Brasil das Aves
Anunciados vencedores do HBW World Bird Photo Contest
O concurso mundial de fotos de aves promovido pela Lynx Edicions anunciou os vencedores. O primeiro lugar (que levou US$ 10 mil) foi para o fotógrafo espanhol Cristóbal Serrano, com a foto acima, intitulada Shoal of Life. Ela mostra um cormorão-pelágico (Phalacrocorax pelagicus) caçando. A espécie do hemisfério norte é da família do biguá. O concurso recebeu mais de 12 mil fotos de 3600 fotógrafos, com aves de mais de 150 países. Os brasileiros enviaram mais de 500 inscrições. Foi a primeira edição do concurso. Aí embaixo, algumas das fotos vencedoras. No site do concurso você pode ver todo o rol de menções honrosas.
Viva o Avistar 2012 (com aplicativo grátis)
Neste fim de semana (de 17 a 20 de maio), birders de todo o Brasil estarão concentrados no Avistar, o maior encontro de observadores do país. O evento vai além da feira, que ocorre no parque Villa-Lobos, com expositores de equipamentos, agências de turismo e destinos de observação. Ele também tem um congresso, com palestras e discussões, lançamento de livros, um encontro de blogueiros e várias atividades, no próprio parque ou em destinos próximos a São Paulo. Toda a programação está no site (basta clicar aqui). Eu vou participar do encontro de blogueiros no domingo, dia 20, às 10h. Ah, e durante o Avistar também vamos promover o aplicativo de iPhone Aves da Amazônia, lançamento do Planeta Sustentável. Graças ao evento, até o dia 21 ele pode ser baixado de graça na app store. O que você está esperando?
Novo guia revela as espécies do Pantanal
Aos poucos, os guias de campo para identificação de aves vão ganhando importância no mercado editorial. A excelente notícia deste mês é a chegada do novíssimo Guia Fotográfico – Aves do Pantanal, de Maria Antonietta C. Pivatto e Giuliano Bernardon, com fotos de Edson Endrigo. Ele revela 455 aves que ocorrem no Pantanal. O preço, nas livrarias, será de R$ 65. O guia vai ser lançado na próxima semana, durante o Avistar 2012. Aí embaixo, imagens do livro.
Paul McCartney, blackbird, white wings e assum-preto
Paul McCartney veio ao Brasil mais uma vez. Um amigo meu, que acompanhou os shows no Recife, teve a sacada: “Além de Blackbird, ele poderia ter tocado também White Wings…”. Para quem não sabe, White Wings é a versão em inglês da famosíssima Asa Branca, sucesso do rei do baião, Luiz Gonzaga (versão aliás, do baiano Raul Seixas). Paul até fez menção a Luiz Gonzaga em seus shows, mas, claro, não tocou White Wings. No entanto, o trocadilho ornito-musical do meu amigo tem razão de ser. As duas músicas, além de excelentes, falam de aves emblemáticas. Vamos aprofundar um pouco mais essa história.
O blackbird (pássaro preto, em inglês), se vivesse no Brasil, fatalmente teria o nome de sabiá. E seria cantado por Tom Jobim, não pelos Beatles. O gênero Turdus inclui cerca de 30 espécies no mundo. O blackbird atende pelo nome científico de Turdus merula, e tem distribuição pela Europa e parte da Ásia. O mais que popular (no Brasil) sabiá-laranjeira é também conhecido como Turdus rufiventris. Ele foi não só o inspirador da dupla Tom e Chico na música que leva seu nome, como também de muitos outros artistas. Uma lista extensa que inclui Gonçalves Dias, com a super parodiada Canção do Exílio, da frase “minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá”. No entanto, um sabiá mais arredio, ligado a ambientes florestados da Mata Atlântica, é o mais parecido com o blackbird de Paul: o sabiá-una, ou Turdus flavipes. Una, em tupi, é preto. Claro. Aí embaixo você vê os sabiás.
No caso de Blackbird, a canção, há diversas versões para a origem da música. Em seu livro The Beatles, a História Por Trás de Todas as Canções, o autor Steve Turner lança a ideia de que há um pano de fundo social na letra. Paul teria elaborado a história pensando na luta pelos direitos dos negros nos EUA, então em plena efervescência.
Também em 1968, só que no Brasil, uma notícia ligava Beatles e Luiz Gonzaga: o grupo poderia gravar White Wings. Quem soltou a bomba foi a revista Veja, logo em sua primeira edição. A história ficou no ar um bom tempo, para diversão do próprio Luiz Gonzaga. Conheça os detalhes no post do ótimo blog Beatles To The People.
