Blog da Redação
A pequena prisão de Alex Honnold

Sem cordas, nas alturas do Yosemite, Honnold virou mito aos 23 anos de idade. Mas, além de enfrentar a parede, teve de superar seu medo e escapar da "prisão mental".
Premiada pela Associação Americana dos Editores de Revista (ASME, na sigla em inglês) como a melhor capa de esportes e aventura nos Estados Unidos no ano passado, a edição de maio de 2011 da National Geographic Brasil trouxe como matéria principal um relato do escritor americano Mark Jenkins a respeito das conquistas de Alex Honnold, um jovem montanhista que redefiniu os limites do esporte.
Seu palco, o Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, é visto por escaladores em todo o mundo como uma espécie de desafio definitivo. Ao longo do século passado, homens foram eternizados ao vencerem suas famosas paredes rochosas: El Capitán, Cathedral Rocks e Half Dome são as principais. Mas, em setembro de 2008, um garoto de 20 anos nascido num bairro luxuoso da cidade de Sacramento, estabeleceu um novo ápice para o mundo das escaladas. Alex Honnold foi o primeiro homem a subir os 650 metros da parede regular do Half Dome no estilo livre solo – tradução: ele desafiou o gigante de granito sem usar cordas ou qualquer equipamento de segurança. De bermuda, camisa e tênis, saiu para caminhar e subiu o paredão vertical, como você pode ver nos vídeos da National Geographic e de um patrocinador.
Jeito de nerd (ele adora fazer palavras cruzadas com a mãe), Honnold passaria despercebido num encontro de fãs de Star Wars. Olhar vago, camisa xadrez abotoada até quase a gola e mãos no bolso, não ostenta vigor físico, não parece destemido, mas é um atleta de alto nível e, acima de tudo, um talento fora de série. “Para a maioria dos escaladores sérios do planeta, subir o Half Dome em dois ou três dias seria fantástico. Alex o fez em três horas. E sem cordas”, resume Jenkins na matéria.
Mas os super-humanos também sentem medo. Após duas horas e quarenta e cinco minutos de esforço físico e concentração mental intensa, a mais de 600 metros de seu ponto de partida, Alex Honnold travou. Frente ao mais cruel inimigo dos desbravadores – a dúvida – o topo do Half Dome se tornou de repente inalcançável. Pendurado a centenas de metros de altura e seguro apenas pelas mãos, o menino se viu às voltas com perguntas do tipo “o que estou fazendo aqui? Quero mesmo fazer isso? Estou fazendo as escolhas certas?”. O problema é que, na escalada livre solo, o vacilo cobra um preço caro: a vida.
Confrontado com a falta de opções, Honnold se libertou do que chamou de “a pequena prisão em que estivera em silêncio por cinco minutos”. Nesse mesmo intervalo de tempo, escalou os 30 metros restantes. “Não ponderou, não projetou a melhor rota, apenas confiou, de maneira absoluta, que aquele feito estava dentro de sua capacidade. E foi adiante”, conta Jenkins.
É bem provável que você não escale paredes de 700 metros (ainda mais sem recursos de segurança), mas com o medo – com os cinco minutos paralisantes – você já se deparou. É aquela sensação de incapacidade que nos faz acreditar que o objetivo, seja ele qual for, não está ao nosso alcance; de que a parede é muito grande, de que o risco é ainda maior e, de uma hora para outra, podemos colocar tudo a perder. Melhor, então, não ousar.
Não é o que diz o cérebro. Há alguns anos, cientistas americanos e ingleses publicaram um estudo a respeito da zona cerebral responsável por encorajar o ser humano a se aventurar: o corpo estriado ventral, localizado em uma área primitiva do cérebro envolvida com o processamento de recompensas por meio da liberação de neurotransmissores como a dopamina. Um mecanismo que parece indicar uma vantagem evolucionária em experimentar o desconhecido.
