Pierto dos olhos, pierto do corazón
Argentina e Chile talvez nunca tenham estado tão próximos de nós. Quer dizer, faz um tempo que estão ali, mas eram, digamos, como aqueles vizinhos do condomínio que a gente achava esquisitos e descobre, agora, que são supersimpáticos. Um dos motivos para isso é, claro, a valorização do real. Mas eu acho que limitar o sucesso que eles andam fazendo a esse mero dado econômico é uma injustiça. Nós estamos conhecendo melhor o Chile e a Argentina. Nós estamos invadindo, com amor, a casa deles.
Eles merecem, já que têm atrações fantásticas, como você verá nesta edição da VT. Entre outras coisas, a Argentina tem Jujuy, Salta, a charmosíssima Mendoza. O Chile tem o Atacama, o Vale do Colchagua. E ainda não falei dos vinhos e do Messi.
Se você achava que Buenos Aires e Santiago eram tudo o que os hermanos tinham a oferecer, esta revista é pra você. Se você já sabia que as duas capitais são apenas um pedaço da história, esta edição também é pra você. Um dos sinais de que estamos cada vez mais integrados é a banalização do portunhol.
Especialistas creditam que ele será uma língua no futuro, devidamente regrada. Há alguns anos, era simplesmente ridículo. Agora é simpático (até quando vem em versões quase incompreensíveis, como a das broncas do técnico da seleção brasileira de handebol, Jordi Ribera).
Vai longe o tempo em que Violeta Parra, a maior cantora chilena, entoava a belíssima
Gracias a la Vida (
“Y el canto de todos, que es mi próprio canto”) e o pessoal sonhava, de poncho e conga, em despertar a América do Sul para fazer a revolução. Hoje, o próprio neto de Violeta, Angel Parra, tem um trio. De jazz – o que seria impensável em dias antiimperialistas.
El tiempo passa. E
nosotros precisamos ver o que tem do lado.
Cierto?
Abraço,
Kiko Nogueira – Diretor de redação
knogueira@abril.com.br