VILA MADALENA
A Vila Madá, para os íntimos, é o bairro mais visitado por quem chega querendo entender São Paulo. Segundo a SPTuris, a empresa municipal de turismo, 26% dos viajantes dá ao menos uma passada pela Vila, que guarda apenas resquícios de 20 anos atrás, quando era reduto de estudantes, artistas, hipongas e, claro, dos velhinhos portugueses que foram os primeiros a chegar à região. Antigamente, a área toda pertencia ao Sítio do Rio Verde, que foi loteado pelo proprietário. Ele rebatizou as terras com o nome de suas três filhas, e assim nasceram as vilas Beatriz, Madalena e Albertina, que, de tão pequena, fundiuse na Madá. As casas, de frente estreita com escadarias e pomar nos fundos, nos últimos 15 anos foram ocupadas por lojas originais, como a Antes de Paris (Rua Aspicuelta, 194, 11/3819-6046). A proprietária, Gisele Minasse, de 39 anos, viu o lugar se transformar. "No começo dos anos 90, eu já morava na Vila. Fazia arquitetura na USP, costurava e queria um lugar para vender as peças que produzia. A solução foi a mais caseira: alugar uma casinha e pôr o sonho para andar, sem grandes pretensões. Hoje é diferente. Tudo se profissionalizou, o público é de alto poder aquisitivo. Mas mesmo assim continua sendo um lugar acolhedor", conta Gisele.
Jane Thompson, de 30 anos, publicitária inglesa, já tinha ouvido os amigos paulistanos falarem maravilhas do bairro. "Cheguei ontem, me hospedei nos Jardins, mas vim direto para cá. Realmente é tudo muito simpático e em cada loja descubro um pouco do Brasil", diz ela, enquanto olha a vitrine da Oficina de Agosto (Rua Harmonia, 243, 11/3031-6169), que reúne peças finamente entalhadas em madeira por artesãos de Minas Gerais. Logo acima, a Marcenaria Trancoso (Rua Harmonia, 233, 11/3816-1298) traz um pedaço da Bahia para essa ladeira deliciosa de escalar. Os móveis e as peças decorativas são feitos artesanalmente com madeiras nativas certificadas, como o simpático cabideiro que tem forma de macaco (R$ 160). Na Feira Moderna (Rua Fradique Coutinho, 1246, 11/3812-7431), o acervo de arte popular está em um só lugar e o ambiente é de feira mesmo: tem artesanato, moda, café e jardim. As roupas são criadas por Sueli Galdino, dona da loja, e a seleção de centenas de objetos foi feita em parceria com o marido, Carlos Buzolin, sempre com a mesma inspiração renovada em muitas viagens pelo interior do Brasil. Há brinquedos coloridos, feitos de latão (R$ 47), trazidos da feira pernambucana de Caruaru.
Do outro lado da rua, uma portinha estreita e envidraçada dá passagem a uma loja com sabor de infância e que também traduz um outro lado, mais singelo, da Vila Madalena. A Busy Bee (Rua Fradique Coutinho, 1109, 11/3816-6664) produz chocolates artesanais em formato de peixe, de Fusca, entre outros, e embrulhados em papel laminado colorido e fininho, como antigamente. Ao lado, a H Presentes (Rua Fradique Coutinho, 1111, 11/3812-1910) é outra viagem no tempo, com dezenas de badulaques psicodélicos e divertidos, como as cigarreiras com imagens dos Beatles e dos Rolling Stones (R$ 55).
