Na orla, uma vegetação baixinha faz o contorno. Em uma clareira no meio da mata - mas essa você não vai ver da praia -, vive a família do pescador Antônio Carlos, o Carlinhos, filho de dona Rosa. Eles fazem parte das quatro famílias que moram na praia. De vez em quando, o tal Carlinhos é brindado com uma visão que para ele deve ter algo de miragem: turistas fazendo naturismo não-oficial. Quem se importa?
O banho na Deserta é bom, com a água afundando aos poucos. Só não satisfaz o ideal de mar azul-caribe. A paisagem é linda, mas o ângulo é outro.
Quem leva uma bicicleta se dá bem. A areia não afunda e a brisa faz companhia. Os grupos mais animados fazem o roteiro das três paranaenses: saem da Ilha do Mel, pegam a voadeira ao Superagüi e no dia seguinte pedalam até a Barra de Ararapira, o povoado no extremo da praia. De lá, dizem os ciclistas, você consegue um barco para a Ilha do Cardoso, que também tem praias desertaças.
A Deserta do Superagüi fica a 15 minutos de caminhada da vila que concentra o cotidiano da ilha. Lá habitam outros pescadores, barqueiros, crianças e cachorrinhos. A infra-estrutura de turismo é pouca. Tudo faz parte do parque nacional - e é por isso que o sossego ainda reina.
O que motivou a criação dessa área de preservação foram duas espécies de animais em risco de extinção: o papagaio-decara-roxa e o mico-leão-de-cara-preta. Para ver o papagaio, é só fazer o passeio de barco (durante o pôr-do-sol) até a Ilha do Pinheiro. Para ver micos, só com sorte. Para ver alguém mais, procure outra ilha.
O CLIMA Cadê o sorveteiro que estava aqui?
O REFRESCO A brisa que vem do mar
ESCALA SELVAGEM 95%. A freqüência condiz com o nome da praia
AVALIAÇÃO Muita areia para seu caminhãozinho
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