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Brasil das Aves

A floresta atlântica verdadeira

por Zé Edu Camargo em 22 de abril de 2014
Chega às livrarias uma obra como poucas. K’aá Eté, A Floresta Atlântica Intocada, do fotógrafo Octavio Campos Salles, explora (no bom sentido) todas as nuances de um bioma que o homem quase destruiu sem entender: a Mata Atlântica. A busca de Octavio é pelos trechos mais preservados da mata, onde ela ainda mostra seu vigor pleno e onde seus habitantes mais frágeis ainda conseguem sobreviver. Exímio conhecedor do meio, ele revela cenários e animais que poucos já tiveram o prazer de observar. Mas faz isso com respeito e com a intenção de chamar a atenção para extrema urgência da conservação. Se você é um observador que se preze, não pode perder a oportunidade de grudar os olhos neste livro. Mais informações: www.kaaete.com.br.
Gavião-de-penacho - Foto: Octavio Campos Salles

Gavião-de-penacho – Foto: Octavio Campos Salles

Anta - Foto: Octavio Campos Salles

Anta – Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana - Foto: Octavio Campos Salles

Araçari-banana – Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui - Foto: Octavio Campos Salles

Muriqui – Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica - Foto: Octavio Campos Salles

Mata Atlântica – Foto: Octavio Campos Salles

Reserva Tamboré, um oásis de floresta na Grande São Paulo

por adminngbrasil em 21 de março de 2014
Chupa-dente - Foto: Ze Edu

Chupa-dente – Foto: Ze Edu

As copas de árvores altas e imponentes fecham o dossel sobre a trilha, deixando pouca luz chegar ao chão, coberto de folhas mortas. O barulho d’água de um pequeno regato é tudo o que se ouve, até que um chamado característico venha de algum ponto a cinco metros de distância, em meio à vegetação densa.

- É um chupa-dente!

Quem imagina a cena logo pensa em algum lugar isolado, a quilômetros de qualquer cidade. Mas ela aconteceu em meio a uma das maiores manchas urbanas do mundo, na Grande São Paulo. A Reserva Biológica Tamboré fica em Santana de Parnaíba e é administrada pelo Instituto Brookfield. Uma joia rara da Mata Atlântica, com mais de 3,5 milhões de m² de cobertura vegetal. Em uma visita rápida à reserva, pude comprovar o seu potencial para a educação ambiental, no geral, e para a observação de aves, em particular. Duas dezenas de espécies florestais (como o chupa-dente, o patinho e o papa-taoca-do-sul) foram avistadas em apenas uma das trilhas. Por enquanto, a reserva só recebe pesquisadores e atividades de educação ambiental previamente agendadas. Para mais informações, basta acessar o site do Instituto (http://www.institutobrookfield.org.br/programas/reserva-biologica/sobre-a-reserva/).

Tangará adulto - Foto: Amarildo Jordão

Tangará adulto – Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado - Foto: Amarildo Jordão

Bacurau-ocelado – Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta - Foto: Amarildo Jordão

Bico-chato-de-orelha-preta – Foto: Amarildo Jordão

Mata Atlântica - Foto: Ze Edu

Mata Atlântica – Foto: Ze Edu

Livro mostra as aves do litoral brasileiro

por Zé Edu Camargo em 20 de fevereiro de 2014
Capa do livro Aves - Ambientes Costeiros

Capa do livro Aves – Ambientes Costeiros

O fotógrafo Edson Endrigo é um incansável divulgador da nossa avifauna. Com paciência e determinação, construiu uma obra monumental – uma série de livros sobre as nossas aves, dividida por biomas (Caatinga, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampa e Cerrado). Fechando a série, a cereja do bolo chega agora às lojas: o livro tem o título de Aves – Ambientes Costeiros. São 224 páginas de ensolaradas fotos das nossas aves litorâneas – muitas delas pouco registradas até hoje. Para concluir o livro, ele visitou lugares tão remotos e díspares como a Ilha dos Lençóis (MA) e os trechos desertos do litoral gaúcho (RS), além de locais paradisíacos, como as praias isoladas de Ubatuba (SP) ou a ilha de Fernando de Noronha (PE). São 100 aves registradas (veja algumas fotos abaixo). Um livro para degustar com calma e admiração. À venda pelo site www.avesefotoseditora.com.br.

