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Blog da Redação

Bebês na capa da National Geographic Brasil

por Thiago Medaglia em 29 de abril de 2013

As girafas são importantes para a National Geographic. As reportagens, ensaios e fotografias já publicadas na revista comprovam o reconhecimento ao gigante africano.

Mas a capa da edição de maio, com retratos de bebês humanos, também. Não entendeu?

Quem explica é Katia Andreassi, coordenadora editorial da National Geographic Society: “Para conseguir boas fotografias de bebês, uma girafa de borracha ajuda bastante”.

A lição veio do fotógrafo Robert Clark. Ele que, entre outros, é autor de registros noturnos em Machu Picchu, tinha vaga experiência com imagens de crianças: as fotos de sua única filha, Lola, agora com quatro anos. Para fazê-las, Clark teve de recorrer à Sophie, uma girafa de borracha que é sucesso em vários países.

A técnica parece ter ajudado na produção da capa da edição de maio. Cada uma das 20 crianças presentes no ensaio permanecia em frente à câmera por dez minutos, embora, para algumas delas, “após dois minutos”, diz Clark, “todos sabíamos que não iria funcionar”. Bebês inquietos são mais difíceis de fotografar do que girafas na savana.

Capas da edição de maio da National Geographic Brasil
Mas, para além dos artifícios usados em retratos infantis, a revista de maio é uma edição histórica. Para celebrar o tema da reportagem – a nova ciência da longevidade –, pela primeira vez em 13 anos National Geographic Brasil publica quatro capas distintas. Em nossa edição digital (grátis este mês para Ipad) os sorrisos e caretas dos modelos mirins são irresistíveis.

Detalhes que você só acompanha graças às recentes inovações tecnológicas. E, é claro, à prosaica companhia da girafa de mentira.

Bichos extintos pelo mundo

por Ronaldo Ribeiro em 12 de abril de 2013

Abril foi um mês em que quase todas as edições internacionais de National Geographic optaram pela mesma capa: a incrível reportagem sobre a possibilidade de ressuscitar espécies, com a arte que recria vários bichos extintos. Apenas a edição francesa manteve o tema e optou por outra ilustração, de uma manada de mamutes. Curiosidade: Israel e Irã inverteram a ilustração, e a consequente direção do avanço dos animais, porque nesses países a revista é folheada pela esquerda.

Pai digital

por Anderson C. S. de Faria em 19 de março de 2013

Anderson Faria e sua filha recém-nascida, Lorena - Foto: Daniela Feltran

Semanas atrás, tornei-me pai. Gerar uma vida, da concepção ao nascimento, é, por si, algo espetacular. Quando fruto do amor de um casal, é algo divino.

Hoje, meu trabalho é preparar a versão digital da revista National Geographic Brasil. Não é um trabalho divino, mas é espetacular. Quando nasci, 39 anos atrás, seria inimaginável vislumbrar uma mídia com tantos recursos de vídeo, audio, fotos e interatividade. E National Geographic utiliza esses recursos em seu nível máximo de sofisticação.

Assim como minha filha recebe amor incondicional, a versão em iPad da revista, mesmo sendo uma adaptação da edição americana, requer muita dedicação. Queremos que tudo seja apresentado aos leitores de maneira impecável.

A edição de março coincidiu com nascimento de Lorena. Tal situação exigiu de mim muito jogo de cintura e muitas horas sem dormir, um pouco mais além do que estou acostumado. Sem reclamações. Afinal estou vivendo um momento muito especial da minha vida, fazendo algo espetacular e divino ao mesmo tempo.

Lorena, seja bem vinda ao mundo, ao mundo digital e ao mundo de National Geographic.

A linha de frente do combate ao crime na Amazônia (parte 2)

por Thiago Medaglia em 20 de fevereiro de 2013
Antonio Filho, CDVDH

Antonio Filho é um dos defensores dos direitos humanos na Amazônia que convive com ameaças à sua vida - Foto: arquivo pessoal

 

 

A revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL de fevereiro traz a reportagem “A ferro e fogo”, feita por mim e pelo fotógrafo Izan Petterle no polo Carajás, nome dado ao parque siderúrgico no Norte do Brasil.

