Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888 | Saiba mais »

Izan Petterle

t

Cuba e Bolívia: Ruta del Che Guevara

por Izan Petterle em 9 de maio de 2012

Ruas de Vallegrande

Publiquei, em 2009, um post a respeito da viagem que fiz a Cuba em busca dos rastros da passagem de Che Guevara, durante a revolução cubana, pela ilha. Estive recentemente na Bolívia com o mesmo objetivo, o de documentar uma das últimas grandes aventuras de um líder revolucionário, talvez o último de uma linhagem de guerreiros que entraram para a história como mitos da luta pela liberdade.

Na primeira fase dessa viagem, fotografei nas localidades de Samaipata, onde Che obteve sua primeira e única vitória militar, e Vallegrande, onde seu corpo foi exposto na lavanderia do Hospital Señor de Malta. Pretendo voltar no mês de junho para dar continuidade a esse projeto editorial.

Nessa oportunidade, levarei comigo um pequeno grupo de no máximo quatro pessoas e ministrarei um workshop avançado de fotografia. Ainda estou sem data definida, mas será na segunda quinzena. Os interessados devem entrar em contato comigo.

Essa será, sem dúvida, uma experiência extraordinária de aprendizado e vivência do estilo e conteúdo de fotografia documental intimista que desenvolvi para a NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, cujos guias de fotografia publicados no país tem a mim como consultor técnico.

Restaurante em Samaipata

Praça de Vallegrande

Mercado de Vallegrande

Lavanderia do Hospital Señor de Malta, em Vallegrande, onde expuseram o corpo de Che Guevara

Hotel em Santa Cruz onde Che se hospedou

 

Catedral de Santa Cruz de la Sierra

Bella Vista Samaipata

Zona rural de Vallegrande

Catedral de Vallegrande

Entrevista com o fotógrafo argentino Alejandro Kirchuk

por Izan Petterle em 17 de abril de 2012

O post de hoje é de autoria de Lucas Ninno, fotógrafo e estudante de jornalismo da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) em Cuiabá. Ele entrevista o fotógrafo argentino Alejandro Kirchuk, único sul-americano premiado no World Press Photo 2011.

Alejandro Kirchuk em autorretrato

Por Lucas Ninno

Ouvi falar de Alejandro Kirchuk pela primeira vez em 2011, quando participei do concurso Pictures of The Year América Latina – que o Izan divulgou aqui no blog. Alejandro abocanhou, merecidamente, a primeira colocação na categoria Esportes. Eu fiquei em segundo. Qual foi a minha surpresa quando reconheci seu nome entre os premiados de outro concurso, o World Press Photo 2011, considerado o “Oscar da fotografia”. Peguei o contato de Alejandro para desejar parabéns e aproveitei para conversar sobre a carreira de fotojornalista, as premiações e o cenário atual da fotografia latino-americana. O resultado desse papo é a entrevista a seguir.

Ninno: Como começou sua história com a fotografia? O que te levou a seguir essa carreira? 

Kirchuk: A fotografia chegou na minha vida por acidente, sem querer. Eu era jogador de futebol, saí do clube onde jogava quando tinha 18 anos e comecei estudar medicina. Tive uns meses livres antes de começar a faculdade e decidi fazer um curso de fotografia. Descobri instantaneamente que queria me dedicar a isso, abandonei a medicina e comecei a estudar fotografia de forma muito séria. Logo me orientei para o fotojornalismo. Foi a primeira coisa que me cativou.

Você é um fotojornalista jovem [de 24 anos] que já acumula premiações importantes. Em um mundo cheio de imagens digitais ao alcance de todos, como você consegue dar destaque ao seu trabalho?

