Rodrigo Baleia
GoPro Hero 3: primeiras impressões
Foram várias as minhas experiências nos quatro anos em que morei na região Norte – algumas boas e outras nem anto. Agora, de volta ao sul do Brasil, sofro assédio diário para que esse material saia da gaveta. Tenho recebido propostas de livros, aplicativos, exposições e até três canais de TV já me procuraram.
Todos eles têm uma demanda em comum: querem imagens em vídeo do meu trabalho de campo. Acontece que todas as imagens que fiz tinham como única pretensão fazer piada com minha própria cara.
Até então, utilizava a Sony HX30v, câmera compacta que sempre me surpreendeu por seu resultado de vídeo em Full HD. No entanto, essa máquina é bastante delicada e já demonstrou que o sensor suja com muita facilidade e necessita de assistência técnica para limpá-lo. Precisava buscar outra alternativa.
Tenho que admitir que nunca gostei das imagens da GoPro e sempre me senti balançado pela concorrente Contour +2. Mas as configurações da nova GoPro Hero 3 me deixaram bastante otimista e acabei optando por esse modelo.
Ainda não fui muito longe com ela e os resultados que consegui foram apenas fotos tiradas por engano enquanto manuseava a câmera. Não que ela seja difícil de usar, o problema sou eu que não consigo lidar com botões que não façam parte de um equipamento Canon. Sou o tipo de pessoa que entra em banheiro publico com medo de ficar horas procurando como funciona o novo sistema de descarga. Então assim que eu conseguir “dominar” essa câmera venho postar o resultados dos vídeos.
Novos desmatamentos na região amazônica
Aqui posto algumas fotos feitas durante meu último sobrevoo pela região amazônica. As fotos têm sido publicadas em vários jornais do Brasil, como registro de denúncias de novos desmatamentos nos estados do Pará e Amazonas. Durante esse trabalho, atendi um pedido de um amigo que havia solicitado imagens em vídeo do meu trabalho de campo. Mais uma vez, usei a Sony HX30V para captar imagens. Já em casa, fui brincando com algumas cenas e resolvi editar um clipe mostrando um pouco do que venho fazendo nesses últimos 12 anos de sobrevoo.
Microfone Mitra 3D Pro: captação como a de ouvidos humanos

Sou iniciante na produção de multimídia e, pior, desprovido dos superpoderes de pós-produção. Mas isso não me impede de buscar ferramentas para garantir qualidade na captação - Foto: Pedro Malamam
Durante minha adolescência, tive a sorte de imergir no universo da musica clássica e, como disse ao maestro Telmo Paulo Jaconi da Camerata de Porto Alegre, isso não me fez um profundo conhecedor da música, mas fez com que eu aprendesse sobre a influência dela no comportamento humano.
Mais tarde, quando comecei a fotografar, meus primeiros slides eram apresentados em um antigo projetor manual que pertencia ao meu avô. Na maioria das vezes, eram fotos que eu fazia na área rural de Caxias do Sul. Na mesma apresentação, procurava fazer uma homenagem ao dono da casa e acabava a projeção com fotos do meu avô. Minha preferida era ele lavando radicci que havia acabado de colher em sua horta.
Em minhas apresentações de slides, eu sempre tinha o cuidado de escolher uma boa trilha sonora. Então, corria para iniciar a música no CD Player e chegar ao projetor, para seguir em uma sincronia milimetricamente desenhada. Um momento que considerava mágico era quando eu tinha a confirmação de uma crença: o som era a chave para o “teletransporte”.
Já no final do anos 90, com internet discada, a National Geographic Society iniciou a exibição de multimídias em seu website. Nos primeiros meses da virada do século, percebia que essa ferramenta vinha para ficar. Ao ver os diários de campos da expedição Congo Trek, tenho que admitir que ouvir o som da floresta me fez ficar com esse site aberto diversas vezes enquanto navegava na web.
Ainda em 2001, comprei um gravador de áudio digital. Com ele gravei vários sons enquanto fotografava o desfile de Saint Nicholas nas ruas de Amsterdam, também gravei rituais em território Enawenê-Nawê. O balde de água fria veio quando descobri que o mini-disc tinha sérios problemas com a mídia usada para gravar. E lá perdi meu registros, bem como meu entusiasmo, que foi direcionado para aquisição da minha primeira câmera SRL digital.
