Para o psicoterapeuta Flavio Gikovate, essas sensações acontecem porque as pessoas se sentem muito mais leves e desarmadas enquanto estão viajando. "É como se estivessem despojadas de seus papéis sociais, numa confortável posição de 'zé-ninguém', sem horário nem obrigações rotineiras", diz. O ponto de vista é bastante parecido com o que Alain de Botton descreve em seu livro: "Não é necessariamente em casa o melhor lugar para encontrar o nosso verdadeiro eu. A mobília insiste em que não podemos mudar porque ela não muda; o cenário doméstico nos mantém atrelados à pessoa que somos na vida comum, mas que pode não ser quem somos na essência". Viagens - curtas ou longas - transformaram figuras ilustres da história em todos os tempos. Com apenas 20 anos de idade, Johann Sebastian Bach encarou uma caminhada de mais de
A paisagem brasileira foi crucial na obra do pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret, autor de Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Assim como 50 dias percorridos em lombo de cavalo pelo sertão mineiro foram essenciais para que Guimarães Rosa produzisse Grande Sertão: Veredas, sua obra máxima. O americano Henry Miller produziu alguns de seus livros mais famosos, como O Colosso de Marússia e Trópico de Câncer, durante suas incursões a países como a Grécia e a França, entre as décadas de 1930 e 1950. Mais recentemente, em 1986, outro escritor, Paulo Coelho, mudou completamente a sua vida depois de cumprir uma peregrinação de
Para fazer de uma viagem um capítulo inesquecível e transformador é necessário, antes, saber escolher o melhor destino. "Esse capítulo será efetivamente escrito dependendo do que vier a ser vivenciado durante a estada em outro lugar, das reflexões e decisões de vida que serão feitas e tomadas, do que se aprendeu por conhecer ambientes e pessoas diferentes", considera Flavio Gikovate. O simples ato de sair do cotidiano e arejar a cabeça também já pode proporcionar um avanço na busca da sustentabilidade pessoal. "Assim, ao retomar o trabalho e os problemas do dia-a-dia, é possível estar em melhores condições para conseguir as soluções mais adequadas aos dilemas que nos atormentam", conclui o psicoterapeuta.
O empresário Rogério Zagallo é um desses viajantes que se descobriu em uma aventura e voltou para casa de cabeça fresca o suficiente para dar novo rumo a sua vida. Foi em 1994, aos 21 anos. Acabara de perder o emprego, estava sem namorada e em sua conta bancária havia 7 000 dólares. Tinha planos de comprar um carro, até que deu de cara com um anúncio no jornal sobre um trekking de 23 dias ao acampamento - base do Everest. "Disse a mim mesmo: por que não? Embarquei uma semana depois." O dinheiro de Zagallo era suficiente para exatos três meses de viagem, e então ele resolveu conhecer também o Nepal e o Rajastão. Depois ainda teve disposição para ir a Escócia, França, Portugal e Espanha. Zagallo voltou sem um tostão no bolso, mas com a bagagem abarrotada de novas experiências. "Nunca tinha viajado sozinho. Nessa condição você faz exatamente o que quer, mas às vezes toma decisões erradas, corre riscos e aprende a contornar situações. Voltei realmente modificado".
Flavio Gikovate acredita que não adianta se decidir a visitar museus só porque todo mundo acha bacana. "Viajar é a hora de curtir o seu melhor programa, levando em conta as vivências anteriores." O psicoterapeuta faz de seus ensinamentos uma regra para si próprio. "Tenho tido muitas alegrias em minhas viagens de descanso, justamente porque eu e minha esposa sabemos dos nossos programas prediletos, temos gostos parecidos. Apreciamos repetir os mesmos lugares, sempre grandes cidades em que fazemos longos passeios a pé ou de carro. Ir a locais já bem conhecidos parece ativar a criatividade."
A companhia certa é outro quesito importante. Que o diga o casal de professores de educação física Grace Downey e Robert Ager. Os dois se conheceram
Com o orçamento acanhado, o casal procurava a simplicidade para não ter muitos gastos. Prova inconteste de que uma viagem dos sonhos não é necessariamente sinônimo de gastança e ostentação. "Por 10 dólares a diária, desfrutei das praias mais paradisíacas do planeta, em lugares como o Taiti ou as Ilhas Fiji", orgulha-se o fotógrafo Bruno Alves. E aconselha: "Mesmo que o seu sonho esteja um pouco acima do que pode pagar o seu bolso, economize até que consiga realizá-lo. Viajar é investir na própria sustentabilidade".
![]()
Conheça: Guia Quatro Rodas | National Geographic Brasil | Viagem e Turismo
Expediente | Mapa do site | Política de privacidade | Anuncie | Faleaqui
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.
Site melhor visualizado em 1024x768