O Brasil está na moda no Splendour of the Seas. E a razão é uma só: depois de arrebatar corações brasileiros por duas temporadas seguidas (nos verões de 2000/2001 e 2001/2002), ser eleito por quatro anos consecutivos o melhor navio de cruzeiros do mundo pelos leitores da Viagem e passar quase cinco anos sem dar o ar da graça, ele está voltando. Nessa minha viagem pelo Mediterrâneo, todos os avisos oficiais eram falados em português. A programação do dia era traduzida para o português. Os shows eram apresentados também em português. "Estamos em contagem regressiva", explicou o diretor de hotelaria do Splendour, o belga François Waché. "Os funcionários estão freqüentando aulas do idioma e não vêem a hora de chegar ao Brasil".
Os cerca de 70 mil passageiros que embarcaram nas duas temporadas do primeiro navio da Royal Caribbean a estrear no Brasil encontrarão boas novidades a bordo em seu retorno. Nos últimos anos, o Splendour ganhou uma parede de escalada ao ar livre, uma filial da badalada sorveteria americana Ben & Jerry's (com os viciantes sabores de banana com nozes e cereja com chocolate) e outra da rede de cafeterias Seattle's Best Coffee (ambas as unidades com produtos pagos à parte), uma programação infantil que inclui atividades especiais para bebês com brinquedos Fisher Price, aulas de pilates e ioga, acupuntura e até camas mais macias - todas elas foram trocadas e ganharam travesseiros e almofadas extras, além de roupas de cama sedosas. Quando o navio já estiver em águas brasileiras (o primeiro cruzeiro zarpa de Santos no dia 20 de dezembro), outras novidades vão ser implantadas: a academia de ginástica será ampliada e ganhará aparelhos e bicicletas de spinning ao ar livre, os shows terão a participação de músicos brasileiros, o menu incorporará receitas nacionais e as festas se multiplicarão. O Windjammer, o restaurante self-service mais informal, ficará aberto 24 horas, servindo refeições e lanches o tempo todo. Perfeito para o público brasileiro, o qual prefere muitas vezes permanecer a bordo e não desembarcar nos portos de parada - além de adorar fazer uma boquinha no fim ou no meio da balada.
O resto continua igual. Paredes inteiramente de vidro deixam os ambientes comuns banhados de luz natural. E com uma vista incrível. Logo no primeiro dia, golfinhos apareceram fazendo acrobacias bem na hora do café-da-manhã. Era como estar flutuando sobre eles, do alto do restaurante, no deque 9. O lobby, dourado, ocupa o vão de sete andares e é uma ótima referência para a circulação. O Splendour não se trata de um navio colossal. Sua capacidade máxima é de 2 076 passageiros, pouco quando comparamos com os 4 375 de seus irmãos da família Freedom, os maiores do mundo - e menos ainda ao imaginar que os novos transatlânticos da Royal, previstos para 2009 e 2010, transportarão até 5 400 hóspedes. Ele também não tem extravagâncias como uma rua inteira de lojas, uma pista de patinação no gelo ou um ringue de boxe, como o Freedom of the Seas e o Liberty of the Seas. Pelo contrário, é compacto e comedido. Dependendo do ponto de vista, reside aí sua grande virtude. Bastam as primeiras horas para saber que o restaurante mais formal fica nos deques 4 e 5, as piscinas e o restaurante informal, no deque 9, o cassino e o teatro, no 4. "O tamanho é ideal porque você tem privacidade quando quer, mas também não precisa procurar demais os amigos," resume a brasileira Sônia Miatto, de Londrina (PR), que viajava pelas Ilhas Gregas com a turma da aula de dança.
Na prática, isso quer dizer que, se o dia tiver sol, todo mundo vai se espremer na beira da única piscina (com água do mar), que é relativamente pequena para o tamanho do navio. Se estiver ventando muito, talvez o refúgio seja a piscina aquecida do solário, com teto retrátil. Choveu? Você corre para garantir um lugar numa das quatro jacuzzis de água quentinha ou vai encontrar a sua turma no cassino, na biblioteca (que tem baralho e jogos de tabuleiro), nas lojinhas ou numa exibição de cinema no teatro. Esportistas vão gostar de se aventurar na parede de escalada, queimar calorias na academia ou dar umas tacadas no minigolfe de 18 buracos. Hedonistas não vão resistir ao cardápio de massagens do spa, que inclui tratamentos com pedras quentes, aromaterapia e máscaras corporais (todos pagos separadamente, importante lembrar). E comilões de toda natureza vão se refestelar com as verdadeiras orgias a bordo. Mas isso merece um capítulo à parte.
É possível dividir o dia no Splendour apenas pelo menu. Logo pela manhã, ovos mexidos, salmão, cream cheese, panquecas, frutas frescas picadinhas, pães variados, iogurtes e todo o colesterol que os americanos amam, das salsichas às fatias crocantes de bacon. Depois, lanchinhos com hambúrguer, cachorro-quente, batata frita. Hora do almoço. Enquanto o cardápio do restaurante mais formal, King & I, exibe opções restritas (seu forte é o jantar), o Windjammer terá sempre massas, carnes assadas e fatiadas na hora, peixes e um bufê enorme de sobremesas. Gostosinho. À tarde, mais hambúrguer e cachorro-quente - e também começa o serviço de pizzas e crepes. Hora do jantar. No Windjammer, o esquema continua o mesmo, mas no King & I as opções são mais elaboradas e podem incluir, por exemplo, posta de bacalhau envolta em crocante de ervas, cordeiro ao molho de frutos vermelhos com purê de maçã, frango oriental com erva-cidreira e condimentos variados. Fome na madrugada? Já sabe, o Windjammer não vai fechar nunca enquanto estiver em águas brasileiras...
Na viagem pela Europa, a noite era bem comedida para os padrões brasileiros. Mas a tripulação me garantiu que isso muda quando o navio chega à nossa costa. Ainda assim, os shows no Teatro 42nd Street, com capacidade para 800 pessoas, viviam lotados. E a Viking Crown, a boate do último deque, acabava ficando cheia lá pela meia-noite. Onipresente, o diretor de cruzeiros, Leonardo Papa, se desdobrava entre as apresentações dos espetáculos ao estilo Broadway no teatro e as performances à la Abba na boate, para ser visto engravatado e seríssimo no dia seguinte. Brasileiro, claro. A bordo do Splendour, estaremos todos em casa.