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João Marcos Rosa

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Projeto Moradores retrata a vida de anônimos de cidades históricas brasileiras

por João Marcos Rosa em 6 de agosto de 2013
Exposição do Projeto Moradores na Praça Tiradentes em Ouro Preto (MG) - Foto: Rogério Sol

Exposição do Projeto Moradores na Praça Tiradentes em Ouro Preto (MG) – Foto: Rogério Sol

A paisagem era minha velha conhecida. Já havia descido aquela ladeira e me deparado com a o casario centenas de vezes. Mas este último fim de tarde foi diferente. Destacados na principal praça de Ouro Preto estavam imensos retratos de seus moradores, os anônimos que realmente fazem da cidade o que ela é.

Idealizado pelos meus sócios na Nitro Imagens, Marcus Desimoni, Bruno Magalhães e Gustavo Nolasco e também por Alexandre Baxter da Alicate, o Projeto Moradores mostra, desde sua primeira edição em Tiradentes no ano passado, do que são feitas algumas cidades históricas brasileiras.

O projeto começa com a montagem de uma tenda branca em uma praça da cidade e um convite aos moradores para serem fotografados e contarem suas histórias naquele lugar. Os depoimentos e retratos, de figuras que até então passavam desapercebidas , são apresentados em praça pública para visitantes e transeuntes. Após a primeira noite do evento é montado um viral, onde todos os fotografados podem buscar o seu retrato.

O Moradores, como já é carinhosamente chamado, já passou por Parati, Juiz de Fora e São João Del Rei, além de Tiradentes e Ouro Preto. Seu próximo destino é Diamantina e os planos dos autores é percorrer todo o Brasil para mostrar que as cidades não são feitas apenas de tijolos e cimento.

Retrato de morador em Parati (RJ) - Foto: Nitro Imagens

Retrato de morador em Parati (RJ) – Foto: Nitro Imagens

Morador busca seu retrato no viral do Moradores - Foto:: Nitro Imagens

Morador busca seu retrato no viral do Moradores – Foto:: Nitro Imagens

Em Parati (RJ) a exposição aconteceu nas embarcações de turismo e pesca - Foto: Nitro Imagens

Em Parati (RJ) a exposição aconteceu nas embarcações de turismo e pesca – Foto: Nitro Imagens

A tenda branca armada em Juiz de Fora (MG) - Foto: Nitro Imagens

A tenda branca armada em Juiz de Fora (MG) – Foto: Nitro Imagens

Retrato de morador em Parati (RJ) - Foto: Nitro Imagens

Retrato de morador em Parati (RJ) – Foto: Nitro Imagens

Os retratos de Tiradentes (MG)  foram expostos nas charretes da cidade - Foto: Nitro Imagens

Os retratos de Tiradentes (MG) foram expostos nas charretes da cidade – Foto: Nitro Imagens

Retrato de moradora em Tiradentes (MG) - Foto: Nitro Imagens

Retrato de moradora em Tiradentes (MG) – Foto: Nitro Imagens

Em São João Del Rei (MG) a exposição foi montada no canal do Rio das Mortes - Foto: Nitro Imagens

Em São João Del Rei (MG) a exposição foi montada no canal do Rio das Mortes – Foto: Nitro Imagens

Morador posa em frente ao seu retrato em São João Del Rei - Foto: Nitro Imagens

Morador posa em frente ao seu retrato em São João Del Rei – Foto: Nitro Imagens

Memórias do dossel

por João Marcos Rosa em 25 de junho de 2013
Vale o esforço para ter a vista do alto da Floresta Nacional de Carajás, no Pará

Vale o esforço para ter a vista do alto da Floresta Nacional de Carajás, Pará.

Semana passada, fui convidado pelo professor Sérvio Ribeiro, biólogo da Universidade Federal de Ouro Preto, para apresentar alguns trabalhos em uma reunião do Clube de Ciência, em Belo Horizonte. O projeto reúne pesquisadores da região para falar, em ambiente mais informal, de estudos a respeito do dossel, como é chamado o estrato superior da floresta tropical.

Acalorados em discussões sobre os protestos que acontecem pelo Brasil, lembramos do nosso primeiro encontro no parque estadual Rio Doce, leste de Minas Gerais. Na ocasião, Sérvio organizava um Curso de Pesquisa em Dossel e eu produzia uma reportagem para um jornal. Aproveitei que estava no parque e propus ao editor Ronaldo Ribeiro o que seria a minha primeira reportagem para a revista National Geographic Brasil.

