Rodrigo Baleia
Lembranças dos meus avós em Galópolis

Eu e minha filha, que me acompanhou enquanto eu fazia fotos no Parque Provincial Aconcágua, na Argentina
Lembro-me das férias na casa dos meus avós na pequena Vila de Galópolis, a cerca de 10 quilômetros de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Meu avô dizia em alto e bom tom “buongiorno” para quem cruzava seu caminho.
Mais tarde, em minha adolescência, fui aonde o sonho me mandava, e lá estava eu morando em Galopólis com meus avós. E, claro que lá estava meu avô seguindo, em alto e bom tom, “ Buongiorno” para todos que seguiam cruzando seu caminho. Como nesta época eu já tinha fala firme, éramos dois a falar.
Tratando-se de descendentes de italianos, a palavra “Buongiorno” poderia ser igualada a “Olá marciano, eu venho do planeta Terra. Quais são as novas?”. E por lá ficamos nós falando, falando e falando, falávamos tanto que nem parecia que tínhamos encontrado a mesma pessoa há cerca de 10 minutos.
Anos se passaram desde os tempos de Galópolis. Sinto saudades, mas admito que tenho que trabalhar a perda do meu avó antes de poder voltar. Hoje estou aqui vivendo na Amazônia, em um lugar que meu avô desejava conhecer.
Ao meu lado estão minha esposa e um lindo “filhote de primata” que também pode ser descrita como “minha filha”. Ela que ano passado me fez recordar muito o meu avô, pois passou longas horas diante da TV – e não existia nada que deixasse meu avô mais furioso do que me ver diante da televisão. Para ele, lugar de criança era brincando na rua e, à noite ou nos dias de chuva, diante dos livros em sua pequena biblioteca.
Então, como consequência do abuso da televisão, eu e minha esposa resolvemos levar nossa filha para brincar um pouco na rua, uma ida até a “esquina”. Mas, como meu avô me ensinou: o que importa não é aonde vamos e sim, com quem vamos, e o tempo que vamos dedicar para quem iremos encontrar no caminho.
- Por: Ana P. Maciel
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- 27 de janeiro de 2012 at 9:28 pm
Dá para ter saudades da história alheia?
Nossa! Foram poucas as vezes em que estive no chalé de Galópolis, mas são momentos de que tenho algumas das melhores lembranças da adolescência. Ficar naquela casa com cara de lugar de filme, ao pé do morro, vendo a pequena vila ao redor, o verde por todos os lados, o cheiro de “montanha”… dava uma sensação de lugar perdido, longe de tudo. Não me leve a mal, adorava jogar conversa fora contigo, meu amigo, mas tenho mais saudades do clima, do cheiro, do espaço…
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Parece meu avô narrando uma história de família, que no final sempre tinha uma lição de moral. Trazendo com ela uma boa , velha e CLÁSSICA reflexão.
Abraço