Por outro lado, se olharmos para nosso estilo de vida, é evidente que o homem moderno procura experimentar uma sensação de segurança permanente. Praticantes de esportes de aventura ou não, a maioria de nós quer, por exemplo, uma carreira sólida, um relacionamento estável ou morar em um condomínio bem vigiado. Na natureza, entretanto, essa ilusão inexiste. Os animais e as populações humanas tradicionais sabem que o risco é inerente à vida. Não há mais segurança no medo que atravanca do que no arrojo que leva à experiência.
No fim das contas, talvez haja mais lucidez na escalada insana de Honnold do que supomos. Ao falar de sua última temporada no Yosemite, ele demonstra maturidade e parece indicar um caminho por entre as pedras: “Abracei toda a experiência. As partes desagradáveis também”.
Mês de aventuras
O repórter André Julião, nosso colaborador, passou hoje aqui na redação para pegar, em primeira mão, a edição de maio da revista. Ele estava ansioso e feliz: é o autor da reportagem sobre a ilha da Queimada Grande, no litoral sul de São Paulo, hábitat exclusivo da peçonhenta jararaca-ilhoa. Julião viveu momentos de pânico e aprendizado na ilha – que não tem praia nem fonte de água doce, mas milhares de cobras no alto das árvores! O fotógrafo João Marcos Rosa, depois de quatro viagens para lá, captou pela primeira vez aspectos diversos do comportamento da espécie, além do trabalho dos cientistas e as paisagens desse rochedo de granito desabitado e forrado de Mata Atlântica, a 33 quilômetrosda costa de Itanhaém. A reportagem foi muito elogiada pelos editores americanos que, na redação em Washington, fazem um controle de qualidade do material publicado em todas as edições estrangeiras de National Geographic.
Aventura, aliás, é o que não falta nesta edição, cuja capa é dedicada ao feito da alpinista austríaca Gerlinde Kaltenbrunner, primeira mulher a chegar ao cume de todos os 14 picos de 8 mil metros do planeta sem o auxílio de oxigênio suplementar. A saga de Gerlinde para chegar ao cume do K2, de8611 metros, a “montanha selvagem”, como dizem os escaladores, é emocionante.
Fotografia e simpatia em Tiradentes
No fim de semana passado participei do Foto em Pauta, um festival de fotografia que aconteceu pela segunda vez na cidade de Tiradentes, Minas Gerais.
Fui para lá a convite do fotógrafo e blogueiro da National João Marcos Rosa para participar, junto com o também colega de blog e fotógrafo Luciano Candisani, de uma mesa redonda com o tema “A Construção da Reportagem na National Geographic”.
Abri a apresentação, que fazia parte dos Encontros de Fotografia de Natureza, contando um pouco da história da National Geographic Society, criada 124 anos atrás, e de como a Society e a revista acompanharam o surgimento de muitas tecnologias fotográficas, fazendo uso delas para documentar, da melhor maneira, ‘o mundo e tudo o que existia nele’.

Em 1906 a National publicou as primeiras fotos noturnas feitas com flash. Também foi pioneira ao mostrar imagens submarinas coloridas, em 1926.
Também dei algumas dicas de como elaborar uma pauta fotográfica para a National. Hoje quase tudo já foi apresentado nas páginas da revista. Para ganhar esse espaço, um fotógrafo precisa encontrar um novo ponto de vista, uma maneira inovadora de fotografar algum assunto. E quanto mais intimidade e proximidade com o assunto, e, sobretudo, disponibidade de tempo, ele tiver, melhor.

Candisani conta quanto tempo gasta para conseguir uma imagem surpreendente. Foto de Rodrigo Lima/Nitro
Essa foi a deixa para meus colegas de mesa apresentarem seus trabalhos. Tanto o João quanto o Candisani, fizeram e continuam fazendo matérias surpreendentes para a National Geographic Brasil. Os dois, que já tiveram fotos publicadas pela National americana, mostraram trabalhos publicados e inéditos, e contaram um pouco da dura rotina de um fotógrafo de natureza.

Auditório lotado para ouvir como se constroi uma pauta para a National Geographic. Foto de Rodrigo Lima/Nitro
Além dos encontros e debates, todos com auditório lotado, havia workshops com fotógrafos das mais diversas áreas, projeções noturnas, exposições espalhadas pelas belíssimas construções históricas da cidade, e também pelas ruas, como por exemplo o projeto Moradores, que, entre outras ações, colou retratos dos residentes nas carroças usadas em passeios turísticos.

