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Rodrigo Baleia

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A cheia no Amazonas e a cobertura da imprensa

por Rodrigo Baleia em 22 de maio de 2012

Logo que se iniciaram os rumores de que a cheia deste ano seria maior que a cheia de 2009, percebi que o telefone não pararia de tocar. Tenho consciência de que, ao sair de casa para documentar pessoas que estão passando por uma situação crítica, é muito provável que eu serei mais um intruso com uma câmera na mão.

É importante saber que quando o objetivo do trabalho é atender à demanda por notícia diária, o corre-corre vai ser grande. E na Amazônia, onde o fuso horário me coloca uma ou duas horas atrás do horário de Brasília, eu já acordo atrasado.

Logo, a cobrança pelo envio das imagens é muita e a cobertura se torna muito mais delicada, já que essas pessoas só recebem visita da imprensa ou do prefeito em ano de eleição. Apontar a câmera em direção a elas representa uma invasão bem maior do que nos grandes centros urbanos. Sendo assim, eu tento compensar essas ações que aqui se tornam mais agressivas que o habitual.

Pude sentir um pouco do meu próprio veneno quando estava fotografando Rafael Barbosa de Souza enquanto ele elevava o telhado para levantar um segundo piso (maromba) de sua casa na beira de um igarapé de Manaus. Entre conversas e o disparo da câmera, vi vários barcos trazendo jornalistas que estavam cobrindo o fato e todos passaram sem sequer dar um “oi” para Rafael e para mim, que também estava ali. Nesse dia me senti do outro lado da jaula, sendo fotografado pelos “turistas”. Isso também me fez ver minha própria imagem em um daqueles barcos, uma vez que também já fiz fotos sem dar “um alô”.

Tento me espelhar em alguns colegas como, por exemplo, dois velhos amigos correspondentes da TV Al Jazeera. Em 2009, pude acompanhar o modo como trabalhavam durante a cobertura da seca no Manaquiri. Desta vez não foi diferente: faltando 30 minutos para entrar no ar, ali estavam eles, o repórter Gabriel Elizondo, andando pelas passarelas e jogando conversa fora com as pessoas, e a cinegrafista Maria Helena com seus cases ainda fechados conversando com as pessoas da casa que estávamos usando como base.

Somente 15 minutos antes do horário previsto vejo Maria Helena buscando o sinal do BGAN e Gabriel ainda na conversa, perguntando para as pessoas que encontrava onde estava o morador que ele tinha entrevistado no dia anterior, pois queria mostrar como tinha ficado a reportagem. A atitude desses dois sempre me faz lembrar do tempo que devemos despender, não para nós, mas para cultivar o respeito com aqueles que nos permitiram publicar suas histórias.

Sigo aqui ainda sendo solicitado para cobrir os efeitos da cheia recorde, que hoje marca 29,90 metros. Domingo, pela manhã, foi minha última cobertura ao documentar o protesto de um grupo de pessoas que aproveitaram para questionar os impactos no clima que mudanças no Código Florestal podem trazer para os ecossistemas, como essa cheia, por exemplo.

Aproveitei essa cobertura para testar o recurso de vídeo da nova câmera Sony HX30V e compartilho o resultado com vocês, abaixo.

A cheia do Rio Negro, no Amazonas

por Rodrigo Baleia em 11 de maio de 2012

Rio Negro sobe mais dia após dia. A previsão é que, entre 13 e 14 de maio, o nível do rio supere o recorde de 29,77 metros batido na cheia de 2009. Nestes últimos dias tenho corrido pelas ruas de Manaus e por outras cidades aqui perto atingidas pelo aumento do nível das águas. Venho documentando em fotos, mas o forte foi a produção de duas matérias, que sugeri para agência Reuters TV, veja a seguir.

A proteção que meu notebook precisava para voar

por Rodrigo Baleia em 5 de abril de 2012

Cessna Caravan C-208 é considerado o maior monomotor a operar na Amazônia

O Cessna Caravan C-208 tem capacidade para 9 passageiros, mas quando o interior do avião passa a ser “um escritório” sete pessoas é o limite

Meu trabalho na Amazônia tem sido principalmente dedicado à fotografia aérea. É comum dividir o interior de avião com sete pessoas por cerca de cinco dias, hora fotografando o avanço do desmatamento, hora fotografando belezas da Amazônia.

