por: em 08/12/2008

Show de pompoarismo e sexo ao vivo em Bangcoc: eu fui

Tem coisas que eu, por algum motivo, levo meses para  colocar no papel. Estive na Tailândia entre fevereiro e março. E só agora, finalmente finalizando uma matéria para a VT (e prestes a embarcar novamente pra lá), desembuchei o relato de uma das noites mais surreais da viagem. Divirtam-se!

O tuk tuk estacionou na porta de um lugar altamente sinistro. Ué? Cadê todo mundo? Aparentemente, eu estava numa rua micada de Patpong (foto), a lendária zona da “luz vermelha” de Bangcoc, que se converteu numa atração turística tão obrigatória quanto templos ou barraquinhas de insetos comestíveis. Uma vez no inferno, resolvi abraçar o diabo lá mesmo. “Você me espera aqui, então?”, perguntei ao motorista tentando garantir uma fuga de emergência caso aquilo fosse um antro de tarados.

O show, que prometia peripécias pompoaristas e sexo ao vivo, rolava no andar de cima. No térreo, aquilo parecia ser uma espécie de restaurante-bandejão. “Uf, um show de strip-tease clandestino em Bangcoc, nada mais emocionante”. Antes de subir ao andar de cima, uma pausa para revistar as bolsas. As câmeras fotográficas ficam e meu namorado e eu subimos à salinha escura onde os dentes e os cabelos dos muitos turistas nórdicos brilhavam com a luz negra.

No palco, uma menina dançava meio desengonçada com o mesmo ânimo de uma ascensorista apertando o botão do térreo pela octogésima nona vez no mesmo dia. E, de repente, com a mesma empolgação vegetal, começa a tirar uma fitinha colorida de…. lá. Aproveito o breve intervalo para dar uma conferida no público.

Ao invés de homens salivantes sedentos por sacanagem, a platéia mais parece um jardim da infância. Dos comportados. Num cantinho, japoneses assistem ao show com a mesma frieza com que fotografam a Monalisa no Louvre. E espalhados por quase todo o recinto, europeus recém-saídos da puberdade dão risadinhas crentes de que estão fazendo a maior levadezinha de suas breves existências.

Mais uma pompoarista sobe ao palco. E outra… que não consegue acertar a bolinha de ping-pong dentro do copinho e sai sob vaias e uivos. A seguinte chega confiante, e pede para um voluntário da platéia segurar uma bexiga branca. Meu namorado se prontifica.

Então ela abre as pernas, e lança de dentro de “si” (com a ajuda de uma zarabatana) um dardinho de papel, que supostamente teria que fazer a bexiga estourar. Porém, a falta de mira ginecológica da menina faz com que aquilo vá parar no meu cabelo! Entre uma gargalhada histérica e a vontade de assassinar o cidadão segurador de bexigas, me desvencilho daquela “coisa” enquanto ouço, por fim, o diabo do balão explodir.

Sobe ao palco um rapaz. Tailandês de cabelo loiro – cuja cabeça brilha loucamente sob a luz negra, conferindo um toque extraterreno para a figura. Começa então o show de sexo ao vivo.

Quer dizer, não dava para reconhecer o termo sexo naquele vai e vem mecânico ao som de batidas eletrônicas e gritos histéricos da Madonna “she’s not meeee!”.

Foi quando de repente, segurando em algumas barras de ferro, o casal grudou no teto, continuando aquela coisa indefinida como um par de aranhas… ou lagartixas. Faço de tudo para não ter um ataque de riso e vou saindo de fininho. E constato que o danado do motorista tinha me abandonado naquele fim de mundo.

Dicas para não micar em Patpong:
Não tente dar uma de alternativo em Patpong. Nos show turísticos, as “artistas” não costumam errar a mira.

Não vá na onda de ninguém que te chame para um “ping pong show” na Khao San Road (o gueto turístico). Pegue um táxi, faça ele ligar o taxímetro e vá até o bairro, onde você terea a liberdade de escolher entre muitas casas.

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Categorias: Roubadas, Tailândia

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