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Izan Petterle

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Izan Petterle Izan Petterle é um dos mais regulares colaboradores da revista National Geographic Brasil. Fotografa desde 1975 e colabora com importantes revistas de fotografia documental do exterior.

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Pantanal profundo - São Pedro de Joselândia

Izan Petterle - 30/06/2009







Faz muito tempo que eu queria conhecer uma localidade pantaneira muito famosa por suas tradições culturais, religiosas e por seu isolamento da civilização. Chama-se São Pedro de Joselândia, localizada no município de Barão de Melgaço, estado de Mato Grosso.





Levei quatro horas e meia de carro 4x4 para fazer o trajeto de 180 km, desde Cuiabá. A estrada tem uma pequena parte de asfalto e o resto é de terra, sendo que os últimos 65 km tomaram quase 3 horas da viagem.





Aproveitei para fazer a visita em uma data especial, o dia da Festa de São Pedro,  padroeiro da comunidade. A pequena vila é composta de construções bem típicas da região e dispostas de forma bem rural. É um lugar onde as casas são afastadas umas das outras e estão situadas ao lado de lagoas, corixos e planícies alagáveis em grande parte do ano.





Meu guia é o Professor Reinaldo Mota, médico homeopata, documentarista e autor do vídeo "Benzeções de São Pedro". Esse trabalho mostra as práticas dos benzedores e benzedeiras de São Pedro como fruto da diversidade cultural do pantaneiro, registrando a riqueza desses saberes. 





Nas imagens abaixo aparecem o Sr. Joaquim Rodrigues, 96 anos, uma das pessoas mais lúcidas e inteligentes com quem conversei e a Dona Maria Benedita, pantaneira de fibra e mulher de muito conhecimento de rezas e plantas.



Foi um jornada muito frutífera, tive muitas boas oportunidades de fotos e pude conhecer um pouco a respeito desse singular povoado perdido no meio do Pantanal. Escutei de uma senhora, após falarmos sobre o abandono e a falta de cuidados médicos sofridos pela população local, uma frase que, acredito eu, sintetize o que as pessoas sentem em morar em um rincão distante, disse ela: "Somos pessoas esquecidas nesse lugar". Pior do que morrer, é ser esquecido...


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Copa de 2014 no Pantanal - SOS Rio Cuiabá

Izan Petterle - 24/06/2009





No último dia 31 de maio foram escolhidas as 12 cidades que serão sedes  da chamada Copa Verde, são elas: Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Brasília, Cuiabá, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Existia a preocupação por parte do governo federal de que as regiões da Amazônia e Pantanal fossem selecionadas.



Um dos motivos é uma  política elaborada pela CBF, que prevê a preservação da floresta como compensação para emissão de gases do efeito estufa, durante a realização do evento. Estádios ecológicos seriam construídos de forma a causar o menor impacto ambiental possível, sem desperdício de materiais e com maior eficiência energética.



Cuiabá está localizada a beira do rio de mesmo nome. É incrível ver que um pedaço do Pantanal esteja dentro dos limites urbanos da capital. Aqui, como no Pantanal, ainda existe um tradicional modo de vida, o da população ribeirinha: são pescadores, ceramistas... Comunidades onde se fazem maravilhosas redes de dormir. A flora e a fauna pantaneira fazem parte da geografia de Cuiabá, só que esse extraordinário patrimônio ambiental encontra-se ameaçado. O rio é um esgoto a céu aberto, a mata ciliar está arrasada, milhares ou milhões de sacos plásticos, garrafas PET e lixo de toda ordem descem rumo ao Pantanal. Quem conhece essa região sabe que a poluição já faz parte da paisagem pantaneira. É uma lástima que muito pouco tenha sido feito até agora para reverter esse quadro de calamidade. Imagino que as autoridades competentes tenham planos de incluir a revitalização do rio no pacote de projetos que serão realizados para a Copa de 2014.



As notícias que foram publicadas até agora só dizem respeito a questões estruturais. Bilionárias, diga-se de passagem, elas são referentes a obras de infraestrutura: reformas de estádio, avenidas, aeroporto, estradas, saúde, etc... Mato Grosso tem que aproveitar essa oportunidade única para transformar o Rio Cuiabá no Tâmisa matogrossense.