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Avistar Patagônia, um show de aves e imagens

por Zé Edu Camargo em 4 de fevereiro de 2014
Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

Magellanic Woodpecker (Campephilus magellanicus). Foto de Octavio Campos Salles

O ano de 2013 foi de expansão e afirmação para o Avistar, evento de observação de aves que começou em São Paulo e hoje ocorre em diversas capitais do Brasil. A coroação desse sucesso foi o Avistar Patagônia, no fim do ano, que reuniu observadores brasileiros e sul-americanos no Chile. O blog bateu um papo com Guto Carvalho, organizador do evento e uma das figuras mais respeitadas do birding no Brasil.

Blog: Quais eram os objetivos do Avistar Patagônia? Foram todos cumpridos?

Guto Carvalho: Queríamos testar um novo modelo de evento – um workshop fotográfico de nível internacional – e ver a receptividade do público a esse produto. Sim, foi bem recebido, a resposta do público brasileiro demonstrou maturidade e disposição a participar de um evento diferenciado. Os brasileiros foram maioria no evento. Por outro lado tivemos poucos participantes chilenos e argentinos, o que demonstrou que esse segmento tem que ser melhor trabalhado junto a esses mercados.

Blog: Quais os pontos altos da expedição?

Guto Carvalho: Cenário, luz e espécies. Embora não seja o ponto principal, a paisagem é magnífica, altamente inspiradora, seja pela beleza cênica, seja pela diversidade. Exploramos bosques, montanhas, lagos, fiordes e tundras. Em cada um desses locais a beleza cênica foi fundamental para o astral geral e qualidade do trabalho.

A avifauna é um destaque importante. Por um lado aves grandes, como cisnes, marrecos e gansos, facilmente avistáveis e sempre em condições privilegiadas de enquadramento e luz. Por outro lado, espécies muito diferenciadas, como o pica-pau-de-magalhães, o condor, o periquito-austral, o caracará-da-cordilheira e dezenas de outros. Mesmo o tico-tico tem o seu charme, ele é migratório, maior e mais robusto que o brasileiro. Por outro lado espécies relativamente raras no Brasil, como o colegial (Lessonia rufa) são muito frequentes por lá.

A luz é  mais horizontal e suave, a latitude alta deixa a luz mais baixa. Isso quer dizer que muda o ângulo de incidência, o que torna a luz mais volumétrica, mais bonita de modo geral, com alta produtividade o dia todo, ao contrário das regiões tropicais, onde o sol alto torna quase inviável o trabalho entre 11h e 16h…

Finalmente, temos de destacar qualidade do atendimento do nosso parceiro Remota. Um hotel de alto nível e com um atendimento super humano e caloroso. Incrível.

Blog: Como foi a troca de experiências entre brasileiros e estrangeiros em relação à observação de aves?

Guto Carvalho: O evento foi no Chile, mas o intercâmbio foi mais internacional.

Os brasileiros têm uma maneira muito especial de atuar em campo, mais objetiva e focada em resultados, fruto da competitividade estimulada pela fotografia.

Alvaro Jaramillo, que é o grande guia ornitológico chileno, mostrou experiencia e tranquilidade além de visão global muito interessante. Apresentou uma grande aula sobre a avifauna chilena e especialmente a visão comparada de espécies e nichos. Muito legal.

Arthur Morris e Denise Ippolito mostraram um trabalho de pós-produção muito grande, que rompe com algumas das premissas do modelo brasileiro. Em campo, preferem passar um grande tempo trabalhando um tema, explorando todas as possibilidades de um casal de cisnes por exemplo, sem o compromisso de buscar mais e mais espécies. Na pós-produção, trabalham o retoque de fotos para eliminar galhos e aperfeiçoar as fotografias. Essas são práticas frequentes para eles, mas totalmente destoantes do repertório tradicional dos fotógrafos brasileiros, normalmente mais puristas e focados na foto perfeita, sem retoques.

David Tippling trouxe a sua grande capacidade de contar histórias. Suas fotos têm sempre um contexto e uma qualidade sensível difícil de ser encontrada em fotógrafos de aves (e de natureza).

Edson Endrigo apresentou uma incrível capacidade de adaptação e de conhecimento das aves, mesmo em ambiente totalmente diferente do seu habitual. Rapidamente dominou as espécies e conseguiu resultados espetaculares.