Também tem sido comum eu ouvir comentários sobre a quantidade de bagagem que carrego. Tendo em vista que novos equipamentos que virão ainda em 2012, estou procurando  soluções para não ouvir do piloto a frase “Ou você ou a carga.”

Essa foi a solução que encontrei para carregar com segurança o meu computador e alguns acessórios durante os trabalhos de foto aérea:

Como sou usuário dos cases Pelican há muitos anos, fui buscar nesta marca as opções de case e acabei  encontrando  o Pelican 1095 Hardback.

Neste post eu dou informações que não encontrei em minhas pesquisas sobre esse produto. Sem muito sucesso, por vários dias eu fiz pesquisas na internet para tentar descobrir o que era possível carregar no interior deste case. Todos os reviews que encontrei comentavam apenas o tamanho do computador, sem comentar o que era possível carregar e sem nenhuma informação sobre a possibilidade de incluir fonte de alimentação ou um HD extra.

Optei pelo Case 1095 para computadores de 17 polegadas.  Na verdade, um tamanho maior do que o sugerido pelo fabricante. Para o meu de notebook de 14’5 polegadas o fabricante sugere o Pelican 1085.

Na opção do 1095 Hardback descobri que consigo carregar um MacBook Pro de 14’5 polegadas, a fonte de alimentação da Apple 85W e um  MagSafe, o Magic Mouse, um teclado sem fio da Apple e um HD LaCie Rugged Mini.

Colocando o objeto de maior volume,  a fonte de alimentação, no centro é possível fechar o case sem fazer pressão sobre o MacBook de forma a não deformar a tampa. Em meus testes descobri que se a fonte ou algum outros acessório for mal posicionado, a tampa fecha mas causa uma pequena deformação, que é suficiente para comprometer a vedação, o que garante que o case seja 100% a prova d’água.

Esta case é resistente e leve, ideal para quem vive no corre-corre de uma cidade, com a possibilidade de enfrentar impactos e chuvas. Também é perfeito para quem vive pra cima e para baixo em voos comerciais,  que não vai mais precisar ter um chilique toda vez que um passageiro força a bagagem contra a sua no compartimento de carga. Com um case rígido, a proteção vai muito além das oferecidas por bolsas e mochilas.

Lembranças dos meus avós em Galópolis

por Rodrigo Baleia em 24 de janeiro de 2012

Eu e minha filha, que me acompanhou enquanto eu fazia fotos no Parque Provincial Aconcágua, na Argentina

Lembro-me das férias na casa dos meus avós na pequena Vila de Galópolis, a cerca de 10 quilômetros de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Meu avô dizia em alto e bom tom “buongiorno” para quem cruzava seu caminho.

Mais tarde, em minha adolescência, fui aonde o sonho me mandava, e lá estava eu morando em Galopólis com meus avós. E, claro que lá estava meu avô seguindo, em alto e bom tom, “ Buongiorno” para todos que seguiam cruzando seu caminho. Como nesta época eu já tinha fala firme, éramos dois a falar.

Tratando-se de descendentes de italianos, a palavra “Buongiorno” poderia ser igualada a “Olá marciano, eu venho do planeta Terra. Quais são as novas?”. E por lá ficamos nós falando, falando e falando, falávamos tanto que nem parecia que tínhamos encontrado a mesma pessoa há cerca de 10 minutos.

Anos se passaram desde os tempos de Galópolis. Sinto saudades, mas admito que tenho que trabalhar a perda do meu avó antes de poder voltar. Hoje estou aqui vivendo na Amazônia, em um lugar que meu avô desejava conhecer.

Ao meu lado estão minha esposa e um lindo “filhote de primata” que também pode ser descrita como “minha filha”. Ela que ano passado me fez recordar muito o meu avô, pois passou longas horas diante da TV – e não existia nada que deixasse meu avô mais furioso do que me ver diante da televisão. Para ele, lugar de criança era brincando na rua e, à noite ou nos dias de chuva, diante dos livros em sua pequena biblioteca.