Ano passado, comecei a me dedicar cada vez mais à captação de áudio. Neste ano, comprei o novo microfone Mitra 3D Pro, que, além da qualidade de som, me possibilitou inovar na adição do audio 3D ao material que venho produzindo.
A grande diferença desse microfone quando comparado aos outros disponíveis no mercado é que ele funciona com dois microfones separados em dois canais que simulam a captação do ouvido humano, daí vem o 3D em seu nome. O Mitra 3D Pro capta o áudio de forma a tornar possível criar uma relação de profundidade e deslocamento ambiental.
Quando o vídeo é feito com esse microfone, o melhor a se fazer é colocar os fones e fechar os olhos.
Nesse post, eu apresento um pequeno vídeo com imagens e áudio captado com o Mitra 3D Pro durante a cobertura da temporada das baleias na Praia do Rosa, em Santa Catarina:

Minha avó assiste a um vídeo que fiz dela cantando, 5 minutos após sua captação. Assim que ela colou os fones, começou a comentar sobre a qualidade do audio. Há 15 anos, mostrar um vídeo com a mesma qualidade demoraria uns 5 dias e seria necessário um orçamento cinematográfico

Sempre comento com os iniciantes que o nosso mercado no Brasil ainda está engatinhando, mas nos demais países já está consolidado. Isso vale tanto para o conteúdo multimídia, quanto para a ideia de que o fotógrafo é capaz de produzi-lo
Como colocar uma câmera na parte externa do carro
No tempo em que trabalhei como produtor de set, uma palavra era sinônimo de medo, insegurança, divertimento e criatividade: traquitana. Traquitana nada mais era do que a criação de algum mecanismo para solucionar um problema não previsto durante a filmagem. O mais legal de uma traquitana era que, na maioria das vezes, esse mecanismo era o fruto de pitacos: tinha o dedo do diretor de produção, do diretor de fotografia, do diretor de cena, da equipe técnica, da produtora de figurino, do maquiador e, claro, no fim a luz sempre vinha do pessoal do transporte.
Já faz tempo que vinha procurando uma maneira de colocar a câmera na parte externa do carro, então durante a pesquisa por alguns acessórios para fixar a câmera na lataria de um veículo, encontrei esse vídeo no Youtube (Make your own camera car mount under $10), que ensina a fixar a câmera com um sistema de ventosas usadas para suspender vidros.
Logo que vi o vídeo, lembrei que, por muitas vezes, brinquei com uma destas ventosas no departamento de logística do Greenpeace. Elas haviam sido usadas para suspender ativistas durante a subida de uma parede lisa da base da estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Como eu já tinha uma cabeça de tripé sobrando, bastou comprar uma ventosa e um parafuso. Aqui publico algumas imagens deste sistema que construí.
Algumas dicas que considero importantes para quem for se aventurar: a ventosa tem que ser dupla e de alumínio; ambas superfícies devem estar bem limpas, e fixá-las nas janelas de uma carro pode representar risco, já que o vidro recebe uma pressão não prevista pelo fabricante. E a dica mais importante: mesmo que a ventosa suporte o peso de 50 quilos, utilize um cabo de segurança. Eu uso dois: um para a estrutura e outro na câmera, caso a câmera se solte da cabeça do tripé, ela estará presa ao veículo.
Reflexões sobre o projeto Rio sem Bordas
O Projeto Rio sem Bordas não foi aprovado, pois não conseguiu atingir o financiamento mínimo. Estou aqui pensando nos erros que cometi e percebo que foram vários. O principal foi não ter seguido a minha intuição. Pelos comentários que eu havia recebido, tudo me levou a crer que o valor solicitado seria alcançado com muita rapidez. Mas aconteceu o contrário.
Tudo isso me fez lembrar de um acontecimento de cerca de 20 anos atrás. Naquela época, era comum eu ouvir da minha mãe e do resto dos familiares que minhas fotos eram lindas, dignas de calendários da Seicho-no-ie. Tais comentários me deixavam temeroso.
