Roberto Linsker
A Amazônia singular de Edu Simões
Numa tarde de 2008, Edu me mostrava algumas imagens da Amazônia que produzira em anos passados. Eram lindas essas fotografias e, não por acaso, vinham acompanhadas de um desejo: o de viajar mais, fotografar novamente e produzir um livro sobre a região.
Sempre acreditei que, para se ter uma ideia minimamente válida sobre esse intrincado, complexo e muitas vezes impermeável mundo que é a Amazônia, fosse necessário equacionar de forma precisa o binômio tempo/dinheiro. Nunca há tempo suficiente na Amazônia. Na sua imensidão ela flui e escapa lentamente por entre os dedos da nossa urgência. Mas eram lindas aquelas fotografias.
Abracei a ideia e colocamos o projeto no papel, com patrocínio da Natura e a chancela do Ministério da Cultura. Edu viajou durante um ano, se alimentando nas bordas e entranhas dessa terra. Foram, ao todo, cinco expedições para a região realizadas em 2011. Na bagagem, uma Hasselblad, de formato quadrado, e 474 filmes preto e branco.
A cada retorno, Edu trazia fragmentos da estranha Amazônia que impressionara os seus olhos. Uma Amazônia tão poética e própria que, em alguns instantes, parecia inventada. Nas suas jornadas fotográficas, Edu transformou cenas cotidianas em imagens surpreendentes, às vezes enigmáticas.
O livro é uma construção densa que espelha essa relação íntima que ele soube estabelecer ao longo de um ano de imersões na floresta. Para mim, as paisagens e os personagens exalam algo onírico; esse é um traço singular, silencioso e subjetivo da linguagem visual de Edu Simões. Quem quiser pode vir e conferir.
Lançamento do livro Amazônia
Quando: 3 de maio, das 19h às 22h
Onde: Espaço Conceito Natura – Rua Oscar Freire, 1.052 (Jardim Paulista) – São Paulo
Xingu, o filme
O fim começava no instante em que a mão do índio se fechava sobre o cabo da faca de aço reluzente oferecida pelos sertanistas – como se colhesse o fruto proibido do éden. Quando o índio sucumbia ao desejo de possuir um objeto que não era capaz de produzir, ele começava a atravessar a ponte rumo à sociedade ocidental. Quando completava essa travessia, já era alguém sem identidade. Como observou Orlando Villas Bôas, ‘Um índio integrado não é mais um índio’ . Loren McIntyre/ Os Últimos Dias do Éden
Ontem fui à pré-estreia do filme Xingu, dirigido pelo Cao Hamburguer e que reconta a história dos Irmãos Villas-Bôas, responsáveis pela criação do Parque Indígena do Xingu. Para quem conhece e também para quem não conhece essa história tão brasileira, o filme é uma boa oportunidade para refletir um pouco sobre o que fomos, o que somos e o futuro que queremos, parafraseando o tema central da Rio+20.
Foi assim que eu saí do cinema, repassando lembranças e memórias.
Conheci Orlando Villas Bôas em 1997 ao preparar o livro Brasil Aventura Odisséias onde lhes dedicamos um capítulo. Orlando não morava mais no Xingu. Na sua casa em São Paulo, que mais parecia um museu, tive a oportunidade de escutar algumas histórias dessa epopeia. 40 anos de Selva e Sertão foi o título que demos à reportagem assinada por Ana Augusta Rocha, com fotografias de Maureen Bisilliat.
Os Villas-Bôas foram inspiração para muita gente que ao longo de décadas os visitaram no Parque Indígena do Xingu e também nas expedições de primeiro contato com índios isolados, caso de Pedro Martinelli, que trouxe as primeiras imagens dos Kreen-akarore.
Um outro fotógrafo, Jesco von Puttkamer, único fotógrafo brasileiro a publicar seis reportagens na National Geographic, conviveu esporadicamente durante anos com os Villas-Bôas tendo também participado de alguns primeiros contatos como o dos Txicão na década de 1970. Em 2005, em parceria com o Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia da Universidade Católica de Goiás detentora de todos os direitos sobre a sua obra, publicamos pela Terra Virgem Editora o livro Os Últimos Dias do Éden. Todas as imagens deste post são desse livro e o texto do Loren que está no início deste post também.
- Crédito: ©Jesco von Puttkamer/IGPA
Escala