Um dos pontos abordados é o impacto social da produção de carvão vegetal, que é utilizado pelas usinas siderúrgicas na produção de ferro fundido.

O contraste entre os lucros milionários da siderurgia e da mineração e a dura realidade das pessoas da região ficou evidente em vários locais que visitamos. Um deles é a cidade de Açailândia, no Maranhão.

Com 105 mil habitantes, Açailândia é dona da segunda maior arrecadação do estado – fica difícil entender por que o esgoto corre a céu aberto em pleno centro lotado de lojas e pedestres.

A ausência do poder público torna determinante a atuação da sociedade organizada. É o caso do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia, uma ONG local dedicada a combater o trabalho escravo no Maranhão.

São funcionários expostos a condições análogas à escravidão: sem registro em carteira, sem equipamento de segurança, sem alojamento, sem direitos fundamentais, como acesso à água potável.

Os empregadores costumam ser pecuaristas ou donos de carvoarias e alguns deles foram denunciados às autoridades ou expostos em reportagens graças ao trabalho do CDVDH de Açailândia. Mas expor a ilegalidade pode ser perigoso.

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Maranhão é o estado brasileiro com o maior índice de violência no campo. Sete pessoas foram assassinadas em 2011 e três em 2012 – 106 pessoas estão ameaçadas de morte.

Quem vive isso na pele é Antonio Filho, secretário executivo do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), que já perdeu as contas de quantas intimidações sofreu.

Filho, como é conhecido, nasceu e cresceu em Açailândia. Seu pai, lavrador e líder sindical, era um sujeito simples, mas politizado. Depois de concluir os estudos na escola pública, Filho começou a colaborar com o CDVDH. O engajamento foi grande, e sua vida acabou transformada. A ONG pagou a continuidade dos estudos do menino, que hoje é advogado e defende a população explorada.

O reconhecimento de sua atuação veio em 2011, quando recebeu o Prêmio Nacional Direitos Humanos, oferecido todos os anos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

Foi, também, uma tentativa de tornar seu nome mais conhecido. Imaginam as autoridades que dessa forma Antonio Filho estará um pouco mais protegido de seus inimigos – o que faz sentido.

Mas será o suficiente?

Antes da indicação ao prêmio, em fevereiro de 2011, a polícia interceptou um plano para acabar com a vida de Antonio Filho, e ele foi levado com a família a Brasília. Um miniexílio de 15 dias, acompanhado da esposa e das duas crianças pequenas do casal.

Após a conclusão dos procedimentos básicos de segurança (que envolvem a coleta de depoimentos), um relatório foi submetido ao Conselho Geral do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), ligado à SDH/PR. O conselho é o fórum adequado para definir quem entra ou não no Programa. Até então, Filho estava sob acolhimento provisório com duração de 20 dias.

“Nesse meio-tempo”, relata ele, “foi decidido que, entre março e junho [de 2012], uma equipe do programa de proteção iria até Açailândia para fazer barulho” – ou seja, promover audiências públicas, reuniões com autoridades locais, convocação de outros defensores da região. Enfim, deixar clara a presença do Estado na cidade. Só que ninguém veio.

Até hoje, fevereiro de 2013, Antonio Filho não recebeu nenhum comunicado oficial da decisão do Conselho Geral do Programa de Proteção quanto a sua ingressão em níveis mais avançados de proteção.

Um caso emblemático ocorreu em 2010, quando a então relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, a advogada armênia Gulnara Shahinian, veio ao Brasil, mas não foi levada a Imperatriz, Açailândia, Marabá ou qualquer outro destino campeão de ocorrências desse tipo. “Queriam garantir a segurança de ministros, senadores e da própria relatora”, explica Antonio Filho.

E como fica quem está na linha de frente do combate ao crime na Amazônia?

 

O que diz a Secretaria dos Direitos Humanos

Contatei a assessoria de comunicação da SDH/PR. A resposta (abaixo) deixa claro haver um número insuficiente de policiais para a proteção dos defensores dos direitos humanos na Amazônia:

 

O Sr. Antonio José Ferreira Lima Filho foi incluído no Programa em abril de 2011. O defensor é acompanhado pela Equipe Técnica Federal do Programa. No dia 23 de outubro de 2012, em contato telefônico com a Equipe, o Sr. Antonio relatou que sua situação está tranquila no momento e que tem tomado precauções quanto a sua segurança.