Octavio, com sua serenidade chegou antes e realizou uma fantástica expedição em busca de fotos de puma. Além de belíssimas fotos de paisagem, Octavio trouxe essa vivência e olhos de ver puma para o grupo.

Blog: Quais os planos do Avistar para 2014? E quais são as novidades?

Guto Carvalho: A principal novidade é articulação em rede dos promotores de Avistar em todo o Brasil. Realizamos um workshop de avaliação e intercâmbio, onde cada equipe apresentou suas técnicas e conquistas nos Avistar em todo o brasil. Disso articulamos uma rede de atuação e produção e de eventos, que vai impactar positivamente a organização de todos os Avistar e poder colaborar com todos os eventos de aves no Brasil.

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

Austral Pygmy Owl (Glaucidium nanum). Foto de João Quental

White-bridled Finch  (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

White-bridled Finch (Melanodera melanodera). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant   (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Tufted Tit-Tyrant (Anairetes parulus). Foto de Edson Endrigo

Sierra Finch. Foto de João Quental

Sierra Finch. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Pinguim-de-magalhaes. Foto de João Quental

Periquito-austral  (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Periquito-austral (Enicognathus ferrugineus). Foto de Edson Endrigo

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Patagonia em todo seu esplendor. Foto de João Quental

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Paisagem patagônica. Foto de Octavio Campos Salles

Observadores em ação. Foto de João Quental

Observadores em ação. Foto de João Quental

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Mergulhão (Rollandia rolland). Foto de Dimitri Matoszko

Long-tailed Meadowlark  (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Long-tailed Meadowlark (Sturnella loyca). Foto de Edson Endrigo

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Fotografando Condores. Foto de Dimitri Matoszko

Flamingos. Foto de João Quental

Flamingos. Foto de João Quental

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Corta-ramos. Foto de Octavio Campos Salles

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Colegial (Lessonia rufa). Foto de João Quental

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo

Churrete (Cinclodes patagonicus). Foto de Edson Endrigo

Campanha pró-birding no Amazonas

por Zé Edu Camargo em 24 de outubro de 2013
Beija-flor-de-garganta-verde - Foto: Zé Edu Camargo

Beija-flor-de-garganta-verde – Foto: Zé Edu Camargo

A Amazônia é um destino dos sonhos de qualquer observador de aves. No entanto, ainda são poucos os lugares, em toda a imensa região, com estrutura para receber turistas que querem passarinhar. Por isso, é mais do que bem-vinda a iniciativa do portal de crowdfunding (financiamento colaborativo) Garupa, que pretende arrecadar fundos para estruturar o birdwatching na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, na região de Manaus. A Vila do Tumbira é o ponto focal do projeto. Ali o potencial para o birding é imenso: são quilômetros e mais quilômetros quadrados de mata intocada, com diversos perfis – e muitas aves. A RDS Rio Negro é uma das áreas de influência da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), projeto que tem o apoio de grandes empresas, como a Samsung.

No Tumbira, a ideia do projeto de crowdfunding é estruturar a pousada local e treinar guias locais para acompanhar os observadores de aves. A Vila fica a pouco tempo de barco de Manaus, e tem potencial para se tornar um destino fantástico para o birding (e também para a observação de flora e fauna da Amazônia). Para saber mais e entender as vantagens de participar, você pode acessar o Portal Garupa. Mas vai logo, porque a campanha se encerra no dia 30 de novembro.

Tumbira - Foto: Paula Arantes

Tumbira – Foto: Paula Arantes

Tumbira - Foto: Paula Arantes

Tumbira – Foto: Paula Arantes

Suiriri-de-garganta-rajada - Foto: Zé Edu Camargo

Suiriri-de-garganta-rajada – Foto: Zé Edu Camargo

 

Workshop de fotografia de aves com João Quental

por Zé Edu Camargo em 2 de outubro de 2013

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Se você tem um mínimo interesse em observação de aves, é muito provável que já tenha ouvido falar no nome João Quental. Um dos melhores fotógrafos de aves do Brasil, ele não para. É uma espécie de Indiana Jones: concilia a carreira de professor com aventuras pelos quatro cantos do país em busca de aves – já fotografou mais de mil espécies da nossa avifauna. Em alguns raros momentos do ano, as duas vocações de João coincidem – quando o ensino e a fotografia estão juntos, nos workshops que ele ministra. O próximo, imperdível, ocorre agora em outubro (com a presença do criador do Wikiaves, Reinaldo Guedes). A pedido do blog, o fotógrafo escreveu um texto sobre a dinâmica do curso. E, de quebra, você pode acompanhar algumas fotos dos workshops – e suas aves maravilhosas – por aqui.

