Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888 | Saiba mais »

Brasil das Aves

Casal viaja o Brasil passarinhando e educando

por Zé Edu Camargo em 23 de abril de 2015
Uirapuru-laranja - Foto: Renato Rizzaro

Uirapuru-laranja – Foto: Renato Rizzaro

chifre-de-ouro - Foto: Renato Rizzaro

chifre-de-ouro – Foto: Renato Rizzaro

Há histórias tão ricas e vívidas que parecem ficção, enredo de filme, poesia – tudo junto e misturado. A trajetória do casal Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka é assim. Com garra e ralação, transformaram uma área em RPPN, na Mata Atlântica de Santa Catarina: a Reserva Rio das Furnas.

Até que, em 2010, o sonho escorreu pelas encostas do morro – a área da reserva foi atingida por um deslizamento causado pelas chuvas. Desalojados por um tempo, eles resolveram colocar o pé na estrada. Daí nasceu o primeiro projeto de educação ambiental – de lá para cá já foram 34 mil quilômetros (quase uma volta ao mundo) pelas estradas do Brasil. Nas paradas, eles organizam a Roda de Passarinho, que ensina observação de aves às crianças de um modo muito divertido.

As viagens também já renderam cinco pôsteres sobre a avifauna dos nossos biomas – Mata Atlântica, Pampa, Amazônia, Pantanal e Cerrado. Para produzir este último eles visitaram lugares tão incríveis como a Chapada dos Veadeiros e a Serra da Canastra. Os deliciosos relatos de viagem renderam um blog, onde você também pode comprar os pôsteres – o dinheiro ajuda na divulgação da observação de aves, na conservação da Mata Atlântica (a reserva já está se regenerando após o acidente) e nos projetos futuros de viagem dos dois. A próxima aventura, aliás, começa ainda em 2015 – desta vez eles vão visitar a Caatinga, fechando assim a série dos biomas.

poster-cerrado-web

Queixadas - Foto: Renato Rizzaro

Queixadas – Foto: Renato Rizzaro

Seriema - Foto: Renato Rizzaro

Seriema – Foto: Renato Rizzaro

Chapada dos Veadeiros - Foto: Renato Rizzaro

Chapada dos Veadeiros – Foto: Renato Rizzaro

 

Passarinhadas em maio no Sudeste, Nordeste e Sul

por Zé Edu Camargo em 16 de abril de 2015
180255_10150941698078540_1291318937_n

Foto: Zé Edu Camargo

Aos poucos o turismo de observação vai se firmando e ganhando corpo no Brasil. Além de hotéis especializados, já começam a surgir roteiros de fim de semana ou nos feriados prolongados em bons destinos de birding. No começo de maio há boas opções em três regiões do Brasil. No alto da Serra da Mantiqueira, a RPPN Alto Montana tem muitas espécies raras. É uma boa opção para quem está em São Paulo, no Rio ou em Minas. No Sul, a migração do papagaio-charão e as espécies endêmicas de Mata Atlântica são as atrações de um roteiro em Urupema, Santa Catarina. E na Chapada do Araripe (CE) as aves da caatinga são a grande atração – e também a chance de ver o raro e ameaçado soldadinho-do-araripe. As informações sobre os roteiros estão nos cartazes aí embaixo.

1907983_997479086943442_200441759558862607_n 10922594_939559379410192_4449663299115821215_n 11158040_10202733739144684_2102018995_n

Concurso de fotografia no Brasil irá premiar imagens de aves ameaçadas de extinção

por Zé Edu Camargo em 10 de abril de 2015

11064778_1035584849802774_7681039043787099252_n

As 234 aves ameaçadas no país são o tema de um concurso de fotografia que já está com inscrições abertas. Iniciativa do Avistar Brasil em parceria com as ONGs brasileiras SAVE Brasil, Aquasis e Biodiversitas, a competição tem o patrocínio da American Bird Conservancy. As aves fazem parte da lista de animais ameaçados de extinção divulgada pelo ICMBio em 2014. As inscrições vão até o dia 05 de maio e há prêmios para os melhores colocados e para as menções honrosas. Para saber mais e fazer sua inscrição visite o site do concurso clicando aqui.