Projeto Moradores do fotógrafo Marcus Desimoni e do jornalista Gustavo Nolasco em parceria com a Alicate Filmes. Foto de Rodrigo Lima
Me encantei com a cidade, que não conhecia, e com o festival.
Longa vida ao Foto em Pauta!
A casa nova e o paredão bege
A pior coisa numa mudança é empacotarmos tudo para desempacotar logo depois. Quando a mudança é apenas de andar todo esse esforço aparenta ser mais sem sentido. No último mês, mudamos do sétimo para o sexto andar. No nosso novo posicionamento no prédio da editora Abril perdemos algumas janelas e ganhamos um nada inspirador paredão bege de seis metros de comprimento. O fato de ter estudado 9 anos em um colégio jesuíta, cujo uniforme bege era motivo de gozação de outros colégios, faz com que eu tenha uma pequena aversão por esta cor. Já basta todo nosso mobiliário ser da cor “jesuíta”.
No saldo da mudança também apareceram, oriundas de algum depósito nas catacumbas da editora, três caixas de madeira enormes. O que parecia ser um problema, pois nosso espaço não comportaria estas três caixas, mostrou ser a solução para a insossa parede.
As caixas guardavam uma exposição de fotografias organizada na época do lançamento da revista, em meados do ano 2000. Nada melhor que imagens de grandes fotógrafos que ilustraram as paginas da revista para dar vida a uma parede árida.
Depois que eu e a Cris Veit, diretora de arte, fizemos a seleção e orientamos a instalação das fotos, a redação de National Geographic ficou com cara de National Geographic. Este é um pensamento compartilhado por todos.
A notícia se espalhou e até recebemos visitas de colegas de outras redações, admirados e invejosos de nossa pequena galeria. Pois além de belas imagens, poucos tem um local onde possam pendurar fotos ou quadros. Parece que ter um paredão bege, afinal, é privilégio para poucos.
Como enchemos a marginal Tietê de árvores
Imagine que você vem do interior ou acaba de desembarcar no aeroporto de Guarulhos e entra de carro na Marginal Tietê, em São Paulo.
A pista local não existe mais: o asfalto deu lugar ao verde. Na expressa (sem buracos), ao invés do corredor formado de um lado pelas águas escuras e malcheirosas, e do outro por grandes edifícios alternados por favelas, você se vê rodeado por árvores. O fedor também sumiu, e até mesmo a sensação térmica parece mais amena. No leito, agora limpo, embarcações transportam passageiros.
Quando esse cenário será real? Impossível dizer, mas há um grupo de pesquisadores que acredita não haver outra solução para a megalópole a não ser esta: devolver aos corpos d’água as várzeas em suas margens. Nesse caso, em vez do asfalto que impermeabiliza e favorece a formação de bolhas de ar seco e quente, teríamos um solo capaz de amortecer as chuvas e funcionar como um sistema de refrigeração natural para o município.
Entre essas pessoas, está a doutora em paisagem e ambiente pela Universidade de São Paulo, a arquiteta Pérola Felipette Brocaneli. Há alguns meses, ela esteve na redação para discutir seu trabalho e dar início à matéria que acabamos de publicar na edição de março.
Elaborada, a reportagem feita em etapas tem ilustração de Jonathan Sarmento. Ele também esteve na redação para debater com Cris Veit e Roberto Sakai (diretora de arte e designer da revista, respectivamente) como representar visualmente a São Paulo do futuro. A desconstrução e a reconstrução do cenário urbano você pode acompanhar nas imagens acima, que foram inspiradas no trabalho da arquiteta Maria de Assunção Ribeiro Franco.
Na prática, para que a nova versão da maior cidade do hemisfério sul ganhasse vida, seria necessário desapropriar edifícios e afastar as pistas dos rios. “Sei que tais possibilidades incomodam, mas o que deveria ser mais inquietante são as péssimas condições ambientais e o reflexo disso na qualidade de vida dos paulistanos”, diz Pérola. Quem enfrenta engarrafamentos, inundações, tempestades de verão, mau cheiro, poluição e convive com o cinza dos prédios, do asfalto, e até do céu, há de concordar.