Esse mesmo espírito lúdico está em várias lojas de grifes consagradas. Na do estilista mineiro Ronaldo Fraga (Rua Aspicuelta, 259, 11/3816-2181), figurinha carimbada na São Paulo Fashion Week, os manequins são suspensos a quase 2 metros e cobertos com vestidos de tule fininhos. Como em um sonho, o ambiente é perfumado e as roupas têm tecido e corte inusitados, como casaco de veludo estampado de noivinhas (R$ 510). Roupas confortáveis e com cortes originais, mas sem dar a mínima para modismos, são a especialidade da Satiko + Isabel (Rua Harmonia, 478, 11/3032-4905), no 2º andar ficam as promoções, e a liquidação acontece em agosto. Uma casinha irresistível é a loja-ateliê de Rebecca Grberoff, que produz as bijoux mais transadas do pedaço, feitas de contas de vidro e prata (de R$ 28 a R$ 280). É só entrar pelo corredor que leva ao quintal gramado, onde as peças estão expostas. Outra alegria de quintal é o da Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, 11/3814-5811). Tomando café ali, sob jabuticabeiras, dá até para esquecer que a cidade é caótica...
A Madá muda de roupa por volta das 10 da noite. Aí, as vitrines mimosas são ofuscadas pelos néons, os amigos se juntam e a noite ferve, seja lá qual for a sua idade, seja qual for o dia da semana. O Posto 6 (Rua Aspicuelta, 644, 11/3812-7831) é apenas um dos disputadíssimos da Aspicuelta. Lá o povo beberica comendo carnes ou peixe cru enquanto o telão exibe provas de esportes radicais. A paquera rola solta da happy hour até a alta madrugada no Astor (Rua Delfina, 163, 11/3815-1364), onde sempre tem fila de espera. No ambiente que lembra os anos dourados, o chope é bem tirado e as receitas clássicas fazem sucesso, como a empadinha (R$ 5) e o picadinho de filé (R$ 36). Para dançar, siga até o Lanterna (Rua Fidalga, 531, 11/3031-0483) ou ao eclético Marcenaria (Rua Fradique Coutinho, 1378), que tem mesas ao ar livre, palco para shows de pop rock e pista com black music. Depois de tudo, a parada é na Villa Grano (Rua Wizard, 500, 11/3817-4695), com pão quentinho, delicatessen e restaurante - a padaria funciona 24 horas e é a preferida de quem gosta de voltar para casa só depois de o sol nascer. Detalhe final: só na Vila Madalena, em nenhum outro lugar do mundo, a Rua Harmonia cruza com a Rua Purpurina - esse é um lembrete de que a vida pode ser leve e bem curtida. (Por Liliane Oraggio)
HIGIENÓPOLIS
Caminhar. Esse é o melhor jeito para desvendar as ruas planas desse outro bairro encantador da capital e o lugar certo para dar uma espiadela no dia-a-dia do paulistano abastado. Vale misturar-se aos moradores que passeiam com seus cachorros ou levam os bebês à Praça Buenos Aires. Essencialmente residencial, esse pedaço de São Paulo esconde ícones da arquitetura modernista, como o Edifício Louveira, que fica na esquina da Praça Vilaboim com a Rua Piauí e é assinado por Vilanova Artigas.
Entre uma bela construção e outra estão várias sinagogas, pois esse é o principal reduto da comunidade judaica na cidade. Quem passa pela tradicionalíssima mercearia Zilanna (Rua Itambé, 506, 11/3256-5053) certamente esbarra nas lendárias idishe mamas se abastecendo de guloseimas. Inspirada em similares nova-iorquinas, a delicatessen AK (Rua Mato Grosso, 450, 11/3231-4497) funciona em um simpático sobrado. No térreo estão à venda especialidades judaicas, preparadas com zelo pela jovem chef Andréa Kauffman. No restaurante, no andar superior, o clássico varenicke (massa de origem russa) pode ser degustado na versão tradicional, recheado com batata e cebola, ou no remake de batata-doce ao creme de hadoque (R$ 44).
O bairro também tem boa programação cultural. A Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) abriga o Museu de Arte Brasileira (Rua Alagoas, 903, 11/3662-7198), que promove ótimas exposições temporárias gratuitas. De noite, a programação do Teatro Faap (no mesmo endereço) é diversão certa: as montagens unem diretores e atores consagrados. Os aficionados por arte e fotografia podem visitar o Instituto Moreira Salles (Rua Piauí, 844, 1º andar, 11/3825-2560), que tem sempre as portas abertas para mostras de ótima qualidade e gratuitas.
