Blog da Redação
A linha de frente do combate ao crime na Amazônia

O fiscal Roberto Scarpari, do Ibama, é do tipo que incomoda quem não segue as leis ambientais - Foto: Izan Petterle
Acabo de voltar da produção de uma matéria na Amazônia, que em breve vai ser publicada na revista com fotos de Izan Petterle.
Nosso roteiro se concentrou entre o sudoeste do Pará e o oeste do Maranhão, zona que é uma das mais antigas e prósperas fronteiras agrícolas do Norte e na qual se encontram alguns dos municípios mais violentos do Brasil. É uma Amazônia marcada pela grilagem de terra, exploração da mão de obra informal, desmatamento, impacto social e por cadeias produtivas globalizadas.
Essa realidade faz vítimas, mas nem todo mundo se acomoda. Há pessoas determinadas a combater as práticas ilegais. Nos próximos posts (a começar por este) vou falar de alguns dos personagens com os quais topamos.
O primeiro deles é Roberto José Scarpari, fiscal do Ibama em Marabá, no Pará, onde atua há três anos. Antes trabalhou no escritório de Altamira, no mesmo estado. Enérgico, falador, tem fama de incorruptível, demonstra ser um idealista e trabalha incansavelmente.
Afogado em papeis e procedimentos burocráticos no escritório local do órgão, deixa o ar condicionado de sua sala para ações regulares que envolvem um enfrentamento constante com donos de carvoarias e madeireiras, caminhoneiros e fazendeiros que não trabalham dentro da lei. Suas atividades (e a de seus colegas) incluem a aplicação de multas, a apreensão de cargas e caminhões e o fechamento de empresas irregulares. Não é difícil fazer inimigos com essas atribuições.
O ambiente do escritório do Ibama em Marabá é o de uma delegacia. Os agentes andam armados e há policiais ambientais com metralhadoras israelenses perambulando pelos corredores. No terreno baldio ao lado do prédio, quatro caminhões apreendidos com carvão de origem duvidosa. Se houvesse mais gente e estrutura, admitem os fiscais, as apreensões poderiam ser bem maiores.
Ainda assim, Scarpari faz barulho. Já incomodou tanto (e tantos) que, um dia, de férias, resolveu visitar parentes no interior paulista, mas, ao desembarcar no aeroporto, foi abordado pela Polícia Federal. Escoltado, soube do motivo: o serviço de inteligência da PF interceptara um plano ardiloso de seus inimigos na Amazônia para matá-lo no Sudeste. Fariam parecer que fora um roubo seguido de assassinato. Scarpari se safou. “Tenho quem me proteja”, diz, evasivo.
Nesta Amazônia violenta, endinheirada e ilegal, nem mesmo um agente do Estado caminha com razoável segurança. A proteção de Scarpari passa por sua postura firme e pela conduta ativa – além do fato de carregar uma pistola ponto 40 na cintura. “No meu trabalho é preciso mostrar força e isso eu sei fazer”, afirma.
A verdade é que falta apoio do governo federal. Scarpari não deveria depender tanto de sua bravura.






