Airis T940
Máquina de achar caminhos
Em meus 30 anos e fumaça de São Paulo já fui para quase todo lado. Das balsas da Billings aos becos que atravessam linhas de trem. Considero-me, imodestamente, uma máquina de achar caminhos. Posto isso, digo, como FHC, esqueçam o que eu escrevi. Passo o título a uma máquina menos metafórica - o navegador que testei para esta reportagem.
A redação propôs que fizéssemos as mesmas rotas com GPS diferentes. De pronto sugeri a Cantareira, por onde sempre andei. Mas, confesso: "sempre andei" pelos caminhos oficiais da serra - as estradas de Santa Inês e a da Roseira, a Curva da Macumba etc. Perder-me pelas transversais de terra, pelos caminhos dentro dos condomínios, isso era novidade. O Airis preencheu essa lacuna numa quarta-feira de junho gloriosa.
Havia duas referências no nosso teste. O Velhão, bico, e a Quinta da Canta, charmoso restaurante by appointment numa quebrada na saída do Condomínio Reserva das Hortênsias. Como o Velhão e a Quinta estão numa latitude próxima, bastava encontrar a rota e seguir por poucos minutos. Mas vai fazer isso sem um navegador...
Se eu precisasse localizar minhas metas pelos pontos de interesse, estaria na pior. Nem o Velhão nem a Quinta aparecem na lista. Mas os endereços estão firmes e fortes na base do Airis. Uma vez no Velhão, reprogramei meu destino para a Alameda Bélgica, onde fica a Quinta. E lá fui eu por caminhos nunca dantes caminhados. Da Estrada de Santa Inês ele logo pediu que eu tomasse uma rua à direita e, passadas algumas viradas, me mandou entrar no Condomínio Alpes da Cantareira. Fui seguindo até chegar a uma das portarias de saída e logo vi que estava numa estrada conhecida.
Uma palavra sobre a orientação que o Airis dá para chegar à serra: vindo da Zona Oeste, ele entende que o melhor caminho é pelo Jardim São Paulo ou pela Zona Norte "real", com direito a passagens por Cingapuras, camelódromos, vias hipermovimentadas, como a Avenida Parada Pinto, etc. Uma roubada, em suma.
No segundo teste, programei o GPS para o modo Pedestre. A idéia era ir à Liberdade, mas me lembrei de algo bem mais desafiador, um caminho pela Vila Madalena com direito a escadaria. Estava na hora do almoço, e pedi as opções de restaurantes. O Airis, como os concorrentes, lista os estabelecimentos por distância, a começar pelo mais próximo. Aceitei a sugestão do Tanger, marroquino com almoço executivo a 17 pratas. A rota era convencional, pela Rua Purpurina. Almoçado e precisado de um café, o Airis indicou a Helô Doces. Segui, mas o estabelecimento é para cursos e palestras - niente de um expresso.
O desafio de verdade era a escadaria na Rua Rodésia. Quando galguei os degraus, o navegador me deu a posição correta, mas sem o tracejado. Era como se a rua se interrompesse, o acesso pelas escadas não existisse e eu andasse sobre o éter. No mundo do GPS, eu deveria subir o ladeirão da Rua Purpurina. Conclusão pedestre: não use o modo Pedestre.
Guia Quatro Rodas Mio C320
TomTom Go 720
Garmin nüvi 200
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