Acho que não é preciso se assustar pensando na enorme quantidade de imagens que temos ao redor, porque isso gera uma espécie de vertigem. Penso que o mais importante a conquistar, para alguém que trabalha como profissional, é uma certa coerência no trabalho pessoal. Acreditar no que está fazendo, trabalhar com objetivos e sem perder o eixo. As premiações são circunstanciais e nunca devem ser o objetivo do trabalho. O que a pessoa precisa é ter objetivos pessoais profundos com a profissão e a vocação. Acredito que talvez meu trabalho se destaque pela coerência entre os temas e, sobretudo, pela coerência na forma com que são trabalhados.

Conte um pouco sobre os bastidores de seu ensaio premiado no World Press Photo, “Never Let You Go”. Quem eram estas pessoas? Como você as conheceu? Quanto tempo passou com eles e como era essa convivência?

“Never Let You Go” [em espanhol o título original é "La Noche que me Quieras"] é um projeto no qual trabalhei por mais de três anos. Os protagonistas da história são Marcos e Mônica, um casal de idosos, que também são meus avós. Ela sofreu do Mal de Alzheimer e ele dedicou a sua vida a cuidar dela. Eu documentei o passar do tempo dentro desse universo pessoal que era o apartamento deles, e a câmera se converteu em um elemento que me permitiu acesso a momentos íntimos, distintos e especiais que de outra forma eu nunca teria presenciado. No final das contas, isso acaba sendo mais importante que as próprias fotografias. Na minha opinião, as fotos são uma desculpa para viver momentos que, de outra forma, eu não viveria.

Algumas de suas fotografias premiadas foram feitas com uma câmera Canon Rebel XT, que muitos não consideram um equipamento profissional. Em uma boa foto, quanto é mérito do equipamento e quanto é mérito do fotógrafo?

Penso que o equipamento é importante, mas não é o coração da profissão. Acredito que o mais importante de tudo é ter algo a dizer, uma posição clara frente às coisas, desejo de contar algo. Logo o equipamento se adapta a isso – e ter um bom equipamento pode te ajudar muito, mas somente uma vez que você tem algo a dizer, senão, não há equipamento que possa ajudar.

Como você vê a produção fotográfica latino-americana? Quanto já fizemos e quanto nos falta fazer?

Na América Latina tive a oportunidade de conhecer muitos colegas e ver muitos trabalhos interessantes. Da mesma forma que está acontecendo politicamente na região, devemos fortalecer as redes e as vias de comunicação. Aos poucos, nos tornar independentes dos suportes de difusão da fotografia documental, que continuam sendo dos países mais desenvolvidos, e criar alternativas próprias e fortes na América do Sul. No Brasil já existem alguns festivais muito importantes e seria maravilhoso que isso fosse se multiplicando na América Latina. Sou bastante otimista com a fotografia latino-americana.

Qual o maior conselho que se pode dar a alguém que deseja seguir a carreira de fotógrafo?

Não escutar conselhos demais, mas ouvir atentamente aqueles que vêm de pessoas nas quais você acredita. E não se preocupar muito pelo que estão ou não fazendo os outros com suas fotografias, se estão fotografando temas parecidos ou se você vê milhares de fotos de milhares de temas.

Abaixo, imagens do ensaio ”Never Let You Go”, premiado no World Press Photo 2011:

Fotos: Alejandro Kirchuk

Samaipata me mostrou o céu mais lindo que já vi

por Izan Petterle em 13 de abril de 2012

Já estou de volta ao Brasil. Aproveito essa semana para dar continuidade a meu relato da viagem a Samaipata, na Bolívia. Um dos lugares marcantes em que estive foi o Refúgio Los Volcanes, onde encontrei paisagem, natureza e hospitalidade ímpares.

É um dos cenários mais impressionantes que conheci. No limite sul do Parque Nacional Amboró, escondido em um vale profundo, o Refúgio Los Volcanes oferece vistas panorâmicas únicas da majestosa cadeia de formações vulcânicas de arenito e dos bosques tropicais que circundam a área. Há inúmeras oportunidades para observar plantas e animais no seu habitat natural; é um paraíso para observadores de pássaros. Lá estão registradas mais de 200 espécies de aves e, no campo da Botânica, foram identificadas mais de 100 espécies de  orquídeas e bromélias.

