Clique nas perguntas abaixo:
1 - Há tempos eu não pensava em viajar de ônibus. Vale a pena?
2 - Preciso reservar com antecedência?
3 - Quais são as rotas mais concorridas?
4 - Moro em São Paulo e estou pensando em ir ao Nordeste de ônibus. Uma semana dá para fazer isso?
5 - E se eu resolver pegar um pacote? Preciso esperar que se forme um grupo para confirmarem a viagem?
6 - Não gosto dessas excursões tradicionais. Não há nada diferente?
7 - Não tenho tempo nem paciência de ir até a rodoviária para comprar passagem. Posso fazer tudo pela internet ou por telefone?
8 - Há "check-in" para ônibus? Tem de chegar antes?
9 - Vou para uma reunião de negócios, mas não quero voar. Pega mal ir de ônibus de linha? Há alternativas?
10 - Ouvi dizer que algumas companhias de ônibus têm sistema de milhagem. É verdade?
11 - No exterior os ônibus são melhores?
12 - Há lugares mais seguros para se sentar num ônibus?
13 - Disseram-me que agora as rodoviárias têm salas vip. O que é isso?
14 - Quais são as rodoviárias legais?
15 - Quais são as principais empresas rodoviárias?
16 - E se o motorista for barbeiro? O que faço se ele correr demais?
17 - Se a viagem dura mais de um dia, o motorista dorme?
18 - Há passagem em Alfândega em uma viagem internacional de ônibus?
19 - E qual é a documentação exigida?
20 - Posso deixar de pagar o seguro que vem embutido na passagem?
21 - Dá para encarar o banheiro do bus?
22 - Há chuveiros nas rodoviárias?
23 - Com que freqüência há paradas?
24 - É impressão ou nos ônibus-leito se capricha mais no ar-condicionado?
25 - Quero mesmo é capotar. Posso tomar uns remedinhos?
26 - Eu adoraria ser menos ansioso e simplesmente relaxar (e gozar...). Há algum segredo para conseguir isso?
1 - Há tempos eu não pensava em viajar de ônibus. Vale a pena?
Com a crise aérea, quem nem cogitava encarar horas de estrada a bordo de um ônibus teve de dar o braço a torcer. E muitos se surpreenderam. Encontraram carros confortáveis, limpos e modernos. Para agradar aos clientes do transporte aéreo, as viações se atualizaram e instituíram mimos como salas vip nos terminais, programas de milhagem, vendas de passagens pela internet. Para José Luiz Paiva Mota, da Êxitus Consultoria, especializada em transporte rodoviário, é mais vantajoso viajar de ônibus em distâncias de até 800 quilômetros. "Como a maioria das saídas para esse tipo de percurso são noturnas, dá até para economizar em diária de hotel", diz ele. Na hora de comparar preços de passagens rodoviárias e aéreas, ele aconselha que o passageiro coloque no papel todos os gastos e imprevistos. "Não é apenas uma questão de preço. Devem-se levar em conta táxis, diárias, atrasos", diz.
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2 - Preciso reservar com antecedência?
As viações disponibilizam os valores das tarifas e os horários das saídas apenas 30 dias antes da partida. Por isso, diferentemente das companhias aéreas, se você estiver planejando uma viagem para o Réveillon nem adianta querer pagar agora. O ideal é fazer isso com duas semanas de antecedência se for viajar em algum feriado ou com uma semana para dias "normais". Dependendo da data e da rota, dá para comprar o bilhete até uma hora antes do embarque. Para economizar ainda mais, uma dica: até março, as viações eram proibidas de ter tarifas promocionais, ou seja, os preços das passagens pouco variavam. Agora, as promoções começam a pipocar. Na cearense Expresso Guanabara, por exemplo, há quatro tipos de classe tarifária.
3 -Quais são as rotas mais concorridas?
Nem é preciso dizer que o eixo Rio-São Paulo é o campeão de procura. Foram 1 347 395 pessoas transportadas em 2005. Outras capitais das regiões Sul e Sudeste, como Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Belo Horizonte (MG), também são bem disputadas por causa da proximidade com São Paulo. Mas a Socicam (empresa que administra 18 terminais rodoviários no Brasil, entre eles o do Tietê) lembra que a procura varia muito de acordo com a época do ano. No verão, passagens para as cidades litorâneas são as primeiras a sumir e, no inverno, todo mundo quer subir a serra.
Olha, se você quiser fazer algo no estilo bate-e-volta, até dá para chegar ao Nordeste. No entanto, lembre-se de que uma viagem até Recife (PE) dura cerca de 45 horas e para Fortaleza (CE) chega a levar 50 horas. Colocando no papel, não compensa: serão quatro dias de estrada para curtir apenas três dias por ali. Para valer a pena comer tanta poeira, você precisaria ter ao menos um total de dez dias. A Itapemirim e a Gontijo são as empresas que mais fazem a rota entre o Sudeste e o Nordeste.
Sim, e esse sempre foi um dos grandes inconvenientes dos pacotes rodoviários. O número mínimo varia de acordo com a operadora, geralmente de
6 - Não gosto dessas excursões tradicionais. Não há nada diferente?
