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Roberto Linsker

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A morte das pequenas coisas – 2ª parte

por Roberto Linsker em 9 de fevereiro de 2012

Foi no Carnaval de 2010, em Itacaré, no sul da Bahia, que este trabalho se iniciou. Foi lá que os vi pela primeira vez. Alguns já mortos e outros em silenciosa despedida. Eram apenas restos esparsos no piso branco que em breve o vento ou alguém varrerá, pensei. Mas enquanto isso não acontecia, decidi investigar o que afinal eram aquelas “pequenas coisas espraiadas na luz da manhã”.

Ao deitar no chão, apenas alguns centímetros nos separavam. Eram corpos complexos, com surpreendentes detalhes anatômicos. Senti um certo deleite, não pela morte, mas pela descoberta dessas vidas.

Durante uma semana continuei olhando ao redor e guardando essa coleção de instantes sem me questionar o que faria com esses pedaços de vidas estranhas. Naquele piso frio e duro eram todos insetos carentes de floresta, isolados da sua biodiversidade e em profunda solidão, totalmente alheios a essa eterna compulsão festiva da Bahia.

Na próxima semana estarei novamente em Itacaré, se a greve dos policiais militares não inviabilizar a viagem. E se tiver conexão de internet enviarei o próximo post diretamente de lá, ok?

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