganta-verde – Foto: Zé Edu Camargo

A Amazônia é um destino dos sonhos de qualquer observador de aves. No entanto, ainda são poucos os lugares, em toda a imensa região, com estrutura para receber turistas que querem passarinhar. Por isso, é mais do que bem-vinda a iniciativa do portal de crowdfunding (financiamento colaborativo) Garupa, que pretende arrecadar fundos para estruturar o birdwatching na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, na região de Manaus. A Vila do Tumbira é o ponto focal do projeto. Ali o potencial para o birding é imenso: são quilômetros e mais quilômetros quadrados de mata intocada, com diversos perfis – e muitas aves. A RDS Rio Negro é uma das áreas de influência da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), projeto que tem o apoio de grandes empresas, como a Samsung.

No Tumbira, a ideia do projeto de crowdfunding é estruturar a pousada local e treinar guias locais para acompanhar os observadores de aves. A Vila fica a pouco tempo de barco de Manaus, e tem potencial para se tornar um destino fantástico para o birding (e também para a observação de flora e fauna da Amazônia). Para saber mais e entender as vantagens de participar, você pode acessar o Portal Garupa. Mas vai logo, porque a campanha se encerra no dia 30 de novembro.

Tumbira - Foto: Paula Arantes

Tumbira – Foto: Paula Arantes

Tumbira - Foto: Paula Arantes

Tumbira – Foto: Paula Arantes

Suiriri-de-garganta-rajada - Foto: Zé Edu Camargo

Suiriri-de-garganta-rajada – Foto: Zé Edu Camargo

 

Workshop de fotografia de aves com João Quental

por Zé Edu Camargo em 2 de outubro de 2013

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Se você tem um mínimo interesse em observação de aves, é muito provável que já tenha ouvido falar no nome João Quental. Um dos melhores fotógrafos de aves do Brasil, ele não para. É uma espécie de Indiana Jones: concilia a carreira de professor com aventuras pelos quatro cantos do país em busca de aves – já fotografou mais de mil espécies da nossa avifauna. Em alguns raros momentos do ano, as duas vocações de João coincidem – quando o ensino e a fotografia estão juntos, nos workshops que ele ministra. O próximo, imperdível, ocorre agora em outubro (com a presença do criador do Wikiaves, Reinaldo Guedes). A pedido do blog, o fotógrafo escreveu um texto sobre a dinâmica do curso. E, de quebra, você pode acompanhar algumas fotos dos workshops – e suas aves maravilhosas – por aqui.

Passos no paraíso

Por João Quental

A primeira vez em que ouvi falar sobre a Pousada Paraíso, em Petrópolis, foi através de um dos mais antigos sócios do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ), Dagoberto Chagas. Isso foi há mais ou menos 7 anos, quando ele colocou uma mensagem, no grupo de discussões do clube, louvando as aves e a acolhida da pousada… Tanto bastou para que eu agendasse uma visita, no final de 2006, para conhecer o lugar e, se possível, fotografar algumas aves.

No entanto, a viagem foi um fracasso total. O Bernardo e a Mariana, casal que trabalha na administração da pousada, junto com a Vanda e o Roberto, pais da Mariana, adoram dizer que não entendem como tive coragem de voltar lá mais uma vez. Caiu uma chuva torrencial durante os cinco dias em que fiquei por lá, a estrada ficou interrompida por vários deslizamentos de terra, ficamos sem luz e – o pior de tudo! – a única foto que fiz foi de um pobre tico-tico completamente encharcado…

Mesmo assim, apesar da experiência diluviana, deu para perceber que o lugar era especial. Pelas aves, pelas trilhas, pelo conforto da Pousada, mas, principalmente, pela amizade e pela animação e o investimento da pousada na prática da observação e da fotografia de aves. Qualquer pessoa que se interessa pelo birdwatching no Brasil sabe como é raro encontrar um lugar onde a prática seja valorizada, com uma lista atualizada das aves do lugar, café-da-manhã cedo, trilhas bem marcadas, comedouros bem abastecidos…

Para surgir a ideia de fazer lá um workshop de fotografia foi apenas um passo. Desde 2007, já foram 10 (o próximo, em outubro, será o décimo-primeiro), com mais de 100 participantes no total. E, nos últimos anos, contamos com a parceria de ilustres convidados, como Fernando Pacheco, Ricardo Gagliardi, Henrique Rajão, Daniel e Gabriel Mello e, na próxima edição, Reinaldo Guedes.