Os cães invadiram a National Geographic!
Os cães estão de volta à capa da NATIONAL GEOGRAPHIC. É um dos temas preferidos dos leitores ao longo dos 12 anos da edição brasileira, ao lado de best sellers como o Antigo Egito, a evolução de Darwin e a Amazônia.
Dessa vez, a revista mostra como os cientistas descobriram a fórmula secreta que explica a espetacular diversidade de formas e tamanhos dos cães – uma herança genética que pode ser útil para se entender a complexidade de certas doenças humanas!
O fotógrafo Robert Clark levou ao estúdio dezenas de diferentes raças para registrá-las em belos retratos, nos quais quase sempre o cão olha para a câmera com admiração e encanto. Uma curiosidade: a capa da edição americana não foi feita por Clark, mas pelo artista plástico William Wegman, que ficou famoso ao fotografar weimaraners com roupas e botas, como se fossem letras do alfabeto. Wegman fez a foto de uma exótica fêmea da mesma raça (acima, à esquerda).
Por aqui, achamos melhor optar pela imagem que mostra um pug diante de um são-bernardo, dois claros exemplos da extraordinária diversidade morfológica da espécie (se os seres humanos fossem tão diferentes em altura, o menor teria pouco mais de meio metro, e o mais alto, quase 10 metros!).
A edição de março da NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, que chega amanhã às bancas, tem ainda outras reportagens especiais: um tesouro do século 7 descoberto no interior da Inglaterra; uma viagem a Marselha, na costa francesa, cidade que se destaca pela tolerância na convivência entre povos; as paisagens vulcânicas da depressão de Afar, na África; a beleza e as ameaças aos mares da Arábia; e um delicado retrato da escola do balé Bolshoi em Joinville, Santa Catarina. Não percam!
Palavras (bem) ditas e escritas
Quando Matthew Shirts, nosso redator-chefe, me convidou a fazer parte do time seleto de blogueiros da NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, pensei “cá com os meus botões”: alguma coisa está fora da ordem. Falar da qualidade dos textos (traduzidos ou não) de NATIONAL é ir na contramão do que se espera de uma revista cujo mote é a força da imagem.
Com o nosso cuidadoso e antenado editor sênior, Ronaldo Ribeiro, e uma equipe de tradutores de primeira linha, como Claudio Marcondes, Laura Motta e José Eduardo Mendonça, mas sem Reinaldo Moraes, que agora se dedica “apenas” à carreira de escritor, minha função de revisora de textos sempre foi facilitada. Aliás, gostar do que se faz e para quem se faz é o melhor jeito de se trabalhar bem.
Quando vi a revista pela primeira vez, no fim dos anos 1970, pensei e comentei com alguns colegas de curso de jornalismo: “Adoraria trabalhar nesta revista, como repórter fotográfica!” Pois é, o tempo passou, as coisas foram se ajeitando da forma que dava. Mas, em 2000, fui convidada a revisar os textos de um “projeto” que seria enviado à capital dos Estados Unidos para avaliação e possível impressão aqui no Brasil. Quando soube qual era o projeto, quase caí da cadeira. Era a NATIONAL GEOGRAPHIC! Respondi, de bate e pronto, que faria até de graça, pois meu sonho, mesmo que pelas portas da revisão, seria realizado. É, meu caro, há coisas que não têm preço mesmo. E lá se vão quase 12 anos, muito bem vividos e apreendidos.
Apreendidos porque é uma revista cujo conteúdo me ensinou muito. Nela, a gente tem uma visão de tudo com profundidade. Sempre a encarei como uma janela para a vida, seja na Terra, seja no espaço. Suas reportagens têm começo, meio e fim. Nestes tempos de superficialidade, de consumismo desbragado, isso é o máximo! Ah, e a forma, então… Textos bem concatenados, legendas com o tripé do bom jornalismo (quando, onde e por que) muito bem respondido. Enfim, tudo o que uma pessoa curiosa precisa para se fartar de conhecimento. Mas qual é a melhor forma de transmitir esse manancial de informação? Com qualidade de imagem e de texto. E, de texto, toda a equipe se esmera em oferecer o melhor.
