Plumas e paetês na Barceloca

Muna-se de uma régua e de uma caneta. E ao receber um mapa de Barcelona, trace um quadrado utilizando as ruas Diputació, Balmes, Villarroel e Valencia. Bem-vindo ao “Gayxample”, a parte mais colorida e divertida do “Eixample”, o bairro modernista da cidade.

Durante o dia, velhinhas vão e vêm com carrinhos de compras, casais gays passeiam com Labradores, fashion victims em geral dão vazão a impulsos consumistas em lojas multimarcas e peruas de todos os tipos alisam e encrespam suas madeixas nas incontáveis peluquerias da região. Enquanto isso, centenas de cata-ventos com as cores do arco-íris enfeitam as varandas dos edifícios centenários e pairam sobre as cabeças dos transeuntes. Vai-se o sol e a coisa muda de figura. Ao passo que o barulho do trânsito (que os barceloneses se dão ao luxo de considerar infernal) diminui, um zumzumzum humano invade os simétricos quarteirões do bairro. E milhares de chicos e chicas – cheirosos e produzidos – perambulam freneticamente pelos bares e mais bares da Barceloca.

 O Gayxample não pára de crescer. Há quatro anos, quando aluguei meu apê na esquina entre as calles Valencia e Muntaner, era apenas uma vizinha do bairro. Em pouco tempo, virei parte integrante da festa, o que ficou claríssimo quando recebi, por engano, um convide de casamento, em Amsterdã, entre uns tais John e Gustav, um verdadeiro souvenir dos novos tempos (que, confesso, não resisti e guardei). Assisti de camarote a mais e mais cata-ventos-arco-íris serem fincados nas janelas da redondeza, como se quisessem demarcar território. Pouco a pouco, reparei que os idiomas hablados por ali foram ficando cada vez mais variados, enquanto a bagunça tornava-se progressivamente mais profissionalizada. Bares, restaurantes, lojas, academias, hotéis e até agências de turismo dedicados ao público gay brotaram aos montes. E a cada dia, flyers e cartazes, um mais ousado e elaborado que o outro e, sobretudo, sem nenhum complexo e preconceito, anunciam mais e mais festas e eventos da cidade, como o recente Festival de Cinema Gay e Lésbico de Barcelona.
 Bairro GLS, no entanto, não tem nada a ver com gueto. E se a Espanha foi o quarto país a legalizar o casamento entre homossexuais – depois de Bélgica, Holanda e Canadá – Barcelona já saiu do armário há tempos. Ninguém precisa largar da mão de ninguém ao ultrapassar os limites do Gayxample para alucinar com as obras de Gaudí ou atirar-se nos labirintos do Barrio Gótico. Nariz torcido, pelo menos aqui, é coisa do passado. Cruzar as fronteiras do bairro do arco-íris, aliás, é algo que você não pode deixar de fazer de jeito nenhum. Nem que seja para conhecer um dos ícones da Barcelona Gay: a torre Agbar (foto), carinhosamente apelidada de… uma imagem vale mais…

 
Um hotel
Hotel Axel
Lindo, confortável e badalado hotel gay, estrategicamente localizado no Gayxample. Carrer Aribau, 33, 93 323-9393. A partir de €135.

Para ir à caça…
Sweet Café
Para tomar umas copas antes de cair na noite. Carrer Casanova, 75.

Salvation/La Madame
O clube gay de Barcelona por definição. No domingo, o dia mais tresloucado, a festa muda de nome para La Madame, mas continua no mesmo lugar. Ronda Sant Pere, 19-21.

Souvenir
Não importa onde tudo comece, desde que termine no Souvenir, o after-hours mais insano e famoso da cidade (ainda que fique na vila vizinha de Viladecans). Carrer Noi del Sucre, 75, Viladecans.

LInks úteis:

www.gaybarcelona.net
www.barcelonagay.com

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