melhor do viajeaqui Viagem e Turismo Guia Quatro Rodas National Geografic Brasil

Assine já!

Assine já!

viajeaqui

 
National Geographic Brasil

Vídeo: Gorilas de Virunga



Transcrição

Só há cerca de 700 gorilas da montanha restantes no planeta, e todos eles vivem nestas redondezas.

Texto: No verão de 2007, sete gorilas-das-montanhas foram assassinados no Parque Nacional de Virunga, na África. Imagens dos gorilas deixaram o mundo todo ultrajado.

Mark Jenkins: Isso começou com a matança dos gorilas no ano passado. Brent, o fotógrafo, e eu fomos até lá para descobrir o que realmente estava acontecendo.

Texto: Antes das mortes, Paulin Ngobobo, supervisor sênior do parque, começou a desconfiar que alguns guardas estivessem envolvidos em atividades ilegais.

A desconfiança acabou recaindo sobre Honoré Mashagirao, que na época era chefe de Ngobobo no Parque Nacional de Virunga.

A investigação revelaria uma teia complicada de violência, pobreza e corrupção.

Brent Stirton: Os principais elementos desta reportagem são o fato de que temos um grupo de guardas de preservação, um grupo muito pequeno contra dois exércitos rivais, e o comércio ilegal de carvão, que está dizimando o Parque Nacional de Virunga. Além de tudo isso, há as pessoas deslocadas internamente, como resultado do conflito no Congo. Que são atacadas pela pobreza, desesperadas e que essencialmente vivem acampadas, o que coloca pressão extrema no sistema biológico e nos guardas para que desempenhem o tipo de conservação necessário para salvar o parque. Como fotógrafo, a parte mais difícil da reportagem foi compreender aquilo tudo, e fazer as pessoas confiarem em mim, e conseguir chegar ao cerne do que era a história. Realmente é um lugar complexo de se trabalhar.

Texto: 650 guardas florestais do serviço de parques congolês têm a tarefa de proteger o parque e seus gorilas.

Brent Stirton: Estas são imagens de alguns dos guardas. Eles são membros do ICCN, que é o departamento de conservação congolês. São especialistas em Virunga, a maior parte deles está empregada ou trabalha como guarda há mais de 15 ou 20 anos. Eles trabalharam durante diversos conflitos, trabalharam durante ocupações rebeldes. São pessoas incrivelmente dedicadas. Até hoje, o salário médio de um guarda é de US$ 5 a US$ 10 por mês.

Vários desses guardas morreram tentando proteger o parque de diversas forças de milícia e de várias forças de caça ilegal, e de forças que buscam explorar o parque.

Texto: O setor dos gorilas no parque é ocupada pelo general rebelde Laurent Nkunda e sua milícia. Sua presença tolhe a capacidade dos guardas de proteger os gorilas.

Brent Stirton: Desde julho de 2007, o general Laurent Nkunda, que é um general rebelde congolês, com suas forças, chamadas de CNDP, ocupa o setor dos gorilas do Parque Nacional de Virunga. E o general Nkunda entrou nesta região e a anexou. Ela tem forças muito bem armadas e organizadas que estão no controle há muito tempo. Seu objetivo professado é atacar as forças hutus da FDLR, do outro lado do Virunga, mas enquanto se concentram nisso, estão ocupando o hábitat do primata mais raro do mundo. Apenas suas presença já ameaça esses animais.

Texto: No coração da história está o carvão, necessária para cozinha e para aquecer. As madeiras-de-lei para a produção deste carvão vêm do Parque Nacional de Virunga e sua extração é ilegal.

Mark Jenkins: Basicamente, existe a máfia do carvão. Bom, claro que é ilegal cortar lenha virgem no Parque Nacional. No entanto, as pessoas sobrevivem de um modo tão desesperado, que algumas pessoas nos limites do parque percebem que os aldeões precisam de carvão, então entram escondidos. Basicamente cortam as árvores antigas, que são de madeira-de-lei, e daí fazem um buraco bem fundo, forram com a madeira de qualidade inferior e então basicamente deixam cozinhando mais ou menos uma semana. E fica parecendo um enorme dique de castor no meio da selva. E depois ele é levado para fora nas costas de pessoas.

Brent Stirton: A outra metade da equação do carvão é que os guardas agora montaram um bloqueio na única estrada da que vai até Goma e que sai da estação dos guardas. Então, todos os caminhões que passam são obrigados a parar para que os guardas possam examinar a carga e remover o carvão dos caminhões. Essa é uma questão muito emocional para muitas pessoas.

Texto: Durante sua investigação, Paulin Ngobobo passou a acreditar que seu chefe era quem nadava no comércio de carvão. Posteriormente, Honoré Mashagiro seria acusado de tramar o assassinato dos gorilas para desacreditar Paulin Ngobobo.

“…Mashagiro me culpou pela mortes. Ele tinha que me remover para dar prosseguimento a seu comércio de carvão.” – Paulin Ngobobo.

Paulin Ngobobo é um dos poucos bons moços nesta reportagem. Ele já comeu o pão que o diabo amassou por tentar ser uma boa pessoa. O Congo é um lugar perigoso para um homem de bem.

Mark Jenkins – Neste momento, Mashagiro está prestes a ser julgado por facilitar o comércio de carvão. Ele está sendo acusado de conspiração para matar os gorilas. Será que vai a julgamento? Será que vai acabar na cadeia? É muito difícil especular.

Brent Stirton – A melhor coisa sobre o julgamento é que as pessoas pelo menos estão prestando atenção. Pelo menos não passaram em branco, os assassinatos do ano passado. A conservação é considerada um luxo, mas na verdade é uma necessidade para a sobrevivência de todos.

Texto: Paulin Ngobobo foi transferido para Kinshasa para sua própria segurança e aguarda uma nova colocação.

Apesar das acusações contra ele, o julgamento de Honoré Mashagiro foi adiado e pode ser que nunca aconteça.



Patrocínio

Conheça: Guia Quatro Rodas | National Geographic Brasil | Viagem e Turismo
Expediente | Mapa do site | Política de privacidade | Anuncie | Fale aqui
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.
Site melhor visualizado em 1024x768