Passos no paraíso

Por João Quental

A primeira vez em que ouvi falar sobre a Pousada Paraíso, em Petrópolis, foi através de um dos mais antigos sócios do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ), Dagoberto Chagas. Isso foi há mais ou menos 7 anos, quando ele colocou uma mensagem, no grupo de discussões do clube, louvando as aves e a acolhida da pousada… Tanto bastou para que eu agendasse uma visita, no final de 2006, para conhecer o lugar e, se possível, fotografar algumas aves.

No entanto, a viagem foi um fracasso total. O Bernardo e a Mariana, casal que trabalha na administração da pousada, junto com a Vanda e o Roberto, pais da Mariana, adoram dizer que não entendem como tive coragem de voltar lá mais uma vez. Caiu uma chuva torrencial durante os cinco dias em que fiquei por lá, a estrada ficou interrompida por vários deslizamentos de terra, ficamos sem luz e – o pior de tudo! – a única foto que fiz foi de um pobre tico-tico completamente encharcado…

Mesmo assim, apesar da experiência diluviana, deu para perceber que o lugar era especial. Pelas aves, pelas trilhas, pelo conforto da Pousada, mas, principalmente, pela amizade e pela animação e o investimento da pousada na prática da observação e da fotografia de aves. Qualquer pessoa que se interessa pelo birdwatching no Brasil sabe como é raro encontrar um lugar onde a prática seja valorizada, com uma lista atualizada das aves do lugar, café-da-manhã cedo, trilhas bem marcadas, comedouros bem abastecidos…

Para surgir a ideia de fazer lá um workshop de fotografia foi apenas um passo. Desde 2007, já foram 10 (o próximo, em outubro, será o décimo-primeiro), com mais de 100 participantes no total. E, nos últimos anos, contamos com a parceria de ilustres convidados, como Fernando Pacheco, Ricardo Gagliardi, Henrique Rajão, Daniel e Gabriel Mello e, na próxima edição, Reinaldo Guedes.

Na verdade, creio que as aulas e palestras são mais uma desculpa para encontrarmos pessoas que gostam de fotografar aves, discutir o equipamento, trocar experiências e dicas de viagem, e, por que não, comer bem e passar um agradável final de semana na serra de Petrópolis…

Informações sobre o próximo workshop podem ser solicitadas nos e-mails

jquental@gmail.com ou paraiso@pousadaparaiso.com.br

Um dos alunos do curso de fotografia de aves - Foto: João Quental

Um dos alunos do curso de fotografia de aves – Foto: João Quental

João-porca e sua presa - Foto: João Quental

João-porca e sua presa – Foto: João Quental

Observadores em busca do melhor ângulo - Foto: João Quental

Observadores em busca do melhor ângulo – Foto: João Quental

João Quental (de óculos) durante o curso - Foto: arquivo pessoal

João Quental (de óculos) durante o curso – Foto: arquivo pessoal

Bico-virado - Foto: João Quental

Bico-virado – Foto: João Quental

Abre-asa-de-cabeça-cinza - Foto: João Quental

Abre-asa-de-cabeça-cinza – Foto: João Quental

Viuvinha - Foto: João Quental

Viuvinha – Foto: João Quental

Pitiguari - Foto: João Quental

Pitiguari – Foto: João Quental

Sabiá-coleira - Foto: João Quental

Sabiá-coleira – Foto: João Quental

Tiê-de-topete - Foto: João Quental

Tiê-de-topete – Foto: João Quental

Bota o sabiá para cantar!

por Zé Edu Camargo em 18 de setembro de 2013
Sabiá-laranjeira, por Rodrigo Leão

Sabiá-laranjeira, por Rodrigo Leão

 

Desde que inventaram as redes sociais, todo ano é a mesma coisa. Vai chegando a primavera e um monte de gente começa a reclamar nas grandes cidades do Brasil: “Tem um passarinho que canta de madrugada e não me deixa dormir!”. O (principal) culpado é o sabiá . Mais especificamente, o sabiá-laranjeira, ave que se adaptou muito bem à vida nas áreas urbanas. De tanto ver reclamações, uma moçada de São Paulo planejou um flashmob (manifestação-relâmpago) bem-humorada para a madrugada deste sábado, dia 21/09, coincidindo com a mudança de estação. A ideia é tocar o canto do sabiá-laranjeira na janela às 3h da manhã da sexta pro sábado, somando-se aos milhares de sabiás de verdade que já estarão fazendo isso ao vivo. O movimento já tem até página no Facebook (https://www.facebook.com/events/239141489571145/). E há uma rádio virtual que só toca cantos de sabiás, se você quiser participar (http://radiopaisagem.com.br/no-ar.php?paisagem=946).

