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Tamar chega à marca de 25 milhões de filhotes de tartarugas marinhas protegidos

por Fábio Paschoal em 15 de fevereiro de 2016

No litoral brasileiro, no auge do verão, cerca de 25 mil filhotes de tartarugas-marinhas chegam ao mar em uma única noite graças aos esforços do Projeto Tamar – Foto: iStockphoto/ Thinkstock

O Tamar irá comemorar a marca de 25 milhões de filhotes de tartarugas marinhas protegidos no próximo sábado (20). Os números analisados pela instituição entre 2010 e 2015 indicam um crescimento de 86,7% no número de filhotes com relação aos cinco anos anteriores. “Nada será como antes, pois tem muito mais tartarugas no mar!” Comemora Guy Marcovaldi, fundador e coordenador do projeto. “Muitos nascimentos significam mais chances de sobrevivência para as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem em nosso país” conclui o oceanógrafo.

Em 1981, no primeiro ano do projeto, um pequeno grupo de oceanógrafos conseguiu viabilizar o nascimento de 2 mil filhotes. Hoje, em uma única noite no auge do verão, cerca de 25 mil filhotes de tartarugas marinhas nascem no litoral brasileiro, afirma Marcovaldi. A conquista é comemorada com ressalva. No último ano apenas 7.350 fêmeas estiveram em processo de reprodução. Um número ainda pequeno, segundo o coordenador do Tamar, mas que simboliza uma grande vitória para o projeto.

O filhote número 25 milhões irá começar sua caminhada em direção ao mar às 17h30, no Tamar da Praia do Forte, Bahia (filhotes recém-nascidos e tartarugas reabilitadas serão soltos no mesmo horário em mais 8 estados onde o Tamar está presente). O evento será seguido pelo lançamento do CD Tamarear de Milton Nascimento e Dudu Lima Trio, feito em homenagem aos 35 anos do projeto. “Do Ceará a Santa Catarina, este 20 de fevereiro de 2016 ficará para sempre na memória dessa geração de aliados dos oceanos, que viu o sonho do início da recuperação das tartarugas marinhas se tornar realidade”, comemora Marcovaldi.

Quatro das cinco espécies de tartarugas-marinhas que ocorrem no país visitam o litoral brasileiro de setembro a março durante a época de reprodução (a tartaruga-verde se reproduz em ilhas oceânicas de dezembro a julho). As mães voltam às mesmas praias onde deram seus primeiros passos para deixarem seus ovos enterrados na areia.

Assim que as tartaruguinhas nascem, começam uma jornada em direção ao oceano e à maturidade. Durante o caminho enfrentam o risco de serem pisoteadas, a ameaça de predadores em busca de uma refeição fácil, o perigo de ficarem enroscadas em redes de pesca e a desorientação causada pela iluminação artificial que as guia em sentido contrário ao do mar. Somente um ou dois em cada mil filhotes chegarão a fase adulta.

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) está ameaçada de extinção segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Zoonar/ Thinkstock

O lixo é outro problema. Em terra, atrapalha as fêmeas a construir o ninho e dificulta a chegada dos filhotes ao oceano. Na água, um saco plástico boiando é muito semelhante a uma água-viva. Pode ser confundido como alimento e engolido por engano, o que pode levar o animal à morte.

Para garantir o sucesso da temporada reprodutiva, o Tamar protege cerca de 1100 quilômetros de praias por meio de 25 bases de pesquisa em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso de tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

A equipe – composta por biólogos, oceanógrafos e pescadores locais – identifica as mães que chegam às praias para desovar, coletam amostras de pele para a realização de estudos genéticos, escavam ninhos para coleta e análise de dados e, se algum ninho estiver em local perigoso, transferem os ovos para outros trechos mais seguros da praia ou os colocam em cercados de incubação nas bases do projeto.

A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) está ameaçada de extinção segundo a IUCN – Foto: Marta Granville

A tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) é considerada vulnerável pela IUCN – Foto: Banco de imagens Tamar

A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) se encontra criticamente ameaçada de extinção segundo a IUCN – Foto: Banco de imagens Tamar

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é considerada criticamente ameaçada de extinção pela IUCN – Foto: Banco de imagens Tamar

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