Ressalta-se que a proteção à vida não pode ser entendida, exclusivamente, como escolta policial, uma vez que a garantia da segurança necessariamente não se dá com a proteção policial, mas sim com ações de inteligência que possibilitam a investigação e a punição dos autores materiais e intelectuais das ameaças e dos crimes denunciados pelos defensores dos direitos humanos.

Ademais, a SDH/PR e o Programa Federal não possuem efetivo policial, o que impossibilita o fornecimento de escolta. Esta medida é articulada com os órgãos estaduais de segurança pública, que podem atender à solicitação ou não, de acordo com as especificidades de cada caso e com a disponibilidade de policiais no local da atuação do defensor de direitos humanos.

 

 

centro de Açailândia

No centro comercial de Açailândia, o esgoto corre a céu aberto - Foto: Izan Petterle

 

Viagens digitais

por Ronaldo Ribeiro em 5 de fevereiro de 2013

Das ruínas greco-romanas da Líbia às florestas das aves-do-paraíso: volta ao mundo no touchscreen

Sempre resisti a novas tecnologias. Ainda não me aventurei a trocar um livro de papel por um ebook. Meu telefone celular se limita a ser um telefone. Sou daqueles que zelam com todo cuidado por sua coleção de vinis dos anos 1970 e 80. Não me importa se a música vem de uma vitrola ou de um computador; o que me interessa é a música.

Mas não sou radical, muito menos um militante de um saudosismo analógico. Diante de novas mídias, procuro distinguir prós e contras, a real necessidade na minha vida. Assim decido se uso ou não uso. Daí, uma das tarefas mais prazerosas do meu trabalho nos últimos meses tem sido fazer a revisão final de nossa nova edição digital para iPad. Em todo o mundo, National Geographic talvez seja a publicação que mais tem se dedicado à definição de uma identidade editorial para as revistas em tablets. O investimento financeiro é alto, e repórteres e fotógrafos agora saem a campo na companhia de cinegrafistas e técnicos para registrar entrevistas, imagens e sons exclusivos. Muito além de ser uma versão computadorizada das reportagens da versão impressa, NATIONAL GEOGRAPHIC em iPad convida a uma nova experiência de leitura e entretenimento, contemplação e conhecimento.

Estou empolgado. E não é por menos. Há poucos dias, conferi a edição de fevereiro, já disponível na Apple Store. Uma das reportagens principais fala das aves-do-paraíso, um projeto que envolveu o fotógrafo Tim Laman e o pesquisador Edwin Scholes. Ao cabo de nove anos e dezenas de expedições às florestas da Nova Guiné, a dupla finalmente conseguiu documentar todas as 39 espécies dessas míticas aves da Oceania. Além dos textos didáticos e das belíssimas fotos, uma série de vídeos mostra os bastidores dos acampamentos, os truques da fotografia de Laman, a dança engraçada de acasalamento dos pássaros. Mas o ponto alto é o registro do piado delas. Tarde da noite, fechados no quarto à meia-luz e em silêncio, eu e meu filho de 5 anos ficamos ouvindo, um por um, o barulho de aves raras que vivem do outro lado do mundo. A reação do menino inocente ao conhecer a linguagem musicada de cada espécie era desconcertante – como se ele, por um instante, de fato fosse transportado para o interior da floresta. Essa viagem sensorial talvez seja o futuro da comunicação em revistas. E, felizmente, já está acessível para nós.