Existem roteiros alternativos bem legais para rodar o Brasil. A Pisa Trekking (11/5052-4085, pisa.tur.br), por exemplo, é a única que monta pacotes rodoviários de São Paulo para praias descoladas do sul da Bahia. Mas o inusitado é a forma de hospedagem: o grupo fica acampado. A viagem de nove dias sai a R$
7 - Não tenho tempo nem paciência de ir até a rodoviária para comprar passagem. Posso fazer tudo pela internet ou por telefone?
As viações entraram de vez no mundo virtual. É difícil encontrar alguma empresa que não venda passagens pela internet ou por telefone. A Itapemirim, por exemplo, vai ainda mais longe: no site da empresa, podem-se tirar dúvidas via chat com os atendentes. Outra high-tech é a Rodoviária de Porto Alegre (rodoviaria-poa.com.br), em cujo site é possível comprar passagens de ônibus que partem desse terminal.
8 - Há "check-in" para ônibus? Tem de chegar antes?
A recomendação da Socicam é que, em época de feriados, o passageiro chegue com uma hora de antecedência à rodoviária. Em dias normais, trinta minutos bastam. Na maior rodoviária do país, a do Tietê,
Não é uma questão de pegar bem ou mal. Os fretamentos se tornaram uma ótima opção para empresas, que não podem deixar seus executivos à mercê do caos aéreo. O coordenador de viagens para a América Latina da Roche Laboratórios, Felipe Oliveira, utiliza ônibus fretados para grupos a partir de dez pessoas em viagens de até três horas. "É mais tranqüilo, seguro e sai no nosso horário", diz. "Além disso, não há gastos com o deslocamento para as rodoviárias." Segundo Oliveira, isso começou desde o acidente com o jato da TAM,
10 - Ouvi dizer que algumas companhias de ônibus têm sistema de milhagem. É verdade?
Sim, empresas como Andorinha, Expresso Guanabara, Expresso Itamarati e Itapemirim possuem programas de fidelidade semelhantes aos de milhagem das companhias aéreas. Em geral, a cada dez trechos percorridos o passageiro ganha outro semelhante. Na Itamarati é um pouco diferente: a contagem é feita por quilometragem, e não por trechos. Já na Andorinha, só os percursos em ônibus-leito e executivo valem "milhas".
11 - No exterior os ônibus são melhores?
O sistema rodoviário brasileiro é considerado por especialistas o melhor e o maior do mundo. Faz sentido, uma vez que o país sempre teve mais investimentos na malha rodoviária do que em outros meios de transporte, como, por exemplo, os trens. Países da América Latina, como Argentina e México, também seguem essa tradição e mantêm bons ônibus, porque o sistema aéreo não é tão abrangente. Já na Europa e nos Estados Unidos os ônibus não são dos melhores, em virtude da concorrência com os aviões e trens.
12 - Há lugares mais seguros para se sentar num ônibus?
Para a alegria dos mais precavidos, sim. O advogado especializado em perícia em ônibus acidentados Antônio Martinho joga por terra a tese popular de que ficar atrás do motorista seria uma garantia, já que, por instinto, em um acidente, ele protegeria o próprio lado. "O lado esquerdo é sempre mais perigoso, pois fica mais exposto à pista. Em 90% dos acidentes em que ocorreram choques frontais, as vítimas se sentaram desse lado", diz o advogado. Já para sentir menos o efeito do sacolejo do bumba, prefira as poltronas do meio. "As extremidades vibram mais." E as estradas campeãs de acidentes? "As rodovias
Mordomia de aeroporto também nas rodoviárias: as salas vip passam a fazer parte do rol de mimos. A Viação
14 - Quais são as rodoviárias legais?
As de Londrina (PR), Joinville (SC), Itajaí (SC), Salvador (BA) e Foz do Iguaçu (PR) foram consideradas as cinco melhores do Brasil, em pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) em 2003. Já os terminais de Natal (RN), Fortaleza (CE) e Brasília (DF) tiveram as piores colocações.
15 - Quais são as principais empresas rodoviárias?
Andorinha (0300-2103900, andorinha.com).
Auto Aviação 1001 (11/4004-5001, autoviacao1001.com.br).
Catarinense (0800-47047, catarinense.net).
Chile-Bus (11/6221-6239, chilebus.com).
Crucero del Norte (11/6221-0277, crucerodelnorte.com.ar).
EGA (51/3225-8680, egakeguay.com).
Eucatur (92/3648-1493, eucatur.com.br).
Expreso Brujula (11/6221-0504).
Expresso do Sul (11/4004-0004, expressodosul.com.br).
Expresso Guanabara (85/4005-1992, expressoguanabara.com.br).
Expresso Itamarati (17/2136-2722, expressoitamarati.com.br).
Flecha Bus (51/3224-0672, flechabus.com.ar).
Gontijo (0800-311312, gontijo.com.br).
Itapemirim (0800-7232121, itapemirim.com.br).
São Geraldo (0800-311312, saogeraldo.com.br).