Então, como consequência do abuso da televisão, eu e minha esposa resolvemos levar nossa filha para brincar um pouco na rua, uma ida até a “esquina”. Mas, como meu avô me ensinou: o que importa não é aonde vamos e sim, com quem vamos, e o tempo que vamos dedicar para quem iremos encontrar no caminho.

A importância de uma mão amiga na carreira dos fotógrafos

por Rodrigo Baleia em 20 de janeiro de 2012

Minha primeira lente profissional, a Canon EF 200mm f/2.8 L II

Esse ano pude retribuir a ajuda que recebi dos amigos André Nery e Renato Grimm no início da minha carreira.

Logo após eu ter comprado minha primeira câmera fotográfica, esses dois amigos contribuíram muito para que meu hobby se tornasse minha profissão.

Além de me incentivarem a fazer uma oficina de fotografia de natureza ministrada pelo Núcleo de Fotografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, eles foram meus apoiadores pelos longos anos que se seguiram, muitas vezes cobrindo parte das minhas despesas durante nossas viagens pelo estado.

Também lembro das tantas vezes que André trazia para mim os artigos da revista Outdoor Photography. E me recordo das várias ocasiões em que Renato me deu auxílio para comprar boa parte do meu equipamento, além de me permitir usar seu escritório e seu scanner de cromos.

A maioria dos fotógrafos compartilha comigo as dificuldades do início desta profissão. É comum que fotógrafo invista em equipamentos de qualidade visando oferecer aos clientes um excelente material, mas a maioria dos clientes não paga um preço justo pelo serviço.

Muitas vezes Renato me aconselhou a investir em lentes caras da série profissional, no caso da Canon, lentes da serie “L”. Então lá fui eu fazer de tudo para conseguir comprar minha primeira lente Canon  EF 200mm f/2.8 L II. Bom, aqui tenho que dizer que cada centavo gasto em lentes da série profissional é o melhor investimento.

Não demorou muito para minha 200mm série “L” chegar e, dos 14 anos que permaneceu comigo, 9 foram de muito trabalho e 5 como lente de backup de uma Canon EF 70-200mm f/2.8 L.

Como o trabalho que hoje realizo na Amazônia é grande parte composto de fotografia aérea, eu resolvi investir em um novo modelo de EF 70-200mm f/2.8 L II com estabilizador de imagem (IS). A partir daí, minha opção de backup passou a ser minha 70-200mm e não mais minha 200mm fixa. Desta forma minha antiga e bem cuidada Canon EF 200mm f/2.8 L passou a ficar ao meu lado apenas por saudosismo e…creio que não existe coisa mais desonrosa para uma lente do que ela ficar com fungo por saudosismo.

Vendê-la?? Logo pensei que poderia pegar uns R$ 1.000,00 por ela. Não!! Quando você move montanhas para comprar uma lente, quando mobiliza amigos para isso, e quando essa lente passa a fazer parte da sua história profissional, tenha certeza que pior que deixá-la mofar seria tentar vendê-la por um valor que você não acha justo.

O destino mais digno e honroso que encontrei para minha querida e saudosa Canon EF 200mm F/2.8 “L” foi poder doá-la para um colega.  Sim! Porque não retribuir a ajuda que recebi de dois colegas? Um dia vi o trabalho de Pedro Malmam e após  algumas trocas de mensagens descobri que as imagens que estavam em seu site haviam sido feitas com uma antiga câmera de filme. Então não demorou para que eu resolvesse um desfecho para minha lente. Disse para ele que se ele comprasse uma Canon digital eu poderia ajudá-lo com uma lente. Ainda no ano passado, Pedro veio com a notícia que ele iria ganhar de sua mãe uma Canon 60D. Uma breve correria e consegui que a saudosa 200 mm chegasse em sua casa em 24 de dezembro!

Ao amigo Pedro que segue me agradecendo, eu diria para que não agradeça a mim. Agradeça a Andre Nery e a Renato Grimm, pois se hoje eu posso ajudar foi porque esses dois começaram a tecer a rede.

Minha nova lente, a Canon EF 70-200mm f/2.8 L II

C300, uma nova câmera cinematográfica

por Rodrigo Baleia em 4 de novembro de 2011

 

Após o lançamento da nova Canon EOS-1DX, os holofotes se voltaram para um possível upgrade do modelo da EOS 5D Mark II.