A revisão da NATIONAL tem de ser bastante cuidadosa e todos me auxiliam para que isso aconteça. Estou sempre aprendendo! Com a ajuda de Ronaldo Ribeiro e Thiago Medaglia, nosso editor assistente, com as dúvidas sempre bem-vindas do cuidadoso americano com a nossa querida língua portuguesa (com ou sem acordo ortográfico), Matthew, da atenção especial de Cristina Veit, nossa bela e viajada diretora de Arte, e Roberto Sakai, designer da revista e nosso assessor de assuntos aleatórios (AAA), sempre muito bem informado. Eles veem minhas “pisadas de bola” (um “pastel”, ou erro ortográfico, uma regência mal empregada, um critério dúbio), essas coisas que matam qualquer texto.
Principalmente, agora, com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Todos os países que falam o nosso idioma tiveram de se readaptar a essas novas regras (nem sempre claras): o trema deixou de existir (exceto em nomes próprios); voo e veem, por exemplo, perderam seu acento circunflexo. Bom, mas isso é outra história, à qual voltarei na próxima postagem…
Revolução dos bichos
Sou das mais descrentes de todo o blablabla sobre o fim do mundo, calendário maia, etc. Outro dia até tive uma discussão acalorada com um amigo sobre o assunto: ele queria me convencer que já a partir do dia 22 de janeiro as coisas iam começar a degringolar por conta de conjunções astrológicas.
E não é que um evento envolvendo familiares deu uma leve chacoalhada no meu ceticismo – e justamente ontem, 22 de janeiro? Calma! Não se trata de nenhuma tragédia; muito pelo contrário, foi algo bem curioso e inédito. Mas me fez lembrar daquelas cenas que prenunciam as grandes tragédias em filmes apocalípticos.
Explico: meus pais moram no Mato Grosso, mais precisamente em Cáceres, uma cidade de 86 mil habitantes às margens do rio Paraguai. E a casa deles fica exatamente na beira do rio. Do outro lado, nada de cidade, apenas mato. Ontem minha mãe telefonou, agitada. Ela tinha ouvido uns roncos estranhos do lado de fora da casa; saiu para olhar e deu de cara com mais de cinquenta queixadas no seu jardim.
Também conhecido como porco-do-mato, esse mamífero lembra um javali, tem cerca de 1 metro de comprimento e comportamento agressivo. Os queixadas estavam atravessando o rio e se assustaram com um barco que passava; por isso entraram, num estouro, no terreno. Minha mãe voltou rapidinho para dentro de casa e passou o resto do dia, junto com meu pai, monitorando os bichos e registrando as imagens para a família em São Paulo.
Liguei hoje de manhã para saber do paradeiro dos bichos: eles passaram a noite toda perambulando, mas, às 7 horas da manhã decidiram fazer o caminho de volta para casa.
A beleza dos calendários fotográficos
A ex BBB Talula já fez. As meninas da Seleção Brasileira de futebol, também. Além delas, as inglesas do UNBC Bristol, time de netball (basquete de sete pessoas). Estou falando, é claro, dos calendários fotográficos.
No fim de ano (e também no início), muitos escritórios recebem calendários. Nas redações de revistas – principalmente aquelas de alma visual, como a NGB – é comum que fotógrafos profissionais façam dos calendários pequenos portfólios, um espaço autoral no qual apresentam uma seleção das imagens em seus arquivos.
Embora institucional, talvez a versão mais conhecida desse modelo seja a do calendário da Pirelli, empresa italiana que desde os anos 1960 envia a um número bastante restrito de parceiros, clientes e personalidades, um calendário com mulheres exuberantes clicadas por fotógrafos de renome. Não estamos na lista.
