1º DIA
Lagoas do Caribe
Não é dia de pular da cama. Acorde preguiçosamente. Nada o espera com hora marcada. Nenhuma atração que motive ansiedade. A visita é à Lagoa do Paraíso, formada com a água represada da chuva, daquela cor azul-Caribe quando vista de longe e transparente vista de dentro. E ela está na frente da sua pousada, sob as redes para as quais você vai correr agora.Essa é a doce rotina de quem se hospeda em Jijoca. A vila não é mero estacionamento de Jericoacoara. Pense bem: não faz sentido chegar aqui, correr pra Jeri e de lá pagar uma grana num passeio de bugue para voltar às lagoas que já estavam ao seu lado. Durma aqui por duas noites. A primeira foi ontem: você chegou no fim do dia e já acordou dentro da água doce (todas as pousadas ficam à beira da lagoa). De manhã, aquela leseira na rede. Quando cansar, quebre a pasmaceira provando o passeio de jangada. Fica mais agitado para quem pedir o esquibucho: você, dentro da água, é puxado por uma corda presa ao colete salva-vidas. Adrenalina instantânea. Mas depois dá um sono...
2º DIA
Mais azul
Pode ser quase uma repetição do dia anterior. Nada mau curtir um pouco mais de ócio, né? Só vamos mudar o cenário, levemente. Rumo à Lagoa Azul, a 18 quilômetros do centrinho. Na verdade, Paraíso e Azul são a mesma lagoa, que os nativos ainda chamam de Jijoca. Só que, na seca, agora no verão, ela se divide em duas porções ligadas por um canal. Apesar de ser ponto de parada dos passeios de bugue de Jeri, a Azul não tem a estrutura da vizinha. Portanto, para passar o dia é melhor levar a sua farofa: cadeira, guarda-sol, lanches, água. E volte à Paraíso para elevar a expectativa para o jantar. No restaurante da Pousada do Paulo (3669-1181; Cc: D, M), prove o bolinho de macaxeira recheado com queijo de coalho ou o peixe do dia assado com azeite, batatas e azeitonas. No Chez Loran (3669-1195; Cc: D, M, V), o pargo inteiro e aberto assado na brasa, com batatas douradas, salada, farofa e arroz, é a boa.
3º DIA
Beleza cansa?
Chegou a hora de Jeri. A essa altura você já entrou no clima de férias até as orelhas. Deixe o carro num estacionamento particular coberto, no centro. Não dê ouvidos aos guias de Jijoca que dizem ser fácil chegar de carro convencional a Jeri - bastaria murchar um pouco os pneus. É fácil atolar, e o carro será inútil em Jeri. Contrate as caminhonetes ou jardineiras que fazem o trajeto. Ligando antes (3369-1296), você pode conseguir que o motorista passe por sua pousada. Serão 40 minutos de sacolejo entre as dunas, sem estrada definida. Na chegada, não tem jeito, você vai levar um choque quando vir pela primeira vez a Duna do Pôr-do-Sol. Os desenhos que o mar faz na areia enquanto desce e sobe seu nível. O jeguinho perdido no meio da praia. E quer saber? O choque será o mesmo na segunda ou na décima vez. Não é a praia mais linda do Brasil? Pense enquanto almoça no Carcará (Rua do Forró, 3669-2013; Cc: D, M, V). Peça um camarão ao curry com manga. A sobremesa tem de ser na Tia Angelita (Rua Principal, 8824-0232), endereço das primeiras cocadas de leite condensado, tortas de banana ou tapiocas da viagem. Tão boas quanto os doces são as histórias que a doceira conta sobre os moradores antigos. No fim da tarde, não adianta querer ser original. Todo mundo vai repetir o ritual de subir os 30 metros da duna, do lado esquerdo da praia, para esperar o pôr-do-sol no mar. E depois todos entram na maratona noturna na vila, que é de respeito. Mas antes se prepare para o tranco. A Nômade (Rua da Farmácia, 3669-2103; Cc: D, M, V) tem uma boa pizza marguerita com mussarela de búfala, tomate e manjericão.