Lançada a cerca de três anos, a EOS 5D Mark II visa atender a crescente demanda por conteúdo multimídia. A qualidade das imagens obtidas com esse equipamento é tanta que logo ele estava sendo usado em produções dos cineastas James Cameron e Gale Tattersall.

O alvoroço causado pela 5D Mark II também foi responsável por tirar ótimos profissionais do armário e dar oportunidade para iniciarem suas produções independentes. Hoje é possível ver no Vimeo o conteúdo e a qualidade produzidos por profissionais independentes que superam produções de muitos canais de TV.

Ontem, em um evento em Los Angeles, a Canon surpreendeu: não trouxe ao mercado o tão esperado upgrade da EOS 5D Mark II, mas sim um novo conceito de câmera para cinema, com a nova Canon EOS C 300/C300PL, com novas lentes.

O equipamento incorpora cerca de 8,29 milhões de pixels efetivos – e cada pixel tem um tamanho maior das outras câmeras, o que permite maior captação de luz. O sensor lê os sinais Full HD (1920 x 1080 pixels) de vídeo para cada uma das três cores primárias RGB, diminuindo a incidência de moiré durante a realização de alta resolução com 1000 linhas de TV horizontal.

Na opinião de Vincent La Foret, o modelo vai competir diretamente com a Arri Alexa e a Red Epic. Aproveito e publico a seguir um vídeo que mostra os bastidores da produção realizada por La Foret.

 

Mobius :: Behind The Scenes from Blake Whitman on Vimeo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Primeiras impressões da Canon EOS-1DX

por Rodrigo Baleia em 18 de outubro de 2011

A semana vai ser curta para os amantes da Canon e longa para os da Nikon.

Como sou um “Canon guy” desde que optei por essa profissão, posso garantir que venho aguardando esse lançamento da Canon por longos anos. Admito que fiz minhas primeiras fotos com minha 5D Mark II pensando no possível lançamento desta full-frame, que a Canon anuncia neste 18 de outubro. E comento que quando um equipamento desde porte tem seu lançamento anunciado, os amantes da fotografia irão ter assunto pelos próximos 3 ou 4 anos.

Soube da novidade às 3 horas da madrugada e resolvi compartilhá-la com vocês o mais rápido possível. Gostaria também de comentar alguns aspectos que me chamaram a atenção. Este novo modelo visou atender as solicitações dos profissionais que trabalham com o equipamento, sendo uma full- frame com a possibilidade de fazer até 12 fps. Até então os profissionais ficavam limitados pela opção de full-frame e com 4-5 fps ou 10fps com crop na imagem.

Outra inovação é a possibilidade da câmera trabalhar com um pequeno receptor de GPS (Canon GP-E1), que será de grande utilidade para o trabalho que desenvolvo na Amazônia. As imagens desta câmera já terão as coordenadas geográficas inseridas na imagem no momento da obtenção das fotografias. Atualmente faço isso com auxílio de um software.

 



 

 

 

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Twitcam sobre o trabalho na praia do Rosa

por Rodrigo Baleia em 19 de setembro de 2011

A seguir, publico um vídeo transmitido ao vivo através do Twitcam. Conto um pouco do meu último trabalho realizado na Praia do Rosa, em Santa Catarina. A transmissão tem como objetivo testar a interatividade que o Twitcam proporciona, para futuramente transmitir informações ou divulgar entrevistas de ao vivo de áreas remotas. Me digam o que acharam dessa novidade!

E confiram as fotos que fiz na praia do Rosa, no próximo post!

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Agências de notícias e bancos de imagens multiplicam o trabalho do fotógrafo

por Rodrigo Baleia em 5 de setembro de 2011

Nesse texto vou explicar o que faço com os 98% tempo que não me dedico a atender as publicações da National Geographic Brasil. Dedico esse post aos iniciantes que acreditam que só é possível reconhecimento e exposição do trabalho por meio de uma única publicação. É obvio que isso facilita, pois funciona como uma vitrine, mas é importante saber que existem outras oportunidades.