Sou muito ligado em escalas, sejam elas no espaço ou no tempo. Talvez essa seja uma herança dos meus tempos de geologia quando aprendi que fotografias sempre deviam estar acompanhadas de alguma referência concreta que traduzisse claramente para o observador o tamanho daquilo que ele estava vendo. Se era um barranco, o martelo de geólogo seria o ideal. Se fosse uma amostra de rocha, poderia ser uma lapiseira ou uma moeda.
No início deste ano estava em Santiago, no Chile, e esta imagem me lembrou tudo isso. E algo mais. Certa vez, no Xingu, um índio txicão me questionou sobre o funcionamento da máquina fotográfica analógica que eu utilizava e, curioso, quis saber quem a tinha construído. Fiz um esquema para elucidar o processo e fui lhe contando. Não sei se ele me compreendeu, mas eu fiquei feliz em poder explicitar um processo que conhecia bem.
Agora, sobre quem a construiu, desconversei, dizendo apenas que era tão sofisticada que somente os japoneses, alemães e outros poucos faziam. Tudo verdade. Faz tempo que qualquer processo industrial envolvendo tecnologia de ponta exige investimentos exorbitantes para posicionar o produto num mercado cada vez mais global. Não há, que eu saiba, nenhuma máquina fotográfica moderna fabricada no Brasil.
Se hoje alguém me perguntasse sobre o funcionamento do meu iPhone, não teria como explicar. Apesar de intuitivamente compreender o princípio binário de armazenamento de dados, confesso que me sinto como aquele índio. Mas também a quem importa? Interessa mesmo é o prazer e a comodidade que essas novas ferramentas introduziram no cotidiano do planeta. Certo? São aparelhos acessíveis apesar da incrível sofisticação em termos de arquitetura, engenharia e design, e tão distantes de qualquer linha artesanal que é praticamente impossível visualizar o começo, meio e fim do processo.
E agora, olho de novo para a imagem desse imenso edifício que se ergue brilhante. Nele devem trabalhar centenas, talvez milhares de pessoas que certamente têm acesso às mais avançadas tecnologias. E, ironia, não consigo escapar ao trocadilho: alguém sempre fica do lado de fora.
A morte das pequenas coisas – 2ª parte
Foi no Carnaval de 2010, em Itacaré, no sul da Bahia, que este trabalho se iniciou. Foi lá que os vi pela primeira vez. Alguns já mortos e outros em silenciosa despedida. Eram apenas restos esparsos no piso branco que em breve o vento ou alguém varrerá, pensei. Mas enquanto isso não acontecia, decidi investigar o que afinal eram aquelas “pequenas coisas espraiadas na luz da manhã”.
Ao deitar no chão, apenas alguns centímetros nos separavam. Eram corpos complexos, com surpreendentes detalhes anatômicos. Senti um certo deleite, não pela morte, mas pela descoberta dessas vidas.
Durante uma semana continuei olhando ao redor e guardando essa coleção de instantes sem me questionar o que faria com esses pedaços de vidas estranhas. Naquele piso frio e duro eram todos insetos carentes de floresta, isolados da sua biodiversidade e em profunda solidão, totalmente alheios a essa eterna compulsão festiva da Bahia.
Na próxima semana estarei novamente em Itacaré, se a greve dos policiais militares não inviabilizar a viagem. E se tiver conexão de internet enviarei o próximo post diretamente de lá, ok?
A morte das pequenas coisas – 1ª parte
Em fevereiro de 2010 fotografei estes e outros tantos insetos – e alguns artrópodes também – em Itacaré. Foi um projeto que levei adiante de forma muito sutil. Apenas algumas imagens foram apresentadas no SP-Arte nesse mesmo ano. Eram lindas ampliações de 75 x 100 cm montadas em metacrilato.
Foi uma agradável incursão no mundo das galerias de arte que atiçou a minha vontade de produzir especificamente para esse mercado. O que venho fazendo cada vez mais assiduamente.
Mas…sempre há um porém. Meu lado documentarista me cobrava botar este projeto no papel, também. Pois é, ainda não consegui me desvencilhar do velho hábito de visualizar o fim de qualquer ideia impresso em papel, com tinta, formando cadernos de um livro ou páginas de revistas e jornais. Fazer o quê? Cada um com as suas manias.
Hoje fui à banca de revistas próxima à Estação Sumaré do Metrô, a uma quadra da Terra Virgem Editora, e perguntei ao dono se já tinha chegado a edição de fevereiro da revista Piauí. Tinha.