Visitei esse maravilhoso ecolodge em companhia do fotógrafo boliviano Walter Guzman Ferrel, responsável pela administração do estabelecimento, uma das principais atrações ecoturísticas de Samaipata. Enquanto estive lá, vi europeus encantados com tamanha riqueza de atrações naturais e paisagísticas. Uma das coisas que mais me impressionou foi observar o céu estrelado emoldurado pela Via Láctea. Não me recordo de ter visto uma cena de tamanho impacto. A sensação foi a de estar em um planetário vivo, foi como ter batido nas portas do céu.

Samaipata, na Bolívia: um encontro nas alturas

por Izan Petterle em 29 de março de 2012

Praça de Mairana - Fotos: Izan Petterle

Depois de participar da Feira Internacional de Turismo de Santa Cruz, FIT (www.fitbolivia.com), onde fui para descobrir novos destinos, encontrar pessoas e fazer contatos, parti em busca de novos cenários para meu trabalho fotográfico. Já sabia da existência de Samaipata, cidade onde estou há quase uma semana, um lugar de vales e selva de altitude, formadoras de bosques de samambaias gigantescas como grandes árvores, são aqui chamados de helechos gigantes. Está localizada no oriente da Bolívia, a 1700 metros de altitude e 120 quilômetros de distância de Santa Cruz de la Sierra. É um centro de atração para arqueólogos, historiadores, turistas e muitos estrangeiros que aqui vem morar.

Há mais de 1000 anos estavam aqui os chanés, até que em 1500 d. C. a região é dominada pelo império Inca. Desde os anos 50, Samaipata é um ponto de encontro para diversas etnias bolivianas, populações andinas e das terras baixas bolivianas, os chamados collas e cambas, que vem para essa região em busca de melhores condições de vida das terras férteis dos vales que aqui existem. O nome original Sabaypata, de acordo com o livro Tras tus Huellas, do autor samaipateño César Leonardo Herrera Garcia, foi dado pelos incas e significa “descanso nas alturas”, “lugar de encontro” e “Deus eterno”.

Aqui está localizado um dos mais singulares Patrimônios da Humanidade da Unesco, o Forte de Samaipata, um maciço monolítico de rocha negra que foi esculpido originalmente pela civilização chané. Depois incas e espanhóis fizeram suas construções sobre essa magnífica pedra de dimensões espetaculares.

Do alto dessas montanhas se tem uma vista estonteante dos contrafortes e picos andinos que circundam esse magnífico sítio arqueológico que, além de ter sido uma fortaleza para todas as civilizações que aqui se estabeleceram é também um importante centro cerimonial das culturas andinas que aqui viveram. Como sempre, por conta do estilo de fotografia que desenvolvo, vim em busca, além das questões paisagísticas e ambientais, dos aspectos humanísticos dessa encantadora região.

Uma das coisas mais importantes na vida é fazer novos amigos, aqui hospedados no magnífico hotel El Pueblito(www.elpueblitoresort.com), construído em forma e estilo de uma antiga villa colonial espanhola. Conheci os proprietários, um adorável casal, Sandra Serrate e Giovanni Guidetti. Graças a eles, Samaipata me foi apresentada de uma maneira muito original e profunda. Fui em busca de pequenas comunidades rurais que existem no interior do município, onde encontrei um estilo de vida muito preservado e antigo, essa é a melhor matéria prima para fotografia que desenvolvo. Recomendo a todos os viajantes de plantão que conheçam esse pequeno tesouro do planeta, essa é um localidade que emana uma energia telúrica, que vem da terra, muito forte.

Os esotéricos e místicos, que aqui vem morar em grande número, acreditam que esse seja um dos lugares que vai sobreviver ao fim dos tempos. Eu, por outro lado, quero estar no olho do furacão, pois o mundo sem a civilização como a conhecemos, para mim, será um lugar muito tedioso…

Na semana que vem continuo com mais um post a respeito de Samaipata, cenário de meus próximos workshops, aguardem!

