A PAMONHA DE PIRACICABA
Qual é a mais famosa? A pamonha de Piracicaba ou aquela que anuncia: "Pamonha, pamonha, pamonha. Pamonha de Piracicaba. É o puro creme do milho verde"? Gravado em 1969, o slogan ganhou as ruas do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo para vender os quitutes preparados pela família Rodrigues. A fama só veio quase duas décadas depois que dona Benedita, a primeira a fazer da especiaria o ganha-pão da família, passou a fabricar as pamonhas em casa e vendê-las de porta em porta, em cestos. O hábito de produzir o quitute à base de milho, entretanto, é secular. Os pioneiros foram os índios paiaguás, habitantes da região. Em 1983, a última descendente dos Rodrigues no ramo da pamonha, a senhora Vasty, faleceu. A produção da família logo foi então interrompida, e até mesmo em Piracicaba é difícil encontrar pamonha. Restam alguns pontos-de-venda, como os ambulantes e, no Mercado Municipal (Praça Doutor Alfredo Cardoso, 336), procure por dona Jussara, que só vende a legítima. O slogan, no entanto, ainda resiste.
A LINGÜIÇA DE BRAGANÇA PAULISTA
Para início de conversa: ai de quem disser, em terras bragantinas, que existe alguma lingüiça melhor que a de lá. Dentre as muitas versões sobre sua origem, a mais difundida é a de que um ex-pracinha, nos anos 1940, teria voltado da Itália com uma receita do embutido na mala. Ele mesmo teria começado a produzir e a vender a lingüiça no Bar do Rosário (Rua Barão de Juqueri, 6), que, a partir da década de 1960, mudou várias vezes de dono - mas nunca de lingüiça. Isso porque a viúva do pracinha, dona Marquita, se incumbiu de transmitir a fórmula a cada novo proprietário: pernil e lombo de primeira, quase sem gordura, temperados com alho e ervas e envoltos em tripa de carneiro importada. Fã da receita, um antigo dono do bar abriu a Lanchonete do Rosário (Avenida Dom Pedro, 1430, 4032-8190), na entrada da cidade, hoje o ponto de maior sucesso. A fama do produto gerou até a criação de uma fábrica, a Lingüiçaria
Bragança (Praça 9 de Julho, 30, 4033-2226), que também fornece a lingüiça bragantina para bares e restaurantes. Em todos os endereços da cidade, a lingüiça ganhou versões secas e frescas incrementadas com pimenta, azeitona e provolone.
O VINHO DE SÃO ROQUE
O primeiro a aproveitar o solo seco e o clima serrano de São Roque para o cultivo de parreiras foi o fundador da cidade, Pedro Vaz de Barros, no século 17. Mas foram os italianos que, ao imigrar para a região, no fim do século 19, trouxeram de sua terra
natal o hábito de beber vinho. Para isso, tiveram de intensificar a produção de uvas. Nascia, então, a fama da cidade como grande produtora de vinhos. São Roque já chegou a ter uma adega para cada 150 habitantes. O vinho produzido ali era o de mesa, obtido
de castas americanas (isabel, bordô, niágara), que não são ideais para esse fim e, em geral, conferem à bebida um sabor doce, semelhante ao de um suco de uva açucarado. Foi esse o tipo de vinho que, até a década de 1990, reinava na mesa do paulista. A bebida, em geral, era envasada em garrafões de 5 litros. Depois dessa época, com a abertura do mercado nacional às importações e a qualificação da produção de vinhos finos brasileiros preparados com uvas viníferas nas regiões da Serra Gaúcha e do Rio São Francisco, o vinho de São Roque perdeu espaço. Mesmo assim, a cidade conta com vinícolas que faturam na contra-mão dos mais exigentes especialistas - e atendem ao desejo da maioria dos consumidores sem grana da bebida no Brasil. A Estrada do Vinho (para Sorocamirim, acesso pelo km 59 da Rodovia Raposo Tavares) é um ótimo programa para fazer com a família. Ao longo de 10 quilômetros, há vinícolas, cantinas italianas típicas que servem o vinho de mesa fabricado em São Roque e pontos-de-venda da bebida. Os melhores são: Canguera (km 9), Góes (km 9,5), Palmeiras (km 10), Vinícola Real d'Ouro (km 1) e Bella Aurora (Rodovia Raposo Tavares, km 56,5).
AS CHUVAS DAS PRAIAS PAULISTAS
Quase não há sol no litoral de São Paulo. Daí vieram os apelidos dados às cidades da região: Caraguatatuba virou "Caraguatachuva"; São Sebastião, "São Sebastrovão"; e Ubatuba, "Ubachuva". A brincadeira, infelizmente, tem fundamento. A Serra do Mar ladeia o Atlântico em todo o litoral paulista. Mas no trecho entre Bertioga e Ubatuba ela se aproxima mais da praia - uma distância que pode chegar a apenas 2 quilômetros. É justamente essa topografia que explica as chuvas constantes no litoral norte paulista. "O ar quente e úmido que vem do oceano precisa transpor a barreira física, a serra. À medida que vai subindo, diminui a temperatura, e o que estava em estado de vapor vira líquido", explica a geógrafa Luci Hidalgo Nunes, do Instituto de Geociências da Unicamp. A Praia de Boracéia, em Bertioga, é a região mais chuvosa do litoral paulista. Por ano caem ali 4 500 milímetros de água, segundo a Unicamp, volume suficiente para abastecer 45 caixas-d'água com capacidade de mil litros. Para ter uma idéia, isso é mais que o triplo do que chove na região metropolitana de São Paulo no mesmo período (1 400 milímetros). O pior é que a época de aguaceiro nas praias paulistas coincide com a alta temporada. "Cerca de 75% das chuvas no estado de São Paulo se concentram na primavera e no verão", diz Luci. E acabam com a praia dos paulistas...
O CHOPE DE RIBEIRÃO PRETO
Todo ano cerca de 1 milhão de pessoas passam pela choperia Pingüim (Rua General Osório, 389, 16/3610-8258, pinguimochopp.com.br), a mais famosa de Ribeirão. Quem vai lá toma chope de uma marca nacional, a Antarctica (fábrica de Jaguariúna). Mas a casa ganhou fama pelo jeito especial de preparar e servir a bebida. Antes de ir ao copo, o barril descansa por 24 horas em uma câmara fria e segue por uma serpentina de 400 metros cercada de gelo. Parte da espuma é, então, descartada para que o colarinho fique cremoso e a bebida possa ser servida. O resultado de tamanho cuidado é a venda de até 100 mil litros de chope (cerca de 250 mil copos) num só mês. O que pouca gente sabe é que nem só de Pingüim vive a cidade. Em Ribeirão há cervejarias artesanais que estão longe de ser lenda. Com ingredientes inusitados como farinha de mandioca e rapadura, as cervejas e os chopes artesanais da Colorado não têm a fama dos do Pingüim mas são os preferidos de muitos ribeirão-pretanos. A fábrica vende a bebida em sua própria choperia, a Cervejarium (Avenida Independência, 3242, 3911-4949). Lá você bebe chopes como o Indica, do tipo premium, que leva rapadura na receita, o Pilsen, que é feito com maltes, lúpulos importados e farinha de mandioca, e o Trigo, que contém mel.
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