As capas de dezembro

por Ronaldo Ribeiro em 21 de dezembro de 2012

Foi um mês de grande diversidade nas escolhas das capas das 36 edições internacionais. Nem todas decidiram seguir a versão americana, com a reportagem das sequoias gigantes e a hercúlea operação para fotografá-las no inverno em um parque nacional da Califórnia. Esse esforço tremendo, de engenharia complexa e com resultados visuais tão surpreendentes acabou sendo decisivo em nossa escolha no Brasil. Outras edições optaram pelo tema do xamanismo ou pelos túneis secretos da Faixa de Gaza. E algumas valorizaram reportagem próprias, caso da Bulgária, da América Latina e da Polônia. Destaque: a nova edição do Irã, a única a não adotar a grafia em inglês de National Geographic no logo. Eles escolheram como tema as aves-do-paraíso, que iremos publicar em fevereiro – um ensaio que ficará ainda mais bonito em nossa nova edição digital para iPad. Até o mês que vem!

Mergulho com o tubarão branco

por Thiago Medaglia em 8 de novembro de 2012

Tubarão-branco Rudo, ao lado de um safety diver em Guadalupe, no México

O fotógrafo Daniel Botelho é colaborador da revista National Geographic Brasil já há algum tempo. Seus mergulhos com os animais mais perigosos dos oceanos estão chamando a atenção. Matérias com as fotos de Daniel têm sido publicadas em vários sites do Brasil e do exterior.

Veja a galeria de fotos dos tubarões-brancos, com imagens de Botelho

Mas ninguém conversou com ele a respeito das técnicas que envolvem esse tipo de mergulho com predadores de duas toneladas. Não se resume a pular na água, muito pelo contrário, há uma série de medidas de segurança. Batemos um papo – com informações e imagens exclusivas! – focados nesse aspecto e também na emoção de estar frente a frente com os tubarões brancos.

Como se vê pelo relato do Daniel, não há nada de monstruoso nesses animais. A fonte do medo é mesmo a ignorância. Espero que curtam.

Me fala da expedição: onde foi, qual o seu papel, por que esse lugar?

Fui lá para fotografar, mas embarquei como safety diver (mergulhador de segurança) também. O objetivo da viagem era levar turistas para sair da gaiola com os tubarões brancos. A expedição aconteceu na ilha de Guadalupe no México, um lugar cuja visibilidade nos permitiria mergulhar com varios brancos ao mesmo tempo.

O que faz um safety diver?

É um mergulhador de segurança. Os clientes faziam uma rotação, cada um por vez saía da gaiola por dez minutos. Era minha obrigação protegê-los e manter um ambiente pacífico na interação com os tubarões. O safety diver deve conhecer o comportamento do animal e antever uma mudança de comportamento, como uma agitação ou excitação por parte do tubarão. Nesse caso o mergulho pode ser abortado imediatamente.

E você precisou intervir em algum momento nessa viagem?

Sim, um deles foi quando uma fêmea de seis metros conhecida como Arden Grace se aproximou de um cliente da Austrália. O cara se assustou e nadou apressado pra longe, provocando uma excitação imediata no tubarão. Então, entrei na frente e mantive minha posição, e o tubarão mudou o comportamento de novo para o modo “não caçador”.

Como funcionava a rotação?

Mergulhavam comigo um cliente e outro safety diver. Descíamos os clientes na gaiola e pulávamos os dois safety divers direto na água. Quando havia certeza de que os tubarões estavams tranquilos, convidávamos o primeiro cliente para sair da gaiola por dez minutos, e assim se fazia a rotação. O cliente sempre ficava entre os dois safety divers.

Como é estar na água com o grande branco? Com quantos tubarões mergulharam ao mesmo tempo?

É preciso estar muito atento! Ainda mais porque mergulhamos com até seis tubarões brancos de uma vez, pelo menos é o que foi possível identificar. Um amigo pesquisador está analisando cada uma de minhas imagens na tentativa de identificar quais espécies foram captadas pelas lentes da minha camera. Alguns brancos conhecidos naquela área já foram identificados, como os machos Thor e Rudo, que medem quase seis metros, e também a fêmea Arden Grace.

Há diferença entre nadar com um tubarão branco ou com dois ou três de uma vez?

Todos os tubarões devem estar devidamente monitorados, isto é, quanto mais tubarões, maior a concentração na interação. Todos precisam se sentir observados e isso os mantém relaxados. O mergulhador deve, portanto, manter o contato visual de forma disciplinada. E quando dois tubarões vêm pela frente e um por trás tem que girar no proprio eixo, mostrando que o perimetro está coberto. Não é fácil.