Agora, se você é do time que se incomoda com o sabiá madrugador, aí vai um set list (gracias aos amigos Rui, Gut e Fabio) de músicas legais para ouvir no headphone, na hora do flashmob. São clássicos da MPB, com a sugestão de intérprete. Em comum, só uma coisa: todas com sabiá no nome.

Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) – com Luiz Gonzaga

Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) – com Tom Jobim

Sabiá-laranjeira (Milton de Oliveira e Max Bulhões) – com Nara Leão

O Sabiá e o Vento (Vicente Barreto e Hermínio Bello de Carvalho) – com Alaíde Costa

Sabiá-laranjeira (Sergio Santos e Paulo Cesar Pinheiro) – com Sergio Santos

O blog do Pedro Alexandre Sanches (http://farofafa.cartacapital.com.br/2013/09/17/cantar-como-um-passarinho/ ) também tem um set list (bem maior) com músicas que falam de aves.

Bom sabiá para você!

 

 

 

Uma RPPN no Amapá pede socorro

por Zé Edu Camargo em 12 de setembro de 2013
Garrinchão-de-barriga-vermelha na RPPN Revecom. Foto Zé Edu Camargo

Garrinchão-de-barriga-vermelha na RPPN Revecom. Foto Zé Edu Camargo

 

A fala calma, o olhar suave e o andar sem pressa enganam. O médico e ambientalista Paulo Amorim é uma força da natureza. Sozinho, com pouca ajuda, mantém em Santana (cidade que abriga o principal porto do Amapá, ao lado de Macapá) uma RPPN, chamada Revecom, que vale por duas. Isso porque, além de preservar um bom trecho de mata em meio à mancha urbana, cuida de animais que o Ibama resgata de cativeiros. Dr. Paulo (como é conhecido) também conduz um excelente programa de educação ambiental para as crianças da região. O lugar, por fim, é ainda é uma excelente opção para quem quer observar aves, pois fica às margens do Amazonas, e tem trechos de mata alagável e mata de terra firme. No entanto, tudo isso encontra-se em risco. Os esforços do médico não se fazem acompanhar de recursos. Cuidar de tantos animais – e de uma área como a da reserva – não é barato. Nesta entrevista, ele deixa claras as dificuldades. Salvar a área não significa só deixar a salvo os animais que não têm para onde ir – significa também resgatar um trabalho que inspira e traz resultados práticos na educação das crianças. É uma história de vida que se confunde com a defesa da floresta.

BLOG: Como se formou a ideia de uma RPPN e como foi o processo para implantá-la? O que pesou na escolha do local?