Mas muita coisa boa chega às nossas mãos. É o caso dos calendários de Fábio Colombini e Zig Koch, dois dos vários fotógrafos de natureza que nos enviaram seus trabalhos nesse formato em 2012. Anuários como estes têm qualidade artística, ou seja, sua utilidade extrapola aquela da organização dos dias da semana e navega nas águas da beleza à espera do olhar, expressa nas sombras que as montanhas de granito em Pancas, no Espírito Santo, fazem umas às outras conforme a posição do sol (Zig) ou no detalhe do estrato superior de um bosque com enormes jabuticabeiras, tão cheias de frutos que quase não é possível enxergar seus troncos (Colombini).
Você pode até questionar a necessidade de um calendário impresso quando os dias do ano estão a um clique na tela do computador ou do smartphone. Mas os artistas – sejam pintores, escritores ou fotógrafos – estão aí para nos recordar de que ás vezes é necessário trocar a data, a hora e o compromisso pela apreciação. Não deixa de ser sugestivo que este lembrete venha por meio de um calendário.
Terremotos culturais

Alexandre Graham Bell (à direita), o gênio da revista National Geographic (e inventor do telefone), diverte o neto Melville Bell Grosvenor, que viria a editar a publicação de 1957 a 1981. Foto: Grosvenor Collection, Library of Congress
Um dos objetivos da revista National Geographic, no Brasil e no mundo, é contar da forma mais atraente possível as histórias da natureza e da ciência. Isto desde o início do século 20, quando o então presidente da Sociedade (NGS – National Geographic Society), Alexandre Graham Bell, sugeriu ao editor, Gilbert Grosvenor, seu genro, que a melhor maneira de fazê-lo seria através da fotografia, que engatinhava em publicações. Bell, o inventor do telefone, foi um visionário –e um gênio da comunicação. Tanto é que National Geographic viria a ser das pouquíssimas entre as 5.500 revistas em circulação na época a sobreviver e prosperar.
Quem trabalha na National Geographic se preocupa em como abordar culturas, ciência e a história natural. Hoje, esta antiga preocupação nossa veio ao encontro da assim chamada “sustentabilidade”. (Veja, por exemplo, o Planeta Sustentável, do qual participamos)
O movimento global por uma economia sustentável tem como um dos seus pilares o respeito aos limites da natureza. Mas contar a história da degradação ambiental pode ser, muitas vezes, desestimulante e triste. Como superar esse impasse é um dos temas mais discutidos entre quem faz as 34 edições da revista National Geographic ao redor do planeta.

Capas de edições internacionais, a partir da esquerda: Emirados Árabes Unidos, Hungria, Rússia, Taiwan e Grécia
Bons exemplos podem ser encontrados na série “7 bilhões”, veiculada ao longo de 2011 na National, que se dedicou a discutir em profundidade o significado do aumento recente da população mundial. Uma das pautas mais originais desta coleção de reportagens se debruçou sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil e encontrou na mulher brasileira a agente responsável.
Nessa nossa busca pelo laço entre sustentabilidade e narrativa encontrei, há pouco, um texto primoroso. Em sua última coluna na revista Intelligent Life, publicação do grupo The Economist, Robert Butler mostra como todos os grandes momentos científicos são acompanhados por modificações na cultura. Cita, como exemplo, o nascimento da ciência de sismologia, a partir do terremoto devastador de Lisboa em 1755, que matou 30 mil pessoas. O evento e a nova disciplina científica modificaram a maneira religiosa de enxergar o mundo, inspirando escritos de Kant, Rousseau e Voltaire, alguns dos responsáveis pela Ilustração, nada menos. Da mesma forma, continua Butler, a Teoria de Relatividade de Einstein abriu caminhou para o modernismo nas artes plásticas e na literatura.
Para Butler, a sustentabilidade vai repercutir na cultura “através da absorção do consenso científico dos últimos 50 anos: os recursos naturais são finitos, o planeta é frágil e nossas atividades estão tendo um impacto perigoso na atmosfera”. Ele sugere que as consequências podem vir a ser do mesmo tamanho da Renascença. Você pode ler o texto de Butler em inglês no link More Intelligent Life.























