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Rodrigo Baleia

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Reflexões sobre o projeto Rio sem Bordas

por Rodrigo Baleia em 5 de julho de 2012

O Projeto Rio sem Bordas não foi aprovado, pois não conseguiu atingir o financiamento mínimo. Estou aqui pensando nos erros que cometi e percebo que foram vários.  O principal foi não ter seguido a minha intuição. Pelos comentários que eu havia recebido, tudo me levou a crer que o valor solicitado seria alcançado com muita rapidez. Mas aconteceu o contrário.

Tudo isso me fez lembrar de um acontecimento de cerca de 20 anos atrás. Naquela época, era comum eu ouvir da minha mãe e do resto dos familiares que minhas fotos eram lindas, dignas de calendários da Seicho-no-ie. Tais comentários me deixavam temeroso.

Então, durante a cobertura de um desfile, uma amiga produtora de moda me apresentou para um fotógrafo de São Paulo. Ele havia morado alguns anos em Los Angeles, estava passando uns dias em Porto Alegre e também iria fotografar o desfile.

Logo vi a possibilidade de o meu trabalho ser submetido à avaliação de um profissional e perguntei se poderia trazer alguns cromos para ele fazer algumas críticas. No dia seguinte estava eu lá, correndo para achá-lo. Assim que entreguei a cartela,  ele ergueu meus cromos em direção à fonte de luz. As críticas vieram através de questionamentos e, assim, minutos se tornaram horas, em que cada bendito cromo foi questionado.  “O que você quer dizer com esse telhado? Essa vaca, por que está aqui?”

Lembro-me que fiquei um pouco sem chão, como se tivesse que jogar todas as fotos dignas de calendário no lixo e começar tudo do zero.  Eu não me senti derrubado, creio que tenha sido pelo fato de que eu nunca havia construído um altar com as minhas fotos – e ele estava fazendo justo o que eu havia pedido.

Infelizmente, passado o desfile, nunca mais reencontrei esse fotógrafo, tampouco me recordo o nome dele. Sinto por nunca ter conseguido dizer o quanto sou grato pela sua avaliação, pela atenção, respeito e poder dizer que ainda hoje os seus questionamentos seguem ecoando antes e depois de cada foto.

Então, o fato de não ter conseguido completar o financiamento deste projeto me fez reviver esse momento do passado, pois me senti submetendo algo meu para uma avaliação geral. Muitos gostaram, e fiquei surpreso com o número de pessoas que compartilharam em suas redes, dos inúmeros comentários e do fato de que, 24 horas após ter sido publicado no Vimeo, o vídeo havia sido visto 1.500 vezes.

Agora me limito a repensar. Sigo com meu objetivo de levar iniciantes de fotografia para campo, seja na Amazônia ou no sul do Brasil. Quero aproveitar a experiência que adquiri em fazer transmissão ao vivo de lugares remotos e poder fazer com que esses fotógrafos compartilhem suas experiências direto do campo, em tempo real, para Brasil e para o mundo.  Mas, antes de tudo, me sinto no dever de cumprir com pelo menos parte do que havia proposto a fazer com Giordanno Bruno e Pedro Malamam.

Grupo de trakkers retornam do acampamento de Plaza de Mulas, no Parque Provincial Aconcagua

A dupla de paulistanos André Dario Mareira Serrano (esquerda) e Fred Tamashiro chama minha atenção: mesmo sem terem feito a ascensão ao cume, ambos retornam da montanha com sorriso estampado no rosto

André conta que foi vítima do Mal da Montanha, no acampamento Nido de Condores. No mesmo instante em que os médicos ordenaram sua evacuação para altitude mais baixa, Fred (direita) desistiu do cume a desceu a montanha ao lado do amigo

Minha filha observa com admiração os novos amigos, que ficaram conhecidos como “os meninos que vieram da montanha com neve”. Eu também fiquei admirado, mas por saber que o que para muitos seria um motivo de fracasso, para esse dois foi motivo de fortalecimento da amizade

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