PAULO: Venho de uma família pobre. Morei em  área de um morrote num subúrbio do Rio de Janeiro, rua Miguel Rangel, Cascadura, num porão alugado, adaptado para residência, com dois minúsculos quartos, uma pequena sala, uma exígua cozinha onde só cabia um fogão e uma mesa para dois lugares. Tinha uma copa de médio tamanho onde minha mãe costurava. . A grande vantagem é que o pequeno lar era rico em sabedoria que emanava de minha mãe e de meu pai, extremos admiradores da Natureza.  Mas o quintal… ahh o quintal. Era enorme e confrontando com um imenso terreno ainda florestado. Nesse espaço vivi meus sonhos de Tarzan e Jim das selvas. Nele fazia minhas incursões pelas selvas e savanas africanas onde, imaginariamente via diversos animais: leões, tigres, elefantes… Em outro devaneio “Minha Selva” transformava-se no “Inferno Verde”. Nele eu visualizava as cenas descritas por Alfred Russel Wallace, Charles Darwin, David Grann. Os relato sobra as atividade do Marechal Rondon e dos irmãos Vilas Boas. Livros como “O Guarani” e assemelhados exerceram uma grande influência sobre meu imaginário. Ganhei do meu pai, assim que foi lançada, uma coleção de discos de vinil, que guardo até hoje, do Dalgas Frisch que registrou os cantos de aves e outros sons de animais do Brasil. Meu contato com pesquisadores do Museu Nacional, na adolescência, foi fundamental para o desenvolvimento de um razoável conhecimento da História Natural: Victor Starviarsky, Araújo Feio, Alvaro Xavier Moreira, Werner Bookerman, Paulo Vanzolini, Augusto Ruschi, entre outros. Isso cravou para sempre o amor e a paixão que tenho pela natureza em todas suas instâncias, bem no âmago do meu coração mítico. Minhas “expedições darwinianas”, custeadas pelo meu pai, pelas matas ainda existentes em Jacarepaguá (RJ), Itaipu (RJ) e na hoje ReBio Tinguá (RJ), transformaram meus devaneios e sonhos gerados no quintal de Cascadura, em uma certeza e em um desejo muito forte: quando eu “crescesse”, me formasse médico, iria para a Amazônia, viveria nela, cristalizaria minhas experiências e conhecimentos incipientes e seria dono de um local, grande, onde passaria os restos dos meus dias em contato com animais e com a natureza. Cresci, me graduei em medicina em 1972, pela FNM – Praia Vermelha, hoje UFRJ – Fundão – Ilha do Governador (RJ). Em 1974 consegui emprego na ICOMI – Amapá, fui para Serra do Navio, lá fiz três grandes expedições coletando informações e material botânico, como estagiário que era do Museu Nacional, do Depto de Zoologia e do Depto de Botânica. O tempo se passou, acumulei recursos e alguns cursos fora da área médica e, em 1997, adquiri pela microempresa da família (eu e minha esposa) a área que viria se transformar, em abril de 1998, através da Portaria 54N do Ibama, na RPPN REVECOM. Meu sonho se realizara mas… hoje nossa realidade começa a ser tornar um pesadelo graças a irresponsabilidade da sociedade e do poder público que teimam e não considerar os trabalhos conservacionistas que realizamos por aqui. Nosso pecado é ser “uma entidade privada…”. Para recebermos ajuda deveríamos engrossar o rol das ONG´s.

BLOG: Quais são as atividades desenvolvidas na RPPN, e como ela se mantém hoje?

PAULO: Além das atividades de conservação ambiental nos 171.000 metros quadrados da RPPN REVECOM, desenvolvemos o PEACE – Programa de Educação Ambiental, Cidadania e Espirutualidade sob a égide dos princípios da Carta da Terra, da Ecoteologia e da Ecopedagogia Freiriana. Já recebemos mais de 40.000 visitantes e discursamos mais de 75.000 horas aulas/passeio num périplo que dura de 2,5 a 3 horas.  Além disso transformamos o local em um santuário onde recebemos animais selvagens recolhidos pelos órgão ambientais presentes no estado do Amapá. Tratamos, alimentamos esses animais. Muitos são reintroduzidos na Natureza mas outros, por apresentarem deficiências ficam hospedados em logradouros e viveiros. Investimos mais de R$ 1.500.000,00 em infraestruturas e equipamentos, com recursos próprios, para dar suporte ao dois programas.

Com o crescimento do estoque de animais, aumento de mão de obra e uma quase “quebra” da mantenedora da RPPN, a AMORIM & AMORIM LTDA (Revecom Comércio e Serviços Ambientais), CNPJ 01.477.979/0001-56, a saída foi buscar ajuda, parcerias, doações e assemelhados. Um primeiro convênio com o Estado do Amapá aconteceu em 2006, no valor de R$ 49.900,00 aproximadamente. O convênio foi aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente – COEMA, do estado do Amapá, após exaustivo estudo de compatibilidades jurídicas e inspeção, in loco, por membros do Conselho, mídia e representantes da sociedade. Os anos se passaram e outros convênios foram realizados, inclusive com a Prefeitura Municipal de Santana, e começaram a chegar as parcerias com as grandes empresas locais: MMX (encerrado), Anglo American, AMCEL (encerrado), CIAMPORT, ECOMETALS (encerrado). Também surgiram parcerias com pequenos e médios empresários locais: Casa do Criador, Açougue Novo Milênio, Mercadinho das Peças, Supermercado Santa Lúcia/HJ Santa Fé (avarias de hortifrutigranjeiros – 60 ton a 70 ton/ano). Também a sociedade repassa pequenas doações. Já recebemos pequenos recursos de pessoas e instituições do exterior: Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, China, etc. Enfrentamos três grandes crises de falta de recurso: 2005, 2011 e agora. O fato é que dispúnhamos de apenas R$ 13.500,00 reais mensais oriundos de três empresas: CIAMPORT – R$ 3.500,00; Anglo American R$ 3.000,00  AMCEL R$ 7.000,00. O patrocínio da AMCEL foi encerrado em abril e aí… CRISE por falta de recursos! Está sendo terrível. Contas atrasadas, mão de obra (7 celetistas) com pagamentos atrasados, problemas de manutenção em logradouros, viveiros, veículos… um pesadelo. O custo real ideal para manter a estrutura azeitada é da ordem de R$ 30.000,00 mensais dá pra perceber que movimentá-la com R$ 13.500,00 já foi uma arte de ideologia…imagine com R$ 6.500,00!

