A vertigem não livra nem quem já esteve ali algumas vezes, como eu. Em 2000, fiz as trilhas que partem do Sancho para a Baía dos Golfinhos, à esquerda, e para a Baía dos Porcos, à direita. Todas curtas, de fácil acesso, com mirantes espetaculares. Nos quais você vai parar muitas vezes, extasiado. A tentação de interromper a marcha é constante. Neste ano, quando voltei, quis conhecer o que para mim era novidade: as cachoeiras, exclusivas do período de chuvas (de abril a agosto). Eu esperava uma tirinha de água fraca. Não era. Massageava as costas. Para me secar, desci à areia e virei Verônica à milanesa, inspirada na francesa cinqüentona que rolava a meu lado. Por ali, italianas de topless, brasileiros jogando frescobol e uma mulher pronta para mergulhar, dando passos desengonçados na areia com seus pés-de-pato. Mais tarde, eu soube por seu Maurício, 47 anos e funcionário do Ibama há 20, que "o pessoal fica bem à vontade no canto esquerdo da praia".
As pessoas fazem muitas coisas no Sancho, como de resto em qualquer praia. Mas a mais banal dessas atividades - olhar - é ali a de maior impacto.
COMO CHEGAR A Gol (0300-1152121, voegol.com.br) e a Trip (0300-7898747, voetrip.com.br) voam para Fernando de Noronha desde R$ 2 000. Do centro da ilha se pode chegar ao Sancho de barco com a Santuário (81/3619-1247, R$ 80) ou, melhor, de bugue com a Nortax (81/3619-1314, R$ 25). Paga-se taxa ambiental de cerca de R$ 30 ao dia para entrar no arquipélago.
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