Qual o nível de dificuldade de estar na água com esse animal?

Dificuldade máxima em termos de atenção e foco. Trata-se do que chamo de mergulho 3D, que consiste em manter o perímetro total coberto, tanto para os lados quanto para cima e principalmente para baixo, já que muitos deles se aproximam por baixo. O risco é administrável por meio desta “leitura” do animal. É necessário ter respeito e saber identificar as reações agressivas – e se for necessário, abortar as atividades. Há sinais bem claros de estress, mas costuma ser muito em função do comportamento do mergulhador, pois se você ficar tranquilo e estático, o tubarão percebe a adaptação ao meio e sabe que está sendo observado. A instabilidade do mergulhador e a falta de um excelente controle de flutuabilidade podem aguçar a curiosidade do bicho.

E em comparação a outros animais com os quais já mergulhou: lulas gigantes, crocodilo do Nilo, outras espécies de tubarão. Quais são mais perigosos?

Durante uma hora de mergulho com o tubarão branco não pode haver uma desatenção nem de 30 segundos. Apesar de não enxergar o homem como presa e de ser muito seletivo em sua alimentação, ele é letalmente curioso e, devido ao seu tamanho, uma mordida investigatória pode ser fatal. Já o crocodilo do Nilo e a lula gigante podem facilmente consumir um mergulhador: eles entendem que o homem pode ser um alimento. Por isso considero o crocodilo do Nilo em primeiro lugar, ainda mais porque seu humor pode mudar de acordo com a temperatura do ambiente, criando uma janela muito limitada para se mergulhar com eles em razoável segurança. As lulas gigantes em segundo e em terceiro o tubarão branco. A estatística de ataques de crocodilos do Nilo na África suplanta milhares de vezes o número de acidentes com tubarões brancos. Um ataque de tubarão branco seria muito mais um acidente ou um mal entendido.

Então por que foram consagradas as imagens dos tubarões brancos mordendo as gaiolas dos mergulhadores?

A cena dele mordendo é difundida por causa do cinema e da mídia sensacionalista. Para que ele ataque a jaula dos mergulhadores, basta amarrar um pedaço de atum numa corda e vir puxando em direção à gaiola, ou seja, é uma composição arranjada, onde se deixa o tubarão extremamente excitado com muito engodo e pedaços de peixe. Eu coloquei somente o necessário para atrair os animais, depois mantive um nível bem discreto de atrativos e o que encontrei foram tubarões de boca fechada. Se formos juntos a uma churrascaria, você vai fazer fotos minhas de boca aberta também.

Tubarões brancos são encontrados na costa brasileira?

As concentrações mais famosas de tubarões brancos no mundo são a África do Sul, Austrália, Califórnia, Ilha de Guadalupe, mar da Nova Inglaterra e Mediterrâneo, mas o tubarão branco é o animal mais endêmico dos mares, podendo ser encontrado, ao menos em tese, em qualquer parte dos oceanos. No Brasil já foram capturados alguns poucos indivíduos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eram animais com 5 metros.

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As capas mundo afora

por Ronaldo Ribeiro em 16 de outubro de 2012

As capas das 35 edições internacionais de National Geographic ilustram não apenas a diversidade de temas de uma mesma publicação, mas, também, os interesses específicos dos editores em seus respectivos países, ou seja, a percepção deles a respeito dos assuntos que mais podem agradar aos seus leitores.

A edição de outubro é bem representativa dessa curiosa e divertida visão editorial. Boa parte das revistas preferiu optar pela contundente capa da edição-mãe, a americana, que estampava em vermelho o número de 25 mil mortes de elefantes por ano para abastecer o mercado de marfim. Foi uma capa atípica, com mais de uma imagem e design diferente: um fundo azul (o couro do elefante) sobre o qual foram aplicadas duas fotos (um marfim sendo extraído por guardas florestais de um animal morto e um artesão filipino trabalhando uma peça) e, em vermelho e branco (cores de sangue e marfim), o forte título: Blood Ivory.

