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National Geographic Brasil

Vídeo: a China vista do alto



Transcrição



A China vista do alto
O fotógrafo George Steinmetz decolou para dar aos leitores uma visão aérea das maravilhas geológicas e culturais da China.

Meu nome é George Steinmetz e eu fiz três viagens à China no ano passado em uma pauta para a revista National Geographic magazine. Eu tentei capturar a geografia da China. Se olharmos em um mapa, a área é mais ou menos igual à dos Estados Unidos e tem uma composição geográfica semelhante, clima similar – do ponto de vista geográfico, é um lugar verdadeiramente único.

Uma das fotos mais marcantes para mim foi uma imagem da Grande Muralha. A neve ali é muito efêmera. Neva uma ou duas vezes por ano e só dura um ou dois dias. Então foi muito difícil de capturar. Eu estava na província de Yunnan e recebemos a notícia de que tinha nevado na Grande Muralha na noite anterior e demoramos 18 horas para chegar lá. Chegamos à base da muralha mais ou menos às 5h da manhã, vestimos nossas roupas de neve e chegamos lá ao nascer do sol.

Alugamos um hang glider motorizado para me erguer. Fazia bem menos do que 0ºC e quando chegou a hora de pousar, fazia tanto frio que os pés do piloto estavam entorpecidos e ele teve dificuldades e tentou acelerar mas não conseguia sentir a pressão do pé no pedal e quebramos o eixo no pouso e a coisa caiu uns dez metros depois. Mas por sorte nenhum de nós se machucou, saímos andando.

No início, tínhamos uma licença para usar um helicóptero para fotografar as maiores siderúrgicas da China. A sensação era que aquela enorme instalação industrial apresentaria alguma coisa do ar que as pessoas realmente não tinham visto antes. Mas o helicóptero custava milhares de dólares por dia e tinha uma equipe de umas 40 pessoas para me seguir por todos os lados – era um pesadelo logístico. Então pensei que talvez fosse possível ir trabalhar com o meu paraglider motorizado.

Pilotar um paraglider não é fácil, principalmente em ambientes de fronteira onde ninguém nunca voou. Às vezes chegávamos a áreas sem escolta. Geralmente tínhamos boa sorte, mas tive um incidente em uma cidadezinha chamada ShanShan. Logo depois da decolagem, o glider mergulhou inesperadamente e atingiu uma árvore. Tive que levar pontos no rosto, mas minhas pernas continuavam funcionando, os braços e o cérebro também – então saí para trabalhar.

Quando me preparo para uma reportagem como esta, faço muita pesquisa. Há uma área que realmente me chamou a atenção, uma área chamada Luoping. É uma área relativamente pequena na porção sul da província de Yunnan. Tinha um terreno muito estranho de carst. Carst é uma formação de calcário que geralmente forma pontas, mas aqui as pontas eram uns cones baixos – quase como pequenos vulcões. Durante umas duas semanas todo ano o solo plano que rodeia as pontas fica bem amarelo por causa do florescimento da canola, que é plantada para a produção de óleo da semente. Quando fotografo paisagens, eu geralmente não gosto de ficar muito mais alto do que a coisa mais alta na área, de modo que estou voando mais ou menos na altura das pontas. Aliás, no meu último vôo o tempo estava tão limpo que voei até acabar a gasolina e pousei em uma área aberta de uma plantação de canola.

Na minha pesquisa, deparei com uma área na China onde havia círculos concêntricos de residências. Era algo espetacular. Dava para ver as casas mais antigas no centro e depois, na medida em que a população do vilarejo foi crescendo, como aconteceu no resto da China, novos círculos se formavam ao redor do centro do vilarejo. O povo hakka veio das proximidades do rio Amarelo, os vilarejos deles eram murados, para facilitar a defesa. As residências mais novas na parte de fora tinham mais janelas, mais portas, e de fato tinha encanamento e eletricidade. Então dá para ver que enquanto a China cresceu e centros financeiros aumentaram, os vilarejos também cresceram de acordo.

A bacia de Chaidum, na província de Qinghai, é uma área que não tínhamos planejado visitar, mas eu já tinha ouvido falar dela. É muito árida, de altitude elevada, e tem vento muito forte. Parecia algo que se imagina encontrar na lua – foi uma das paisagens mais estranhas que já vi. Era um lugar muito difícil em que voar porque a altitude era de uns 2.750 a 3.050 metros, então não era um lugar fácil para decolar.

Pensei que Qinghai seria mais interessante no outono. É a época da colheita, então é uma ótima época para ver as pessoas colhendo todos os tipos de coisas. Vimos a colheita do algodão, vimos gente colocando pimentas vermelhas para secar no solo do deserto. É uma época agitada.

O rio Talimu – é um rio relativamente obscuro, não aparece em muitos mapas, termina no meio do deserto de Taklimakan. No outono, todas as árvores ficam de um amarelo bem forte – o melhor para mim é que ficam amarelas durante duas semanas, e estaríamos lá nessas duas semanas – tivemos muita sorte. A seção que eu escolhi era uma área sem estradas com cerca de 30 quilômetros de extensão. Para mim é um pouco perigoso voar 30 quilômetros sem lugar para ser resgatado caso haja problemas. Mas as vezes a gente tem que fazer o que tem que fazer.

Uma das fotos que eu realmente queria era de uma área chamada Guilin, especialmente uma seção de Guilin ao longo do rio Li. E eu passei cerca de uma semana voando ali toda manhã e toda tarde, até finalmente conseguirmos um pouco de sol. Fomos lá em um momento em que supostamente o tempo estaria muito limpo, mas muito limpo, pelo menos quando estivemos lá, significou um dia de sol em uma semana.

A maior parte das pessoas pensaria que é uma certa tolice pilotar e fazer fotos ao mesmo tempo. Mas, para mim, isso me proporciona mais controle sobre a minha relação espacial com o solo. Quando estou voando, posso fazer um intervalo de 30 segundos da pilotagem e me concentrar em fazer fotos.



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