Então, durante a cobertura de um desfile, uma amiga produtora de moda me apresentou para um fotógrafo de São Paulo. Ele havia morado alguns anos em Los Angeles, estava passando uns dias em Porto Alegre e também iria fotografar o desfile.
Logo vi a possibilidade de o meu trabalho ser submetido à avaliação de um profissional e perguntei se poderia trazer alguns cromos para ele fazer algumas críticas. No dia seguinte estava eu lá, correndo para achá-lo. Assim que entreguei a cartela, ele ergueu meus cromos em direção à fonte de luz. As críticas vieram através de questionamentos e, assim, minutos se tornaram horas, em que cada bendito cromo foi questionado. “O que você quer dizer com esse telhado? Essa vaca, por que está aqui?”
Lembro-me que fiquei um pouco sem chão, como se tivesse que jogar todas as fotos dignas de calendário no lixo e começar tudo do zero. Eu não me senti derrubado, creio que tenha sido pelo fato de que eu nunca havia construído um altar com as minhas fotos – e ele estava fazendo justo o que eu havia pedido.
Infelizmente, passado o desfile, nunca mais reencontrei esse fotógrafo, tampouco me recordo o nome dele. Sinto por nunca ter conseguido dizer o quanto sou grato pela sua avaliação, pela atenção, respeito e poder dizer que ainda hoje os seus questionamentos seguem ecoando antes e depois de cada foto.
Então, o fato de não ter conseguido completar o financiamento deste projeto me fez reviver esse momento do passado, pois me senti submetendo algo meu para uma avaliação geral. Muitos gostaram, e fiquei surpreso com o número de pessoas que compartilharam em suas redes, dos inúmeros comentários e do fato de que, 24 horas após ter sido publicado no Vimeo, o vídeo havia sido visto 1.500 vezes.
Agora me limito a repensar. Sigo com meu objetivo de levar iniciantes de fotografia para campo, seja na Amazônia ou no sul do Brasil. Quero aproveitar a experiência que adquiri em fazer transmissão ao vivo de lugares remotos e poder fazer com que esses fotógrafos compartilhem suas experiências direto do campo, em tempo real, para Brasil e para o mundo. Mas, antes de tudo, me sinto no dever de cumprir com pelo menos parte do que havia proposto a fazer com Giordanno Bruno e Pedro Malamam.

A dupla de paulistanos André Dario Mareira Serrano (esquerda) e Fred Tamashiro chama minha atenção: mesmo sem terem feito a ascensão ao cume, ambos retornam da montanha com sorriso estampado no rosto
Projeto Rio sem bordas
No livro O Futuro da Vida, de Edward Wilson, uma frase sempre me chamou atenção. Ela foi dita por John C. Sawhill: “No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir.”
Então me lembro do que a fotógrafa Nair Benedicto me disse, quando comentei que havia doado uma lente de back-up para um iniciante da fotografia. “Baleia, não é o valor da lente, mas fazer com que ele se sinta acreditado”. Logo, pensei comigo mesmo, ela compreendeu para onde eu quis levá-lo.
Eu também passei por isso. No início da profissão, por várias vezes o meu horizonte foi destruído. Quem me ajudou a reconstruí-lo foram pessoas que acreditavam em mim e no meu trabalho.
Sabendo que os iniciantes serão desacreditados até o último momento pela lógica dos editores, que fazem o fotógrafo pensar que o nome nos créditos de uma fotografia é o que mais vale, não posso ficar indiferente. Essa cultura brasileira faz com que o fotógrafo comece sua profissão investindo tempo e energia em inflar o próprio ego, e todos sabemos como essa história acaba.
Acreditando que essa cultura pode ser mudada e que ninguém merece ter seus sonhos destruídos, resolvi escrever um projeto no Catarse.me. O projeto “Rio sem bordas” busca trazer dois jovens fotógrafos à Amazônia para aprender a olhar a realidade da região sem estereótipos. Ao lançar essa ideia, pretendo estimular esses iniciantes da fotografia a acreditarem na própria carreira, além de desenvolverem seu próprio olhar da Amazônia, uma região que sofre com a viciada visão sobre o exótico.