Como fazer um blind caseiro para observar aves

por adminngbrasil em 8 de abril de 2015
Saíra-amarela - Foto: Zé Edu Camargo

Saíra-amarela – Foto: Zé Edu Camargo

Você pode chamar de esconderijo, camuflagem, mocó. Mas o termo mais usado para designar um lugar de onde é possível observar animais sem ser notado é blind (palavra que em inglês pode ser um adjetivo – cego – ou um substantivo, que tem mais o sentido de enganação). O blind é um recurso muito usado por pesquisadores e observadores de fauna (infelizmente, também por caçadores) para conseguir maior aproximação de animais muito tímidos ou assustadiços no meio da mata. No entanto, você também pode fazer um no seu quintal ou no seu sítio para observar as aves mais de perto, principalmente se combiná-lo com um comedouro. Um pano camuflado já serve para esse fim. É um recurso interessante para mostrar as aves de perto às crianças e a pessoas com problema de locomoção. E também para treinar seus dotes fotográficos, simulando as situações que você vai ter em campo.
Fim-fim - Foto: Zé Edu Camargo

Fim-fim – Foto: Zé Edu Camargo

As fotos mostram um blind que fiz em Minas Gerais, com bons resultados. Aí embaixo, algumas observações.
- Se houver uma mata por perto, escolha um lugar próximo a ela. As chances de aparecer uma ave diferente e mais arredia são maiores. Mas vai funcionar mesmo em um quintal no meio da cidade.
- Um pano camuflado estendido entre duas árvores já foi o suficiente para criar o esconderijo. Como elas vinham da mata em frente, não me preocupei em tapar a visão de cima ou dos lados.
- Como “comedouro” usei somente um galho seco que encontrei caído. Coloquei algumas frutas (banana e mamão dão bons resultados) e procurei tirar os galhinhos menores que poderiam atrapalhar a linha de visão.
- É importantíssimo trocar as frutas pelo menos uma vez ao dia, mesmo que elas não tenham sido comidas por inteiro. As frutas podem abrigar microrganismos prejudiciais às aves depois de muito tempo expostas à luz e ao calor.
- Tente se aproximar do abrigo fora da linha de visão das aves e permaneça o mais quieto possível.
- No inverno as aves frequentam o comedouro com mais constância, pois a oferta de alimento diminui muito.
- Você pode também colocar bebedouros para beija-flores, mas não se esqueça de trocar a água com açúcar todos os dias.
No meu caso, tive sorte. Minutos após montar o comedouro já apareceram algumas aves – e consegui boas fotos da saíra-amarela e de um jovem fim-fim. Espero que você também tenha bons resultados!
comedouro e blind - Fim-fim - Foto: Zé Edu Camargo

Comedouro e blind – Foto: Zé Edu Camargo

visão atrás do blind - Fim-fim - Foto: Zé Edu Camargo

Visão atrás do blind – Foto: Zé Edu Camargo

cadeira para esperar enquanto as aves não chegam - Fim-fim - Foto: Zé Edu Camargo

Cadeira para esperar enquanto as aves não chegam – Foto: Zé Edu Camargo

 

Categorias
Tags

Faça sua lista de Páscoa! (de aves, não de ovos…)

por Zé Edu Camargo em 30 de março de 2015
Desafio Aves da Páscoa

O hábito de fazer listas (as aves que você viu em um determinado dia, no lugar tal) é muito antigo e muito valorizado em países onde a observação é uma atividade popular. Aqui no Brasil, mais do que uma diversão, temos uma necessidade. Porque gerar conhecimento (e cada pequena lista ajuda a gerar conhecimento sobre a avifauna) é uma boa maneira de reforçar as fileiras da conservação. Tudo o que você precisa: seus olhos, seus ouvidos, papel e caneta (um binóculo e um guia de campo também ajudam…).

Mas não faltam ferramentas mais tecnológicas para ajudá-lo. O wikiaves dá uma mão na hora de identificar as aves mais difíceis (e também serve para construir listas de aves fotografadas ou sons gravados) e sites como táxeus e e-bird são ótimos para construir e compartilhar listas de aves. Que depois podem ser acessadas por pesquisadores. O mecanismo é muito simples: vá para um parque, uma praça, um terreno ou mesmo numa área urbana e anote tudo que você viu ou ouviu. Depois coloque na internet com o dia e o local.

No fim de 2014, o pessoal do Avistar fez um desafio interessante: convocou os observadores de aves de todo o Brasil a postar suas listas no táxeus ou e-bird entre o Natal e o Ano-Novo. Foram centenas de listas e mais de 1000 espécies identificadas – um número espetacular. Agora a iniciativa está de volta – é o Desafio Aves da Páscoa. Entre os dias 2 e 6 de Abril, faça suas listas e coloque no táxeus, no ebird ou qualquer outro site. Participe e compartilhe. Veja mais informações no grupo do Facebook do Desafio Aves da Páscoa. Ajudar a ciência também pode ser divertido.

