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Nova York

Por um punhado de dólares

Times Square: agora, até o metrô tem luzinha

É verdade que Nova York nunca dorme - e quem dorme em Nova York tem de abrir o bolso. Mas nem é preciso gastar muito em bons hotéis, restaurantes bacanas e peças da Broadway
Eu estava parada no meio da Times Square, tentando entender o que havia de diferente no lugar. Era minha sétima viagem a Nova York e, em quase 15 anos de visitas, já vi muita coisa no principal ponto turístico da cidade: as prostitutas do começo dos anos 90, as megalojas que ocuparam o pedaço por volta de 1995, o policiamento ostensivo pós-11 de Setembro. E a Times Square estava diferente de novo. Foi só quando o sol começou a cair que eu saquei: não é que um dos lugares mais iluminados do mundo - tem néon nos outdoors, luzinha nos teatros, painel de notícias - conseguiu ficar ainda mais brilhante? Agora, até as lojas e as estações de metrô estão enfeitadas de luzes, num efeito meio Disney, meio fogos de artifício em véspera de Réveillon, que consegue deixar tudo com a mesma cara e parece dizer "venha sem medo". Todo mundo vai, e aproveita.

Então eu percebi que o "efeito Times Square de padronização do bairro" - muita gente chamou de "efeito Disney", porque foi só depois de a empresa chegar aos teatros da Broadway, em meados dos anos 90, que os turistas se sentiram seguros para circular por ali - já espalhou sementes também em outros pontos de Manhattan. No Soho, por exemplo. Há dez anos, o divertido era andar por ali entrando e saindo de pequenas butiques, cafés, lojinhas interessantes e bizarras (onde mais, a não ser na Evolution da Rua Spring, encontrar réplicas de esqueletos, fósseis e insetos emoldurados?). Hoje a diversão é descobrir as lojinhas diferentes que sobreviveram à invasão da Victoria's Secret, da Banana Republic e da H&M (a Evolution, oba, não saiu do lugar. Nem a Dean & Delucca, um dos melhores empórios gastronômicos de Nova York, na esquina da Broadway com a Prince).

Ruim? Não, diferente. A vantagem, para os turistas, é encontrar no mesmo lugar - bairros como East Village, Chelsea e o próprio Soho, que já foram mais exclusivistas - características originais e as mecas do consumo que a gente tanto adora. Daí que é perfeitamente possível, para o antes apenas alternativo East Village, preservar a centenária loja de cosméticos Kiehl's (109 3rd Ave.), as garçonetes drag queen do Lucky Cheng's (24 1st Ave.) e uma animada vida noturna, enquanto a GAP abre mais uma filial na St. Mark's Place, uma praça com passado hippie e punk, entre outros movimentos, digamos, menos capitalistas.

Tudo isso só reafirma a máxima de que Nova York não só nunca dorme mas também sempre muda - por isso é que dá vontade de voltar tantas vezes. Um dos raros lugares que sempre encontro com a mesma carinha é o Upper West Side, onde dá pra ver melhor a vida nova-iorquina de verdade (aquele povo correndo pra cima e pra baixo na Quinta Avenida não vale). Manhattan só não muda os preços, sempre altos, principalmente na hospedagem. Então eu sugiro que você separe a grana do hotel, finja que ela não existe e torre o resto com restaurantes, passeios e peças de teatro. Aproveite: numa próxima viagem, Nova York pode estar outra vez diferente.


Por: Gabriela Erbetta | Foto: Alcir Silva

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