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Poconé - Capital do Pantanal e das tradições culturais

Izan Petterle - 17/06/2009





Mais conhecido por seus aspectos naturais, o Pantanal mato-grossense, felizmente, também é riquíssimo em tradicionais eventos religiosos e folclóricos. Além de araras, tuiuiús, jacarés, capivaras e outros animais comuns desse lugar, exaustivamente fotografados de todas as maneiras possíveis, a cidade é detentora de uma cultura tão rica quanto a biodiversidade que aqui reina.



Estive em Poconé, nos dias 6 e 7 de junho desse ano, para documentar parte das heranças culturais que aqui existem: a procissão de São Benedito e a festa de Cavalhada. A cidade tem um amor peculiar por esses costumes. Famílias tradicionais dividem-se entre mouros e cristãos, gerando uma saudável disputa para ver quem consegue mais vitórias na arena, onde ocorrem simulacros de batalhas que relembram a expulsão dos sarracenos da península ibérica, por volta do ano 900 d.c., por Carlos Magno e os Doze Pares de França.



Segundo a pesquisadora Niomar de Souza  Pereira, autora do livro "Cavalhadas no Brasil", essa festividade é um "teatro popular folclórico a cavalo". De acordo com Niomar, os primeiro registros datam de 1584, em Pernambuco.



Dedico-me desde o ano de 1998 a documentar essa herança ibérica em todas as regiões de nosso país, já percorri desde o Amapá até o Rio Grande do Sul em busca de nossas origens medievais.



Convido todos para que conheçam essa extraordinária manifestação de cultura e religiosidade popular que insiste em permanecer viva em lugares inesperados, especialmente em Poconé, capital do Pantanal e das tradições culturais.


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Fotógrafos de natureza lutam contra medidas arbitrárias pretendidas pelo ICMBio

Izan Petterle - 04/06/2009


Foto: Parque Nacional da Chapada dos Guimarães - MT

Recebi, há poucos dias, um e-mail do advogado e fotógrafo Gustavo Pedro, manifestando sua indignação contra as novas normas que serão impostas pelo órgão governamental ICMBio, restringindo ainda mais a atividade de profissionais que trabalham em Unidades de Conservação.

O objetivo dessa heróica classe sempre foi o de documentar, proteger e dar visibilidade ao extraordinário patrimônio natural e imaterial de nosso país. Indignados diante de tal possibilidade, imediatamente a classe reagiu e se posicionou contra essa arbitrariedade, claramente autoritária e que limita em muito a liberdade de expressão dos profissionais da área.

Decidiu-se que é chegada a hora para a criação de uma associação para defender-nos de possíveis cerceamentos de exercer nosso trabalho. Essa iniciativa, de início organizada e capitaneada pelos fotógrafos Luis Claudio Marigo, Zig Koch, Gustavo Pedro, José Caldas, Silvestre Siva entre outros, vai criar a Associação Brasileira dos Fotógrafos de Natureza, entidade que estará encarregada de defender a classe. Segue abaixo algumas das "obrigações" das quais os profissionais seriam vítimas:

Art. 2º A utilização de imagens e a realização de filmagens, gravações e
fotografias, de caráter educativo, cultural, científico, comercial e
publicitário no interior das unidades de Conservação das Unidades de
Conservação, exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, dependerá de prévia autorização.

Art. 19º Todas as atividades de filmagem, gravações e fotografias em
Unidades de Conservação deverão ser acompanhadas por um ou mais
funcionários da Unidade ou por pessoas por ela indicada, as expensas do
autorizado.

rt. 21º O ICMBio deverá receber, a título de doação, cópia do material
bruto produzido, mediante assinatura de Termo de Cessão para uso não
comercial da imagem.

§ 1º As doações de material somente poderão ser feitas às Unidades de
Conservação, as quais procederão a inserção deste no patrimônio do
ICMBio, bem como a inserção no banco de imagens do instituto.

§ 2º As doações não devem substituir o pagamento previsto.
               
