O lugar que serve de base ao turismo é o povoado de San Pedro de Atacama. Fincado entre um grande salar e o altiplano andino, fica a quase 2 500 metros de altitude. Com infra-estrutura surpreendente para seu isolamento, o vilarejo tem hotéis cheios de mordomia, pousadas, campings, restaurantes, cibercafés e um ótimo museu de arqueologia - tudo para receber os milhares de turistas que se aventuram por lá. Ao chegar, não se assuste com a secura. Carregue sempre muita água e saiba que é graças à falta de umidade que você poderá observar a imensidão de constelações nas madrugadas atacamenhas.
O passeio pode começar pelo Salar de Atacama, uma vasta planície feita de cristais de sal que formam lagoas habitadas por ariscos flamingos cor-de-rosa e outras pequenas aves. As mais famosas são Chaxa e Cejas, de águas azuis cristalinas e salgadas de doer - você tenta mergulhar, mas o corpo não afunda. À primeira vista, o lugar lembra o fundo seco de um oceano, com crostas de sal de até 70 centímetros, cortantes como navalhas. Mas, conforme você entra no Soncor - o parque nacional dos flamingos -, percebe a beleza do lugar. Ali o vôo das exuberantes aves de plumagem rosa é o único movimento no quadro estático da planície. São centenas delas, que variam do rosado ao alaranjado conforme a idade e a incidência da luz.
Para tirar o sal do corpo siga por mais 40 quilômetros até as Termas de Puritama, um vale cortado por um rio de águas quentes que vem da base dos vulcões e corre por baixo da terra antes de desaguar nas piscinas cristalinas, escondidas em uma improvável fenda verde no terreno rochoso. Ricas em minerais, dizem que essas águas curam doenças reumáticas.
Não deixe de incluir na lista o Vale da Lua, o ponto onde a Cordilheira dos Andes se encontra com o deserto e forma uma coleção de imensas dunas, bizarras formações rochosas e mirantes de onde se avistam quilômetros e quilômetros de terras desabitadas. Muita gente acha que o lugar lembra a Lua, mas os cientistas garantem que é parecido mesmo é com Marte.
Um pouco mais longe, perto da fronteira com a Bolívia, a aventura que acontece a mais de 4 mil metros é a visita às Lagunas Altiplánicas, uma série de lagoas com águas azuis, verdes ou rosadas. No horizonte, um cordão de vulcões com cones perfeitos, cobertos de neve, parece ter saído dos livros de histórias infantis. No fim da rota, o imponente Vulcão Licancabur repousa entre os dois países.
A chave de ouro do roteiro atacamenho é a visita aos Gêiseres del Tatio, uma aventura que requer disposição, já que é preciso acordar às 4 da madrugada, viajar quase 100 quilômetros e subir a 4 300 metros de altitude por uma estrada péssima, sob um frio que pode atingir 30 graus negativos no inverno. Mas vale a pena. Você chegará ao maior campo de gêiseres do Hemisfério Sul já com o sol despontando no horizonte e assistirá à explosão de dezenas de violentos jatos de água escaldante e vapor, criando um colorido fantástico.
Depois de tudo isso, você entenderá por que ir ao Atacama não tem nada a ver com fazer turismo. O vento, o sol, o sal e os contrastes de temperatura e altitude podem até ferir o corpo, mas o efeito que têm na alma é bem mais profundo.
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