BLOG: Quais são os desafios principais da Revecom? Como o público pode contribuir?

PAULO:

1 – Precisamos conseguir captação de recursos que não seja oscilante ou descontínuo, através de patrocínios.

2 – Precisamos sensibilizar uma estrutura, produtiva ou de terceiro setor, que nos ajude e que, aos poucos vá assumindo o espaço geográfico (são três lotes: o da RPPN propriamente dito – 17 ha; o da sede 3.000 metros quadrados, onde está a sede – que era  minha residência ; e mais um lote de 3.000 metros quadrados onde se encontram vários logradouros. O fato é que a vida passa, eu e minha esposa já “rodamos” 15 anos praticando as atividades relacionadas acima. Hoje estou com 65 anos e certamente não terei condições de rodar mais 15… tá na hora de arranjar alguém para tomar posse, gradualmente, absorver nossa ideologia, e nos deixar partir em paz, com a certeza do dever cumprido, dentro do conceito: missão – função.

O público pode contribuir: nesta fase aguda, repassando recursos financeiros, vou disponibilizar uma conta da RPPN no Facebook, para este fim.

Depois, quem sabe, ajudando mais cronicamente… as pessoas gastam tanto dinheiro em besteiras… Prestação de contas? Claro! Já estamos experts em fazê-las. A idéia é disponibilizar no FB e na página da RPPN   (que está sendo reformulada por um voluntário).

BLOG: A Revecom recebe com frequência observadores de aves? Quais são as principais espécies em vida livre avistadas na área?

PAULO: Infelizmente não. A atividade tem poucos adeptos por cá, inclusive dos cursos universitários. Aqui temos tucanos, psitacídeos, troquilídeos, formicaríeos, tiranídeos etc. Uma listinha mais ou menos extensa e melhorando, conforme a floresta está respondendo à sua resiliência.

Soldadinho-do-Araripe pede água!

por Zé Edu Camargo em 16 de julho de 2013

Por Weber Girão (Projeto Soldadinho-do-araripe e Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos – Aquasis) e Ciro Albano (NE Brazil Birding)

No centro da região mais árida do Brasil existe um verdadeiro oásis – o vale do Cariri cearense, lugar que impressiona pela quantidade de fontes d’água, além da exuberância de verde, contrastante com a caatinga que perde as folhas na seca. Este vale ocupa menos de um décimo das encostas da Chapada do Araripe, cujos aquíferos subterrâneos abastecem mais de cem fontes que representam quase 80% da vazão d’água que ressurge em todas as suas vertentes. Nesta paisagem única, a seleção natural preparou uma verdadeira joia viva e exclusiva dali, um pássaro de coloração branca, negra e vermelha conhecido no mundo inteiro, o soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni). Além de se alimentar e reproduzir na vegetação úmida, que legalmente é considerada como Mata Atlântica, costuma fazer seus ninhos sobre os córregos, banhando-se ao amanhecer e no final das tardes.

No princípio do século XIX, o botânico escocês George Gardner esteve na região e ajudou a revelar o rico patrimônio paleontológico da Chapada do Araripe, além de descrever plantas e narrar sua árdua jornada pelo País. Maledicente e preconceituoso, Gardner acentuou seu mau humor ao atravessar o tórrido sertão do Ceará, no entanto, após um banho nos rios habitados pelo soldadinho-do-araripe, descreveu a paisagem como um poeta, tocado pela emoção de tamanha preciosidade. Descoberto por cientistas somente em 1996, o soldadinho-do-araripe saiu do anonimato e atualmente simboliza todo este patrimônio natural para a sociedade. Sua imagem figura nos principais eventos ambientais e culturais da região, em um fenômeno que o classifica como “espécie-bandeira”, pois sua conservação significa a manutenção da qualidade de vida das pessoas através do uso sustentável dos recursos naturais.