Na capa estava a chamada A morte mínima. No interior, seis páginas generosas com o portfólio fotográfico, acompanhado de um texto primoroso de Reinaldo Moraes intitulado Por uma mosca morta meu coração balança. A direção de arte, um luxo. E agora só falta vocês irem até a banca mais próxima para dar uma olhada. Num próximo post contarei tudo sobre este projeto e seus próximos passos.
O nosso ano 2012 já se iniciou, o ano do dragão também, ontem 2 de fevereiro foi dia de Iemanjá e em breve chega o Carnaval. Que todos sejamos felizes então.
Um carrossel de imagens para crianças curiosas
Levei o meu velho projetor Ektagraphic e um carrossel com 50 imagens. Nos dias anteriores eu havia separado alguns slides com temáticas adequadas: borboletas, tamanduás, tucanos, rios, cachoeiras, sombras, luzes brilhantes, folhas, flores, florestas, enfim, um mosaico que pudesse recriar as lembranças de cada um. A projeção foi uma experiência coletiva, todos compartilhando a mesma imagem na parede e cada um revelando o seu significado.
Levei também uma dúzia de monóculos que, para quem não sabe, são aqueles visores plásticos que contém um slide que precisa se olhar contra a luz. Cada qual descobria individualmente as imagens que os monóculos apresentavam e curiosos queriam ver as dos coleguinhas.
Eram quase vinte crianças, com idades entre 3 e 4 anos. Todos da turma da minha filha. Sentamos numa roda e contei um pouco sobre o ofício do fotógrafo e os usos da fotografia.
Crianças, mais do que qualquer outro ser, possuem o dom de se encantar com minúcias, com detalhes e simplezas. Tudo é ponto de partida para uma viagem rumo à fantasia. É uma pena que com o passar dos anos a maioria dos adultos perca essa capacidade de encantamento e, o que é pior, a desprezem por ser “infantil”.
Depois de meia hora de alvoroço intenso, a professora reúne a turminha novamente numa roda. Tinha chegado a momento de responder às perguntas que eles também tinham preparado para a minha visita.
Foram várias, todas importantes, todas fruto de uma insaciável curiosidade. Pura vontade de entender. Perguntas genuínas de quem ainda não tem vergonha do não saber. Esta especialmente mexeu comigo:
- Como a máquina consegue “deixar” uma pessoa muito menor do que ela é?
Uau!! E agora? Parei alguns segundos e só consegui responder por que me lembrei da Alice que, quando cai no buraco e precisa sair pela minúscula porta, bebe uma poção mágica que a deixa tão pequena que acaba passando pelo olho da fechadura.
- A máquina é também mágica, captura as pessoas e as deixa bem pequeninas, tão pequenas que ficam guardadas dentro de um cartão, depois é só inverter a mágica e elas voltam a ser grandes, seja no papel, no computador ou quando projetadas.
Ufa!!
Sábado é o lançamento do novo livro da coleção Fotógrafos Viajantes
Este post é apenas para relembrar sobre o lançamento neste sábado do terceiro volume da coleção Fotógrafos Viajantes.
Sempre digo que documentar é a parte fácil. Divulgar qualquer trabalho requer um esforço muito maior. Neste mês uma imensa parcela de tempo foi dedicada a cuidar dos detalhes para o lançamento do livro do Pedro Martinelli. E bota detalhes!
Pedro, o diretor de arte, Ciro Girard e eu na Terra Virgem – Foto: Duri Linsker
Como no sábado esperamos que muita gente apareça, fui até o depósito onde ficam guardados todos os títulos da editora para trazer uma quantia extra de livros e tive uma surpresa fuçando entre os pallets empoeirados. Achei um lote de posters vintage de onze anos atrás, da época que lançamos o livro Amazônia, o povo das águas. Pedi e o Pedro topou assinar trezentos que no dia serão distribuídos gratuitamente para os que chegarem primeiro.
Reservei ainda 50 pôsteres para os leitores deste blog. Se quiser ganhar, escreva o nome e e-mail nos comentários. São apenas 50 e precisam ser retirados no dia do evento ou até 31 de agosto na editora. Quem quiser se manter informado, visite a página do evento no Facebook.
Lançamento do livro Fotógrafos Viajantes
Quando: 13 de agosto de 2011, das 11 às 18 horas
Onde: Showroom da Compota Edições Limitadas no estudiobola, à Rua Presidente Antônio Candido, 228, Alto da Lapa, São Paulo/SP
Pedro Martinelli, um fotógrafo viajante