Outro sucesso de Luiz Gonzaga, Assum Preto, também poderia estar no set list de sir McCartney. Afinal, é conhecido ainda como graúna (do tupi guira+una, ou… pássaro preto). No entanto, neste caso, o parentesco se dá só no nome e no canto melodioso. O nosso assum-preto (Gnorimopsar chopi) não é um sabiá. Pertence a outra família numerosa, que inclui o chupim (ou vira-bosta) e o guaxe.
Para encerrar a seção curiosidades, a asa-branca da música de Luiz Gonzaga é uma pomba, também conhecida como pombão (Patagioenas picazuro). E não é branca – tem o corpo todo acinzentado, com detalhes brancos nas asas. No cerrado e na caatinga, costuma pousar no alto de galhos secos, ficando bem exposta. Também há um outro tipo de ave com o nome de asa-branca, mas trata-se de uma marreca (a Dendrocygna autumnalis), comum em boa parte do país.
Bom, una, black, white, preto no branco, é isso.
A força do cerrado em Cuiabá
Quase toda capital no Brasil tem um parque urbano onde se pode observar aves: os jardins botânicos no Rio e em São Paulo, o Parque da Cidade em Brasília, o Parque Mangabeiras em Belo Horizonte – e por aí vai. A capital de Mato Grosso não foge à regra, mas seu parque mais querido mostra uma diversidade impressionante. O bem-cuidado Parque Mãe Bonifácia é cortado por alamedas onde, nos fins de tarde, muita gente vem passear, brincar, correr. Mesmo com o movimento, há cantinhos no parque onde pode-se observar diversas aves do cerrado, que moram ali ou usam a região como ponto de passagem. De sabiás a graveteiros, de surucuás a garrinchões, a avifauna local pode ser avistada sem muito esforço. Uma opção interessante para quem visita a cidade, ou está por ali de passagem, antes de seguir para o Pantanal, a Chapada dos Guimarães ou outro ponto turístico do estado.
Os incríveis campos nebulares de São Paulo
São Paulo dos Campos de Piratininga. São Bernardo da Borda do Campo. Os nomes antigos de duas cidades da Grande São Paulo dão a dica da vegetação que cobria boa parte da área antes da ocupação intensiva: os campos, extensões de vegetação baixa, entremeados por brejos e capões de mata, principalmente à beira de córregos e rios. Esse tipo de formação quase desapareceu da grande São Paulo. Quase. Porque ainda sobrevive um trecho de campos, chamados de campos nebulares (por causa da neblina que boa parte do dia, em qualquer época do ano, pode cobrir a região) dentro do município de São Paulo. Fica no pouco conhecido Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar, em Marsilac, no extremo da Zona Sul da cidade, divisa com os municípios de São Vicente e Itanhaém.
“Imagina, a gente poderia estar andando pela avenida Paulista no século XVI, talvez a paisagem fosse essa”, diz o biólogo Fabio Schunck. Ele faz um monitoramento das aves no Núcleo Curucutu desde 2007, parte de seu plano de mestrado, apoiado pelo pesquisador Luis Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP. Todos os anos na mesma data, Schunck arma 20 redes de neblina para capturar aves nos campos nebulares. Sua intenção é anilhar uma espécie migratória, a Elaenia chilensis, ou guaracava-de-crista-branca. “Elas passam por aqui sempre na mesma data, capturo os indivíduos, anoto as características biológicas, anilho, fotografo e solto. Depois de poucos dias, elas desaparecem. Ainda não recapturei nenhum exemplar anilhado, mas já anilhei 75 indivíduos. Qualquer hora algum pesquisador captura uma destas guaracavas em outra localidade da América do Sul. Os poucos estudos disponíveis mostram que elas migram do Chile, subindo pela região leste do Brasil até o nordeste, passando pela Caatinga, Cerrado, Amazônia e retornando ao Chile pelos Andes, para se reproduzir. Mas os estudos ainda são inconclusivos”, ele diz.
Além das guaracavas, muitas outras espécies caem nas redes de neblina, desde pequenos beija-flores até aves maiores, como andorinhões, arapongas e araçaris. O Núcleo Curucutu está entre as áreas com a maior diversidade de aves da Serra do Mar, são cerca de 350 espécies registradas até o momento. O parque tem uma trilha aberta à visitação, que leva a um mirante de onde, em dias claros, pode-se ver as cidades de Itanhaém, Monguaguá e Peruíbe, além da Serra da Jureia, a Ilha Queimada Grande e a Laje de Santos. “Em 2006, nessa trilha, avistamos o raro apuim-de-costas-pretas (Touit melanonotus), espécie que era pouco conhecida na época”, conta Schunck. O que torna o parque não só interessante para quem quer conhecer a paisagem original de boa parte da cidade, como também para os observadores de aves.
