Quem já teve um acidente na estrada sabe o transtorno de esperar o socorro chegar. Quando o problema ocorre no exterior, e com um carro que não é seu, a dor de cabeça triplica. No caso, Adriana reclama da falta de comunicação dentro da empresa com suas filiais. "A loja espanhola, onde eu aluguei, e a filial francesa, onde aconteceu o acidente, pareciam não saber quem era o responsável", conta. Com muito custo, a blogueira do portal viajeaqui.com.br e autora do livro De Mala e Cuia - Tudo o Que Você Precisa Saber para Morar, Estudar, Trabalhar e se Divertir na Europa (ed. Jaboticaba) conseguiu ajuda da Europcar para seguir viagem. Segundo ela, com um "carro velho".
O QUE DIZ A EMPRESA
O departamento de comunicação da Europcar pediu desculpas à nossa blogueira pelo inconveniente. Mas alega que o caso já parecia ter sido resolvido. "O serviço de atendimento ao cliente os reembolsou com uma diária e quilometragem extra", diz a nota. Segundo Adriana, o atraso na devolução em Barcelona foi conseqüência da demora em resolver o impasse. "Eles deveriam ter nos devolvido todo o aluguel", disse.
QUEM TEM RAZÃO
É notável a falha da empresa em relação à prontidão da assistência. Mas Maristela Basso, professora de direito internacional da USP, adverte sobre a necessidade de verificar tudo que foi combinado previamente no contrato. "Muitas vezes os clientes não acionam a empresa do modo exigido e acabam perdendo vários direitos." O conselho da advogada para quem pretende viajar em um carro alugado no exterior e não tem habilidade com o idioma estrangeiro é contratar o serviço ainda no Brasil para não haver mal-entendido. Se, como Adriana, o viajante tem fluência no idioma, é sempre bom ficar atento aos termos técnicos das letras miúdas.
O QUE FAZER
Adriana pode entrar com uma ação indenizatória por danos morais contra a Europcar ou procurar algum órgão de defesa do consumidor espanhol. A jornalista tentou a última opção, mas não obteve êxito. "Para a empresa, o fato de eu não ter pago uma diária a mais, porque perdemos a hora de devolução, já foi o suficiente", lamenta. Para quem não é residente no país em que ocorreu o incidente, Maristela recomenda registrar uma queixa no órgão local equivalente ao Procon antes de voltar para casa. Segundo a especialista, costuma haver guichês de tais departamentos nos aeroportos. "Muitas vezes, essas instituições já acionam as empresas, as quais podem preferir resolver a questão de modo amigável para não entrar em um processo", explica. Também é possível mover uma ação contra a empresa na volta para o Brasil. Há, inclusive, algumas vantagens nesse procedimento. "O cliente estará duplamente protegido: pelo direito do consumidor no Brasil, onde ele é residente, e pelas leis européias, onde foi celebrado o acordo."