Vendedora de sorvete em Mairana

Turista de Santa Cruz pela primeira vez no forte

Ruas de Samaipata

Pastora Colla no Parque Amboró

Mairana

Fortaleza de Samaipata

Feira de rua de Samaipata

 

Treinando o olhar no quintal de casa

por Izan Petterle em 9 de março de 2012

Sempre ressalto a necessidade de treino do olhar, especialmente antes de trabalhos fotográficos importantes. Acredito que uma boa maneira de fazer isso é no próprio lugar de moradia e seus arredores.

Dizem que soldadores, antes de algum trabalho que requeira uma alta qualidade e precisão, queimam antes muitas varetas de solda para treinar a mão. Penso que em fotografia seja a mesma coisa. Estou em um período de intervalo de viagens, semana que vem saio novamente em campo, enquanto isso “vou queimando minhas varetas de solda”…

As fotos que apresento hoje foram feitas nesta semana, com uma Fuji X100 usada que comprei na Angel Foto. Opteu pelo ISO 3600 e pela luz ambiente da lua cheia. São fotos feitas em casa, sem compromisso, com um espírito livre e vontade de experimentar novas formas de linguagem.

Categorias

São Carlos, capital nacional da tecnologia

por Izan Petterle em 9 de fevereiro de 2012

Terapia Fotodinâmica USP IFSC

Terapia Fotodinâmica no Instituto de Física de São Carlos, da USP

Apresento a segunda etapa das viagens que fiz ao interior de São Paulo em busca de cidades que considero modelo de desenvolvimento. São Carlos, conhecida como a Atenas Paulista, é um dos lugares mais extraordinários que visitei.

Devido ao alto grau tecnológico das pesquisas desenvolvidas pela Universidade de São Paulo (USP), pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pelos demais centros aqui instalados, em 2011, a presidenta Dilma Roussef outorgou à cidade o título de Capital Nacional da Tecnologia.

Enquanto a média brasileira é de 1 doutor para cada 5.423 habitantes, em São Carlos é de 1 para 180. É a cidade do conhecimento. Nas universidades locais, 39 cursos de graduação e 70% dos programas de pós-graduação locais são da área de ciências exatas. 200 empresas da cidade são consideradas de alta tecnologia, em setores como ótica, novos materiais e instrumentação.

É um lugar diferente, os motivos são vários, mas acredito que grande parte dessa evolução provenha do fato que duas das principais universidades do país tenham escolhido São Carlos para estabelecer centros de ensino que são referências nacionais e internacionais de educação.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) possui um corpo docente com alto grau de qualificação: 99,9% são doutores ou mestres. Em sua maioria, os professores desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão em regime de dedicação exclusiva. A alta produtividade científica é marca da UFSCar, o que se expressa tanto na produção docente como na pós-graduação. Apenas em 2007, foram defendidas mais de 6 mil teses, dissertações e monografias de iniciação científica na universidade. A despeito de seu tamanho pequeno em relação às outras grandes universidades brasileiras, esta produção científica a coloca como a oitava maior produtora de ciência do país.

A Universidade de São Paulo (USP) , a maior universidade pública brasileira – e uma das mais prestigiadas do país – tem em São Carlos dois campi. Um dos lugares que visitei foi a biblioteca universitária, onde existem mais de 111mil livros, 41,3 mil periódicos e 9.500 teses, além de inúmeros materiais especiais de audiovisual e multimídia, este acervo é das bibliotecas instaladas no Campus da USP-São Carlos. Existe na USP ainda uma Biblioteca Digital, onde Teses e Dissertações podem ser consultadas e até baixadas por pesquisadores e demais interessados do mundo inteiro.