Caso vivesse nos tempos atuais, Gardner poderia praguejar bastante ao ver a forma como estamos cuidando da paisagem que tanto o encantou. Em determinadas fontes, a pressão gerada pelo crescimento urbano desordenado e agricultura insustentável tem aprisionado as águas das fontes em canos, desde suas nascentes, contrariando a proteção às Áreas de Preservação Permanente previstas em lei. Até o soldadinho-do-araripe parece desolado ao se deparar com caixas de alvenaria acorrentadas no meio da mata. Para mitigar o problema, a sociedade tem discutido sobre como evitar a extinção do pássaro ameaçado, especialmente através do Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do soldadinho-do-araripe, documento oficial do governo brasileiro que celebra um acordo entre diversos atores locais, sendo prevista uma reunião de monitoria para setembro deste ano.

Entre dezenas de compromissos assumidos no documento, destaca-se a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral para proteção das águas, e consequentemente, do pássaro e de tudo o que representa. Esta recomendação já constava na descrição da espécie, publicada em uma revista científica de 1998, sendo repetida e aperfeiçoada nos estudos voltados à gestão que antecederam o PAN do soldadinho-do-araripe. Em 2007 foi protocolado o processo de criação junto ao Ibama, que naquele ano foi dividido e deu origem ao Instituto Chico Mendes. Existe esperança de que esta Unidade se torne realidade em tempo hábil, no entanto, em estratégia paralela, um grupo de entidades parceiras busca o reconhecimento de um mosaico de áreas protegidas. Este esforço pode ser a gota d’água para transbordar uma década de empenho na conservação do soldadinho-do-araripe.

Saiba mais sobre o projeto de conservação do soldadinho-do-araripe clicando aqui.

As fotos abaixo são todas de Ciro Albano

Encosta da Chapada-do-Araripe

Encosta da Chapada-do-Araripe

Soldadinho-do-Araripe-no-banho

Soldadinho-do-Araripe-no-banho

 

Soldadinho-do-araripe

Soldadinho-do-araripe

 

Soldadinho-do-Araripe fêmea em seu ninho

Soldadinho-do-Araripe fêmea em seu ninho

 

Nascente encanada

Nascente encanada

 

 

Livro mostra a diversidade de aves da Lagoa do Peixe

por Zé Edu Camargo em 6 de junho de 2013

Renato Grimm é um fuçador, como se diz (sempre como elogio) entre os fotógrafos. Incansável, ele já rodou o continente a bordo de todo tipo de veículo, fotografando paisagens, sabores e saberes dos mais remotos rincões. Mas um lugar, para ele, sempre foi quintal e santuário, ao mesmo tempo: a Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. E só um profundo conhecedor, alguém com uma relação dessas poderia fazer um trabalho tão profundo e bonito sobre a região. Com foco nas aves, ou melhor, na diversidade delas – em todas as suas cores, formas e agrupamentos. O livro Santuário das Aves – Parque Nacional da Lagoa do Peixe é obrigatório para todos os que gostam de observação de fauna, tanto os que já foram conferir como para os que têm como sonho experimentar o birding por lá. O livro mostra 147 espécies, entre endêmicas e migratórias (a Lagoa do Peixe é importantíssima no sustento do ciclo de vida de várias delas). Resultado de 40 expedições do fotógrafo no parque. Quem quiser adquirir o livro é só clicar aqui. Aí embaixo, uma seleção de fotos feita pelo próprio Renato. Enjoy it!

Caminheiro-de-espora. Foto Renato Grimm

 

Flamingo-grande-dos-andes. Foto Renato Grimm

 

Maçarico-branco. Foto Renato Grimm

 

Papa-piri. Foto Renato Grimm

 

Maçarico-do-bico-virado. Foto de Renato Grimm.

 

Maçarico-de-papo-vermelho, com anilha de identificação. Foto Renato Grimm

 

O fotógrafo Renato Grimm em ação. Foto de Robson Silva e Silva