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Izan Petterle

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Sebastião Salgado nos 125 anos de NATIONAL GEOGRAPHIC

por Izan Petterle em 10 de outubro de 2013

Em recente viagem, em uma banca de revistas de aeroporto, comprei a edição dos 125 anos de NATIONAL GEOGRAPHIC, a mais prestigiosa publicação impressa dedicada à geografia do mundo em que vivemos. Para minha grata surpresa, encontro nas primeiras páginas Sebastião Salgado: a seção Visões traz três imagens do grandioso projeto Gênesis. Muitas vezes me perguntam o motivo desse renomado fotógrafo brasileiro até hoje nunca ter publicado em NG.

Essa edição especial O Poder da Fotografia parece nos dar a resposta: Sebastião tem lugar de destaque entre centenas de grandes imagens dos melhores fotógrafos do mundo. Brilha como um astro-rei da fotografia documental em preto e branco. Escutei pessoalmente de David Alan Harvey que Salgado é o ídolo de todos eles. “Tiãozinho é o que todos gostariam de ser”, disse.

Nessa jornada em busca das últimas belezas naturais do planeta, o mineiro deixa um testemunho que perdurará pela longa noite dos tempos, especialmente quando atinge a sofisticação de gravar em filme negativo 4×5 polegadas os arquivos que geraram toda essa documentação.

Salgado, um pensador de esquerda, sempre foi pautado por uma visão crítica dos acontecimentos sociais, políticos, econômicos e ambientais da nossa sociedade. Sua postura batalhadora, muitas vezes polêmica, em prol de construir uma nova realidade para os dias em que vivemos, traduz seu espírito de luta e coragem em transformar a fotografia em uma ferramenta de mudança social.

Gênesis é, para mim, a síntese de todo o pensamento de Sebastião. Ao lado de Outras Américas, Trabalhadores e Exôdus, livros seminais de sua obra, Gênesis abre um discurso cuja proposta é observarmos o planeta através de uma outra política de sustentabilidade.

Sebastião Salgado nos honra com sua sabedoria e clarividência fotográfica. Inspiro-me muito mais pelo exemplo de vida de grandes fotógrafos do que por suas fotos. Prefiro ser livre para interpretar o mundo de uma forma pessoal, única, sem querer copiar quaisquer dos mestres da fotografia.

Existe um espaço onde corpo e mente trabalham por si próprios – o ato de criação emana direto do inconsciente de cada um. As fotos abaixo, resultado de pautas para NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, são um exemplo dessa perspectiva filosófica que uso em meu trabalho de fotografia documental.

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Workshop de fotografia na Semana Farroupilha de Alegrete

por Izan Petterle em 6 de setembro de 2013
Pampa gaúcho, Estação Rivadávia Correa, Alegrete-RS

Pampa gaúcho, Estação Rivadávia Correa, Alegrete-RS

 

Começa no próximo dia 14 de setembro, com término no dia 21, uma oportunidade rara de aprendizado fotográfico. Durante esse período irei ministrar um workshop de fotografia na cidade de Alegrete, RS. O objetivo é ensinar alunos os conceitos de técnica, estilo e conteúdo da fotografia documental de National Geographic Brasil. A pauta a ser realizada é a seguinte: Alegrete, a capital dos Farrapos.

Não se trata de um curso normal, regular. O que vou proporcionar para quem o fizer é uma verdadeira experiência em campo da NG. A programação não será fixa em Alegrete. Os participantes devem chegar dia 14 em nosso destino, exatamente no começo da Semana Farroupilha, que se encerra no dia 21. Nesses dias, a cidade recebe uma série de acampamentos crioulos em volta dos CTGs da cidade. Vamos visitá-los, bem como os bailes e algumas fazendas (até existe a possibilidade de dormirmos em uma delas).

Os piquetes, as carreiras, a chama crioula, é tudo muito fascinante de registrar. As madrugadas, o nascer dos dias, são oportunidades fotográficas imperdíveis. O gaúcho acorda muito cedo e a ideia e acompanhá-los fazendo o fogo, botando os cavalos na mangueira, tomando chimarrão.