Um exemplo do avanço da inovação tecnológica, entre muitos outros, é o relógio atômico, o primeiro desenvolvido na América Latina, que existe no Instituo de Física da USP. É o mais preciso do mundo, só vai atrasar 1 segundo em 3 bilhões de anos. O relógio atômico de São Carlos colocou o Brasil em um exclusivo grupo de meia dúzia de países que domina essa tecnologia. A precisão dos relógios atômicos está presente no nosso dia-a-dia e é essencial para o funcionamento de quase tudo que necessitamos diariamente, da hora do celular ao posicionamento de GPS.

O físico Vanderlei Bagnato do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (Cepof) do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) foi responsável pelo projeto do relógio atômico da USP que teve início em 1996, o grupo de pesquisadores do Cepof está trabalhando para inovar mais uma vez, existe um projeto ambicioso de desenvolver um relógio atômico compacto, inédito no mundo, o relógio atômico convencional ocupa uma sala toda, a idéia fazer um que terá o tamanho de um celular.

Uma outra coisa que me deixou entusiasmado por aqui foi saber que a cidade, há dois mandatos, tem prefeitos que foram reitores da UFSCar. O conhecimento e a educação em patamares avançados, disseminados por nosso país, são única maneira que conheço para superarmos o atraso crônico ao qual fomos, como nação, submetidos durante séculos de colonialismo e exploração econômica. Que existam outras São Carlos espalhadas de norte a sul do Brasil!

Pesquisa com laser no Instituto de Física de São Carlos, da USP

Pesquisa com laser no Instituto de Física de São Carlos, da USP

Pesquisa com laser no Instituto de Física de São Carlos, da USP

Pesquisa com laser no Instituto de Física de São Carlos, da USP

Microscópio eletrônico da Universidade Federal de São Carlos (UFScar)

Microscópio eletrônico da Universidade Federal de São Carlos (UFScar)

Terapia fotodinâmica do Grupo Ótica do Instituto de Física de São Carlos, da USP

Terapia fotodinâmica do Grupo Ótica do Instituto de Física de São Carlos, da USP

superfície de aço ampliada 1,8 milhão de vezes

superfície de aço ampliada 1,8 milhão de vezes

Relógio atômico da USP

Relógio atômico da USP

Visor especial permite acompanhar atividade atômica dentro do relógio na USP

Visor especial permite acompanhar atividade atômica dentro do relógio na USP

 

Categorias

Piracicaba e sua tradição canavieira

por Izan Petterle em 26 de janeiro de 2012

Rio Piracicaba - Fotos: Izan Petterle

Logo após chegar à cidade, em um dia tempestuoso no auge da época das chuvas, deparei-me com o Rio Piracicaba jogando água para fora. Foi quase uma sensação sonora. Imediatamente, lembrei-me da música “Rio de Lágrimas”, imortalizada nas vozes e violas de Tião Carreiro e Pardinho:

O rio de Piracicaba 
Vai jogar água pra fora
Quando chegar a água
Dos olhos de alguém que chora
Mas quando chegar a água
Dos olhos de alguém que chora

(Veja aqui a versão rock/caipira de Rio de Lágrimas)

Piracicaba carrega 244 anos de história para contar, está localizada à beira de um rio, maior afluente do Tietê em volume de águas, que corta a cidade ao meio.

A principal fonte de renda é a economia sucroenergética, a cidade cresceu e se desenvolveu cercada por plantações de cana-de-açúcar. O município é grande em vários sentidos, um dos maiores do estado em extensão territorial, são 1.400 quilômetros quadrados de área, possui 40 mil hectares de cana-de-açúcar colhida, 3,2 milhões de toneladas produzidas e 0,7% de participação no total da produção nacional. É a sétima cidade produtora de cana-de-açúcar do Brasil segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em tempos passados, a vinhaça, o principal resíduo da indústria da cana – uma mistura de água com matéria orgânica e sais que era despejada nos rios – com o uso de novas tecnologias, passou a ser usada como adubo para a própria lavoura.