Fotos: Pedro Martinelli
Em 2008 eu quis, temporariamente, reduzir o meu envolvimento em projetos que exigiam expedições mais demoradas por um motivo pessoal: participar do cotidiano das minhas filhas pequenas.
Sem deixar de fotografar, mas ficando mais tempo na cidade, pude levar adiante um antigo projeto, a coleção Fotógrafos Viajantes, que em 2009 se concretizou com o primeiro título, Pierre Verger, que já mostrei neste blog. Na sequência veio Cássio Vasconcellos com o livro Aéreas e agora preparo o lançamento do próximo volume.


Talvez vocês se lembrem do post Um almoço com Pedro Martinelli, de um ano atrás, quando ainda estava editando as imagens. Pois é, um livro é um processo demorado, tem as suas idas e vindas, seus retornos e viradas. Precisa se acomodar visualmente.


A revista Veja desta semana fez uma matéria de quatro páginas sobre o livro, intitulada Diálogos Visuais. A reportagem destaca aquilo que é o cerne do projeto, o vai e volta do fotojornalista atrás dos seus temas.

O lançamento será no dia 13 de agosto. Além da tarde de autógrafos, haverá uma exposição de fotografias vintage do Pedro que estarão à venda. No próximo post falarei mais sobre este lançamento. Fiquem atentos pois estamos preparando algumas promoções para o dia.

E quem quiser saber mais sobre o Pedro Martinelli, aqui está o link do seu site: www.pedromartinelli.com.br
Lançamento do livro Fotógrafos Viajantes
Quando: 13 de agosto de 2011, das 11 às 18 horas
Onde: Showroom da Compota Edições Limitadas no estudiobola. R. Presidente Antônio Candido, 228, Alto da Lapa, São Paulo, SP
Loucos pela erva










Construindo uma pauta para a National Geographic – Parte 2

São Miguel das Missões

Menina guarani em frente ao museu nas ruínas de São Miguel das Missões
Aproveito que já está nas bancas a revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL de julho com a reportagem Na Rota do Mate para contar um pouco sobre a construção e execução de uma pauta. Comecei no post passado e hoje vou abordar algumas dúvidas e comentários dos leitores.

