A também recém-casada, Maria Carmen, de Campinas, mais escolada, declinou uma tática. "Vou chegar ao hotel e mostrar o convite de casamento. Aí eu e o Rafael ganhamos um quarto melhor. Isto aqui é o paraíso da lua-de-mel, querida."
Vou levar isso em conta um dia. Mas mesmo segurar vela no paraíso da lua-de-mel tem suas vantagens. Cancún, segundo se diz, oferece sol 300 dias por ano. E lá é possível passar o tempo estirado na praia, admirar a cor do mar incrivelmente azul e incrivelmente transparente, mergulhar em Cozumel, um dos melhores pontos do mundo para a atividade (visibilidade de até
Quando bati os olhos pela primeira vez na praia, tive de me esforçar para lembrar que a faixa de areia havia sido totalmente reconstituída. Em outubro de 2005, o furacão Wilma passou dezenas de horas sobre Cancún e, quando foi embora, tudo era destruição. Angelo, guia de uma agência receptiva local, conta que todos os estabelecimentos da zona hoteleira foram atingidos em maior ou em menor grau e que a população, de quase 900 mil habitantes, se desesperou ao ver que a mina de ouro - o turismo - havia sido arrasada. Entretanto, com o apoio do governo e o dinheiro das seguradoras, os hotéis se reergueram ao custo de 20 milhões de dólares. Coube à empresa belga Jan de Nul retirar areia do fundo do mar para recompor a praia. Ao tomar sol no cercadinho de meu hotel à beira-mar - cada um dos 95 estabelecimentos que formam a zona hoteleira tem seu pedaço de frente para o oceano -, tentei entender como foi possível deixar aquilo tão imponente e belo outra vez, e com uma areia tão branca e solta, mas acabei cedendo às tentações da siesta.
Entre as versões repaginadas e os hotéis novos em folha erguidos nessa fase pós-Wilma, o ME (do grupo Meliá) e sua enorme piscina com vista infinita, o Aqua, com oito piscinas de temperaturas diferentes e adega com mais de 560 rótulos (de vinho; de tequilas são 282), e o Le Blanc e seus educados funcionários (um deles na porta para lhe entregar uma toalha de rosto úmida quando você chega da rua) merecem menção. Eles simbolizam a tentativa de Cancún de atrair turistas sofisticados em lugar dos adolescentes e mochileiros de sempre. É preciso gente para ocupar os quase 28 mil quartos dos hotéis da cidade - Porto Seguro, como comparação, tem 13 mil.
No Oasis Palm Beach, resort em que fiquei hospedada, a piscina era digna de parque aquático e o spa promovia noites românticas com banho de chocolate. Uma das atrações era a mulher que fazia tatuagens de henna nos hóspedes ao lado da piscina. Na água, dezenas de pessoas passavam a tarde conversando ao som (altíssimo) de Shakira, U2 e Coldplay. A maioria com copos cheios de cerveja ou piña colada. Em minha primeira ida à piscina, eu me senti
O passeio da senhorita sozinha do início deste relato era para Chichen Itzá se e outros passeios, o maior sítio arqueológico maia já encontrado. O lugar, uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, é de fato impressionante. Ali está El Castillo, a pirâmide mais famosa da região, com 365 degraus. Aprende-se tanto sobre a cultura maia, cujos prodígios maiores passam pela escrita e pela arquitetura, quanto sobre a cultura local (e muito contemporânea), representada pelos vendedores de artesanato e sua incrível arte da barganha.
Por sinal, acabo de me dar conta de que Cancún poderia ter outro apelido: o paraíso da pechincha. Tudo lá pode ser barganhado. Regateie sempre e, se encontrar resistência, saia andando. Em segundos ouvirá: "Cuanto quieres pagar?" Comprei um brinco supostamente de prata por 10 dólares. O preço inicial era de 33. Os comerciantes estão em todos os lugares turísticos e, no centro de Cancún, nas lojas de rua e no Mercado 28 - uma espécie de camelódromo. Ali, ver vitrines é uma corrida com barreiras. Você precisa desviar dos vendedores que entram a toda hora na sua frente com o objetivo de levá-lo às lojas. Mas brasileiros adoram consumir, e esse contratempo "faz parte", como se dizia. Alguns preços compensam, como os de perfumes e relógios. Os melhores lugares para comprar na cidade são o shopping
Numa noite, na volta de um dos passeios que fiz a Isla Mujeres, onde se pode nadar com golfinhos (a caros 150 dólares) e não muito mais que isso, ouvi um guia a serviço da CVC reservar uma mesa para seu grupo de brasileiros no restaurante Los Pericos, o mais turístico de Cancún. Boa. Era hora de fazer amigos. O dia já havia sido difícil naquele mar que puxava muito. Mas, quando meus futuros novos amigos chegaram ao restaurante, vi que eram três casais, e aí não consegui me juntar a eles. Fiquei numa mesa quilométrica de oito lugares, sozinha. A comida do restaurante era ótima, bem tradicional - tacos, chilli com carne, frutos do mar -, e havia artistas circenses e músicos muy entretenidos. Os poucos brasileiros presen- tes eram os mais animados de todo o restaurante. Como disse o guia Angelo: "Um grupo de 30 de vocês chama tanta atenção que parece de
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