Essa capa diferenciada enalteceu uma reportagem investigativa de fôlego que ainda hoje repercute mundo afora, 30 dias depois de sua publicação. Algumas edições, porém, optaram por um modelo mais ortodoxo: apenas uma foto, de uma manada de elefantes (Japão e Croácia, entre outras). Outras privilegiaram a pesquisa oceanográfica do relevo do fundo do mar, caso de Portugal. Ou reportagens antigas – a nova edição da Mongólia optou pelos gêmeos, publicada originalmente em janeiro.

O Brasil, dessa vez, ficou em casa: naturalmente escolhemos a capa do Rio de Janeiro. A reportagem com fotos de David Harvey mostra uma cidade animada em seu combate à violência enquanto espera os grandes eventos da Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada de 2016. O ensaio de David é brilhante, mas, segundo os próprios editores de imagens da revista na sede em Washington, poucas imagens ofereciam bom recorte para o design de uma capa. Talvez isso tenha desanimado outras edições em optar pelo Rio, cidade internacionalmente famosa e turística. Aqui na redação, consideramos que a cena da menina brincando com uma bola na praia era colorida e animada, traduzindo bem o espírito carioca. Gostamos do resultado – David Harvey também nos agradeceu.

Vamos publicar todos os meses esse painel com as capas de National mundo afora. Participe, escolha a sua capa, dê sua opinião. Seja você também um editor!

A linha de frente do combate ao crime na Amazônia

por Thiago Medaglia em 3 de julho de 2012
fiscal do Ibama

O fiscal Roberto Scarpari, do Ibama, é do tipo que incomoda quem não segue as leis ambientais - Foto: Izan Petterle

Acabo de voltar da produção de uma matéria na Amazônia, que em breve vai ser publicada na revista com fotos de Izan Petterle.

Nosso roteiro se concentrou entre o sudoeste do Pará e o oeste do Maranhão, zona que é uma das mais antigas e prósperas fronteiras agrícolas do Norte e na qual se encontram alguns dos municípios mais violentos do Brasil. É uma Amazônia marcada pela grilagem de terra, exploração da mão de obra informal, desmatamento, impacto social e por cadeias produtivas globalizadas.

Essa realidade faz vítimas, mas nem todo mundo se acomoda. Há pessoas determinadas a combater as práticas ilegais. Nos próximos posts (a começar por este) vou falar de alguns dos personagens com os quais topamos.

O primeiro deles é Roberto José Scarpari, fiscal do Ibama em Marabá, no Pará, onde atua há três anos. Antes trabalhou no escritório de Altamira, no mesmo estado. Enérgico, falador, tem fama de incorruptível, demonstra ser um idealista e trabalha incansavelmente.

Afogado em papeis e procedimentos burocráticos no escritório local do órgão, deixa o ar condicionado de sua sala para ações regulares que envolvem um enfrentamento constante com donos de carvoarias e madeireiras, caminhoneiros e fazendeiros que não trabalham dentro da lei. Suas atividades (e a de seus colegas) incluem a aplicação de multas, a apreensão de cargas e caminhões e o fechamento de empresas irregulares. Não é difícil fazer inimigos com essas atribuições.

O ambiente do escritório do Ibama em Marabá é o de uma delegacia. Os agentes andam armados e há policiais ambientais com metralhadoras israelenses perambulando pelos corredores. No terreno baldio ao lado do prédio, quatro caminhões apreendidos com carvão de origem duvidosa. Se houvesse mais gente e estrutura, admitem os fiscais, as apreensões poderiam ser bem maiores.

Ainda assim, Scarpari faz barulho. Já incomodou tanto (e tantos) que, um dia, de férias, resolveu visitar parentes no interior paulista, mas, ao desembarcar no aeroporto, foi abordado pela Polícia Federal. Escoltado, soube do motivo: o serviço de inteligência da PF interceptara um plano ardiloso de seus inimigos na Amazônia para matá-lo no Sudeste. Fariam parecer que fora um roubo seguido de assassinato. Scarpari se safou. “Tenho quem me proteja”, diz, evasivo.

Nesta Amazônia violenta, endinheirada e ilegal, nem mesmo um agente do Estado caminha com razoável segurança. A proteção de Scarpari passa por sua postura firme e pela conduta ativa – além do fato de carregar uma pistola ponto 40 na cintura. “No meu trabalho é preciso mostrar força e isso eu sei fazer”, afirma.