Além das portas abertas para a publicação que sempre admirei, minha fotografia, a partir dessa viagem, teve seus horizontes renovados: o dossel, o topo das florestas.

Apesar do medo de altura que sempre me acompanhou, foi paixão à primeira vista. Literalmente. A partir do dia em que alcancei o topo de uma árvore, foram milhares de horas passadas naquele ambiente, em alturas que ultrapassaram os 50 metros. De lá, pude observar a beleza da floresta e suas espécies de  um ponto de vista especial.

Curioso para conhecer um pouco mais sobre o dossel? Confira as imagens abaixo e visite os links com reportagens dos fotógrafos de National Geographic Tim Laman (Aves-do-paraíso: paraíso encontrado) e Michael Nichols (As superárvores), produzidas também no alto das árvores.

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O escalador Olivier Jaudoin se aproxima de um ninho de harpia. Carajás, Pará.

 

O pesquisador Benjamin da Luz relaxa em sua rede na Mata Atlântica baiana

O pesquisador Benjamin da Luz relaxa em sua rede na Mata Atlântica baiana.

 

A coordenadora do Projeto Gavião Real, Tânia Sanaiotti. Carajás, Pará

A coordenadora do Projeto Gavião Real, Tânia Sanaiotti. Carajás, Pará.

 

Alexander Blanco, mede um ninho de harpia na Floresta Nacional de Imataca. Venezuela

Alexander Blanco, mede um ninho de harpia na Floresta Nacional de Imataca, Venezuela.

 

A primeira escalada. Parque Estadual do Rio Doce, Minas Gerais

A primeira escalada. Parque Estadual do Rio Doce, Minas Gerais.

 

A foto publicada na National Geographic Brasil, edição de março de 2004.

A foto publicada na National Geographic Brasil, edição de março de 2004.

 

Esse filhote de harpia foi uma das cenas mais impressionantes que vi lá em cima. Parintins, Amazonas

Esse filhote de harpia foi uma das cenas mais impressionantes que vi lá em cima. Parintins, Amazonas.

 

Alguns animais parecem não se importar com nossa presença, como esse bugio em Carajás, Pará

Alguns animais parecem não se importar com nossa presença, como esse bugio em Carajás, Pará.

 

Com o fotógrafo mexicano Patrício Robles Gil em Carajás, Pará.

Com o fotógrafo mexicano Patrício Robles Gil em Carajás, Pará.

 

O biólogo Marcus Canuto escalando uma castanheira. Carajás, Pará

O biólogo Marcus Canuto escalando uma castanheira. Carajás, Pará.

 

Tomando um cafezinho com meu amigo francês Olivier Jaudoin. Carajás, Pará.

Tomando um cafezinho com meu amigo francês Olivier Jaudoin. Carajás, Pará.

 

Com certeza vale a pena encarar o medo para ter essa visão. Carajás, Pará.

Com certeza vale a pena encarar o medo para ter essa visão. Carajás, Pará.

 

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Amor de mãe (Especial para o Dia das Mães)

por João Marcos Rosa em 10 de maio de 2013

Mãe tamanduá carregando seu filhote crescido. Serra da Canastra (MG)

Era início da década de 70 e morar no meio do mato não era bem o ideal daquele tempo. Mesmo sendo criada numa cidade em expansão como Belo Horizonte, minha mãe topou se mudar para aquele recanto em Nova Lima. Criou ali seus três filhos, dezenas de sobrinhos e as centenas de amigos dos mesmos, que insistiam em ficar desde a manhã até a hora do café da tarde, famoso por suas roscas.

Foi graças à força dela que ficamos por ali, convivendo com todo tipo de bicho, plantas e intempéries de uma casa no mato. Foi também graças à essa infância privilegiada que comecei a enxergar a beleza por trás dos detalhes da natureza.

Trinta e três anos depois, ainda me lembro bem dos meus primeiros contatos com sauás, raposas, tucanos e tamanduás. Desde aquele tempo já queria ficar mais tempo olhando para os animais. Depois ia contar que tinha visto isso e aquilo… e lá estava ela, sempre pronta para me escutar depois que voltava do riacho imundo, com dois bagres numa lata, querendo montar um aquário.

