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Vídeos: a tropa de Kingo

O fotógrafo Ian Nichols apresenta Kingo e sua família; eles são gorilas do Congo.



Transcrição

NA PRESENÇA DE GIGANTES
O fotógrafo Ian Nichols passou seis semanas na República do Congo fotografando gorilas no Centro de Pesquisa Mondika. Por meio das iniciativas da pesquisadora Diane Doran-Sheehy, professora de antropologia na Universidade de Stony Brook, um grupo de gorilas liderado por um macho chamado Kingo, se habituaram depois de anos de aproximação. Isso permitiu a Nichols que chegasse perto desses grandes primatas e capturasse vislumbres íntimos de sua vida privada.

Meu nome é Ian Nichols e eu fotografei gorilas em uma área no norte do Congo chamada Mondika. Diane Doran, da Stony Brook, começou a fazer pesquisas ali há cerca de 15 anos. Há cinco anos, finalmente começaram a acostumar o grupo e agora contam com um grupo de gorilas acostumados com gente. E este é aquele grupo de gorilas.

Este é o macho dominante Kingo. E então o grupo meio que gira em torno dele. Assim, é ele que decide todo dia onde vão comer, em que direção vão se deslocar. É ele que protege seu território. Bate no peito e se exibe e tal, mas não com tanta freqüência quanto seria de se esperar. É mas quando as fêmeas se afastam muito e ele não consegue enxergá-las nem ouvi-las que bate no peito e faz sons como os dos chimpanzés e isso é só para chamá-las de volta ao lugar onde ele está.

Ele tem quatro fêmeas. Esta é Beatrice, que no ano passado, quando fui lá, não tinha cria, e desta vez tinha uma cria, o nome dela é Gentille, só tem mais ou menos um mês e meio. E esta é Georgina, uma jovem, a mãe dela saiu do grupo depois que ela parou de mamar, então ela ficou sozinha com o grupo, mas conseguiu permanecer porque tem a proteção de Kingo. Mas em termos de disputa de comida, ela sempre fica por último, porque não tem ninguém para apoiá-la. E estes são Nkombe e Etende, e todo mundo acha que ela é provavelmente a preferida de Kingo porque, sempre que ela está comendo, ela consegue se aproximar mais do que as outras fêmeas. Mas ela não é a fêmea mais dominante, definitivamente é só uma preferência que ele tem. Se ela entra em uma situação com uma fêmea dominante, sempre é empurrada para longe. Às vezes ele fica do lado dela ou do lado das fêmeas dominantes, meio que só depende de seu humor. E esta aqui é Mama, a fêmea dominante, e o filho dela, Kuzu. E porque ela é a fêmea dominante, o filho dela pode fazer basicamente tudo. Ele pode roubar comida das outras fêmeas e elas não ficam agressivas com ele. Ele se safa de muita coisa.

Eles passam a maior parte do tempo no chão. Mas, de vez em quando, sobem em uma árvore para se alimentar de folhas ou frutas. Geralmente Kingo sobe primeiro. E quando ele termina de comer, se for uma árvore pequena como estas, então os outros podem subir. Esta é uma das maiores árvores, em que a competição pelo alimento não importa muito. Então, aqui está Kuzu de novo. Agora está com 2 anos e meio, mais não passa mais o dia inteiro com a mãe, Mama o deixa com Kingo de manhã e depois sai para bem longe do grupo, mas ele simplesmente fica com Kingo. As mães ainda estão amamentando, então elas precisam comer muito e passam a maior parte do tempo longe do grupo, comendo. E Kingo assume a tarefa de cuidar das crianças enquanto o grupo se alimenta.

A vegetação rasteira é o principal hábitat para elefantes e gorilas. E isso significa que não há muitas árvores grandes, há mais vegetação rasteira e arbustos e trepadeiras com espinho, e só alguns tufos de florestas. Para eles é ótimo porque têm toda a vegetação que podem comer no chão. Mas, em termos de conseguir fotos, sempre tem alguma coisa na frente, o que dificulta muito.

Geralmente, o grupo só comia folhas e frutos, mas cupins também eram uma parte importante da dieta. Sempre que encontravam um cupinzeiro em uma árvore, eles o abriam. E seguravam um pedaço na mão e esmagavam na palma, assim tirando todos os cupins do ninho, e daí podem usar a outra mão para comê-los. E as crias observam o tempo todo e imitam muito mas ainda não entendem muito bem o que estão fazendo. Este é um dos frutos preferidos deles, chamado bambu na língua local. É um tipo de fruta cítrica, mas é muito, muito pegajosa mesmo. E pegam muito carrapato no capim e este é Nkembe cuidando de Kingo, tirando os carrapatos dele. Só vi as crias cuidarem de Kingo, nunca vi as mães cuidarem de Kingo nem nada assim. São as crianças que recebem a atenção íntima, os adultos realmente não interagem, não têm interações assim. E, para começar a brincar, às vezes imitam o comportamento agressivo de Kingo, como dar tapas uns nos outros ou bater no peito. Então George estava se preparando para brincar com Kuzu batendo no peito, fazendo uns barulhos de risada. Sempre que os pais descansam, as crias só ficam brincando sem parar. Para Kuzu, ele meio que passa o dia inteiro brincando, mas Nkembe ainda continua preso às costas da mãe, de modo que fica meio que entediado o dia inteiro. Então, assim que têm tempo de brincar, brincam por uma ou duas horas. E daí saem para comer de novo.

Há uma área pantanosa que eles visitam muito, então mais ou menos uma vez por semana ele resolve levar o grupo para o pântano. E sempre vão em uma linha reta, ele sabe exatamente onde fica. E gostam de passar de duas a quatro horas comendo no pântano. Kingo simplesmente se afunda no meio do pântano e enche a boca de vegetação. Ele realmente se delicia com aquilo, agarra e sempre sacode na água antes de comer, que é seu modo de limpar. As fêmeas ficam na beirada e meio que só esticam o braço e pegam coisas. E as crias, quando são mais novas, com mais ou menos um 1 ano, ficam nas costas da mãe, mas por volta de 1 ano e meio, ficam mais aventureiros e são leves o bastante para caminhar por cima do terreno pantanoso sem afundar.

Fotos e narração de Ian Nichols



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