Em Manoel Viana, município vizinho, os desfiles não são no mesmo dia que em Alegrete. Temos grandes chances de fazer uma cobertura por lá também.

Em meu currículo estão quatro Prêmios Abril de Jornalismo e dois prêmios Best Edit, honraria concedida pelos editores americanos da National Geographic para o melhor ensaio fotográfico produzido entre todas as edições internacionais.

Vamos fazer algumas imagens bem emblemáticas da cidade. Durante a Revolução Farroupilha, Alegrete foi a terceira capital do Estado a ser decretada. Ainda hoje, é o maior município em extensão no Rio Grande do Sul, e os moradores locais tem aquela coisa de se sentirem na mais gaúcha das cidades. A viagem toda vai ser relacionada a isso.

Por mais que a gente tente fazer uma programação prévia, é como a vida de um fotógrafo:  muita coisa se descobre por lá, na hora, e temos que estar preparados para o imprevisto. Teremos que contar com uma boa dose de improviso. Nas horas de folga, já vamos fazer um trabalho de pré-edição, analisar à noite tudo aquilo produzido durante o dia.

Gosto muito de trabalhar com o subjetivo da realidade – a memória, o sonho, a poesia. A fotografia tem o poder de retratar esses aspectos. Eu acredito muito no poder dos cursos. Eles são uma experiência transformadora, em diversos aspectos.

Muita gente chega nas saídas de campo querendo explorar o conceitual, porque já acredita que sabe tudo da técnica. Quando chega lá, porém, aprende muito. É sempre revelador o exercício de comparação entre fotos tiradas no início do curso com as do final. Às vezes, temos uma ideia, um conceito, mas sem a técnica para colocar ele em prática. Não podemos contar com a sorte.

Quem procura esse tipo de curso tem uma bagagem cultural forte. São pessoas viajadas e interessadas no seu desenvolvimento como fotógrafo. E as turmas são sempre pequenas, o que garante atenção. Na verdade, não sou um professor, sou um tutor. Nos trabalhos de campo, fotografo pouco, só na medida para mostrar e ajudar – quase sempre para ter uma referência, na linha “criem a partir daqui”.

Conheçam a Semana Farroupilha em Alegrete. http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/blog/izan-petterle/2008/09/24/111915/

As pessoas interessadas devem entrar em contato o mais rápido possível. Só levarei quatro participantes; será um autêntico e avançado trabalho de fotografia documental em campo. Os participantes devem estar em Alegrete no dia 14. O preço do workshop (R$ 5.000 por pessoa) inclui o transporte em SUV 4×4 durante todo o curso – sem parte aérea, alimentação e hospedagem.

Equipamento mínimo necessário:
Uma câmera SLR digital full frame, de alta, uma lente zoom grande angular (recomendável ser f/2.8), uma lente 50mm, uma teleobjetiva zoom e um tripé; cartões com bastante capacidade de armazenagem e bateria extra para a câmera; laptop para aprendizado do processamento das imagens e do fluxo de trabalho e hd externo. É muito importante ter o seu próprio equipamento.

O que levar: Levar dois pares de bota para caminhada, de preferência à prova de água, casaco impermeável para frio e chuva, boné, cantil, óculos escuros, mochila, lanterna, canivete, roupa de banho e objetos de uso pessoal.
Contatos:
Facebook: Izan Petterle
email: izanpetterle@gmail.com
skype: izansan

Alegrete-RS, bolicho na rua Daltro Filho

Alegrete-RS, bolicho na rua Daltro Filho

Alegrete-RS, estrada rural

Alegrete-RS, estrada rural

Alegrete-RS

Alegrete-RS

Alegrete-RS, paisagem inventada pela memória

Alegrete-RS, paisagem inventada pela memória

Inhanduy, sub-distrito de Alegrete-RS

Inhanduy, sub-distrito de Alegrete-RS

No meio de uma edição de fotos, Alegrete-RS

No meio de uma edição de fotos, Alegrete-RS

 

Vida de fotógrafo

por Izan Petterle em 31 de maio de 2013

Festa de Santana

Muitas vezes me perguntam como foi ter realizado um sonho de vida. Ansiava ser fotógrafo na minha adolescência e alguns dos meus ídolos andavam sempre com a câmera à mão. Ansel Adams e Cartier Bresson foram os ícones de uma parcela da juventude que tinha como sonho trabalhar com essa atividade.

