VT Comandante, ao mesmo tempo que a elegeu como preferida, os nossos leitores atribuíram notas baixas à TAM em pontualidade, conforto, atendimento, preços e comida. Só ganhou em entretenimento a bordo. O que o senhor acha disso?
DAVID BARIONI Pelos critérios da Anac [Agência Nacional de Aviação Civil], somos a empresa mais pontual. Mas precisamos melhorar essa percepção [dos leitores]. É claro que é bem mais fácil para uma empresa de malha aérea pequena, como a Varig, porque impactos de pontualidade e meteorologia causam menos estragos que na TAM, com uma malha complexa. Quando um vôo atrasa às 7 da manhã em Porto Alegre, gera um efeito cascata. Quanto a preços, criamos as bandas para ter desde tarifas econômicas, muitas vezes mais baratas que as da Gol, até tarifas de primeira classe, com direito, por exemplo, a serviço de limusine do aeroporto ao hotel.
O senhor já voou na classe econômica? Como foi?
Sim. A classe econômica é boa no limite do que ela pode oferecer. E o que nós vendemos nesse mercado é espaço, é real estate. Mas nós nunca vamos conseguir contentar 100%, daí oferecermos serviços diferentes.
O preço do petróleo, apontado como o principal responsável pelo aumento das tarifas aéreas em 2008, vem caindo. As passagens aéreas acompanharão essa queda?
Difícil dizer agora. Se realmente o petróleo ficar neste patamar [em meados de outubro chegou a 70 dólares o barril, contra 147 no pico no primeiro semestre], a gente pode rever algumas rotas. Mas o petróleo é um lado da nossa composição de custo.
O senhor era executivo da Gol. Isso facilita na hora de enfrentar novos concorrentes, como a Azul, que vêm por aí? A TAM mantém conversas com a Gol?
Não tem como. A receita do nosso negócio é pequena, e qualquer tipo de acomodação pressupõe perdas para os dois. A Alitalia, por exemplo, está sozinha no mercado italiano, e não consegue sobreviver. Aqui se está sempre querendo pegar o passageiro do outro. O Brasil tem 50 milhões de passageiros e mesmo assim não sustenta mais de duas empresas.
Ao longo do ano foram criadas taxas, como a de combustível, que não foram divulgadas amplamente. É possível melhorar a comunicação?
A taxa de combustível só vale para vôos internacionais. Sou a favor de absoluta transparência em tudo. Nós lutamos muito para fazer um acordo com os agentes de viagem, no qual o cliente [agora] consegue ver claramente na passagem a remuneração do agente, que antes era englobada na tarifa.
Fale com o comandante
Os leitores da VT perguntam a David Barioni
Ainda há aviões da TAM voando com os reversores pinados? Marco Aurélio Piacentini, Nova Mutum, MT
Há, sim, e também no mundo inteiro. Proibido, só em Congonhas. O reversor não é utilizado para parar as aeronaves. Os pilotos, quando pousam, usam o reversor como um extra.
Por que o preço de uma passagem Porto Alegre - Ribeirão Preto pode ser o mesmo que uma para Miami, por exemplo? Joyce Benk, Novo Hamburgo, RS
Joyce, calculamos os preços segundo o mercado, a quilometragem do trecho, o período, entre outros fatores. Assim, pode ocorrer de o valor de determinado trecho ser mais alto que outro de distância até mesmo maior. Temos formulado categorias de tarifa específicas às diferentes necessidades de nossos clientes.
Em horários alternativos muitas vezes só há tarifas Flex ou Max e, ao embarcar, o vôo está vazio. Vocês estão 'escondendo' as tarifas Promo? Ana da Silva, São Paulo, SP
Cara Ana, a TAM estabelece cotas de lugares em cada uma das classes de acordo com inúmeros fatores. Para o mesmo trecho, podem haver até 13 preços, dependendo da antecedência com que a passagem é comprada. A Promo é considerada uma tarifa de oportunidade, com grandes descontos para promoções especiais.
Por que o programa de fidelidade da TAM mudou? No meu caso, apesar de ter acumulado mais de 100 mil pontos, tenho comprado passagens de outras companhias. Afinal, as tarifas mais baratas (ainda assim muitas vezes mais caras que as da concorrência) já não são interessantes para pontuar no Fidelidade TAM. Mônica Gribel, São Paulo, SP
Mônica, nosso programa de fidelidade é pioneiro no Brasil, e já distribuiu quase 6 milhões de bilhetes, num universo de mais de 5 milhões de associados. Temos feito adaptações para facilitar a integração com os programas das companhias estrangeiras com as quais temos acordos - acordos que sempre trazem vantagens aos nossos clientes.
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