Em outubro costuma vir a primeira neve. Chuvinha leve e branca, derrete horas depois. Os dias passam, a gente esquece, até que um belo dia - cabum! - cai mais. Assim vai, o branco chegando de mansinho, a neve caindo e derretendo e um dia ela vem pra ficar. Mas isso geralmente só acontece perto do Natal (culpa do aquecimento global: antigamente, todo Natal era nevado; hoje em dia, não mais).
Quando cheguei aqui, seis anos atrás, achava a primeira neve deprê. Agora, vejo a neve e o inverno no Quebec com outros olhos. Resolvi adotar o lema "em Roma, como os romanos". Comprei um par de esquis, uma boa jaqueta de frio, luvas, botas, o diabo, e aprendi a esquiar (meio mal, ainda, mas pelo menos desço a ladeira sem fazer papelão).
Moro num lugarzinho lindo chamado North Hatley, à beira de um lago, onde as pessoas vêm para passar férias, namorar, andar de barco no verão e esquiar no inverno. Fica uma hora ao sul de Montreal. Tenho cinco montanhas de esqui perto de casa, a no máximo 40 minutos de carro, cada uma com estilo próprio. Minhas favoritas são a Owl's Head, no meio da mata, a Sutton, colada ao charmoso vilarejo homônimo, e a Orford, onde só tem gente jovem e bonita, garotos fazendo manobras no snowboard e happy hour (chamada de après ski) de onde todo mundo sai trançando as pernas.
Então, atualmente, quando cai a primeira nevasca, não acho ruim. Pelo contrário. Logo penso: "Oba! Daqui a pouco vou poder esquiar". Quando a neve está boa (fofa, seca) e a temperatura, perfeita (entre 0 e 5 graus negativos), eu largo tudo e vou para a montanha, sozinha. É, o Canadá pode ser frio, mas tem lá suas vantagens
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