Blog da Redação
Terremotos culturais

Alexandre Graham Bell (à direita), o gênio da revista National Geographic (e inventor do telefone), diverte o neto Melville Bell Grosvenor, que viria a editar a publicação de 1957 a 1981. Foto: Grosvenor Collection, Library of Congress
Um dos objetivos da revista National Geographic, no Brasil e no mundo, é contar da forma mais atraente possível as histórias da natureza e da ciência. Isto desde o início do século 20, quando o então presidente da Sociedade (NGS – National Geographic Society), Alexandre Graham Bell, sugeriu ao editor, Gilbert Grosvenor, seu genro, que a melhor maneira de fazê-lo seria através da fotografia, que engatinhava em publicações. Bell, o inventor do telefone, foi um visionário –e um gênio da comunicação. Tanto é que National Geographic viria a ser das pouquíssimas entre as 5.500 revistas em circulação na época a sobreviver e prosperar.
Quem trabalha na National Geographic se preocupa em como abordar culturas, ciência e a história natural. Hoje, esta antiga preocupação nossa veio ao encontro da assim chamada “sustentabilidade”. (Veja, por exemplo, o Planeta Sustentável, do qual participamos)
O movimento global por uma economia sustentável tem como um dos seus pilares o respeito aos limites da natureza. Mas contar a história da degradação ambiental pode ser, muitas vezes, desestimulante e triste. Como superar esse impasse é um dos temas mais discutidos entre quem faz as 34 edições da revista National Geographic ao redor do planeta.

Capas de edições internacionais, a partir da esquerda: Emirados Árabes Unidos, Hungria, Rússia, Taiwan e Grécia
Bons exemplos podem ser encontrados na série “7 bilhões”, veiculada ao longo de 2011 na National, que se dedicou a discutir em profundidade o significado do aumento recente da população mundial. Uma das pautas mais originais desta coleção de reportagens se debruçou sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil e encontrou na mulher brasileira a agente responsável.
Nessa nossa busca pelo laço entre sustentabilidade e narrativa encontrei, há pouco, um texto primoroso. Em sua última coluna na revista Intelligent Life, publicação do grupo The Economist, Robert Butler mostra como todos os grandes momentos científicos são acompanhados por modificações na cultura. Cita, como exemplo, o nascimento da ciência de sismologia, a partir do terremoto devastador de Lisboa em 1755, que matou 30 mil pessoas. O evento e a nova disciplina científica modificaram a maneira religiosa de enxergar o mundo, inspirando escritos de Kant, Rousseau e Voltaire, alguns dos responsáveis pela Ilustração, nada menos. Da mesma forma, continua Butler, a Teoria de Relatividade de Einstein abriu caminhou para o modernismo nas artes plásticas e na literatura.
Para Butler, a sustentabilidade vai repercutir na cultura “através da absorção do consenso científico dos últimos 50 anos: os recursos naturais são finitos, o planeta é frágil e nossas atividades estão tendo um impacto perigoso na atmosfera”. Ele sugere que as consequências podem vir a ser do mesmo tamanho da Renascença. Você pode ler o texto de Butler em inglês no link More Intelligent Life.








