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Por trás das lentes

O dia-a-dia dos fotógrafos da NGBrasil

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Todos os dias, agora, os principais colaboradores da National Geographic Brasil irão discutir seu trabalho com os internautas. Você vai poder descobrir as aventuras que às vezes eles vivem na busca de uma imagem, ouvir dicas sobre situações delicadas de luz ou partilhar da experiência pessoal deles durante a documentação de um tema.
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Quirguistão

Adriano Gambarini - 21/08/2008


Em tempos de ex-províncias russas sendo destaque nas notícias diárias, nada melhor do que trazer um pouco do que esta parte do mundo tem de especial. Quirguistão hospeda uma beleza natural difícil de explicar. Lagos azul-anil contrastam os tons amarelados e vermelhos das montanhas pedregosas; o céu, plasticamente pintado de nuvens brancas sobre picos nevados atiçam a curiosidade: o que aparecerá depois?



O Quirguistão tem uma história interessante. Sua origem é descrita como sendo das tribos Saka, século 6 a.C. Dizem que Alexandre, o Grande, chegou na região e sofreu com a coragem e valentia desse povo. A vida foi arduamente influenciada pelos povos da Sibéria que migraram um pouco mais tarde, assim como os mongóis, que chegaram trazendo seus hábitos nômades, o que se evidencia até hoje na população original, de pele mais escura e traços orientais. O povo turco migrou do Ocidente, trazendo seus hábitos fortes e sua religião, o islamismo. No começo do século XX, a Rússia chegou com todo seu peso comunista e aqui aterrissou, com repressão, arquitetura fria e outras características que lhe são peculiares. O país tornou-se república soviética durante décadas, até o sistema falir. Agora, depois de lhes tirarem o tapete e a idéia de serem filhos de uma potência, sofrem com a escassez de recursos, comida e outras necessidades básicas.



Um dos mais fantásticos lugares para ser visitado é o lago Son-Kul. Uma estrada sinuosa em meio às montanhas e florestas temperadas, muito semelhantes à vegetação européia, é o caminho para este lago, que visto à distância parece miragem de desenho infantil; de cor azul-anil, rodeado por campos verdes e montanhas avermelhadas de topos pontiagudos e esbranquiçados. Em sua beira, cavalos e ovelhas transitam calmamente entre pequenas cabanas. Dezenas de crianças cavalgam com uma habilidade de dar inveja ao mais treinado dos cavaleiros. São os Kirguis, povo nômade desse país que vive em cabanas redondas feitas de madeira e finos tatames, cobertas por pele de animal, as chamadas Yurtas.



Os Kirguis pastoreiam ovelhas e cavalos, bebem uma espécie de bebida fermentada à base de leite de égua, e são extremamente receptivos e risonhos. A incapacidade de se comunicar é logo traduzida numa sensação mágica de bem-estar. Realmente parece um pouco a lendária Shangri-lá, onde as pessoas não envelhecem e vivem em total harmonia com o meio ambiente.



E a sensação emitida a alguém como eu, mero andarilho de outras terras e culturas, é uma vontade de rir sem parar, trocar experiências sensoriais, tentar de alguma forma conduzir aquela representação máxima e divina, para dentro de mim mesmo.


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Festa de Santana na Chapada dos Guimarães

Izan Petterle - 20/08/2008


Há muitos anos que fotografo a festa de Santana, padroeira da Chapada dos Guimarães. Missa e procissão são organizadas para celebrar o seu dia (26 de julho). A festa, que acontece durante toda a semana, passando pelas casas dos moradores, é o evento religioso mais importante desse município secular.

A procissão sai da Igreja de Santana e uma grande festa popular, em homenagem a Santana, é realizada no salão paroquial. Na manhã do dia 26 é servido o tradicional “chá-co-bolo”, seguido do almoço com leilão, que começa ao meio dia, e vai até a noite, quando são realizados os bailes.

A igreja, em estilo colonial bandeirante, é considerado um dos mais importantes monumentos históricos de Mato Grosso. Nesse link, http://www.geocities.com/Yosemite/Rapids/4055/igreja.html, de autoria do falecido professor Jorge Belfort Mattos Jr., você pode encontrar mais informações a respeito dessa extraordinária construção.



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Fotografar em segurança

Rodrigo Baleia - 19/08/2008


Nos próximos quatro dias estarei me dedicando a fazer as malas. Seguirei para mais um trabalho na região Amazônica. A cada tarefa tento me adequar as dificuldades de logística e até mesmo as impostas pelo clima da Amazônia.

Nos últimos meses tenho investido em cases para transporte de equipamentos, HDs para descarregar as imagens para não limitar a utilização do computador em condições extremas, mochilas como a Lowepro Dry Zone 200, que me permitem encarar uma chuva torrencial e até mesmo cair em um rio.

Meu último investimento foi hoje na Angel Foto, onde comprei o tripé da Manfrotto em fibra de carbono – esse me possibilita fazer longas caminhadas com menos peso. Isso sem falar em equipamentos para meu próprio conforto e segurança. E é para um equipamento de segurança que dedico esse post.

Em 2003, tive a oportunidade de voar com um ex-piloto RAF durante um trabalho em um navio do Greenpeace, no Atlântico Norte. Em seu macacão de vôo o piloto tinha um localizador pessoal (em inglês, Personal Locator Beacon). Esse dispositivo emite um sinal de rádio em uma freqüência de emergência e é capaz de localizar o usuário em qualquer ponto do planeta.