4º DIA
O lado leste
Comece a manhã preparando a seguinte. Se não quiser pagar sozinho o passeio de bugue até Tatajuba, assunte na pousada se há mais gente com os mesmos planos para rachar a despesa. Reserve na Associação de Bugueiros (Rua Principal, 3669-2284) ou na By Boogie (Rua Principal, 3669-2277). E tire o dia para ver a Pedra Furada. O rumo é o lado direito da vila, no pedaço que leva o nome de Praia da Malhada, a preferida dos windsurfistas. Dá para ir a pé só na maré baixa. Na alta, é preciso seguir a trilha pelo Morro do Serrote até o farol. Ou poupe as pernas alugando um cavalo ou uma charrete. Se for de dia, estique o passeio até a Praia do Preá e almoce no restaurante Azul do Mar (3660-3062), que serve peixes fresquinhos, mantidos no gelo. O filé de robalo grelhado na brasa, acompanhado de batata à dorê, macaxeira frita, salada, farofa, feijão-de-corda e arroz, vale cada minuto de espera - geralmente longa.
5º DIA
O lado oeste, de 4x4
O grande dia do passeio de bugue. Ele segue rumo a oeste, sempre pela praia. O primeiro visual de babar é Jeri vista de longe, com a duna, os coqueiros e a vilinha. Depois vem Mangue Seco, com formações de areia esquisitíssimas que um dia foram mangue "vivo". Daí, após uma balsa improvisada, Guriú. As lagoas pelo caminho são todas fotogênicas. E chega Tatajuba. Aprenda sobre o povoado com a Delmira. Enquanto prepara algum quitute em sua barraca, ela repete com entusiasmo a velha história da Vila de Tatajuba, na margem direita do rio, que foi soterrada pela areia. Peça ao bugueiro para mostrar as ruínas das casas que só foram abandonadas quando as dunas começaram a entrar pela porta. Nova Tatajuba é a vila reconstruída do outro lado do rio. O retorno do passeio é por cima das dunas Dourada e do Funil, com inclinações radicais. E o almoço, na Lagoa da Torta, em restaurantes sobre palafitas. Acomode-se nas redes dentro d'água enquanto aguarda a porção de camarão ou lagosta jamais congelados. Na volta, em Jeri, assista ao recolher das velas de windsurfe ao anoitecer. E, se quiser pegar leve, o Café Brasil (Beco do Guaxelo, 3669-2272; Cc: D, M, V) tem sanduíche de frango com abacaxi e castanha no pão integral.
6º DIA
Vamos chamar o vento
Não é tão difícil quanto parece. Para quem quiser aproveitar, como tantos gringos, o invejado vento cearense, o Club Ventos/Dare2fly (3669-2288; Cc: todos) introduz o turista nas artes do windsurfe. São três horas de aula na Praia da Malhada. Nesse dia, almoce no Mel e Canela (Rua da Farmácia) o PF vegetariano com arroz integral, grão do dia, salada verde, legumes e proteína de soja. E descanse antes da balada porque a última noite promete. Escolha qualquer festa que passe das 2 da madrugada. É quando abre a tradicional Padaria Santo Antônio (Rua São Francisco), com seus pães quentinhos, simples ou recheados, assados no forno a lenha (o de banana é hors concours). Ela só fecha lá pelas 6 da manhã, quando já é hora de dormir.
7º DIA
Desfecho ermitão
Arrume as malas e vá de vez à Praia de Tatajuba. A noite será de total isolamento. O transporte é grátis se você se hospedar na recém-inaugurada Pousada Fazenda Tatajuba (Estrada do Condado, Baixa Grande, 16 km de Jeri, via balsa em Guriú, 3603-1303), passando o dia na piscina gostosa e a noite nos quartos enormes. Querendo mais charme, fique na Pousada Santa Maria (9925-7444, windkitehouse.com), com "salinha" de estar feita de redes e almofadas na areia, quartos simples e um restaurante gostoso, tudo comandado pelos donos, que são espanhóis. Antes de dormir, deite-se ao relento, fique em silêncio, contando as estrelas cadentes.
![]()
Conheça: Guia Quatro Rodas | National Geographic Brasil | Viagem e Turismo
Expediente | Mapa do site | Política de privacidade | Anuncie | Faleaqui
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.
Site melhor visualizado em 1024x768