A charmosa Praça Vilaboim é o coração do bairro, onde há dezenas de bares e restaurantes que convidam a uma pausa para sentir o lugar e perambular por lojas, mas sem deixar de entrar na Livraria Hai Kai (Rua Armando Penteado, 44, 11/3663-4616), que prima pela minuciosa escolha de títulos de arte, moda e arquitetura e temas inusitados, como hotéis sadomasoquistas (R$ 176).
Da frente da Faap, sai a Rua Tinhorão: é a preferida da tribo dos antenados. Ali, a sensação é a Maria Madu (nº 102, 11/3667-9680), especializada em bolsas (em média R$ 300 cada uma) e acessórios criativos. Quem curte jeans importado faz a festa na Santa Vaidade (nº 85, 11/3667-6069), um brechó. Lá, uma calça Diesel seminova sai por 600 reais. Moradora de um sobrado da rua, Verônica Jamkojian (nº 50, 11/3667-2574, veronicaorigami.com.br) é uma artista do papel. A especialidade são os arranjos florais. É necessário marcar hora.
Para uma pausa em outro ponto típico de Higienópolis, o lugar é a tradicional doceria paulistana Dulca (Rua Itacolomi, 639, 11/3129-5561), que fica em uma esquina tranqüila e arborizada. Caso o clima esteja propício, abolete-se a uma das mesas do lado de fora e saboreie uma crostatina feita de massa de canela e coberta com geléia de damasco (R$ 4,80). No entanto, o lugar preferido entre os moradores para o café-com-doce-e-muito-mais é a padaria Benjamin Abrahão (Rua Maranhão, 220, 11/3258-1855), que solta fornadas e mais fornadas para atender a mesas e balcões que ficam lotados nos fins de tarde e domingos de manhã. Entre os mais pedidos, o folhado de queijo branco (R$ 2,70) vale a pena se estiver quentinho.
E no Buddha Spa (Rua Engenheiro Egídio de Souza, 510, 11/3668-7221) todas as dores do bate-pernas turístico serão aliviadas. Sempre há terapeutas disponíveis para uma reflexoterapia: meia hora de massagem nos pés (R$ 66). O forte do spa é o shiatsu (R$ 98 a sessão de 45 minutos). (Por Débora Mamber e Valéria França)
ITAIM BIBI
A pequena Rua Amauri tem meros 400 metros, fica entre a Avenida Faria Lima e a Rua Campos Bicudo, mas ali estão concentrados os points mais badalados e freqüentados, dia e noite, por gente da alta roda paulistana. O mais requintado de todos os restaurantes é o Parigi (nº 275, 11/3167-1575), cuja premiada cozinha é pilotada pelo chef francês Eric Berland. Ele dá o tom a pratos de sua terra natal, como o camarão à provençal (R$ 104). As receitas italianas são assinadas por Salvatore Loi, do Fasano. Antes de cair nas baladas do Itaim, os jovens chiques costumam se livrar da fome no Forneria San Paolo(nº 319, 11/3078-0099), onde sanduíches são feitos com uma crocante massa de pizza. Mesmo sem constar do cardápio de 40 opções, a mais pedida é o cheeseburger especial (R$ 35).
Para quem quer algo mais agitado, o lugar é o Figa (nº 282, 11/3167-4990). O bar no andar de baixo tem estilo lounge, com sofás deliciosos para aconchegar a paquera. Vale provar a porção de pastel de brie com sálvia e molho de framboesa (R$ 28).
Praticamente a rua toda pertence a João Paulo Diniz, herdeiro do grupo Pão de Açúcar. Ele mandou derrubar uma das casas e construiu uma simpática praça, onde se pode sentar para jogar gamão ou dama. (Por Débora Mamber)
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