Músicas para aves ameaçadas da América do Sul

por Zé Edu Camargo em 4 de março de 2015
front_cover_lo-res

Capa do disco lançado pela gravadora Rhythm and Roots

O nome é esquisito para um álbum musical: “A Guide to the Birdsong of South America”. Parece mais uma coletânea de sons de aves, que podem ser encontrados por aí. Mas as dez faixas do disco recém-lançado pela gravadora Rhythm and Roots trazem artistas independentes/alternativos de vários países sul-americanos unidos em torno da conservação. Cada um se inspirou em uma (ou mais de uma) ave ameaçada para compor. Junto a nomes conhecidos do circuito indie como Matanza e Dengue Dengue Dengue estão os brasileiros Alessandra Leão (que canta sobre a saíra-apunhalada, ave ameaçada encontrada em um único ponto do Espírito Santo) e Psilosamples (que junta os cearenses soldadinho-do-araripe e periquito-de-cara-suja). O ornitólogo e guia de birding Ciro Albano, do Ceará, também colaborou com o projeto cedendo a vocalização das aves brasileiras. No site da gravadora é possível ouvir todas as músicas. Também dá pra comprar as canções em MP3 e encomendar o disco de vinil, camisetas e pôsters. As vendas vão ajudar programas de conservação em diversos países da América do Sul, inclusive no Brasil.

 

​Parque do Viruá: megadiversão na Amazônia

por Zé Edu Camargo em 17 de dezembro de 2014
Pica-pau-amarelo - Foto: Zé Edu Camargo

Pica-pau-amarelo – Foto: Zé Edu Camargo

O trocadilho no título aí em cima é um pouco infame. Mas dá a medida da emoção que um observador de aves pode experimentar em uma área com megadiversidade (de fauna e flora) da Amazônia brasileira. O Parque Nacional do Viruá, em Roraima, é um dos hotspots com mais potencial de crescimento para a observação de aves na América do Sul. Motivos não faltam: são mais de 500 espécies de aves já catalogadas na área. Com floresta de terra firme, floresta de várzea, campinas e lavrados em sua área, o parque abriga raridades e espécies ameaçadas.
Chora-chuva-de-asa-branca - Foto: Zé Edu Camargo

Chora-chuva-de-asa-branca – Foto: Zé Edu Camargo

Ariramba-de-cauda-ruiva - Foto: Zé Edu Camargo

Ariramba-de-cauda-ruiva – Foto: Zé Edu Camargo

Aos poucos os observadores têm descoberto essa joia. De Boa Vista (capital do estado, onde está o aeroporto mais próximo) são pouco mais de duzentos quilômetros de asfalto em boas condições até a entrada do parque. Desntro da área, muitos dos principais locais de observação têm acesso muito fácil, graças a um fato inusitado: uma estrada que leva a lugar nenhum. A Estrada Perdida, como é chamada, é um trecho abandonado da rodovia que liga Boa Vista a Manaus. Após algumas dezenas de quilômetros, os engenheiros desisitiram do trajeto (graças às dificuldades com baixios e áreas alagáveis) e procuraram outro caminho para a rodovia. Assim, o trecho construído (mas não asfaltado) foi abandonado e, mais tarde, inbcorporado pelo parque Nacional.
Araracangas - Foto: Zé Edu Camargo

Araracangas – Foto: Zé Edu Camargo

Rabo-de-arame - Foto: Zé Edu Camargo

Rabo-de-arame – Foto: Zé Edu Camargo

Mas nem só na Estrada Perdida é que se podem encontrar aves interessantes. As margens dos rios que cortam o parque, como o Baruana, e as florestas de terra firme nos arredores da sede também são ótimos pontos.
Uma das estrelas do lugar é uma espécie que pode ser vista até com relativa facilidade (ainda mais se comparado a outros lugares no Brasil e na Venezuela onde ela ocorre): o formigueiro-de-yapacana (Aprositornis disjuncta). Mas há muitas outras, como o rabo-de-arame (Pipra filicauda) e a ariramba-de-cauda-verde (Galbula galbula). Também há muitas aves migratórias, o que torna cada viagem ao Viruá uma surpresa.
Mãe-de-taoca-de-garganta-Vermelha - Foto: Zé Edu Camargo