Tinha 18 anos quando fiz uma grande aventura pelos Andes, em grande parte inspirado pelo fascínio da descoberta por Hiram Bingham, explorador da National Geographic, da mítica cidade inca de Machu Picchu, lugar onde fui com meu primeiro equipamento fotográfico.

Essa história foi contatada recentemente no site Olhar Direto. Fui convidado pelo jornalista Marcos Coutinho, dono do site, para dar uma entrevista à editora Lidiane Barros e tive a oportunidade de relatar minha trajetória no mundo da fotografia.

É incrível ver que depois de tanto tempo parece que estou sempre no começo de minha carreira, mesmo depois de ter viajado longamente por essa “long and winding road”. Procuro sempre, na medida do impossível, renovar meus cansados olhos.

Abaixo seguem algumas fotos que fiz nos últimos anos em minhas andanças pela América Latina, lugar onde encontro minhas raízes culturais, espirituais e que trazem sentido à minha existência.

Ao redor de Valle Grande, Bolívia

Bella Vista, Bolívia

Samaipata, Bolívia

Valle Grande, Bolívia

Valle Grande, Bolívia

Vista de Cuiabá

Festa de Santana

Festa de Santana

Havana, Cuba

Isla de Regla, Cuba

Las Mercedes, Cuba

Mirante do Centro Geodésico

Rio Tocantins

Ruas de Valle Grande, Bolívia

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Tepito: fé, devoção, drogas e armas no coração da Cidade do México

por Izan Petterle em 9 de abril de 2013

Uma devota ao lado de sua imagem de Santa Morte, enquanto espera pela missa ao ar livre em Tepito, um dos bairros mais violentos da Cidade do México, também conhecido como barrio bravo (bairro valente) e localizado no coração da cidade. O culto a Santa Morte, presente em todo o território mexicano, encontra sua maior expressão nas ruas de Tepito. Uma vez por mês seus seguidores se juntam para celebrá-la. Entre os devotos, uma variedade de pessoas, de donas de casa a criminosos, que, em oração, pedem por saúde, liberdade e proteção contra a própria morte - Foto: Adriana Zehbrauskas

Adriana Zehbrauskas, paulistana, jornalista e fotógrafa da Folha SP por mais de 11 anos, viveu em Paris, onde estudou Lingüística e Fonética na Sorbonne Nouvelle, tem um dos melhores trabalhos que conheço em fotografia documental com liberdades poéticas. Hoje está baseada na Cidade do México, onde contribui regularmente com o New York Times. A lista de clientes inclui o Wall Street Journal, The Sunday Times, Sunday Telegraph, Glamour Magazine, The Guardian, Paris Match, Le Figaro, Save the Children e da Organização Mundial de Saúde, entre outros. Ela apresenta aqui um brilhante trabalho feito em um dos mais perigosos bairros da Cidade do México, Tepito.

“O que me move como fotógrafa? O que me interessa na fotografia? Por ser um meio visual, a estética e a composição são essenciais. Mas são também apenas o começo. Para mim, fotografar é o desafio de conectar pessoas através de suas histórias, de ser capaz de enxergar o que não se mostra: as minúsculas coisas diárias na vida de pessoas anônimas, a grandeza escondida em pequenos gestos a eterna luta em tentar fazer que o mundo seja a casa de todos e não de uma minoria.

Entrar em Tepito foi um desafio pessoal e profissional. Conhecido pela fama de perigoso, esse bairro situado no coração da Cidade do México é famoso por sua fé e devoção à Santa Muerte, seus mercados de produtos piratas, e o comércio de drogas e armas.

Mas além dos estereótipos, encontrei um lugar que também é famoso pelo orgulho de seus habitantes e a dignidade com que protegem sua comunidade. Comprovei, sim, que pode ser um lugar violento quando fui assaltada a mão armada e furtada por um trombadinha. Mas também fui convidada para cafés e almoços. Fiz amigos, fui a festas e funerais. Nada é branco e preto.