Outro aspecto que apresenta uma melhora gradativa, é a queima da cana, motivo de vários problemas ambientais e de saúde pública. Essa já não é considerada mais uma boa prática, inclusive do ponto de vista econômico, a palha vem sendo usada para a geração de energia, o que vem reduzindo o problema causado pelas queimadas.

Existe toda uma economia que gira em torno dessa cadeia produtiva, que vai do produtor de cana ao setor industrial. Nos últimos 50 anos, Piracicaba vem se consolidando como o maior centro produtor de máquinas e equipamentos para o setor do açúcar e do álcool latino-americano. As indústrias de Piracicaba fornecem para o Brasil e vários lugares do mundo usinas de açúcar e destilarias de álcool totalmente prontas. A cidade conta com um núcleo de estudos e pesquisas invejável, entre elas a famosa Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), referência internacional em excelência de estudos e pesquisas em agricultura.

Um extraordinário lugar que visitei, em termos de desenvolvimento de biotecnologia, foi o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma entidade privada que atua há mais de 40 anos no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o setor canavieiro. Nos laboratórios, altamente sofisticados são utilizados marcadores moleculares, pesquisam-se sequências gênicas que buscam identificar características de comportamento associadas a uma determinada faixa de DNA, prática que tem sido cada vez maior em vários ramos da genética humana, animal e vegetal. Seus laboratórios foram atualizados com a aquisição de equipamentos de última geração para pesquisa em marcadores moleculares, equipamento único na América Latina, isso tudo aliado a uma brilhante equipe de pesquisadores brasileiros que trabalham no centro.

Dentro da perspectiva proposta para esse trabalho estou fazendo pelas cidades do interior paulista, Piracicaba, em minha opinião, destaca-se como um lugar especial. Aqui, à beira desse lindo rio, aparece uma cidade com uma vocação claramente progressista e preocupada em preservar os ricos recursos naturais da região.

Jet ski no Rio Piracicaba

Jet ski no Rio Piracicaba

Avenida Beira Rio

Avenida Beira Rio, em Piracicaba

Trabalhadora com equipamento de proteção individual

Trabalhadora com equipamento de proteção individual

Trabalhadoras da cana

Trabalhadoras da cana

Vista de Piracicaba

Vista de Piracicaba

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

Dedini Indústrias de Base

Dedini Indústrias de Base

Dedini Indústrias de Base

Dedini Indústrias de Base

Dedini Indústrias de Base

Dedini Indústrias de Base

CTC – Centro de Tecnologia Canavieira

CTC – Centro de Tecnologia Canavieira

CTC

CTC

Produção de mudas no CTC

Produção de mudas no CTC

Piracicaba

Piracicaba

Sorocaba, cidade onde passado e futuro se encontram

por Izan Petterle em 18 de janeiro de 2012

Vista da cidade de Sorocaba - Fotos: Izan Petterle

Na continuidade do projeto de fotografar cidades do interior de São Paulo que considero modelo de desenvolvimento, estive, na semana passada, em uma das cidades mais bonitas que visitei. Situada sob o trópico de Capricórnio, Sorocaba é uma cidade com cerca de 600 mil habitantes, com grande tradição industrial e com uma localização privilegiada próxima de grandes centros como São Paulo e Campinas.

Sua economia tem na indústria metal-mecânica o seu carro-chefe, aqui, em 1857, foi construída uma das primeiras siderúrgicas do Brasil. A cidade está em fase de expansão economicamente importante, registra em média, a abertura de cerca de 500 novas empresas todos os meses.

Um aspecto visível é a sua boa condição de vida, onde encontrei um meio ambiente urbano saudável em fase de recuperação avançada. Fotografei pessoas pescando e aves aquáticas silvestres no rio Sorocaba ao lado das inúmeras ciclovias que atravessam a cidade, um dos aspectos que mais me impressionaram quando cheguei aqui.