Para mim, esse caminho alternativo começou quando no início dos anos 2000 meu trabalho recebeu elogios da equipe da agência de notícias The Associated Press. Na época, eu acreditava que esse seria o empurrãozinho que faltava para me dar coragem e me incentivar a submeter o meu trabalho a alguns bancos de imagens na Holanda e Reino Unido. Apostei todas as fichas nisso, sem avaliar que não teria como atendê-los. Eu não tinha condições financeiras para produzir a quantidade de cromos solicitados. A oportunidade teria sido boa, mas ainda era muito cedo para conseguir atender tamanha demanda.

Somente com a compra da minha primeira câmera digital alguns anos depois foi que voltei a procurar agências que pudessem me representar no Brasil e no exterior. Com muito esforço tentei apresentar meu trabalho para agência norte-americana World Picture Network. Foram muitas trocas de e-mail sem muito sucesso até que a agência me procurou para documentar os ataques das facções criminosas que ocorreram em São Paulo em 2006. Foi um corre-corre, mas as fotos chegaram às mãos dos editores e bingo: eu tinha meu contrato. Lá fui eu produzir, produzir e produzir. Não demorou muito para que minhas fotos chegassem nas revistas brasileiras enviadas por uma agência de Nova York da mesma forma que estavam sendo distribuídas para mais de 5.000 picture desk em todo mundo. Depois disso eu gostei da coisa e não parei mais.

Essa abrangência na distribuição das imagens, além da liberdade que eu tenho em produzir minhas próprias pautas, são alguns dos motivos pelos quais sempre busquei contribuir com essas agências. Sempre com a câmera por perto busco por cenas que possam contar histórias ou simplesmente mostrar cenas do cotidiano. Um passeio em um parque de diversões itinerante em Manaus, rendeu boas fotos e a transmissão começou na mesma noite após eu ter tirado o dente de leite da minha filha.

Um passeio em um parque de diversões itinerante em Manaus

Trabalhar com agências de notícias possibilita ao fotógrafo mostrar ao mundo o que está acontecendo no seu local de trabalho, independentemente de ele ter sido pautado ou não para isso. A partir do momento que essas fotos chegam nas agências e são distribuídas, é o fotografo que passa a pautar a mídia, com informações visuais acuradas do que está acontecendo pelo mundo naquele momento. O novo mercado de tablets e multimídia online precisa de muitas histórias. Com a ajuda dos fotógrafos, é possível criar pautas que nem passam pela cabeça dos editores, o que deixa a mídia com assuntos menos pasteurizados e muito mais criativos. Abaixo estão alguns casos de histórias que fui documentar e tiveram distribuição imediatas como hardnews, ou seja, notícias “quentes”.

Trabalho de pesquisa do biólogo Paulo Ott de análise genética das populações de baleia-franca no sul do Brasil. Um texto produzido junto com os pesquisadores faz parte da legenda das imagens. Assim, a notícia distribuída tem os pesquisadores como fonte primária de informação.

Trabalho de pesquisa do biólogo Paulo Ott de análise genética das populações de baleia-franca no sul do Brasil. Um texto produzido junto com os pesquisadores faz parte da legenda das imagens. Assim, a notícia distribuída tem os pesquisadores como fonte primária de informação. Distribuição pela agência WPN.

Montagem da primeira réplica de esqueleto de T-Rex na América Latina.

Montagem da primeira réplica de esqueleto de T-Rex na América Latina. Distribuição pela agência WPN.

Parque Eólico de Osório, no RS

Parque Eólico de Osório. Por se tratar do maior parque eólico da América Latina, essas imagens tiveram uma boa circulação e foram publicadas em jornais de negócios dos Estados Unidos. A curiosidade dessa pauta foi que, como não havia conseguido autorização da assessora de comunicação da Ventos do Sul Energia para fotografar de perto os geradores, essas imagens foram feitas de dentro do carro, enquanto transitávamos pela estrada que passa ao lado do parque. Distribuição pela agência WPN.

Em Porto Alegre a cobri o cotidiano da atriz Ingra Liberato

Em Porto Alegre a cobri o cotidiano da atriz Ingra Liberato. Neste dia, Ingra realizou a leitura de um nova peça que iria estrear. Distribuição pela agência FolhaPress.