Em minhas pesquisas pela internet consegui encontrar o “SPOT Satellite Messenger”, um aparelho que, além de emitir um sinal de socorro, oferece alguns diferencias, como o envio de mensagens, dizendo que estou “OK” para uma lista de e-mail ou telefones celulares de minha preferência e o serviço “Track”, no qual consigo atualizar minha posição a cada 10 minutos, e posteriormente gerar um arquivo de georreferências com minha posição no GoogleEarth. Com ele também é possível que minha família ou amigos possam acompanhar, de qualquer lugar do mundo, meus deslocamentos por alguma região, bastando entrar no site do fabricante.

Bom, o Spot é indicado para todos que praticam atividades outdoor e que trabalham em áreas remotas, onde a cobertura de telefonia celular é inexistente. Não pretendo pedir socorro, mas o fato de ter um aparelho que me ajude em situações de emergência, me deixa mais seguro. E também é muito interessante para meu trabalho saber onde eu estava no momento exato em que fiz uma determinada imagem.


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Fotografia e mananciais

Luciano Candisani - 18/08/2008



Chovia muito quando cheguei a Paranapiacaba para fotografar o Parque das Nascentes. Desta vez, não viajava a serviço da National Geographic, como de hábito. Estava ali para acompanhar um grupo de 20 fotógrafos na parte prática de um workshop sobre fotografia de natureza.

Tenho ministrado cursos de fotografia com freqüência e pretendo dedicar-me cada vez mais a essa atividade. Sempre que convocado a compartilhar experiências profissionais, sou levado a olhar com profundidade para o meu próprio trabalho, procurando nele a essência e os significados mais importantes. Além disso, acredito na fotografia como instrumento de transformação e a tenho usado desde sempre como ferramenta em favor da conservação ambiental. Nesse sentido, é estimulante a idéia de contribuir para a formação de novos fotógrafos também interessados em voltar as lentes para as florestas e mares, dando voz aos seus habitantes ameaçados.

Os integrantes do meu grupo não eram os únicos a descer de um ônibus munidos de câmera e capas de chuva naquele domingo do mês de maio passado. Por toda a cidade de São Paulo, em todas as áreas relevantes de mananciais, outros 29 grupos também acompanhados por fotógrafos profissionais, preparavam-se para colocar em imagens suas impressões sobre a situação das fontes de água da cidade. Todas, das preservadas, como as de Paranapiacaba, até as poluídas, como a de Guarapiranga e Billings, foram abordadas.



A iniciativa, chamada de “Expedição Fotográfica de Olho nos Mananciais”, é do Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com o Estudio Madalena. O objetivo é explorar a fotografia em favor da campanha “De olho nos mananciais”, uma ação do ISA para divulgar a situação das fontes de água que abastecem as grandes cidades e promover o uso racional da água.

O meu grupo, bem heterogêneo, contava com profissionais de diversas áreas, iniciantes e amadores avançados. Mas todos entraram na Mata Atlântica com o mesmo entusiasmo naquela manhã chuvosa. Meu objetivo ali era ajudá-los a voltarem seus olhares e talentos para além de uma simples documentação das belezas da natureza. Em busca de uma interpretação visual da nossa pauta, procurei estimular cada um a exercitar o olhar em busca da essência de cada momento. E, depois, a usar as técnicas de composição e iluminação para construir imagens carregadas com a própria resposta emocional diante da cena.

Inspirada nessas discussões, Vania, uma das fotógrafas participantes do workshop, me presenteou com o seguinte texto extraído do Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano, (L&PM /1995):

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

E, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar.

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Mar de Homens

Roberto Linsker - 15/08/2008



Na semana passada escrevia de Salvador, onde estava para a abertura da exposição Mar de Homens. A mostra continua até o dia 7 de Setembro.

Cada vez que tenho a oportunidade de apresentar imagens ao público, fico surpreso com os comentários que ficam anotados nos livros de presença ou mesmo aqueles que escuto, passeando pelas salas onde as imagens ficam penduradas.

Foram mais de  70 mil visitantes desde o início da itinerância. Cheguei a uma conclusão que pode parecer obvia, mas precisa ser dita: as imagens transmitem muito mais informação do que o fotógrafo imagina. Ou seja, há sempre a oportunidade de aprender ainda mais sobre aquilo que se supunha completo.



Na semana passada disse que contaria um pouco sobre a produção das imagens.

No projeto Mar de Homens aplica-se muito bem a expressão "estar no mesmo barco", o que é bom e não é. Explico: sair para o alto mar em uma pequena embarcação com um ou mais pescadores, cria laços de irmandade, quase uma comunhão, o que é bom. O problema, as vezes, é o exíguo espaço para documentar as atividades que se desenvolvem. E claro, a única forma de criar um certo distanciamento visual é estar em outra embarcação ou então, cair literalmente na água.



Estas imagens foram assim produzidas, utilizando uma NIKONOS V. Esta câmera foi desenhada para uso subaquático, mas prefiro utilizá-la na superfície. Dessa forma, consigo me situar em um ponto baixo e inserir, de forma integral, a ação que desejo  fotografar. Uma única desvantagem, por se tratar de filme, é que são possíveis apenas 36 imagens, e quando elas acabam, é preciso secar muito bem a câmera antes de abri-la para colocar um novo rolo e, claro, isso não pode ser feito dentro d'água.

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