As coisas mudaram bastante desde aquela época. Hoje mostro pra ela as fotos e conto as histórias com muito mais detalhes. O que permaneceu foi a atenção que ela continua dando a mim e o amor incondicional que sinto por essa mulher.

Ficam essas imagens como minha homenagem àquelas que fazem de tudo por seus filhos. Parabéns a todas as mães pelo seu dia e em especial à minha querida Sônia.

Filhote de beija-flor pedindo comida para a mãe. Carajás (PA)

Filhote de anta nascido no Emilio Goeldi em Belém (PA)

Filhotes de mico-de-cabeça-branca nas costas da mãe. Colômbia

Jararaca-ilhoa com filhote nascido no Instituto Vital Brasil (RJ)

Ninho de tuiuiús. Poconé (MT)

Ariranha carrega seu filhote. Rio Cuiabá (MT)

Filhote de bugio escalando as costas da mãe. Poconé (MT)

Harpia e seu filhote de papo-cheio. Carajás (PA)

1980, Dona Sônia e eu em nossa antiga casa. Nova Lima (MG) - Foto: Eliana Gontijo

 

Arara-azul na Amazônia: a luta para salvar a espécie na maior floresta tropical do mundo

por João Marcos Rosa em 8 de abril de 2013

Casal de araras-azuis em palmeira na Floresta Nacional de Carajás, Pará

Desde o início da minha carreira, as imagens das araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal me causam fascínio. Depois de algum tempo de estrada, tive a oportunidade de conhecer a região e finalmente pude ver de perto essas belezas.

Passei a acompanhar as notícias do Projeto Arara Azul e presenciei o progresso da espécie a cada nova matéria publicada sobre o tema. As reportagens Céu mais azul – de autoria do fotógrafo Luciano Candisani, publicada na edição de agosto de 2005 de National Geographic Brasil – e Da beira da extinção aos céus do Pantanal – do biólogo Fábio Paschoal, autor do blog Curiosidade Animal, aqui no site da revista – são alguns exemplos.

Porém, em 2011, a surpresa foi ainda maior. Ao trabalhar na produção de fotos para um livro da fauna da Floresta Nacional de Carajás, no sudeste do Pará, me deparei com um bando de araras-azuis na Amazônia. Fiquei chocado com a cena!  Frederico Drumond, chefe da unidade, me contou que uma população daquela espécie ameaçada habitava a região. Os pesquisadores já haviam visitado a área e logo inciariam um estudo para saber porque aquelas aves se encontravam ali.

Algum tempo depois a bióloga Flávia Presti, da UNESP de Botucatu, coordenadora do Projeto Conservação das araras-azuis no Mosaico Carajas, entrou em contato comigo e me convidou para fazer parte da equipe que acompanharia a população na Amazônia. Aceitei na hora.

Após alguns meses foi assinado um convênio com a mineradora Vale, que financia o projeto, e enfim fomos para campo em março de 2013.

Documentar a espécie em um ambiente tão diferente do Pantanal e ver as araras-azuis construírem ninhos em castanheiras com 50 metros de altura ou fazerem voos rasantes em nosso barco em meio à floresta foi uma experiência incrível.

O projeto de pesquisa está apenas no começo e, com certeza, vai trazer novas informações dessas aves. Tenho certeza de que ações prioritárias para sua conservação na região serão definidas a partir das pesquisas que acabo de presenciar.

Cientistas procuram ninhos nas margens do Rio Itacaiúnas

A pesquisadora Talita Roberto apresenta o projeto em escola de Parauapebas, no Pará

Jogos sobre a espécie fazem parte do trabalho de educação ambiental do Projeto Conservação das araras-azuis no Mosaico Carajás

Uma imensa castanheira abriga um ninho de arara-azul

Ninho de araras-azuis em uma árvore conhecida como estopeira

Pesquisadores coletam sementes de faveira, possível alimento das araras

Casal de araras-azuis na região de Canaã dos Carajás, Pará

Ao anoitecer algumas araras se abrigaram nessa enorme árvore seca

 

O silêncio que antecede a história

por João Marcos Rosa em 28 de janeiro de 2013

Organizar e limpar os equipamentos antes da viagem é uma terapia. Levo tudo para casa, arrumo e desarrumo mochilas e cases umas três vezes para ter certeza de que não me esqueci de nada

A coisa é meio assim, você planeja uma viagem por meses. Milhares de e-mails, telefonemas, reuniões… uma boa notícia num dia, um desacerto no outro. O checklist contempla quase toda sua casa, mas seria impossível levar para o mato. Aí você acorda de manhã e percebe que chegou a hora. Em algumas horas vai estar a milhares de quilômetros de casa e  tudo pode acontecer a partir do momento em que você entra no avião, no carro, sobe no barco ou monta o jegue. O sentimento de ansiedade se mistura com outros tantos que nos fazem refletir sobre o verdadeiro sentido desse trabalho.