Workshop na Mata Atlântica
Um dos melhores fotógrafos de vida selvagem no país, Octavio Campos Salles também é guia de birdwatching e blogueiro. Uma boa oportunidade para acompanhá-lo em campo são os workshops que ele promove no Parque do Zizo, em São Miguel Arcanjo, no sul de São Paulo. O próximo, de 21 a 24 de maio, é ótimo para quem quer emendar a viagem logo depois do Avistar 2012 (feira que ocorrem em São Paulo, no Parque Villa-Lobos). Durante o workshop, Octavio dá dicas de fotografia de natureza em meio à Mata Atlântica. O Parque do Zizo é uma área muito bem-conservada de mata primária, com uma avifauna exuberante. Para confirmar isso, basta ver as fotos que acompanham este post…
Um festival diferente
No começo do outono, o céu de cidades da serra catarinense é invadido. O lindo papagaio-charão (Amazona pretrei) chega em busca de alimento, principalmente do pinhão, fruto da araucária. Ameaçada de extinção, a espécie forma bandos que podem ser admirados pelos observadores. Em função dele, a cidade de Urupema abriga uma festa muito interessante, que promete reunir birdwatchers de todo o país. É o Festival do Papagaio-charão, nos dias 28, 29 e 30 de abril. Uma iniciativa do fotógrafo Dario Lins, o festival terá uma série de atividades ligadas à observação, como palestras de especielistas, como o fotógrafo João Quental e o ornitólogo Adrian Rupp.
Aves da Amazônia
O Planeta Sustentável promoveu, semana passada, um belo evento a bordo de um navio no Rio Negro. Chamado de Novas Ideias para o Futuro da Amazônia, reuniu pesquisadores, ativistas e empresários em discussões muito produtivas. Durante a jornada, houve um pré-lançamento do mais novo aplicativo do Planeta Sustentável, chamado Aves da Amazônia. Em breve ele estará disponível na Apple Store, em duas versões: uma grátis, com 30 aves, e outra full, com 198 aves, ao preço de US$ 1,99. Assim que estiver no ar, informo aqui no blog. As fotografias do aplicativo são de Anselmo d’Affonseca e os sons de Reynier Omena Junior. No lançamento, organizamos uma interessante troca de ideias sobre a observação de aves, que envolveu Mario Cohn-Haft, pesquisador do INPA, e Fabio Colombini, fotógrafo de natureza. No último dia, aproveitei uma brecha na programação para explorar uma trilha na comunidade Tumbira, à beira do Rio Negro. A área de conservação onde se encontra a comunidade é mantida com o apoio da FAS (Fundação Amazonas Sustentável). A passarinhada rápida rendeu cinco lifers e algumas fotos, que você vê aí embaixo.
O Brasil no caminho de um mistério
A tecnologia parece ter esclarecido um dos maiores enigmas da ornitologia norte-americana. A maioria das aves migratórias por lá têm paradeiros e rotas bem documentados. Não era esse o caso de uma espécie de andorinhão chamada Cypseloides niger, ou Black Swift (andorinha-negra, em inglês). Essas aves migram no fim do outono, deixando seus ninhos em paredões de rocha e cachoeiras no estado do Colorado, voltando após o inverno. Mas seu destino nunca foi documentado. Uma reportagem do jornal The Denver Post esta semana, no entanto, diz que o enigma está esclarecido. Esses andorinhões viajam milhares de quilômetros até o… Brasil. Mais especificamente, para um ponto no oeste da Amazônia brasileira. O uso da tecnologia de ponta foi o fator-chave para o sucesso da pesquisa (que deve ser publicada em breve em uma revista de ornitologia): o paradeiro das aves foi decifrado graças a um localizador GPS colocado no corpo de quatro espécimes (dos quais três foram recapturados). A descoberta é importante não só para a ornitologia americana, mas também para a brasileira. Essa tecnologia pode fazer com que a lista nacional de espécies aumente. Leia a reportagem completa do The Denver Post clicando aqui.





