É muito difícil fotografar ali. Mas esse é o desafio, e, afinal, o que é fácil na vida? É preciso manter uma pequena chama sempre queimando e recorrer a ela quando a vontade é desistir. Um fotógrafo tem que ter aquela pequena luz que o guia, a curiosidade que o faz seguir caminhando e indagando o por quê daquilo que vê.

Citando o grande escritor uruguaio Eduardo Galeano:

‘Porque são as histórias contadas, recriadas, multiplicadas, que nos permitem converter o passado em presente e que também permitem converter o distante em algo próximo.’

Cidade do México. 28 de março de 2013″

Cena em rua de Tepito. Conhecido como barrio bravo pela determinação de seus habitantes em lutar contra a pobreza e, também, pelo fato de boxeadores famosos terem surgido aqui - Foto: Adriana Zehbrauskas

Cena em rua de Tepito. Conhecido como barrio bravo pela determinação de seus habitantes em lutar contra a pobreza e, também, pelo fato de boxeadores famosos terem surgido aqui

Um vendedor de ternos em frente à loja em que trabalha. Tepito é conhecido por ser um bairro duro, o centro de toda a sorte de atividades ilegais: tráfico de armas, comércio de filmes e jogos eletrônicos piratas, roupas de marca falsificadas e equipamentos eletrônicos roubados. Sete entre cada dez produtos piratas consumidos no México passam pelo bairro, mas seus residentes são orgulhosos e não querem sair: “Em Tepito tudo se vende, menos a dignidade¨, repetem - Foto: Adriana Zehbrauskas

Devotos fumam maconha e cheiram cola, com uma imagem da Santa Morte nas mãos. Álcool e maconha são consumidos ao ar livre em plena luz do dia. “Todo o tipo de pessoa vem aqui. Não importa. Dentistas, assassinos, professores. Se talvez você tenha algo que não queira compartilhar com Deus, você vem aqui. Por exemplo, seu primo está na cadeia, você faz uma oferenda e pede para que ela o ajude. Não faz diferença para a Santa quem você é ou o que pede”, diz um local - Foto: Adriana Zehbrauskas

Menino espera pela missa de Santa Morte - Foto: Adriana Zehbrauskas

Devoto e sua sobrinha com imagem de Santa Morte após missa - Foto: Adriana Zehbrauskas

A quadra de esportes é um oásis no labirinto de postos de venda. Ir de um lado a outro do bairro é uma viagem alucinante: lonas coloridas, a luz mudando de azul para rosa e depois amarelo, som ambiente a todo volume e um trânsito infinito de pessoas que caminham em todas as direções - Foto: Adriana Zehbrauskas

Um garoto espia o lugar no qual, algumas horas antes, dois homens foram assassinados em uma bar com nome sugestivo: Sal Si Puede (Saia se puder) - Foto: Adriana Zehbrauskas

Iris posa para fotografia após seu treino de boxe . O ginásio em Tepito é uma fonte de orgulho no bairro: muitos mexicanos famosos saíram de lá - Foto: Adriana Zehbrauskas

Donovan, Saul, Alejandro e Jairo se divertem com um celular no café do tio, onde o trabalho de um artista local adorna as paredes. A família dos meninos trabalha com comércio e luta para sobreviver - Foto: Adriana Zehbrauskas

Chapas de raio-x adornam as janelas da única creche local - Foto: Adriana Zehbrauskas

Um menino fantasiado de diabo, joga futebol na rua durante Halloween - Foto: Adriana Zehbrauskas

Bolo de aniversário de 15 anos de Sammy - Foto: Adriana Zehbrauskas

Dia de Santa Morte e Halloween - Foto: Adriana Zehbrauskas

Sammy se prepara para sua festa de aniversário - Foto: Adriana Zehbrauskas

Costa do Brasil – Um mar de possibilidades

por Izan Petterle em 12 de março de 2013

Barco voltando da pesca diária, Ponta do Corumbau, Bahia - Foto: Bala Blauth

O post dessa semana é de autoria, fotos e texto, da Bala Blauth, fotógrafa e companheira de vida e aventuras do fotógrafo Ita Kirsch.  Eles publicaram recentemente o terceiro livro de fotografias, COSTA DO BRASIL, resultado de uma longa expedição pelo litoral brasileiro, o texto é do Eduardo Bueno. É um belo trabalho, vale a pena conhecer:

