Você já foi ao Liceu? Então vá

Esta semana preenchi um dos principais gaps do meu conhecimento sobre a cidade. Finalmente fui ao Gran Teatre Liceu (a gloriosa ópera de Barcelona). Não tenho uma explicação plausível para ter passado sete anos aqui sem conhecer este teatro tão magnífico. Simplesmente “comi barriga”, vacilei, dormi no ponto. Só mesmo a companhia de ballet do bonitón Rafael Amargo (fantástica mistura entre ballet clássico, dança contemporânea, stret dance e flamenco) – que fui ver este fim de semana – para me fazer acordar para a vida.

O Gran Teatre del Liceu foi fundado em 1847 em plena Rambla. É um dos endereços mais conhecidos da cidade, que também serve como ponto de encontro (“te encontro na frente do Liceu em meia hora”, sempre digo aos amigos perdidos na cidade). Mas pouco resta de sua configuração original. Dois incêndios tenebrosos quase o apagaram do mapa, um em 1861 e outro em 1994. Ambos destruíram totalmente a sala e o palco.

As duas operações de reconstrução foram uma questão de honra para a sociedade catalã. Após o incidente de 1994, o Liceu foi inteiramente reestruturado. O projeto foi coerente com o modelo original, mas acrescentou uma infra-estrutura técnica muito mais avançada. Do edifício original, sobraram a fachada, o vestíbulo principal e o Salão dos Espelhos, maravilhoso, onde funciona um bar (todo mundo faz questão de tomar uma tacinha de cava, o champanhe catalão, no intervalo, chiquérrimo!)

O mais incrível de tudo é que, ao contrário do que eu preguiçosamente imaginava, não é caro ir ao Liceu. Os ingressos mais privilegiados, óbvio, têm preços salgados. Mas há entradas super acessíveis. Duvida? Para ver um recital com o super-tenor catalão Josep Carreras (em junho do ano que vem), por exemplo, os preços variam de € 13,75 a € 93. Para a fantástica companhia de ballet Sara Baras, agora em setembro (a minha amiga Rachel Verano viu em Madri e recomenda!), os preços são os mesmos. As óperas são um pouquinho mais caras, mas nem assim é desculpa pra ficar de fora: os preços vão de € 24,25 a € 181. E, com a ciência de quem comprou o mais barato para ver Rafael Amargo, garanto que é possível ter uma visão digna do espetáculo até mesmo estando no sétimos andar da platéia.  Basta esticar um pouco o pescoço em alguns momentos, levar um binóculo (que faz parte da tradição da ópera) se quiser captar os detalhes e rezar para que um clone dos Jackson Five não sente na sua frente, como aconteceu com a minha amiga Suzana, autora da foto que ilustra este post.

Se a sua vinda à cidade não coincidir com nenhum espetáculo bacana, vale visita-lo mesmo assim. Os tours guiados custam € 8,50 e os desacompanhados saem por € 4.

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