Outra coisa que me impressionou muito foi saber que Sorocaba talvez seja uma das poucas cidades brasileiras onde existe um plano de desenvolvimento cicloviário que faz parte do projeto oficial de mobilidade urbana. A cidade conta com 80 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, a meta é chegar aos 100 quilômetros até o final de 2012. Hoje é possível cruzar a cidade sem sair das pistas especiais, pintadas de vermelho e sinalizadas.

A inclusão digital também é um dos pontos fortes da cidade: Sorocaba mantém 30 unidades do programa Sabe Tudo, que promove acesso à internet banda larga gratuita e atua na formação de jovens e adultos com cursos de informática e cidadania. A cidade conta com a implantação e manutenção de outra rede de comunicação, operada por pontos de acesso livre à internet via conexão sem fio, instalada em sete regiões da cidade definidas pela intensa movimentação de pessoas.

Também me chamaram atenção as iniciativas na área de reciclagem. Visitei dois centros importantes, um de lixo doméstico, organizado por quatro cooperativas que contam com 110 catadores e comercializam juntas uma média de 330 toneladas por mês de material reciclável. A Prefeitura coloca à disposição das cooperativas prensas, caminhões, bags, elevador de fardos, geladeira, fogão, computadores, impressoras, uniformes, equipamento de proteção individual. A outra, no mesmo esquema de parceria, foi o Núcleo Ambiental de Resíduos Eletroeletrônicos, onde  material eletroeletrônico recolhido na cidade é encaminhado para a reciclagem. Como cidadão fiquei orgulhoso de ver que é possível dar uma solução concreta para um dos problemas que mais me preocupam, o destino que será dado para o lixo que produzimos.

Meu objetivo neste trabalho é o de mostrar os aspectos positivos das cidades que escolhi para fotografar, independente do partido político que esteja atualmente no poder. Acredito que, depois de alcançado esse grau de desenvolvimento, esses são projetos que pertencem à população de todas essas cidades. Quero muito ver em minha geração um novo país, livre da pobreza, da poluição e das práticas arcaicas da política tupiniquim, mas, principalmente, dos atrasos sócio-econômico e cultural que sempre assolaram a nação brasileira.

Ciclovia em Sorocaba

Centro de Sorocaba

Ciclovia e Rio Sorocaba

Ciclovia em bairro popular de Sorocaba

Centro de inclusão digital em Sorocaba

Fábrica de retoescavadeiras JCB

Fábrica de retoescavadeiras JCB

Núcleo Ambiental de Resíduos Eletroeletrônicos

Núcleo Ambiental de Resíduos Eletroeletrônicos

Núcleo Ambiental de Resíduos Eletroeletrônicos

Usina de reciclagem

Pescadores em Sorocaba

Rio Sorocaba, parte urbana

 

Um novo amanhecer em Jundiaí

por Izan Petterle em 10 de janeiro de 2012

Agricultor exibe uvas colhidas para a Adega Maziero

O sonho de um Brasil moderno, desenvolvido, diferente do país arcaico que parecia condenado ao subdesenvolvimento e a miséria eterna pode se tornar realidade? Os sinais desta mudança parecem ter começado a aparecer de forma mais visível no interior de interior de São Paulo.

Poder registrar esse momento é fascinante. Para começar este ensaio fotográfico, decidi seguir o antigo caminho dos viajantes que se aventuravam pelo sertão e começavam sua jornada a partir de Jundiaí, hoje uma cidade surpreendente por sua economia e qualidade de vida, a cerca de meia hora de São Paulo.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a cidade é a quinta com melhor qualidade de vida do Brasil, o 15° município mais seguro do País, o quinto mais seguro de São Paulo e é um dos primeiros em saneamento básico, conforme o Instituto Trata Brasil, entre as cidades acima de 300 000 habitantes.