“A costa em que as praias se encostam, que dá origem a encontros que encantam com sua imensidão de formas e matizes. A costa dos segredos, das sereias, das areias, das estrelas. E que, depois de milhões de anos descansando nas redes de sua geografia, criou desenhos que movimentam o pensamento e atraem os olhares como imãs. Ao percorrer a costa do Brasil, percebemos que ela é o longo corredor da nossa casa, a linha de retas e entranhas onde as portas da percepção se abrem para deixar entrar os encantos de um litoral literalmente sem igual.

Durante um ano mergulhamos nessa imensidão de margens, mangues, baías, espumas, enseadas, dunas, recifes, rochedos, sombras, silhuetas e tudo o mais que foi possível encontrar. Descobrimos, mais uma vez, que não há como capturar tudo em uma fotografia, mas há a possibilidade de valorizar os detalhes e de eternizar os momentos.

Viajamos por todos os litorais (amazônico, nordestino, do sudeste, do sul), vivemos intensamente cada cor. E, assim, fizemos nascer o nosso terceiro livro: Costa do Brasil.

Capa do Livro Costa do Brasil

Foi no nosso estúdio fotográfico, em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, que este projeto foi plantado. De lá, embarcamos na nossa Land Rover Defender 110 – companheira de muitas viagens – e partimos carregados com pesadas mochilas abarrotadas de câmeras, lentes, flash, cartões de memória, notebook, HDs externos e muita disposição para enfrentar o calor.

Na estrada, os sentimentos se movimentaram e se fundiram como as águas de um rio que deságua no mar. Vieram perguntas e divagações. De repente, vimos que já não sabemos onde começa o litoral brasileiro. E nem qual o cenário mais deslumbrante. Será o mangue com suas entradas e estranhamentos? Os recifes que, tímidos, se exibem sem exageros no mar verde? Ou a revoada de pássaros apressados em busca de um novo porto seguro?

No fim, a mais difícil das tarefas parece ter sido a de selecionar as imagens para este livro, já que o resultado da jornada somou 38 mil fotos. Acabamos escolhendo aquelas que têm um significado especial para nós, que dizem o que jamais conseguiríamos transmitir em palavras.

Viajar pelo litoral brasileiro fotografando e, após um ano, conseguir fazer um livro de fotografias nos dá mais uma vez a certeza de que é possível oferecer a simples, e ao mesmo tempo complexa, ideia de redescobrir, através de nossas lentes, a dimensão e a importância de nossa costa. Mais do que isso: queremos que nossas imagens despertem em outras pessoas o interesse pelos nossos diferentes ecossistemas e sua conservação.” – Bala Blauth e Ita Kirsch

Revoada de pássaros em Cananeia, São Paulo - Foto: Bala Blauth

Árvore na maré alta, Ilha de Marajó, Pará - Foto: Bala Blauth

Caranguejo vermelho, Fernando de Noronha, Pernambuco – Foto: Bala Blauth

Catador de caranguejo na vazante, Bragança, Pará - Foto: Bala Blauth

Bolacha-do-mar, Ilha do Mel, Paraná, Foto: Bala Blauth

Filhos de pescadores na Barra de Mundaú, Ceará - Foto: Bala Blauth

Lençóis Maranhenses - Maranhão - Foto: Bala Blauth

Menino na Barra do Mundaú, Ceará - Foto: Bala Blauth

Menino nativo brincando em Porto da Ilha de Superagui, Paraná - Foto: Bala Blauth

Nativo entregando barro para artesanato de cerâmica em Belmonte, Bahia – Foto: Bala Blauth