A verdade é que falta apoio do governo federal. Scarpari não deveria depender tanto de sua bravura.

Scarpari em carvoaria autuada em uma ação do Ibama em Jacundá, no Pará - Foto: Izan Petterle

O (meu) balanço da Rio+20

por Ronaldo Ribeiro em 26 de junho de 2012

Foram cerca de 6 mil eventos ao longo de 9 dias. Delegações de 193 países. E até 50 mil pessoas envolvidas diretamente. Mas como vai ficar o mundo depois da Rio+20? As economias mudarão? Nós mudaremos? Poucas certezas brotaram da conferência da sustentabilidade. Mas fica o legado de que, sim, é possível celebrar o multiculturalismo global, seja entre chefes de Estado, público ou mídia. E que o debate de ideias e conceitos é hoje o aspecto decisivo, sobretudo quando se admite que “desenvolvimento sustentável” e “economia verde” são temas ainda difíceis para a maioria das pessoas. Abaixo, algumas impressões pessoais sobre o evento.

O melhor espaço. Píer Mauá. Enquanto o Riocentro foi o evento oficial para políticos e jornalistas e o igualmente distante parque dos Atletas promoveu a discussão num âmbito mais diplomático e empresarial, o píer Mauá de fato divulgou e promoveu projetos inovadores em dezenas de stands montados nos enormes e belos galpões das docas da antiga zona portuária carioca – 14 mil metros quadrados de área de frente para a Baía de Guanabara. Empresas, ONGs, institutos de pesquisa e universidades expuseram trabalhos em questões tão díspares como a destinação do lixo eletrônico, o manejo dos peixes amazônicos, novos biocombustíveis e gastronomia com ingredientes baratos, entre dezenas de outros. O público interagiu e adorou.

A maior roubada. A fila para o Humanidade2012. Brasileiro adora fila. E como. Com forte divulgação da rede Globo, a exposição montada no forte de Copacabana teve concepção genial e vanguardeira, mas nada que justificasse o sacrifício em permanecer mais de 5 horas de pé (alguns dias, sob chuva). Depois de tanta espera, as pessoas lá dentro não tinham mais energia pare degustar as experiências high-tech propostas nos módulos da exposição. A lembrança que ficará, para quem visitou, talvez não sejam as lições de humanidade do espaço, mas as desventuras da histórica fila que uniu Copacabana ao Arpoador.

Um programa legal. O simpático parque Garota de Ipanema durante os dias do Planeta no Parque, do movimento Planeta Sustentável. Lindas fotos, música boa, educação ambiental e uma das melhores vistas do Rio sem fila e sem estresse.

O palco da mobilização. A Cúpula dos Povos foi mais uma vez o espaço justo das reivindicações populares, com minorias e grupos organizados da sociedade civil. Mas, se destaca-se pela capacidade de mobilização, a cúpula anda peca pela inflexibilidade. “De nada adiantará o trabalho aqui se vocês não saírem desse universo paralelo para o diálogo”, resumiu Achin Steiner, da ONU, depois de ser massacrado em um debate – que era para ser amistoso e de consenso – por representantes de centrais de trabalhadores e movimentos sociais.

O melhor discurso. Ou, no mínimo, o mais surpreendente. Houve uma tentativa de boicote à sua presença, mas o polêmico presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, contrariando todas as expectativas, fez um discurso pacifista e de consenso, quase hippie, cheio de citações de paz, amor e Jesus Cristo. Argumentou que a espiritualidade é a única receita para uma sociedade menos materialista e, portanto, menos predadora dos recursos naturais. Ahmadinejad pediu compaixão no mundo. E, desarmado, pregou uma “humanidade holística”.

Eu não estou entre aqueles que ousarão negá-lo.

Botos no rio Negro, no Amazonas. O fotógrafo Luciano Candisani, de National Geographic Brasil, mostrou seu trabalho na exposição Biomas do Brasil, no píer Mauá. Saiba mais sobre esta foto na edição de julho da revista