Os velhos letreiros em kanji, caracteres japoneses dos quais a Liberdade tanto se orgulhava, foram removidos pela Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors na capital em 2007. Mas os postes de luz com inspiração oriental continuam delimitando o centro do universo nipônico em São Paulo. Apesar do avanço de outros grupos - a colônia chinesa
agora domina o comércio, e a presença coreana é crescente -, a região continua identificada com os primeiros imigrantes do Japão que aportaram em Santos exatos 100 anos atrás. E se identifica ainda mais durante as comemorações do 300 Tanabata Matsuri (tanabata.com.br), o "Festival das Estrelas", em 12 e 13 de julho. Nesses dias, as ruas amanhecem enfeitadas com ramos de bambu amarrados em arco, com origamis na ponta. Ali os participantes prendem tiras de papel com seus pedidos. Culinária, dança e música estão na programação, a partir das 10 da manhã, na Praça da Liberdade e nas ruas Galvão Bueno e dos Estudantes. Vai dizer que a festa não é uma ótima desculpa para chegar cedo e fazer um passeio?
13h
Se você perdeu o Matsuri, tudo bem. Comece um pouco mais tarde pela Rua São Joaquim, aonde se chega de metrô. De lá, desça ao Templo Busshinji (n0 285, 3208-0418, sotozen.org.br), que agenda visitas. Bem na frente estão as ruínas do antigo Colégio Campos Salles (nº 288), destruído por um incêndio em 1992. O prédio está sendo restaurado para abrigar em 2009 o Museu Manabu Mabe, cujo acervo terá pinturas, esculturas, mangás e gravuras típicas do Japão, país natal do artista plástico que dá nome ao espaço. A reforma do antigo colégio faz parte de um projeto de revitalização da Liberdade. Fachadas e ruas vão ser repaginadas, a fiação será aterrada e as lanternas ficarão como novas. As obras devem ser concluídas no fim do próximo ano.
13h30
Mais à frente, está o Museu da Imigração Japonesa (nº 381, 70, 80 e 90 andares, 3209-5465; 3a/dom 13h30/17h30; R$ 5). Pelos 1.592 metros quadrados da área expositiva estão documentos, objetos e fotos sobre a história da vinda dos japoneses.
14h30 Depois de circular pelo museu, hora de dar tratos à bola. Voltando pela mesma Rua São Joaquim, chega-se à esquina com a Galvão Bueno. Siga nela e vire à esquerda para alcançar, quatro quarteirões depois, a Rua Tomás Gonzaga, com uma série de bons restaurantes. O melhor é o Sushi-Yassu (n0 98, 3209-6622, sushiyassu.com.br), único estrelado do bairro. Experimente o guioza (pastel de carne ao vapor), provavelmente o melhor da sua vida. Após o almoço, dá para voltar à Galvão Bueno, passear no agradável jardim japonês - que só abre ao público no Tanabata Matsuri - e circular pela rua. Ali as barracas vendem de kokeshis, tradicionais bonecos japoneses, a potes de doce de gengibre e laranja (R$ 2). Na dúvida entre essa delícia e o verdíssimo picolé melona (R$ 3,50 em média), nova moda do pedaço, fique com os dois.
16h
Hora de encher sacolas. Na mesma Galvão Bueno dá para comprar produtos japoneses e lembrancinhas graciosas na Hime-Ya (n0 54/ 60, 3341-4678). A loja tem papel para dobraduras (R$ 5), livros que ensinam a arte do origami (R$ 30), marcadores de texto, bonequinhas e outras miudezas. No começo da rua fica o Toori, portal de entrada do bairro. Ali está a popular Feira da Liberdade (feiradaliberdade.com.br; sáb 9h/18h, dom 10h/19h). As barracas vendem de tudo: tempura, bolinho de polvo, guioza, yakisoba, acarajé e cocadas. Perto dali fica a Livraria Sol (Praça da Liberdade, 153, 3207-6367, livrariasol.com.br), com livros e revistas em japonês.
17h
Ainda há muito a explorar. A próxima parada é a Rua dos Estudantes. Do lado esquerdo, a Yoka (n0 37, 3207-1795, yoka.com.br) é conhecida pelo pastel sequinho e bem recheado. No extenso cardápio há os sabores de carne-seca, bacalhau e queijo. Guarde um espacinho para mais guloseimas. A Bakery Itiriki (n0 24, 3277-4939), em frente, vende doces, folhados e quiches, além de pão chinês (R$ 4,30), do onipresente doce de feijão (R$ 2,90) e do brasileiríssimo bolo-de-rolo (desde R$ 2,90). Por ali também existem boas opções de compra. Na Mercearia Oriental (n0 38, 3209-8830), encontram-se a preços camaradas todo tipo de comida importada do Japão e artigos orientais, como recipientes para saquê, sushi, sashimi e guioza. Já a Futon Shop (n0 55, 3208-1518) é especializada em móveis com o futon (desde R$ 578) e almofadas (a partir de R$ 158), além de luminárias.
19h
Depois do tour de compras, vai dar fome de novo, pode apostar. Rume para a Rua da Glória, onde está o Sendai (n0 148, 3241-1129, restaurantesendai.com.br), outra tradicional casa da região. O salão estreito e comprido tem mesinhas baixas e balcão de sushi. O dono, Nobuya Omura, costuma sugerir o combinado que leva o nome do restaurante, com 30 fatias de pescados e 34 bolinhos.
20h30
O karaokê, um dos passatempos preferidos dos japoneses, tornou-se sucesso no Brasil: só em São Paulo há 117 casas especializadas. "Música faz bem, né?", especula Eiko Harada, gerente da Choperia Liberdade (Rua da Glória, 523, 3207-8783), uma das casas mais conhecidas do bairro. O lugar recebe até 800 pessoas às sextas e aos sábados, as duas noites mais concorridas da semana, e atrai também pela decoração kitsch, com espelhos e luzes coloridas. O públicoé tão variado quanto a seleção musical de 30 mil canções em inglês, japonês e português: há notívagos, universitários, modernos, executivos japoneses em visita à cidade e aspirantes a Zezé di Camargo. E assim, cantando hits cafonas, música pop e MPB, a noite termina.
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