Pescadores na Barra de Sucatinga, Ceará -Foto: Bala Blauth

Praia dos Concheiros, Chuí, Rio Grande do Sul - Foto: Bala Blauth

Prainha do Pontal do Atalaia, Rio de Janeiro - Foto: Bala Blauth

Título do livro: COSTA DO BRASIL

Assunto: Fotografia

Autores: Ita Kirsch e Bala Blauth

Textos: Eduardo Bueno, com introdução de Arno Kayser

Design: Ana Adams

Editora: Ita Kirsch

Valor de capa: R$ 80,00

Contatos : (51) 3593-2208 / (51) 99895588 / (51) 93871740

www.itakirsch.com.br

http://www.facebook.com/CostaDoBrasil

E-mail: bala@fotoita.com.br ou ita@fotoita.com.br

Lentes voltadas para o Pantanal mato-grossense

por Izan Petterle em 8 de fevereiro de 2013

Dormitório de pássaros

Em uma de minhas viagens ao Pantanal, conheci o fotógrafo Mike Bueno. Ele mora em Cuiabá, é dentista, doutor em Radiologia e empresário do setor. Apesar de aparentemente serem coisas totalmente sem ligação entre si, ele é, literalmente, um especialista em imagens. Sua paixão pela natureza e pela fotografia, aliada à determinação no domínio da técnica, resultou em um acervo extraordinário de fotos do Pantanal mato-grossense, com mais de 250 mil imagens, alimentado ao longo de 18 anos em mais de 130 viagens a esse extraordinário ecossistema.

“Ao ‘descobrir’ que a fotografia me entusiasmava, comecei a viajar por diversos países da América em busca de motivos e paisagens para capturar. Quando conheci o Pantanal, em 1994, percebi que eu não precisava de cenários longínquos em outros países… Pois o meu lugar era aqui. No início desse trabalho eu andava pela Transpantaneira e fotografava plantas, pássaros e animais – eu de um lado, e eles do outro. Aos poucos senti que não era assim que deveria ser, pois eu tinha que estar do mesmo lado, integrado a esse ambiente maravilhosamente sedutor. Fui conduzido ao caminho da percepção mais sutil. Tomado por esse desejo de ‘comunhão’ com as aves, com os animais e seus ambientes, passei a sentir essa explosão de vida selvagem à flor-da-pele.

Na fotografia de natureza percebemos nas expressões corporais dos animais que a aproximação causa uma certa tensão. Geralmente as melhores fotos acontecem quando conseguimos nos integrar com a natureza, sendo aceito por ela ao ponto de fazer parte do meio. Percebo que dessa forma os animais compreendem as nossas intenções e podem nos aceitar ou não.

Lembro-me de um dia em que me aproximei de uma família de bugios. Inicialmente ocorreu uma certa tensão. Persisti, de forma respeitosa, e depois de umas quatro horas eles foram me aceitando e retomaram o seu comportamento natural. Um filhote olhava a mãe com uma expressão indescritível de profunda admiração… Seus olhos brilhavam! A mãe retribuiu com um demorado beijo na testa…

Das mais de 130 viagens que fiz para o Pantanal, nenhuma foi repetitiva. Sempre houve algo novo! Quando acordo de madrugada, em Cuiabá, para ir para o Pantanal, fico pensando qual será a surpresa da viagem. Provavelmente as melhores fotos virão de um motivo ou acontecimento que não consigo imaginar, por mais que me esforce para descobrir. A expectativa e esses sentimentos é que me levam para o Pantanal. A surpresa que sei estar reservada para mim muitas vezes chega a ser absurda, de tão grande – daquelas de ficar sem fala, de ‘cair de costas’! Tenho muita sorte de fazer parte deste meio e sei que estou no melhor lugar do mundo.” – Mike Bueno

Grupo de talha-mar - Foto: Mike Bueno

Vitória régia e a Serra do Amolar - Foto: Mike Bueno

Martim pescador - Foto: Mike Bueno

Garça branca disputando espaço - Foto: Mike Bueno

Florada de ipê rosa - Foto: Mike Bueno

Jaçanã protegendo do filhote - Foto: Mike Bueno

Cervos e jacarés - Foto: Mike Bueno

Garça moura capturando peixe - Foto: Mike Bueno

Onça capturando jacaré - Foto: Mike Bueno

Pose de jacaré ao nascer do sol - Foto: Mike Bueno

Florada de ipê amarelo - Foto: Mike Bueno

Cobra sucuri - Foto: Mike Bueno

Dança dos mascarados de Poconé - Foto: Mike Bueno

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