Nessa faixa, é a cidade com a maior renda per capita do País, a não ser por Vitória e está próxima de ser uma das poucas cidades brasileiras do seu porte sem favelas. Fotografei alguns interessantes projetos de erradicação desse tipo de ocupação urbana, via construção de prédios de apartamentos de moradia popular. Uma das coisas que me impressionaram em Jundiaí é a sensação de bem-estar proporcionado pela rica natureza que envolve a região. A paisagem mais marcante da cidade é a Serra do Japi, uma das únicas grandes áreas de Mata Atlântica nativa contínua no estado de São Paulo e que está hoje, segundo informa a Secretaria do Meio Ambiente, mais preservada do que há 15 anos.  Visitei também alguns exemplos muito significativos de investimentos na área de tecnologia e conhecimento, a TAM mantém na cidade um dos maiores hangares do mundo destinados a manutenção de aeronaves executivas. Também estive na Itautec onde se fabricam computadores, caixas eletrônicos bancários e onde existe um programa exemplar de reciclagem de computadores velhos que entram na negociação de novos equipamentos. A Foxxcom já está começando a produzir, na cidade, tablets, os primeiros da Apple produzidos fora da China. É perceptível a excelente qualidade de vida que reina na cidade, uma das atrações urbanas naturais de Jundiaí é o Parque da Cidade, aprazível local onde a população faz caminhadas, anda de bicicleta e usufrui de uma bela estrutura de lazer.

As fotografias têm um caráter provocador, durante esse trabalho, defronto-me com sentimentos ambíguos, ao mesmo tempo em que fico feliz e realizado como cidadão em ver um País que dá certo, por outro lado, tenho a noção do abismo que separa essas cidades progressistas de outros lugares, a maioria do país, onde o atraso, a falta de acesso à saúde, educação e renda é o tom da maior parte das administrações públicas ineficazes que assolam nossa terra tupiniquim. Deixo aqui um registro, que, embora pequeno, pode colaborar na construção de um país mais justo, menos desigual, com crescimento econômico e melhoria de vida das pessoas mais desfavorecidas.

Garoto solta pipa próximo aos prédios do projeto de erradicação de favela, em Jundiaí

Tráfego intenso na Rodovia Bandeirantes

O Parque da Cidade é uma das atrações naturais de Jundiaí

A cidade de Jundiaí vista da Serra do Japi

Itautec

Fábrica da Itautec

Jundiaí abriga um dos maiores hangares do mundo destinados a manutenção de aeronaves executivas

 

Categorias
Tags

Hora de reverenciar nossos antepassados

por Izan Petterle em 28 de dezembro de 2011
Meu pai, major Izan Petterle

Meu pai, major Izan Petterle

O post de hoje é uma reverência que faço ao meus antepassados que fotografei e que já se foram desse universo. Existe uma frase em latim que foi encontrada em uma sepultura romana que diz: “Fuimos quod estis. Sumus quod eritis”. Ela tem o seguinte significado:” O que somos nós, vós sereis. O que você é, nós já fomos”.

Nesse ano que se finda, deixo aqui minha mensagem de respeito e gratidão aos meus ancestrais. As fotos que aqui apresento são do início do meu despertar para o mundo da fotografia. Hoje sei que fotos são uma poderosa ferramenta de preservação da memória, ao ver essas imagens, sinto que essas pessoas queridas estão presentes eternamente em meus pensamentos, enquanto eu viver, elas viverão comigo. Mas talvez mesmo quando se trata desses assuntos metafísicos fora do alcance da minha compreensão, o melhor seja escutar o mestre dos mestres, um certo João, sábio mineiro nascido nos grandes sertões e veredas de Cordisburgo:

 

 Já não preciso de rir.

Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim…

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força de dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado…

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo…

João Guimarães Rosa

Meu avô materno, Rivadávia Rodrigues

Meu avô materno, Rivadávia Rodrigues

Meu avô paterno, Hyrio Petterle

Meu avô paterno, Hyrio Petterle

Meu bisavô materno, Jangota Pereira

Meu bisavô materno, Jangota Pereira

Minha avó materna, Horizontina Rodrigues

Minha avó materna, Horizontina Rodrigues