Segue o manifesto do advogado Gustavo Pedro,

"Toda atividade fotográfica é essencialmente artística e deve ser incentivada e não restringida quando inexiste impacto negativo para ser tratada como atividade diferenciada dos demais usos em UCs. Entretanto existem alguns argumentos da Administração Pública que devem ser desmistificados, a começar pela 'exploração da imagem' das UCs, já que a imagem somente existe da condição do registro, com a realização da obra, protegida por princípio constitucional pelo Direito Autoral. Nenhuma Unidade de Conservação tem personalidade jurídica própria para ter direito a proteção da imagem, o que se espera proteger é o equilíbrio ambiental e neste aspecto a atividade fotográfica somente causa impacto negativo em grandes locações. Ocorre que a suposta Instrução Normativa pretende criar a obrigação de doação da imagem fotográfica. Seria doação ou obrigação? Inexiste doação obrigatória, e toda obrigação deve ser proveniente de Lei!!!!!!!!!!!"

Acredito que o presidente do IcmBio, Romulo Mello, irá rever essa instrução normativa com o intuito de fortalecer nossa atividade fotográfica que tanto tem contribuído para preservação do meio ambiente de nosso país.

 


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Como trabalhar com fotografia documental e publicar na National Geographic

Izan Petterle - 28/05/2009


Foto: Participantes de uma das expedições fotográficas que organizo. PARNA Chapada dos Guimarães-MT.

Acredito que a melhor maneira de viabilizar uma carreira em fotografia documental é ter uma outra atividade econômica que permita custear a primeira fase da formação profissional. Esse  período pode durar pelo menos uns 10 anos, digo isso pela minha própria experiência. O chamado "mercado" de fotografia é ingrato e cruel, como dizem no interior do país, "é uma briga de foice no escuro." São pequenos trabalhos mal remunerados que dificilmente levam o profissional a um patamar mais elevado na arte fotográfica. Em primeiro lugar, deve-se fotografar para si mesmo e ninguém vai pagar por isso.

A mágica acontece atrás da câmera, o que interessa é desenvolver um olhar apurado. Mas com o tempo, nessa época de competição global, o ideal é ter um equipamento top de linha. Isso não transforma ninguém em melhor fotógrafo, apenas é uma ferramenta a mais na busca por um aprimoramento profissional.

A compra de boas câmeras, lentes, computadores e softwares é sempre um investimento alto, muito alto, talvez o preço de um bom carro zero km. Por várias vezes, no decorrer de uma década, vendi meus carros para comprar os melhores equipamentos possíveis. Para mim valeu a pena ficar a pé, ou com carro velho nesse período. Como em qualquer outro negócio, a pessoa tem que estar disposta a investir na sua atividade e o retorno pode ser longo, certamente mais longo do que em outros tipos de empreendimentos comerciais. É preciso estar preparado para passar por isso para ser bem sucedido.

Também é muito importante investir em formação profissional, pode ser faculdade e/ou bons cursos e workshops com profissionais renomados. Essa pode ser uma maneira de encurtar  e acelerar o aprendizado na profissão, inclusive, se for possível, até mesmo estudar no exterior. Fotografia é um estilo de vida, muito mais do que somente uma profissão. Esse processo leva tempo e pode ter um preço alto em termos de padrão material de conforto, especialmente se houverem questões familiares envolvidas.

Uma vez dito isso, vou dar algumas orientações de como pode ser possível publicar na National Geographic Brasil. A revista é aberta para qualquer que tenha um bom trabalho e que apresente um tema de interesse para publicação. Deve-se conhecer muito bem a linha editorial do que é publicado, procurar no arquivo as matérias já divulgadas. Não adianta ter um material muito bom se ele não for original.

O primeiro passo consiste em dedicar-se a projeto pessoal de documentação de assuntos que venham interessar aos editores. Bancar-se durante essa oportunidade e fazer uma edição de imagens consistentes, que conte uma boa história. Feito isso, pode-se pensar em apresentar o ensaio para avaliação do editor senior, Ronaldo Ribeiro. Sempre entre em contato primeiro por e-mail e veja se existe interesse na proposta. Em caso positivo, pergunte qual seria a melhor data e horário para fazer uma visita, editores estão sempre muito atarefados.

Desejo uma boa sorte a todos, fico muito entusiasmado quando vejo novas revelações nessa área. Pode parecer muito óbvio e banal o que eu vou dizer: vale a pena acreditar em nossos sonhos, essa é matéria prima do nosso trabalho. Ansel Adans falou o seguinte: "Algumas pessoas ganham a vida com a fotografia, para outros a fotografia lhes dá a vida..."

 


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