Em Manaus, registrei o trabalho do pesquisador Sergio Marques de Souza, do Programa de Pesquisa em Biodiversidade. Para garantir a distribuição das fotos no mesmo dia, enviei as imagens com sistema de banda larga via satélite (BGAN). O equipamento possibilita o envio das imagens de áreas remotas. Distribuição pela agência FolhaPress.

trabalho do pesquisador Jefferson Barros, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE). Jefferson desenvolve uma pesquisa com Sauim de coleira, espécie de primata endêmica que esta na Red List da IUCN.

Também teve distribuição diária do trabalho do pesquisador Jefferson Barros, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE). Jefferson desenvolve uma pesquisa com Sauim de coleira, espécie de primata endêmica que esta na Red List da IUCN. Durante essa cobertura gravei um podcast para Rádio Eldorado e as fotos foram distribuídas pela Agência FolhaPress.

Após uma rápida busca no sistema da Agência Folhapress pude constatar que eles só tinham imagens do recém lançado iPad 2 na loja da Apple. Sendo assim, logo fotografei o meu próprio iPad 2 com novos acessórios com objetivo de produzir imagens de arquivo para agência. Distribuição pela agência FolhaPress.

O pesquisador Mario Cohn-Haft do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) me convidou para fazer um sobrevoo para prospecção em uma área amazônica para uma expedição. As imagens produzidas no interior do helicóptero foram distribuídas internacionalmente pela Agência Gettyimages poucas horas após a aterrissagem e ganhou destaque em uma reportagem.

Serra de Tepequém, no norte de Roraima.

No último Natal produzi imagens da Serra de Tepequém, no norte de Roraima. A região visa o status de polo turístico. Como não tem serviço de internet, as imagens também foram enviadas por sistema de banda larga via satélite (BGAN). Distribuição pela agência Gettyimages.

A descoberta de um “rio” que corria abaixo do rio Amazonas gerou uma uma corrida por imagens para ilustrar matérias de jornais e sites de todo mundo. Ao perceber que minhas fotos do rio Amazonas não estavam em nenhuma agência, corri para iniciar a distribuição rapidamente. A Gettyimages valorizou as imagens e criou uma galeria que deu destaque para essa história. Distribuição agência Gettyimages.

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O olhar do fotógrafo em busca da notícia

por Katia Arima em 8 de agosto de 2011

 

Chega a ser irônico dizer que estou passando por um problema de falta de curiosidade pelo lugar que estou quando esse lugar é a Amazônia. Mas isso de fato e acontece: é fácil perder o interesse quando se acostuma o olhar. Então, quando isso acontece, é porque está na hora de buscar outros horizontes, outras formas, outras vozes, outros sons e, claro, outras referências visuais.

Resolvi ir cobrir alguns projetos de pesquisas realizados no Sul do Brasil para a agência Gettyimages, que escoa minha produção fotográfica para jornais e revistas. Além das fotos, havia me preparado para produzir boletins para a Rádio Eldorado. Mudanças nas agendas de dois pesquisadores me impossibilitaram de realizar as pautas que havia me proposto a fazer.

Como fotógrafo independente, não pude me dar ao luxo de ficar sentado aproveitando os capuccinos de Porto Alegre.

Aproveitei, então, para fazer algo que gosto, buscar a notícia onde ela costuma passar desapercebida. Sim! Não sou o único fotógrafo a acostumar o olhar. Nos quinze dias, meu objetivo passou a ser o cotidiano dos moradores de Porto Alegre. Fazer com que momentos simples da vida dos moradores desta cidade ganhasse a distribuição do hardnews. Ou seja, no mesmo dia entrar nos picturedesk das principais editoriais do Brasil e do mundo.

Em uma manhã de domingo, corri para o Brique da Redenção. Sabia que lá encontraria uma banda Bluegrass Porto-Alegrense que sempre me despertou interesse. Além da música, a banda sempre me chamou atenção pela ideologia que tem de fazer shows em espaços públicos.

Aqui compartilho o áudio do depoimento de Marcio Petracco e Ricardo Sabadin, além do áudio da apresentação conjunta da BlueGrass Porto-Alegrense, Irish Fellas + Gaspo Harminica e Homem-Banda Mauro Lauro Paulo.

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