Penha (0800-7232122, nspenha.com.br).
Pluma (0800-6460300, pluma.com.br).
Rápido Yguazu (11/6221-7022).
TTL (51/3224-7690, ttl.com.br).
Unesul (51/3931-1113, unesul.com.br).
Viação Anapolina (62/ 3314-1388, viacaoanapolina.com.br).
Viação Cometa (11/4004-9600, viacaocometa.com.br).
16 - E se o motorista for barbeiro? O que faço se ele correr demais?
Todas as empresas prestam treinamento aos motoristas. Na Expresso Guanabara, para ser contratado o motorista deve ter sete anos de experiência de estrada. Na Itapemirim, há reuniões mensais e anuais para discutir problemas pessoais e profissionais, como higiene e dificuldades com o sono. "Tudo o que possa afetar a conduta do motorista", diz Samuel Stafanato, responsável pelo RH da empresa. Se mesmo assim o motorista for pé-de-chumbo, deixe por conta dos ônibus: eles são equipados com dispositivos sonoros que apitam caso o limite de velocidade da rodovia seja ultrapassado.
17 - Se a viagem dura mais de um dia, o motorista dorme?
Em geral, as empresas seguem um padrão em que, no máximo, a cada oito horas de estrada o motorista é substituído. Quando o ônibus chega ao ponto de troca, um profissional fica e outro assume o volante. Depois de 11 horas de descanso ele já está apto para retornar à estrada.
18 - Há passagem em Alfândega em uma viagem internacional de ônibus?
Sim. O passageiro declara os itens comprados no exterior nos postos aduaneiros nas fronteiras (não nas rodoviárias). Muambeiros, atenção para a cota de compras: é apenas de US$ 300 para viagens terrestres.
19 - E qual é a documentação exigida?
Para Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai é preciso levar carteira de identidade ou passaporte. Para a Venezuela, exige-se o passaporte. Mesmo em viagens interestaduais é necessário estar com a carteira de identidade. Já crianças menores de 12 anos precisam de autorização da Justiça da Infância e da Juventude para viajar desacompanhadas. Para fora do país vale a mesma regra do aéreo: mesmo que acompanhada de um dos pais, a criança precisa da autorização do outro.
20 - Posso deixar de pagar o seguro que vem embutido na passagem?
Sim, pode, pois ele é facultativo. As empresas são obrigadas a avisar sobre a cobrança opcional: ou pelos funcionários do guichê, ou por meio de placas. No bilhete, há ainda a taxa de embarque, essa, sim, obrigatória.
21 - Dá para encarar o banheiro do bus?
Segundo o relato de alguns viajantes rodoviários experientes, um certo código de conduta impera dentro do ônibus. Não é bem-visto, por exemplo, quem resolve fazer o "número 2" no minúsculo banheiro do veículo. "Para isso existem as paradas", explica o professor universitário Raimundo Gonzaga, um veterano das estradas, com cerca de mil viagens de bumba no currículo. Os ônibus têm dois tanques de, em média, 80 ou 100 litros: um com água limpa para a pia e a descarga e outro que armazena a água contaminada pelo uso do sanitário. Esses compartimentos devem ser esvaziados uma vez por dia.
22 - Há chuveiros nas rodoviárias?
Sim, o que é bem útil para quem está "em conexão". No Tietê e na Barra Funda, por 5 reais se toma uma chuveirada, com direito a sabonete e toalha. Outros exemplos: as rodoviárias de Angra dos Reis (RJ), Poços de Caldas (MG), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE).
23 - Com que freqüência há paradas?
Em média, uma a cada três horas ou
Não, isso é lenda. E esse detalhe vai do bom senso do condutor. A recomendação é deixar a temperatura em torno dos
25 - Quero mesmo é capotar. Posso tomar uns remedinhos?
Medicamentos para induzir o sono não são recomendados. "Primeiro porque não é aconselhável a pessoa ficar na mesma posição por muito tempo", diz o médico Jessé Reis, "e depois, por motivos de segurança, não é bom ela ficar desacordada o tempo todo."
26 - Eu adoraria ser menos ansioso e simplesmente relaxar (e gozar...). Há algum segredo para conseguir isso?
Mantenha a calma. Respire. Entoe um mantra. A ansiedade para chegar ao destino faz com que uma hora de avião seja mais atraente do que seis de estrada. No entanto, o caminho pode ser uma experiência tão interessante quanto a viagem em si. "Perceber o ambiente, as condições climáticas, as alternâncias do verde das paisagens, a sinuosidade das montanhas nos reporta ao que sobrou do paraíso", viaja Antonio Valverde, professor de filosofia da PUC e da FGV. E o ritmo neurótico da vida parece se distanciar a cada quilômetro rodado na estrada. "Entregamos-nos, nesse meio de transporte trivial, aos prazeres do vagar: observamos o caminho, perdemo-nos na noite estrelada, enfrentamos o banheiro da parada e exploramos os divertidos horrores da culinária de beira de estrada", lembra Pedro Paulo Garrido Pimenta, professor de filosofia da USP.