Mãe-de-taoca-de-garganta-Vermelha – Foto: Zé Edu Camargo

Formigueiro-de-yapacana - Foto: Zé Edu Camargo

Formigueiro-de-yapacana – Foto: Zé Edu Camargo

Margens da Estrada Perdida - Foto: Zé Edu Camargo

Margens da Estrada Perdida – Foto: Zé Edu Camargo

Margens do rio Baruana - Foto: Zé Edu Camargo

Margens do rio Baruana – Foto: Zé Edu Camargo

A nova torre do Jardim Botânico de Manaus

por Zé Edu Camargo em 19 de setembro de 2014
Nascer do sol no alto da torre - Foto: Zé Edu Camargo

Nascer do sol no alto da torre – Foto: Zé Edu Camargo

Uma área de mata conservada, com 100 km2, no coração da Amazônia, já seria um lugar interessante o suficiente para os observadores de aves. Mas a reserva Ducke (onde fica o Jardim Botânico de Manaus) vai além: nos limites do perímetro urbano da capital do Amazonas, ela tem fácil acesso. E agora permite aos birders uma experiência que só alguns hotéis de selva ofereciam: uma torre novinha, acima da copa das árvores.

Observadores em ação - Foto: Zé Edu Camargo

Observadores em ação – Foto: Zé Edu Camargo

Na Amazônia, torres de observação mostram-se imprescindíveis. Como o dossel da floresta (a copa das árvores) é o habitat mais rico para aves e diversos outros animais, o birding é muito limitado no nível do chão. Uma torre como a de Manaus é ouro puro, ainda mais instalada em uma reserva de mata enorme como a Ducke. E o efeito será sentido não só entre os birders, mas também no número de registros novos e (por que não?) inéditos. Além de permitir a iniciação de um grande número de novos observadores locais. Por fim, também vai trazer aos observadores de outros lugares do país e do exterior uma opção que Manaus ainda não tinha.  Para conhecer a nova torre o ideal é marcar com antecedência com um guia autorizado pelo MUSA (Museu da Amazônia, que administra o Jardim Botânico).

Observadores podem conseguir autorização para entrar mais cedo (os visitantes comuns formam grupos para visitas guiadas a partir de 8h). A bióloga Marina Maximiano (marimaxbio@gmail.com) é um dos guias do museu que pode levar observadores à torre.

Surucuá-de-cauda-preta - Foto: Zé Edu Camargo

Surucuá-de-cauda-preta – Foto: Zé Edu Camargo

Saíra-negaça - Foto: Zé Edu Camargo

Saíra-negaça – Foto: Zé Edu Camargo

Arapaçu-galinha - Foto: Zé Edu Camargo

Arapaçu-galinha – Foto: Zé Edu Camargo

Limpa-folha-do-nordeste: a última cena de uma espécie extinta

por adminngbrasil em 2 de setembro de 2014

 

No vídeo acima você pode ver o que é provavelmente o último indivíduo de uma espécie, o Philydor novaesi (limpa-folha-do-nordeste). A cena, capturada pela lente do fotógrafo e ornitólogo Ciro Albano, foi gravada em 2011. Desde então, nenhuma ave da espécie foi vista ou ouvida. Uma publicação recente coordenada pelo ornitólogo Luis Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, coloca o limpa-folha-do-nordeste em uma lista de três aves extintas no Brasil, todas endêmicas da mata Atlântica nordestina (leia mais no http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/08/08/ornitologos-documentam-extincao-de-tres-aves-endemicas-nordeste/) . Além dele, não há mais notícias do caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e do gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti). São as primeiras aves declaradas extintas no Brasil desde o século XIX. A corrida (e a torcida) agora é para que sejam as últimas no século XXI. Mais de 150 espécies constam da lista de aves criticamente ameaçadas no país.

Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) - Foto: Ciro Albano

Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) – Foto: Ciro Albano

RPPN em Itamonte (MG) lança guia de aves gratuito

por Zé Edu Camargo em 17 de julho de 2014
2
A Serra da Mantiqueira acaba de ganhar mais um guia de campo, com 175 aves que ocorrem na RPPN Alto Montana, em Itamonte (MG). O pesquisador Kassius K Santos é o autor do livro, que já pode ser baixado de graça aqui. Além de fotos, o guia traz informações detalhadas sobre hábitat e comportamento de cada ave, ajudando os observadores na identificação em campo. Kassius também irá organizar algumas saídas guiadas na área (a primeira delas agora em agosto, confira o flyer abaixo). Uma bela oportunidade para os birders conhecerem um pedaço preservado da Mata Atlântica de altitude na Mantiqueira.
1
3
4