Porto Vera Cruz
A melhor maneira de um fotógrafo esclarecer, para si e para o mundo, o projeto que pretende executar é por meio do fascinante mundo das palavras. Sim, fotógrafos necessitam escrever de forma clara e concisa as ideias que querem levar adiante.

Levando a poda para a ervateira, Ilópolis
O fotógrafo iniciante deveria se familiarizar com a escrita, é um exercício de organização de pensamentos que lhe serve como guia e como filtro e ainda ajuda tanto no preparo de pautas quanto nos editais, exposições fotográficas, projetos de pesquisa, de documentação ou de outros de cunho autoral. Ou seja, se você vai pleitear verbas públicas e/ou patrocínio, saiba que em algum momento terá de escrever, ou contratar alguém que o faça. O júri que irá deferir ou não a sua ideia vai querer saber: o que é? como fará? quando fará? porque fazer? São estas perguntas, entre outras, que você responde quando escreve.

Caçamba carregada de erva, próxima de Anta Gorda
Voltando às reportagens, se você não conhece pessoalmente o editor da revista pretendida, a melhor forma de se apresentar, ou apresentar uma pauta é por meio do seu portfólio (acompanhado obviamente de um texto que, você agora sabe, precisa ser bem elaborado). Toda revista tem nas suas páginas iniciais ou finais a relação de sua equipe: redatores, editores etc. Frequentemente constam os endereços eletrônicos desses profissionais ou haverá alguma ferramenta do tipo fale conosco no site. A menos que você realmente tenha ouro em pó para oferecer (e mais ninguém tenha), jamais utilize vias telefônicas. Tente cavar o contato do editor pretendido e mande um e-mail que seja claro, conciso e, atenção, acompanhado de no máximo cinco instigantes fotografias. Vou repetir: uma, duas, três, quatro, cinco fotografias. Mesmo que você ache que as suas 50 imagens editadas são ótimas, contenha-se. E nada de imagens em alta resolução pesadérrimas que entopem a caixa postal, 500 KB é mais do que suficiente para se ver. E nunca, nunca mesmo, faça o seu futuro editor perder tempo com propostas do gênero: "estava na dúvida sobre o que escolher e prefiro que veja no meu Flickr" ou "entre no meu site". Se ele se interessar em ver algo mais, pode ficar tranquilo que saberá lhe solicitar.

Moinho Vincenzi em Anta Gorda

Museu do Pão em Ilópolis
Há fotógrafos que preferem poupar palavras e ir diretamente ao assunto, realizar a documentação e depois apresentá-la à revista. Para o editor é melhor, pois terá um trabalho em andamento mais palpável e f
ácil de avaliar. Para o fotógrafo também porque já terá visualizado as várias direções que a pauta poderia tomar e seus desdobramentos potenciais. Saiba que o editor poderá solicitar correções no rumo adaptando-o à linha editorial da revista.

Obera, Misiones, Argentina

Mate estacionado em Obera, Argentina

Pampas perto de Alegrete
As imagens de hoje seguem a cronologia da documentação que Marcelo e eu fizemos em 2009. Estávamos em Ilópolis na noite da apresentação da Rainha do Mate (e das Princesas). Nesta região, além do cultivo da erva mate, existe o projeto Rota dos Moinhos que pretende reformar essas antigas construções que imigrantes italianos implantaram em cidades como Arvorezinha, Anta Gorda e Ilópolis. No moinho de Ilópolis hoje funciona uma Escola de Panificação e uma cantina. Ao lado foi erguido o singelo Museu do Pão, lindo. De lá seguimos para São Miguel das Missões e logo adiante, cruzamos o rio Uruguai numa balsa – de Porto Vera Cruz para Panambi, já na Argentina, na província de Misiones – primeira fronteira de muitas a comprovar que os usos e costumes eram praticamente idÍnticos, mudando apenas a terminologia.
Hasta la próxima semana!






