Na verdade, creio que as aulas e palestras são mais uma desculpa para encontrarmos pessoas que gostam de fotografar aves, discutir o equipamento, trocar experiências e dicas de viagem, e, por que não, comer bem e passar um agradável final de semana na serra de Petrópolis…

Informações sobre o próximo workshop podem ser solicitadas nos e-mails

jquental@gmail.com ou paraiso@pousadaparaiso.com.br

Um dos alunos do curso de fotografia de aves - Foto: João Quental

Um dos alunos do curso de fotografia de aves – Foto: João Quental

João-porca e sua presa - Foto: João Quental

João-porca e sua presa – Foto: João Quental

Observadores em busca do melhor ângulo - Foto: João Quental

Observadores em busca do melhor ângulo – Foto: João Quental

João Quental (de óculos) durante o curso - Foto: arquivo pessoal

João Quental (de óculos) durante o curso – Foto: arquivo pessoal

Bico-virado - Foto: João Quental

Bico-virado – Foto: João Quental

Abre-asa-de-cabeça-cinza - Foto: João Quental

Abre-asa-de-cabeça-cinza – Foto: João Quental

Viuvinha - Foto: João Quental

Viuvinha – Foto: João Quental

Pitiguari - Foto: João Quental

Pitiguari – Foto: João Quental

Sabiá-coleira - Foto: João Quental

Sabiá-coleira – Foto: João Quental

Tiê-de-topete - Foto: João Quental

Tiê-de-topete – Foto: João Quental

Bota o sabiá para cantar!

por Zé Edu Camargo em 18 de setembro de 2013
Sabiá-laranjeira, por Rodrigo Leão

Sabiá-laranjeira, por Rodrigo Leão

 

Desde que inventaram as redes sociais, todo ano é a mesma coisa. Vai chegando a primavera e um monte de gente começa a reclamar nas grandes cidades do Brasil: “Tem um passarinho que canta de madrugada e não me deixa dormir!”. O (principal) culpado é o sabiá . Mais especificamente, o sabiá-laranjeira, ave que se adaptou muito bem à vida nas áreas urbanas. De tanto ver reclamações, uma moçada de São Paulo planejou um flashmob (manifestação-relâmpago) bem-humorada para a madrugada deste sábado, dia 21/09, coincidindo com a mudança de estação. A ideia é tocar o canto do sabiá-laranjeira na janela às 3h da manhã da sexta pro sábado, somando-se aos milhares de sabiás de verdade que já estarão fazendo isso ao vivo. O movimento já tem até página no Facebook (https://www.facebook.com/events/239141489571145/). E há uma rádio virtual que só toca cantos de sabiás, se você quiser participar (http://radiopaisagem.com.br/no-ar.php?paisagem=946).

Agora, se você é do time que se incomoda com o sabiá madrugador, aí vai um set list (gracias aos amigos Rui, Gut e Fabio) de músicas legais para ouvir no headphone, na hora do flashmob. São clássicos da MPB, com a sugestão de intérprete. Em comum, só uma coisa: todas com sabiá no nome.

Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) – com Luiz Gonzaga

Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) – com Tom Jobim

Sabiá-laranjeira (Milton de Oliveira e Max Bulhões) – com Nara Leão

O Sabiá e o Vento (Vicente Barreto e Hermínio Bello de Carvalho) – com Alaíde Costa

Sabiá-laranjeira (Sergio Santos e Paulo Cesar Pinheiro) – com Sergio Santos

O blog do Pedro Alexandre Sanches (http://farofafa.cartacapital.com.br/2013/09/17/cantar-como-um-passarinho/ ) também tem um set list (bem maior) com músicas que falam de aves.

Bom sabiá para você!