Segunda-feira (4), eu e o repórter André Julião embarcamos numa missão mais do que especial: retratar a situação de uma das espécies mais ameaçadas do nosso país: a arara-azul-de-lear. E aí entra a responsabilidade de fazer um trabalho comprometido, que em algum momento possa fazer diferença para essa maravilhosa ave que só habita o nosso sertão.

Muitas pessoas podem achar que a cada história que fazemos nos sentimos mais tranquilos, confortáveis com relação à produção de uma material, mas para mim é justamente o contrário. Meu sentimento é de que cada vez tenho que realizar um trabalho mais profundo, mais denso e que realmente consiga sintetizar o conteúdo da nossa proposta em uma dezena de imagens.

Lendo uma entrevista com o veterano fotógrafo Sam Abell, que já fotografou mais de 20 histórias para a revista, percebi que não era só eu que me sentia daquela maneira. Numa tradução livre, reproduzo aqui suas palavras: “uma reportagem é como uma imensa montanha que você escala, quase sempre sozinho. Quanto mais o tempo passa, mais íngreme e alta a montanha parece ficar”.

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2012: o ano em imagens

por João Marcos Rosa em 19 de dezembro de 2012

Araçaris na Serra das Araras (MT)

2012 foi um ano longo… depois de todas as andanças, quando me sentei para editar as imagens desse post, não conseguia me lembrar por onde tinha passado nos últimos 12 meses. Será que a poeira da estrada começou a mexer com minha memória?

Revisando na agenda, percebi que o problema não era só a cabeça, o itinerário tinha sido longo e confuso, muitas vezes. A virada do ano foi no Sul, em meio aos cânions Fortaleza e Itaimbezinho. Nem bem acabou janeiro e eu já estava na Caatinga, região do Raso da Catarina. Em março veio a Amazônia em um encontro com a diversidade de Carajás. Abril de volta à Caatinga, para fotografar araras-azuis-de-lear, tema da minha próxima reportagem na revista em 2013.

No mês de maio o Uruguai me recebeu em uma bela exposição montada pelo Centro de Fotografia de Montevidéu. Em junho conheci um lindo ninho de harpia na Serra das Araras (MT) e na sequência, em julho parti para Bonito, onde fotografei no Rio da Prata e no Buraco das Araras. Em agosto voltei ao sul do Brasil, primeiro à região de Urubici na Serra Catarinense e na sequência o primeiro e inesquecível encontro com as Cataratas do Iguaçu.

Em setembro, conheci pelos ares a beleza do litoral cearense. Outubro veio com um extenso trabalho sobre a flora brasileira que me trouxe de volta ao mundo da macrofotografia. Em novembro ventos me levaram para o Norte, Parintins, onde encontrei de perto o fogo na Amazônia. Entramos em dezembro e precisei parar um pouco para planejar 2013. Mesmo assim, viagens a São Paulo, Campinas e interior de Minas serviram pra bagunçar um pouco meu calendário mental.

E um pouco do que foi esse vai e vem vocês conferem nas imagens desse post. A todos os que me acompanharam por aqui em 2012, desejo um fim de ano tranquilo e um 2013 repleto de encontros.

Dunas em Paracuru (CE)

Floresta de Araucárias em Urubici (SC)

Queimada em Parintins (AM)

Buraco das Araras em Bonito (MS)

 

Plantas aquáticas. Transpantaneira (MT)

Serra Branca. Jeremoabo (BA)

Pontal próximo à Canoa Quebrada (CE)

Ariranha no rio Piquiri (MT)

Cataratas. Foz do Iguaçu (PR)

Floresta Nacional de Carajás (PA)

Bromélia. Fundação Zoobotânica de BH (MG)

Ninho de harpia. Serra das Araras (MT)